terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O-Soto-Gari Madureira: A 5ª e Última Sinfonia

O melhor deste trabalho exaustivo (as páginas 1 e 2 foram entregues, cada uma, no prazo de 7 dias, tal como nos prazos de quadrinhistas profissionais; já as demais...) foi a criação das “imagens das palavras”: criar cenas e cenários por cima de narrativa textual foi como fazer Cinema, guardadas as devidas proporções. Assim, além das transposições ‘ipsi litteris’, pude desenhar “cenas inéditas” por sobre passagens do conto (exemplos: as cenas de sexo entre as jovens, nenhuma narrada originalmente; a “idéia da faca”, que se converte, nesta 5ª e última página, numa tesoura que corta as fotos etc.), idealizadas sobre as “entrelinhas” do texto de meu amigo.

Vali-me do recurso do “cineminha” no topo da página para ganhar espaço ao contar toda a ação contínua de Abraão (nome do "sem-face", finalmente revelado ) ao "recortar-se" das fotos de sua relação com Prisclia e escrever-lhe o “bilhete final” – e, para homenagear o Cinema Mudo, os primeiros “quadrinhos em movimento” da História! Quanto ao “miolo” da folha, até então ocupada por uma cena de sexo “não-explícito”, senti que necessitaria do impacto de um “sexo violento”, tal como largamente descrito no conto, onde são explicados os golpes de judô – no meio da pancadaria sonhada como uma vingança tardia por Abraão, fica claro no texto original que toda aquela selvageria passava diretamente pelo desejo sexual reprimido do jovem judoca... Quanto ao final com o “trem do Novo Aeon” (acho que desta vez será possível ler “Novo Aeon – Viações Madureira” na frente do trem: consegui ampliar a página), inovei completamente: o personagem principal do conto não tinha um “final” na Literatura; por isso decidi criar-lhe um – final em aberto, de fato, mas algo que desse uma mínima redenção ao jovem sofredor pelas inconsequências amorosas de sua namorada... Acabei criando a idéia de um trem que não se sabe para onde vai, mas que, pelas referências diretas e indiretas à canção Trem das 7, de Raul Seixas (o nome pintado no trem e a canção tocando ao fundo num ‘micro-system’ de um passageiro na passarela), carrega alguém muito parecido com Abraão – agora, finalmente visto fora das sombras, para um lugar que nem ele mesmo sabe...


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sábado, 15 de dezembro de 2007

O-Soto Gari Madureira Página 4

Emendo este quarto ato como um “réquiem” para o ‘grand finalle’ da 5ª e última página: a morte contida na forma leviana de encerrar um ciclo de uma vida (ou mesmo a própria vida) e as improdutivas tentativas de recuperar os pedaços conduzem e explicam o gradual enlouquecer de nosso “herói” à beira da “resolução” da estória, que retomará a “tragédia anunciada” do primeiro ato. Destaque para a homenagem ao clássico Um corpo que cai e para a filosofia das artes marciais, que ajuda a explicar a “rasteira” sofrida pelo personagem e a conseqüente necessidade de vingança. Quanto à cena central, esta talvez tenha sido a mais bonita que desenhei:duas mulheres como os "dois espelhos" defendidos por Priscila, enquanto na mente de nosso "herói", a coisa toda funcione mais como num jogo de cartas, com a figura dos naipes invertida...

Em tempo: para aqueles que reclamaram (e com razão: consertarei este probleminha quando da edição no Photoshop; acompanhe as legendas de apoio para a Página 3 abaixo) do tamanho das letras da última página, aqui vão as legendas para o que é visto nas telas dos computadores:

Quadrinho 1: "Ela é um anjo. Somos como espelhos, em atalhos que homem nenhum sabe! Ainda te amo, mas meu caso com Márcia é mais forte que eu... espero que tu entendas... Vamos terminar numa boa... Pri".

Quadrinho Central: "Vá à merda! Tudo já foi feito com carinho e com amor, duas coisas que você nunca vai entender!!! Pri".



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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Página 3


Chegando ao terceiro ato, temos um momento de recordações de uma pseudo-alegria para o nosso sofrido personagem: as primeiras experiências sexuais, ao lado de sua musa distorcida, numa “lua-de-fel” em Petrópolis e os filmes no cinema (onde usei o recurso da colagem, brincando com a metalinguagem da ‘pop art’ – vali-me de imagens da cidade fluminense como postais, emendando novas formas de continuar a narrativa; e aproveitei a famosa cena do vôo romântico do romance assexuado de Superman e Lois) além das costumeiras concessões feitas, levam nosso “herói” a acreditar que é feliz com o tão pouco que recebia... Destaque para o “jorro espermático” (quase como fogos de artifício, coroando o mundo de ilusão) e para as “reuniões familiares dominicais” com a família de Priscila (tudo como num insólito programa de TV).



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Em tempo, em função da visualização de algumas das legendas, aqui ficam registrado o que vai escrito nos catões postais do Quadrinho Central:

Postal 1: "De dia saíamos para passear em Petrópolis. À noite, brigávamos para nos conhecer melhor".
Postal 2: "Na última noite, ela me tocou até o limite e se assustou ao ver meu lindo gozo em seu corpo de 'pin-up' semi-nua... Mas não cedeu aos meus apelos, nem às minhas ereções..."

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Semana O-Soto-Gari Madureira/ Página 2


Sobre a segunda página: sendo o mais fiel ao conto, para o personagem de Márcia não tive maiores pretensões: peguei o rosto mesmo da “modelo” loira das fotos eróticas que fucei na internet e usei como “inspiração” para as cenas entre as duas (que permeiam as páginas 1 e 4, exatamente no centro da folha). Mas, para Priscila, queria algo mais: por isso tentei fundir rostos de mulheres que admiro pela beleza – a musa italiana Monnica Bellucci e a modelo/atriz brasileira Aline Moraes.

Ao longo da adaptação, uma cena que, literalmente, inventei, foi a do “sexo com Nossa Senhora”! Devo explicitar que nunca tive, nem terei a pachorra de desrespeitar qualquer Religião (no caso, a Católica, com a Virgem Maria), tampouco a idéia me foi “ensaiada” – ela surgiu, na verdade, com o desenho: no conto, o personagem correspondente ao "sem face" nos Quadrinhos narra, em certo momento, um reiterado sonho erótico que tem com Priscila, possuindo-a embaixo da mesa do padre e sendo surpreendido por uma freira desavisada. Ao desenhar esta seqüência, que mantive fielmente nos desenhos pelo forte apelo visual que traria para o enredo, o pano da mesa do padre foi formando um “manto”, que aproveitei, não me fazendo de rogado com o surgimento insólito deste “presente endiabrado”! Em tempo: a cruz que aparece nesta mesma página (pág. 2) é vazia, apesar de ser tradição na Igreja Católica o uso da imagem do Cristo crucificado – originalmente, por desenvolver nesta estória um estilo realista, concebi a cena com a santa imagem, que retirei, enfim, por razões óbvias...


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sábado, 8 de dezembro de 2007

Queridos blogueiros de plantão, eis os meus primeiros "Quadrinhos Adultos": o conto O-Soto-Gari Madureira, com suas desconexões temporárias em ‘flashbacks’ misturados a uma narrativa atual sobre a pequena tragédia de um rapaz sofrido por perder a namorada para outra mulher, rendeu a minha primeira adaptação (já escrevi 3 roteiros para curtas, mas todos de idéias originais), tarefa árdua, porém enriquecedora, que desenvolvi e desenhei em 5 páginas (folha A4, em vertical) e que apresentarei neste 'blog' a partir de hoje, com um capítulo (ou página) a cada dois dias.

Com vocês, O-Soto-Gari Madureira!



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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

1989

Encerrando a Semana Especial Antigas Ternuras, uma crônica do baú... 'Post' especialmente dedicado a João de Deus (que tinha o álbum de figurinhas do Roger Rabbit) e ao aniversariante Henrique Spencer (grande amigo de todos os cinemas):


1989

Parafraseando o título 1984, da brilhante obra de ficção-científica de George Orwell, as cortinas se abrem para ser exibido o meu primeiro “filme”: “O ano de 1989 – onde tudo começou...” É, daria um excelente título – e com direito a subtítulo! Ali, realmente, começaria todo um ciclo em minha vida...

Além de “ano de início”, 1989 também ficaria marcado como um período de término: não só uma das décadas mais profícuas do Cinema estava chegando a seu fim (juntamente com a década mais pop de todos os tempos), como também começava a esboçar-se o fim do entretenimento com qualidade artística nas telas de uma forma geral, “O fim da magia”...

Literalmente, minha infância fora marcada pelos desenhos animados da genial dupla Hanna-Barbera, pela primeira e única versão do Sítio do Pica-pau Amarelo e pelos programas educativos da Paula Saldanha ao longo de toda a década – já que, mesmo nascido em 77, só começo a ter noção de minha existência, em lembranças firmadas até hoje, a partir dos três anos de idade, tendo realmente “vivido” todos aqueles anos 80... Mas, apesar da forte ligação com a televisão, meu passado de até então ainda não havia sido envolvido nas teias inexoráveis da paixão pela Sétima Arte, a não ser pelas poucas visitas que fiz às salas de exibição, sempre acompanhado de minha mãe, para ver os brasileiros “filmes das férias”, os “blockbusters sazonais” da época: as produções dos Trapalhões.

Naquele tempo não eram comuns as inúmeras opções infantis a que as crianças de hoje têm direito! Assim, o “único dever cinematográfico” para os pais constituía-se em, pelo menos uma vez por ano, agüentar as intermináveis filas de dobrar quarteirão que se acumulavam às portas dos Cines Passeio e Monte Castelo – extintos, tal como todas as antigas salas, à exceção do Cine Roxy (que ainda resiste como cine pornô): o Cine Monte Castelo se converteu em imóvel de aluguel para Igrejas de ocasião e o Passeio foi demolido e refeito como loja de sapatos...

Decerto que a década apresentava filmes que, apesar de não serem infantis, possuíam em suas temáticas alguma coisa que sempre atraía o público infanto-juvenil, arrastando milhões de crianças e jovens de todas as idades, como a fábula de “E. T., O Extraterrestre”, as aventuras interplanetárias de “Guerra nas Estrelas”, a aventura recheada de comédia "Os Goonies" ou a comédia fantástica de “Os Caça-fantasmas”; ou ainda outros que, apesar de não conterem em suas películas nada que lembrasse o universo pueril, levavam multidões de menores de 18 anos para suas exibições, como os hits de terror jovem “A Hora do Espanto” e “A Hora do Pesadelo” ou a ficção/terror “Aliens - O Resgate”. Entretanto, nada surgia que me apetecesse, até então, ou a minha mãe, a sair de casa para apreciar, fosse por não ter crescido num meio apaixonado por filmes, fosse por não haver, à época, as maciças campanhas de 'marketing' que lastram atualmente um filme desde a sua fase de pré-produção, induzindo a todos a imergirem no grande mercado existente, praticamente obrigando pessoas de todas as idades a, pelo menos, tomarem conhecimento de um novo título em exibição.

Por tudo isso, somente em janeiro de 1989 é que “debutei” verdadeiramente nos cinemas – “cinema” com letra minúscula, como sala de exibição, diferentemente da arte Cinema –, já que antes só comparecia levado pela minha mãe...

O primeiro filme de que me lembro desta “nova era” de minha vida “mais independente” é “Uma Cilada para Roger Rabbit” (divisor de águas de Robert Zemeckis no gênero fantasia, merecido ganhador do Oscar de efeitos especiais, onde eram fundidas as imagens de atores às de famosos 'cartoons', tudo no mais genial estilo Looney Toones), a que fui assistir com João de Deus, amigo da então recém finda Quinta série.

Ainda não éramos completamente independentes, uma vez que fomos conduzidos de carro pelos pais dele até o Cine Alpha – que depois se tornaria Alpha I, em função da construção de uma nova sala naquele pequeno centro comercial chamado Júnior Center, e que, depois de fechado por alguns anos, em 1995 se transformaria na Sala I dos desqualificados Cinemas Colossal, também extintos –, mas acredito ter sido esta minha primeira sessão sem acompanhantes paternos, tanto que, nas minhas “memórias fellinianas”, aquelas que produzem um mundo paralelo da realidade em nossas mentes, lembro, mesmo que só fantasiosamente, como se houvesse somente crianças na sala de exibição!

Ao longo daquele ano, sucederam-se as “descobertas” dos filmes na televisão e nos cinemas, do mundo mágico dos vídeos quando da aquisição do aparelho de videocassete (quando passei a ver "atrasado" todos aqueles títulos citados no início desta crônica), a Sexta série, e, com ela, as grande amizades do início da juventude – como o amigo Henrique Spencer, que hoje faz 100 anos, digo, 31...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

He-Man

Anos 80: mais nostalgia, impossível... E hoje, com o primeiro "super-herói vascaíno" da infância de toda aquela geração – e um de meus primeiros desenhos no caderninho da escola...


E não é que foi cancelada outra coisa bacana da TV, o desenho do He-Man, que passava naquele programa infantil, o Balão Mágico... É, eu sei que não é bem assim, já faz muito mais tempo do que a minha saudosista memória quer acreditar: Balão Mágico era um programa infantil/grupo musical orquestrado pela Globo (composto por Mike – filho do Ronald Biggs, ladrão do trem pagador inglês –, Tobby, Simony e, posteriormente, Jairzinho, acrescidos do genial Pessini como Fofão e do Castrinho) e que foi cancelado em 1986, mas deixou saudades, não só pelo talento do grupo, que virou “fenômeno nacional” (ao contrário da forçação da Xuxa, sua substituta anos depois, que só sobrevive até hoje por força do poder global), como também por ótimos desenhos animados que marcaram toda aquela geração anos 80, como Smurfs, Caverna do Dragão e He-Man – este, de volta em duas novas séries em dois momentos diferentes: uma, na década de 90, que nada tinha a ver com o original, e outra em 2004, que trouxe para as novas gerações uma nova leva de bonecos e uma atualização para os tempos pós-trilogia O Senhor dos Anéis.

Mas o cancelamento a que me referia no início desta croniqueta não foi o do antigo seriado, produzido entre 1983 e 1985 pela Filmation (a mesma produtora de “clássicos” como Super-Amigos e Tarzan – este último bem parecido com os “modelos” de He-Man), mas, sim, o que a Record, no lastro de saudosismo e/ou da falta de criatividade na TV brasileira (que comentei aqui no último ‘post’), “ressuscitou” por um tempo, recentemente, em sua programação atual (primeiramente aos domingos; depois, semanalmente)! Nem preciso dizer o quanto de emoção um “velhote” de 30 anos como eu, que até hoje tem guardado os bonecos He-Man e Esqueleto em sua coleção, sente ao rever nos dias atuais um produto genuíno dos anos 80 da minha infância...

Popularmente intitulado He-Man e Os Defensores do Universo no Brasil (He-Man e Os Mestres do Universo no original – mas, afinal: quem seriam os tais “mestres”? Todos os que “guerreavam” em Etérnia, tanto os do “Bem”, como os do “Mal”), o desenho que virou febre nacional, apesar das sérias restrições orçamentárias (foi o primeiro “desenho independente” da TV) e fortes limitações de movimentos (um recurso interessante para driblar o problema foi o aproveitamento de cenas repetidas para personagens diversos, baseados, por sua vez, em movimentos de atores reais, como a "corridinha" de He-Man ou o seu famoso pulo “de costas para a câmera”, ambos aproveitados até por Teela).

Basicamente, a reinvenção do gênero “guerreiro/feiticeiro” (então revigorado pelo sucesso de Conan nos cinemas), a ótima trilha sonora e uma boa dose de criatividade, ávida por driblar a censura a qualquer tipo de violência nos desenhos (tanto que até um psiquiatra tinha contrato fixo para escrever as “lições de moral” de cada episódio!), traçaram o sucesso dos personagens criados para vender os bonecos da linha homônima da Mattel (no Brasil, distribuídos pela então absoluta Estrela).

Nunca fui fã de nenhuma outra versão dos guerreiros de Etérnia (especialmente da sofrível “adaptação” para o Cinema, com... Dolph Lundgreen!), apesar de reconhecer o mérito da versão animada dos anos 2000 (exibida recentemente pela Globo): só consigo acompanhar com o mesmo entusiasmo de outrora as antigas estórias desenvolvidas nas duas temporadas em que o programa foi ao ar nos anos 80... Tanto que cheguei a comprar recentemente os ‘boxes’ com a primeira temporada completa (com direito à dublagem original, mais os episódios da basbaquice She-Ra, em embalagem especial em forma de lata, com ‘cards’ e camiseta tamanho G) e, vez por outra, assisto a um episódio, mesmo reconhecendo certo “envelhecimento” na idéia toda (algumas estorinhas soam hoje muito ingênuas, tendo servido apenas para divulgar algum acessório de brinquedo novo da época)... Tal como um amigo meu mais velho revê National Kid em seus DVDs...

Mas fã é assim mesmo: sabe de cor um monte de coisas a respeito e veste a camisa do herói de infância - e, literalmente, a roupa do personagem, como quando eu tinha 7 anos e minha querida mãe confeccionou uma fantasia (coisa inédita naquela época nas lojas)! Sem esquecer as dúvidas eternas, que até hoje me atordoam: se He-Man é o “homem mais poderoso do Universo”, por que ele gemia mais que o Gustavo Küerten para levantar um tronco de árvore? Quais são os “segredos de Grayskull” que tanto seduzem o Esqueleto – seria a resposta à questão de como a Feiticeira, sendo mãe verdadeira de Teela, tem os mesmos rosto e corpo (e que corpo!) jovens da filha (o que justificaria, por exemplo, o senhor da Montanha da Serpente desejar melhorar a aparência)? Como é que ninguém enxerga que o príncipe Adam e o He-Man são a mesma pessoa (só que mais bronzeada) – seria mais um "segredo de Grayskull”? E Esqueleto, que tudo vê naquela bola de cristal, por que nunca presenciou Adam se transformando em He-Man? É... Acho que respostas a estes e a outros questionamentos nem o próximo filme baseado no “Universo MU” (ou “MOTU” - Masters of the Universe), previsto para estrear em 2009, terá...

sábado, 1 de dezembro de 2007


A vida e a obra do ator Brandão, o pai do Brandão Filho. Adquira o seu pelo e-mail popularissimo@gmail.com


Havia nos Morcegos as “Semanas Especiais”, onde, ao longo de três ‘posts’ durante uma semana (época em que eu escrevia bem mais que um ‘post’ semanal...), discorria eu sobre tudo que soubesse de um tema escolhido ao sabor da estação – se se comemorava o centenário do nascimento do Manuel Bandeira, tinha também meu desdobramento sobre o genial poeta! Eis que isso acabou “cansando”, especialmente para aqueles que esgotavam tudo que podiam no comentário ao primeiro ‘post’ e, nos seguintes, desejavam apenas “um ótimo fds”, por exemplo...

Na luta contra o tempo e contra uma conexão pior ainda, deixei de publicar o já costumeiro ‘post’ do domingo no último dia 25... E o talentoso amigo Frodo reclamou postagem nova! Lembro que devo ao caro Frodovino a exibição de minha estória em quadrinhos O-Soto-Gari Madureira! E, assim, resolvi dedicar este último mês do ano para o retorno das semanas especiais, com um gostinho diferente: agora, de dois em dois dias um novo ‘post’, até completar o número de postagens para determinado assunto (assim o Frodo não teria do que reclamar...), cuja “estréia” se daria neste dia 1º com a publicação da primeira das cinco páginas (um ‘post’ para cada página) dos quadrinhos “adultos” que desenhei.

Dezembro é mesmo tempo de confraternização entre os amigos... E qual não é a minha surpresa quando, olhando os convidados do Programa do Jô, vejo o amigo Marco Santos ser anunciado para conversar sobre seu livro, Popularíssimo! Claro que ele havia me avisado antes, mas, graças aos problemas de conexão, fiquei sem saber o dia exato da exibição.

E o Marco é daqueles amigos tirados da cartola virtual: inteligente, boa-praça e ótimo escritor, sempre relembrando suas antigas ternuras... Isso sem mencionar seus inúmeros outros talentos, como o teatro e o jornalismo. Mas o cara tinha que ter um defeito: é flamenguista! Aí já viu: vascaíno tem que falar mais que papagaio pra convencer quem é o melhor do Rio (e que em São Januário há documentos comprovando aquela tese, viu, cabra teimoso?! Rs).

Mas o cara é bom mesmo: tanto que escreveu um livro sobre o teatro num período de que pouco restou em documentação (tirando leite de pedra e do bolso para levar seu sonho à frente) e, ainda, conseguiu falar mais que o Jô, numa entrevista sensacional! E, em homenagem a ele e ao seu carinho pela nostalgia que também compartilho, dou início hoje à Semana Especial Antigas Ternuras (eu sei, o nome é meio efeminado, mas fazer o quê: é o nome de seu excelente ‘blog’...), com crônicas que escrevo sobre minha nostalgia. Meus Quadrinhos ficam para próxima sexta. Acho que o Zé e o Frodo apreciarão as mudanças e o Marco, também – afinal, ele já é do ciclo de amigos íntimos: eu o vi pela TV...!



Reciclão

Ando um tanto quanto consternado com a qualidade da televisão: não faltavam as ausências de criatividade nas já exaustivas reciclagens de antigos programas, ainda acham por bem cancelar coisas interessantes de gente que, começando carreira, parecia prometer bastante, se não fosse a impaciência de algumas emissoras... Só assim para explicar o fim da exibição de dois programas diferentes deste comediante bastante promissor, esse menino... O Ronald Golias!

Poxa, nem bem eu me acostumava com os programas do Bronco e da Escolinha do Golias, a programação já mudou! É realmente uma pena, porque esse rapaz parecia ter futuro... Pelo menos na Bandeirantes, eles continuam com dois humorísticos novinhos em folha, Família Dinossauros (se bem que, quanto a esse, há uma certa cara de Os Flintstones que não sei bem explicar...) e Mr. Bean, com aquele iniciante inglês que é até engraçado homenageando a comédia muda de situações...

Já o SBT... Não entendo mais nada: noutro dia vi as brincadeiras do Domingo no Parque... No sábado à tarde! E o Sílvio, como remoçou! Esse moço realmente é muito bom! Sempre renovando a programação com coisas novas... Não é que, numa dessas minhas madrugadas insones, vi um monte de mulheres bonitas fazendo caras e bocas, sem outra função que não a de exibir suas belezas plásticas, com dois apresentadores (um deles uma bela moça que eu nem sabia que falava...) fazendo brincadeiras com os espectadores pelo telefone, com distribuição de prêmios em dinheiro, numa tal de Fantasia...?

Ando, ultimamente, “fantasiando” também: e se fizessem um programa aproveitando essas mesmas moças bonitas num programa mais ‘caliente’, onde as jovens mostrassem os seios a cada acerto dos participantes? E se o apresentador – que bem poderia ser... Deixa eu ver... O Mielle?! –, ao longo da atração, anunciasse à exaustão um ‘strip tease’ para o final de cada programa... que nunca se concretizasse por inteiro?! Já até penso no nome... Cocktail! É, eu sei, um tanto ousado... Mas o que dizer de ousadia diante do Homem-do-Baú, que, enquanto vida tiver, manterá no ar este rapaz promissor, o Bollaños, com seu novíssimo Chaves?!... E graças a Deus!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Nada, nada, nada, nada...

25 anos de ‘BRock’


Parece que foi ontem: o compacto (antigo formato em vinil, que reunia apenas duas músicas, uma em cada lado) que meu irmão trazia cheio de entusiasmo da AkiDiscos da Rua Grande, devido ao ímpeto da idade (ele tinha 14 anos e eu, 6), foi colocado no “lado errado” – e tudo o que se ouviu foi isso, um Evandro Mesquita ensandecido gritando “nada, nada, nada, nada”... E mais nada! O ‘hit’ Você não soube me amar ficava no lado A (bons tempos que não voltam mais; os tempos são outros, com tudo raso, com um lado só...) e a debochada brincadeira prenunciava uma das mais inventivas bandas de todos os tempos, naquele longínquo ano de 82: A Blitz!

Não dá para esquecer aquelas primeiras impressões: Evandro Mesquita, guitarra e voz; Fernanda “Rio 40 Grauxxx” Abreu e Marcia Bulcão, ‘backing vocals’ (as “atrizes” com inserções de “falas” nas canções, influência de Patrícia Travassos, então esposa de Evandro); Ricardo Barreto, guitarra; Antônio Pedro Fortuna, baixo; William Forghieri, teclados; e Lobão (que deu o nome para a banda, em razão de os músicos levarem muita geral da polícia, mas saltou do barco um pouquinho antes do estouro, sendo substituído por Juba), bateria – sem dúvida, um hepteto repleto de novidades em sons e humor, casal perfeito com aqueles anos de Ploc (ou seria Ping Pong?) e gel New Wave.

Mesquita capitaneava tudo cheio das boas idéias que, logo, logo, transformariam a Blitz num dos maiores fenômenos de massa nacionais: especiais de televisão, revistas em quadrinhos e até álbuns de figurinha compuseram o quadro deste grupo de rock leve, letras bem-humoradas e ‘performances’ teatrais no palco, graças à experiência como ator de Evandro, ex-membro do grupo Asdrúbal trouxe o trombone, e que logo “fez a cabeça” da meninada com seu ‘mullett’ invocado (que meu irmão acrescentou ao estilo topetudo de Pepeu Gomes, outro ícone esdrúxulo da época... Lá em casa só dava jogada de cabelo!)!

Assim foram aqueles ricos anos 80: entre as propagandas de ‘neon’ e as saias-balão, muito ‘pop/rock’ emergiria com qualidades que transcenderiam décadas! Além da precursora Blitz (que, apesar de ter sido formada em 1980, estourou mesmo só em 82), há mais ou menos 25 anos várias surgiam outras bandas que comporiam o cenário do BRock, o rock brazuca, e duas, em particular, celebram esta data especial com ‘shows’ em parceira desde outubro: Paralamas (abreviação básica que sofreram as bandas-de-nomes-absurdos daquela época, como Kid Abelha, que ficou sem os “Abóboras Selvagens”!) e Titãs (uma reunião de vários outros grupos).

No caso dos Paralamas, algumas músicas engraçadinhas, alguns exames vestibulares e a entrada e saída de membros terminaram por adiar um pouco o ‘debut’ de qualidade do conjunto liderado por Herbert Viana, com sucesso mesmo, de público e de crítica, somente a partir do segundo disco ("Óculos", "Me Liga", "Meu Erro", "Romance Ideal" e "Ska" são dos idos de 84 e levaram o grupo a explodir no Rock in Rio do ano seguinte). Mas, enquanto a galera de Vital e sua moto resolveram experimentar no início dos anos 90 com sucesso mesmo só na Argentina e outros ‘hermanos’), a trupe capitaneada pela rebeldia de influência ‘punk’ do “traficante” Tonny Belotto e do “usuário” Arnaldo Antunes (que zarparia para irregulares vôss solos a partir do início dos anos 90) no ótimo “Cabeça Dinossauro”, acabaria no estilo “balada de auto-ajuda” dos Domingos, Epitáfios e Acústicos da vida...

Entretanto, Titãs e Paralamas seguiram viagem quase ininterrupta até hoje, enquanto a Blitz, mesmo com sua grande popularidade até entre as crianças e com o estrondo no Rock In Rio de 85, desfez-se em 1986, depois do terceiro LP, voltando a se reunir ocasionalmente para discos (como o bom “Línguas”, de 99), ‘shows’ ou eventos – afinal, banda no Brasil não acaba (ou se separa): “fecha pra balanço” por tempo indeterminado, até um próximo “lançamento” com os maiores sucessos da “maior banda de todos os tempos do final de semana”... E mais nada, nada, nada, nada...



E pensar que, nessa época, ainda surgiriam tantas bandas bacanas...

domingo, 11 de novembro de 2007

Colecionadores: Esses Incompreendidos...


"As 3 Prateleiras": a parede do meu quarto que mais reúne das minhas coleções...

Certa feita, o genial e multifacetado Nelson Rodrigues disse uma daquelas suas assertivas que já nasciam eternas: “O adulto não existe; o homem é um menino perene”. Chego a concordar com ele, por tantas vezes que me perguntei quando chega a tal “fase adulta”: nas primeiras solidões? Com a primeira relação sexual? Com a Faculdade? Nas primeiras contas a pagar (juntamente aos carnês)? Sempre senti a transição toda muito gradual, suave, quase imperceptível: não me dói o tempo passar; pelo contrário... Mas ainda me espanta o fato de que tenho 30 anos, à beira de um casamento e de grandes responsabilidades, tendo vivas em mim todas as reminiscências possíveis e imagináveis de minha infância e adolescência... Nem mesmo sei como o maracatu começou, mas sei que vou até o fim!

Creio poder definir-me como um sujeito sério e sereno, tendo sempre me sentido, de certa forma, “maduro” (como uma amiga gostava de dizer: “Nas mazelas da vida, sou bastante maduro: vivo caindo!”), desde muito cedo, por volta dos 14 anos, ocasião quando, além de ter descoberto a Bossa Nova, Tom e Chico em contraste aos hits obrigatórios da idade, viria a namorar uma moça mais velha e sempre carregando pechas como as de “intelectual” ou “sisudo”, dado o meu interesse por coisas “centradas”, sempre um pouquinho mais densas que as generalidades permitidas pela doce adolescência... E digo tudo isso porque, muito longe de me achar “infantil”, hoje me vejo gostar de coisas que por toda a vida gostei – e que algumas crianças ainda hoje adoram! E minha noiva Jandira me acompanha, de certa forma (bem à distância, eu diria, quanto a este quesito), com pequenas coleções que lhe “arranjei”: algumas miniaturas (as últimas que lhe ofertei foram da turma do Shreck) e chaveiros, que ela guarda com carinho...

Por exemplo, adoro Animação, gênero hoje muito longe do que antes se denominava apenas como “Infantil”, e coleciono coisas... Não muitas, mas de variados tipos: carros, motocicletas e aeronaves de ferro em miniatura (a maioria na proporção 1:23 cm), cartões telefônicos, revistas em Quadrinhos e bonecos e miniaturas de meus personagens favoritos do Cinema e dos Quadrinhos. Mas também coleciono “coisas de gente grande”, como livros, CDs e DVDs, revistas Playboy (mais de 80 exemplares, com as temporadas completas de 98 e 99 inclusas), fotografias virtuais... Como um menino que reunia as figurinhas do escrete canarinho de 70 em décadas passadas, eu já me vi mesmo comprando figurinhas para um álbum “adulto”, o “Grandes Marcas”, da Editora Três, no início deste mês – o tema: clássicos anúncios da Coca-Cola... Figurinha é coisa de criança? E desenho animado ou Quadrinhos? E Playboy – coisa de adolescente? Curiosamente, eu lembro que a primeira que descobri e “tateei” foi por volta dos meus tenros 8 anos de idade...

Decerto que devem existir inúmeros estudos a respeito do perfil de alguém “colecionador”, buscando interpretar esses incompreendidos com suas “coisas acumuladas”, mas hoje, do alto de meus humildes colecionismos, percebo duas coisas curiosas: aos 14 anos, eu não colecionava nada – o que não me rotularia hoje, por consequência, como um “adulto frustrado”; e, mesmo hoje, ocasião em que “compro coisas”, ainda posso dizer que estou bem distante do que se possa chamar de um legítimo “colecionador”, a não ser pelo fato de reunir itens bacanas de que gosto e de “jogar dinheiro fora” para comprá-las (“E quanto foi este boneco?” “É uma action figure cheia de pontos de articulação... R$ 65,00” “O Quê?!”). E isso eu descobri depois de conhecer gente da mais alta estirpe: como uma trupe de alienígenas escondidos na Terra de algum filme de ficção científica, muitos desses colecionadores já estão entre nós – e com capacidades muito além de nossa vã compreensão...

Cito um exemplo bem ilustrativo, digno de uma clássica história em quadrinhos: numa recente pós-graduação que cursei numa faculdade local, reencontrei uma antiga colega, Valéria, que então estudava com seu esposo Maurício, sujeito muito simpático que conheci e com o qual passei a conviver uma semana por mês e em alguns encontros fortuitos por São Luís... Eis que Marv Miller (“identidade secreta” virtual de Marco Aurélio, um “pacato funcionário” do Fórum local que conheci por intermédio de outra amiga) surge no mundo virtual e cria uma Comunidade no Orkut chamada “Toca dos Quadrinhos”, a fim de arregimentar aficionados e simpatizantes do universo pop dos desenhos e das revistinhas de ontem e de hoje – e onde se cruzariam estes “universos paralelos”?

Para a minha grande surpresa, na tal comunidade eu descubro Ship, cuja coleção invejável de mais de 500 bonecos articulados estava ligada a um perfil com uma foto que me pareceu peculiar... Era o Maurício: o maior colecionador de miniaturas action figures deste Estado! O mesmo cara da Pós que, algum tempo depois, confessou-me ter mantido esta peculiaridade incrível, por muito tempo, em segredo – tal qual um bom herói das HQs...

Lá se ia minha ilusão de que eu possuía uma “coleção de bonecos”: Sr. Incrível (brinde do McDonald’s), Batman e Robin (Série DC Superheroes), Super-Homem (com a cara do Brandon Routh, de Superman, O Retorno), Darth Vader (Star Wars), He-Man (da série clássica, da Estrela), Lion (dos Thundercats clássicos, da extinta Grasslitte) e Wolverine (com a cara do ator Hugh Jackman, do filme X-Men), dentre outros (num total de 30 bonecos), simplesmente arrefeceram quando visualizaram uma das primeiras fotos do Flogão (espécie de ‘site’ de fotos pessoais) do Maurício – este, sim, um colecionador inveterado!

E o tal do Marv, digo, Marco Aurélio, não ficava atrás quando o assunto eram Quadrinhos: inúmeras obras raras e até de nacionalidades distantes dos grandes eixos pop DC/Marvel, editoras norte-americanas famosas das quais eu mais tinha revistas, faziam, por sua vez, sombra às minhas parcas revistinhas (pouco mais de 200 da “coleção” antiga, compradas na infância, e cerca de 100 das “encadernações especiais” da fase pós-adolescência) compradas na banca mais próxima de minha casa...

Ciente, então, de minha “insignificância” como colecionador, eis que descubro a adorável figura de D. Maria Lílian: comentando sobre alguns títulos em voz alta, como que puxando assunto, nas Lojas Americanas (meu terceiro “santuário”, logo depois de uma livraria e de uma banca) de um shopping local, aquela senhora inteligente de 55 anos (ela mesma fez questão de revelar a idade, dentre outras coisas maravilhosas como deliciosos exemplos de vida...) acabou por tornar-se uma agradável companhia nas quase duas horas de bate-papo – e sobre quem, finalmente, “ganhei” em comparação numérica: no caixa, comprando 6 filmes de uma vez, aquela figura ímpar brincava: “Rápido, moça, passe logo pra cá estes DVDs, que eu tenho que ganhar dos 85 títulos que esse rapaz tem!”...

E nem só de coisas genéricas vive o mundo da coleção: duas semanas atrás fui apresentado ao chefe de Jandira, o Sr. Monteiro, o glorioso “colecionador dos filmes vencedores do Oscar”! “Mas o senhor tem TODOS os ‘oscarizados’, de todos os tempos?” “Estou quase lá, rapaz...” “E as animações vencedoras? Ou os Oscars de filmes estrangeiros?” “Humm... Não havia pensado nisso...”! Sem esquecer os mais de 200 títulos (que ele não aluga – compra!) desta “série oscarizada” inusitada, S. Monteiro ainda reúne peças raras, como antigos bonecos de ferro de guerreiros medievais e soldados da Segunda Guerra, por exemplo... Nem preciso dizer que meus hoje parcos 88 títulos em DVD (entre boxes e edições especiais originais, afora algumas gravações e outros títulos em VHS) ficaram acanhados tão logo souberam de S. Monteiro...

É com encantamento que percebo este “multiverso” até há pouco desconhecido para mim, a não ser por um ou outro amigo mais viciado de longas datas (como Dennis, que desde a oitava série compra gibis e sabe tudo dos super-heróis ianques) e fico contente em ver que tais “manias infantis” vão, aos poucos, contagiando mais e mais pessoas que não têm vergonha de “guardar trecos” com ou sem valor – e de dizer isso em alto e bom som! E o mais engraçado é que, mesmo “perdendo feio” para estas feras, acabei por perceber que saí ganhando: adulto ou menino, dei agora para colecionar amigos com histórias incríveis...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O Cão Chupando Manga...


Nunca fora muito fã do ator Matt Damon, mesmo sendo ele um dos que mais sabem do riscado em Hollywood (alternando ‘blockbusters’ obrigatórios com filmes mais densos, tal como o companheiro George Clooney), mas devo reconhecer que Jason Bourne (ou David Webb ou qualquer outro nome que se descubra desse enigmático matador da CIA) já é um dos personagens imortais da galeria do Cinema mundial! Afinal, o cara é mesmo o “cão chupando manga”: detetive infalível, mestre em várias modalidades de luta e perito em aparecer do nada e voltar para o mesmo lugar-nenhum são qualidades bem conduzidas pelos dois diretores da série (Liman, apenas produtor dos dois últimos, assumidos por Greengrass, de Vôo 93). E, além de ressuscitar o gênero de ação/espionagem, essa trilogia joga, pelo menos em tese, James Bond e Batman no chinelo – Bourne faz todas essas proezas com um tiro no ombro, mancando e dentro de um táxi russo vagabundo, sem recorrer a nenhuma armadura emborrachada ou a algum Aston Martin ou Batmóvel cheio de traquitanas! Nem bem acabei de ver a reprise, no domingo retrasado, de A Supremacia Bourne na Record (atrasadíssima por causa de outro “cão”, o Bispo Edir Macedo, que resolveu rememorar a “injusta” prisão que sofreu em 92, numa matéria absurdamente capciosa, com a imagem do embusteiro religioso como um “mártir”, que acabou atrasando a divertida Heroes e, conseqüentemente, a sessão do filme), já me viro em dois para ver uma prometida cópia pirata (não vai dar pra esperar o lançamento em vídeo...) que um amigo me prometeu de O Ultimato Bourne...


Mas foi um legítimo “cão” que marcou as sessões de Cinema neste final de semana lá em casa: Jack Nicholson, como o inesquecível Jack Torrance de O Iluminado, de Stanley Kubrick, baseado no livro homônimo do mestre Stephen King, ainda é insuperável na interpretação do escritor que enlouquece lentamente como zelador da temporada de inverno rigoroso de um hotel nas montanhas do Colorado. Mas justamente esse enlouquecer não tão lento (na verdade, bem rápido, longe das várias camadas psicológicas que melhor justificavam a loucura do personagem no livro, como o alcoolismo esquecido no filme, por exemplo), juntamente com um enredo que simplifica demais as interessantes tramas bem exploradas no livro e abandonadas na película de Kubrick, acabaram por “diminuir” bastante este filme de horror psicológico. Não se podem negar alguns méritos, além da interpretação que esgotaria para sempre os maneirismos faciais de Nicholson: a fotografia feita em estúdio (com alguns ‘takes’ da fachada externa de um hotel do Colorado) e algumas cenas marcantes (como os passeios de velocípede de Danny pelo hotel, sempre surpreendidos por algo assustador, e o banho de sangue que jorra das portas do elevador) prendem a atenção e impressionaram toda uma geração de fãs por décadas... Mas, desta vez, fiquei com a maioria dos “adoradores” do livro: tudo bem que adaptações não devem necessariamente ser idênticas aos originais, mas a soma de tantas cenas longas e sem diálogo como única justificativa para a “vida” do Hotel Overlook evidenciam que o filme é pobre em desenvolvimento de personagens e, se não decepciona (afinal, estamos falando do gênio Kubrick), envelheceu como filme de horror e cai em armadilhas tolas, como alguns sustos desnecessários e ainda o “dedinho falante Redrum” do garotinho, que acabou se “apagando” diante de um verdadeiro capeta iluminado vivido por um ator que, guardadas poucas exceções (como o belo Confissões de Schmidt), a partir de então, só se repetiria...

A taça do mundo é nossa...


Enfim, nossos problemas acabaram: até 2014, a saúde, a educação e a infra-estrutura do País darão saltos olímpicos para a segunda Copa do Mundo no Brasil! Não vejo porque demoraram tanto para descobrir que o Futebol é que salvaria esta Nação! Decerto que o Eurico Gaspar Dutra não estará mais aí para repetir o último feito, mas parece que aquele gaúcho pai dos pobres está voltando para botar pra quebrar – e, considerando que da última vez o mandato dele durou tanto, mais 7 anos passarão rápido com ele! Só espero que, desta vez, o Barbosa não nos deixe na mão...

domingo, 28 de outubro de 2007

Manja, que te fa bene...


Parece que desde o advento da Internet passamos a saber mais de "novas datas especiais": e tome dia disto e daquilo a pulular sempre com uma entidade prontinha a promover-se por trás... Noutro dia, fiquei sabendo que no último dia 20 se comemorou o dia do poeta – coincidentemente, no último 'post', mesmo sem querer, homenageei esta data com a publicação de quatro poemas meus! Falta só o "dia da macaxeira": ainda lançarei a campanha neste 'blog' nordestino cheio de orgulho por este alimento completo!

Desde 1995, por exemplo, comemora-se mundialmente o Dia do Macarrão no dia 25 de outubro! Estados Unidos, Itália e Venezuela, para citar alguns exemplos, organizam eventos especiais, mostrando que o macarrão é um alimento universal e adaptável a qualquer região do planeta... No Brasil, a data passou a ser comemorada mesmo a partir de 1998, com a organização do evento Macarrão Gourmet Fashion, organizada pela ABIMA, onde são convidados renomados 'chefs' para preparar criativos pratos.

Ainda me lembro do Ziraldo, em várias de suas prolixas entrevistas, defendendo um "projeto nacional do macarrão", a fim de promover o aumento do consumo da massa na alimentação do brasileiro: conscientizando-se as pessoas sobre a versatilidade do produto e reforçando-se o caráter empregatício/beneficente do alimento, muitos problemas brasileiros teriam solução, de acordo com o artista multimídia! Onde está o Lula, bom de garfo e incapaz de perder uma boquinha, que não vê este novo "milagre nacional", ainda maior que o etanol (pois não seria monocultura)?!

Combinando com todos os cardápios, em qualquer época e com uma praticidade ideal para quem não tem tempo a perder na cozinha, o macarrão é mesmo uma salvação, tanto para os adoradores dos instantâneos Nissin Miojo, quanto para os aprendizes de culinária e 'chefs' de final de semana, como eu venho sendo nos últimos tempos, ao lado de Jandira, quase que numa preparação para o casório que se aproxima... Por isso, aproveito a ocasião para um feito inédito – digno de um antigo amigo meu que, esquecendo-se de ter feito a Redação do finado professor Sidney, entregou ao velho mestre uma receita (uma vez que nosso professor só dava o visto!): publico, pela primeira vez nos Morcegos... Uma receita de espaguete com molho de tomate! Eu fiz e ficou muito bom! Seguem os ingredientes...

4 dentes de alho picados; 6 colheres de sopa de azeite extra-virgem; 10 folhas de manjericão fresco picadas com as mãos; 750 g de tomates sem as peles e picados; sal e pimenta do reino moída a gosto; 500 g de espaguete.

Dica: refogue 1 cebola pequena, 1 cenoura e 1 colher de sopa de salsa, todos bem picados, junto com o alho.

Modo de Fazer: numa frigideira, refogue o alho no azeite em fogo médio até dourar ligeiramente. Junte o manjericão e os tomates. Tempere com sal e pimenta e deixe cozinhar lentamente por 15 a 20 minutos ou até o azeite começar a separar-se dos tomates. Cozinhe o macarrão à parte até ficar 'al dente'. Escorra-o bem e o transfira para uma travessa, onde deverá ser misturado com o molho. Sirva imediatamente. E coma com moderação...

P. S.: A receita de bolo de meu amigo no longínquo segundo ano científico (ensino médio) não passou impune – as lentes geralmente embaçadas do velho Sidney estavam em alerta naquele dia e, ao cabo de todos os "vistos" (e da antecipadamente comemorada vitória entre a galera da "Geral" por meu colega), eis que nosso professor de Literatura levantou-se de trás de sua mesa e vociferou "Ô, Alexandre: leia para todos nós o que você escreveu: aquela receita de bolo..."!

Mas nem só de macarrão vive o homem...


Recentemente fui elencado no excelente 'blog' Receptacullum, da prima Glória, para uma interessante espécie de "corrente virtual" com o seguinte tema: "Transcreva a quinta frase da página 161 de um livro lido recentemente" – como o último livro que (re) li foi o adorável Estorvo, de Chico Buarque, que não tem a referida página (e como a quinta frase do penúltimo lido, O Iluminado, não era digna de nota), aqui vai uma ótima referência do livro que leio atualmente: Glauber Rocha, esse Vulcão!, de João Carlos Teixeira Gomes, da Editora Nova Fronteira. Além de gênio, aquele cineasta era um profeta:

"Durante uma entrevista, admitiu que o uso dos recursos computadorizados faria da sala de cinema, no futuro, um 'circo tecnológico', com raio laser, holografia, teatro de imagens".

E, como toda corrente que se preze, devo indicar 5 amigos para continuar a interessante brincadeira, a fim de descobrirem-se pérolas no meio de uma narrativa, ficcional ou não: Moacy Cirne, DO, Luma Rosa, Adriana, Júnio, Frodo

domingo, 21 de outubro de 2007


Manacá - Tarsila do Amaral (1927)


Sartre celebrizou: "O inferno são os outros"... E me chateio em pensar que o Miscelânea, 'blog' coletivo de reunião de vários estilos e talentos do qual fazia parte com prazer, publicando todo domingo um poema de meu livro ainda inédito "À beira do derradeiro solstício", tenha acabado sem aviso prévio e sem anúncio público... Justamente esse livro que, dentre outras características, mais reunia "poemas-homenagens" na minha obra, um tema recorrente na Poesia, especialmente em gênios que admiro tanto, como Drummond, Bandeira e Vinícius... Mas Sartre se enganou quanto a um sem número de pessoas que, por inúmeras razões, fazem nossas vidas melhores: e neste outubro, em que o Miscelânea foi apagado e, coincidentemente, 4 pessoas especiais fazem aniversário, dedico este 'post' a uma rapaziada que segue em frente e segura o rojão com maestria e garbo! Em ordem de homenagem por "ordem de nascimento", os meus parabéns em forma de Poesia, especialmente ao meu pai, S. Carlito, e a minha mãe, D. Dilena, aniversariantes de hoje e do próximo 23, respectivamente! E vamos à luta!

Mais leve que o ar

Lígia Calina França Brito
Mulher de nome bonito
Que não gosta de samba, não gosta de sol
Nem tem um poema pra cantar...

Abre teus braços
Pra ver o filme começar
Abre-te ao resto do mundo
Pra ver se o mundo
Passa a melhorar...

Eu que nunca quis saber de cinema
E tenho medo de amar
Abro o programa e te anuncio
Te mato e te ressuscito
Mulher do coração bonito
De alma mais leve que o ar...


Canção do Velho
Para Carlos Humberto G. Rosa

O velho
Segue nas pontas dos pés
Com os braços abertos
Querendo voar...

O velho
Na ponta do ar
Com a mente a descoberto
Segue a sumir...

O velho
Como nem fosse cair
Cresce ao léu
Na contramão da via...

Ao velho,
Hoje, nem dei bom dia...
Não perguntei como ia
Nem pra onde vai...

No incerto dos dias
Segue calado
Ao largo da poesia
– Segue, meu pai...


Em Homenagem a D. Dilena (trecho)

(...)
Eu, que de ti herdei
Os olhos, a boca e o cabelo
Sigo como um espelho
A te imitar a arte passional
Da perfeição
De teus valores corretos
Diante do incerto
De minha vida.

A bênção, senhora,
Tu que acompanhas ao longe
Os meus versos infantis,
Releva a tosca lembrancinha
Que fiz e que a ti oferto,
Eterna fonte em meio ao deserto
De meus pensamentos juvenis...
(...)

(Dilberto L. Rosa, À beira do derradeiro solstício, 2005/2006)


Vestibular
Para Lelinha Pimentel

Sim, minha menininha,
Existe a metástase
A metáfase,
A perífrase
E a paráfrase:
O irascível
Do amor
A certas células de nossa língua
Soçobram
Recalcitrantes
No ocaso
Renitente
De meu poema remoçado

(Dilberto L. Rosa, Por trás de minha face lilás, 2007)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Para As Crianças...

E para Os Professores Também!


Azar


A gota caía. Sem cessar. Pingo por pingo, lentamente, como um conta-gotas, a água descia do teto umedecido diretamente na cabeça daquele menino. Coitado! Não conseguia fazer a prova. Ora o pingo caía em sua fronte, ora em sua sobrancelha direita, ora na própria prova, borrando suas poucas respostas já preparadas a caneta. Era inútil tentar continuar ali. Precisava mudar de lugar.

– Com licença, professora. Aqui tem uma goteira.
– Tudo bem. Mude-se, mas em silêncio – rigorosamente enfática –, e sente-se na frente de Eduardo.

Levantou-se, levando consigo sua tralha: o teste já borrado, seus lápis e suas canetas – duas que já nem escreviam direito – e todos os livros que mantinha debaixo da carteira. Supersticioso como só ele, Alfredo não podia deixar suas coisas no antigo lugar e buscar depois. Não, ele tinha que levar tudo consigo, para dar sorte na hora de fazer a prova. Afinal, ele começara aquela semana de testes com o mesmo arsenal em sua volta!

Uma última gota ainda caiu no lugar agora vazio. Só essa, tão logo o garoto acomodara-se em sua nova morada de tranqüilidade para o sossego daquela prova: a pequena poça que se houvera formado no teto começava a desaparecer lentamente e, com ela, a goteira que ali estava...

"Aquela quinta questão..." – pensava Alfredo sobre a questão mais difícil da prova. Levantou a vista para a porta entreaberta, donde se podia ver a chuva que caía lá fora. Aquela chuva... Aquele vento, aquele frio... Assim ele seguia, com seus pensamentos indo, caminhando longe como quando se faz uma prova difícil num dia chuvoso, até que, repentinamente, o menino foi despertado por uma gota fria em sua testa! Num rápido reflexo, levantou-se e ficou parado, fora de alcance, olhando para cima, como que renitente em acreditar em tamanha perseguição: agora uma pequena goteira havia-se formado por sobre o seu novo lugar! Não havia jeito! Não havia como fugir!

– Que raio de escola! – retrucou em tom baixo.
– Como disse? – a professora, em tom áspero.
– A chuva cai lá fora e aqui dentro! Não dá pra fazer prova desse jeito!

Alfredo ainda olhou para a sua prova em cima da carteira, num breve momento de escapismo naqueles segundos sem comunicação com a mestra, a esperar que ela autorizasse novamente a sua mudança de lugar. As gotas, mais rápidas que da primeira vez, já encharcavam o assento vazio.

– Ninguém até agora reclamou de goteira, só você!
– Não 'tou criando caso! Só queria que dessem um jeito nessa sala!
Realmente. Ninguém costumava reclamar de mazelas daquela turma, só Alfredo. Ainda mais em dia de chuva.
– Está bem, está bem... Mude-se pela segunda e última vez! Venha até aqui!

Alfredo seguiu em sua direção, agora deixando de vez seu material esquecido, a molhar nas gotas. Já nem se importava mais com aquelas crenças infantis do alto de seus 11 anos... Passava enfim por sua prova de fogo! Ou de água!

– Sente-se aqui e termine a sua prova! – sentenciou, impaciente, D. Ramy, levantando-se de seu humilde trono, a respeitada cadeira da professora.

Por um instante, Alfredo a fitou. Fitou a turma. Alguns o observavam, dada toda aquela chateação de tantas trocas de lugares. Outros continuavam na prova, sem nem se dar conta daquela enorme comédia de erros que se passava na turma. Eles é que estavam certos. Seguiam preocupados demais com a quinta questão...

Mas Alfredo não tinha culpa. E timidamente ainda olhou por uma última vez para a mestra, como que a dizer um envergonhado "obrigado" com o olhar. Depois observou o último lugar abandonado: o material molhado, o charco da cadeira e o teto... Engraçado, parecia que o teto havia secado...

D. Ramy, dando as costas para o azarado menino, virou-se para a turma. Alfredo, enfim, instalava-se, sozinho e de frente para os seus colegas. Sentiu-se estranho por um momento, um paria. Depois, abaixando a vista, conseguiu concentrar-se outra vez na prova e até pensar na quinta questão.

Parece piada, mas neste preciso momento uma gota caiu exatamente no número "cinco"! O pobre soltou um leve, porém contínuo "ai"! A professora, como que tendo uma premonição, virou-se instintiva. Ao que Alfredo, ao levantar o rosto para sondar a nova inimiga, recebeu do alto um pedaço do forro em sua cabeça. Coitado!

Os meninos, quase que em sincronia, deixaram a quinta questão e se desancaram a rir do pobre diabo, que agora chorava com as mãos na testa, deixando à mostra dos escárnios o cabelo todo salpicado de cal. A professora observava tudo com uma cara em que se misturavam pena e surpresa. Que azar!

As gotas seguiam continuamente, sem cessar, agora com muito mais pressa e força, diretamente na cabeça daquele menino vencido. Chovia dentro e lá fora...


(Dilberto Lima Rosa, A Prosa de Meu Agora Outrora, 2005)

domingo, 7 de outubro de 2007

Santo Feriado Nacional

Em caminhada hoje pelo meu bairro – ah, a obrigatória caminhada pelo bairro, três vezes por semana... O tempo e o colesterol alto são mesmo implacáveis... –, presenciei a despretensiosa conversa de dois transeuntes que passeavam perto de mim: "É feriado na sexta por causa mesmo de quê, hein?", ao que o outro prontamente responde: "É que é Dia das Crianças"...

Como é engraçado o mundo desligado em que vivemos, ainda que tudo pareça tão ligado... "Dia das Crianças"!... As crianças adquiriram 'status' de tamanha importância e, além de terem um dia a elas consagrado, tanto em termos comerciais como nas vazias discussões sociais, teriam elas, a partir de então, um feriado inteiro que alcançaria também a todos os adultos, pais ou não, a permitir um grande deleite infantil, estimulando cada indivíduo a relembrar a criança que existe em si!

Não que a solene – e real – razão do feriado nacional de 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, seja motivo suficiente para mais um dia de preguiça geral: considerada a Padroeira do Brasil, com sua imagem de madeira enegrecida (uma santa negra: nada mais brasileiro!) tendo "aparecido" para alguns pescadores da então Vila de Guaratinguetá há quase três séculos, já surgindo com o "milagre da multiplicação dos peixes", um feriado de pernas p'ro ar baseado nesta enésima variação da figura de Maria, mãe do menino Jesus, só teria mesmo razão de ser para os católicos "não praticantes" (se é que isso existe...) e agnósticos de carteirinha – todos passam longe da igreja nos "dias santos"...

O fato é que, apesar de assim não reconhecido, o Brasil é o maior país católico do mundo, tanto na formação luso-católica e apostólico-romana como no desenvolver de suas tradições, a manter uma posição geral de "país religioso não-praticante" – só assim para justificar as nossas "idolatrias símbolos-nacionais", como futebol, cachaça, mulher e carnaval: afinal, se fôssemos puritanos calvinistas como a maioria na Inglaterra, nada disso seria possível "oficialmente"...

E a tradição dos padroeiros santos "desce" também a cada estado, a cada município, a cada vilarejo deste Brasilzão de meu Deus, especialmente em nosso sofrido Nordeste... Vide a nossa N. Sra. da Vitória, que teria transformado areia em pólvora na batalha de expulsão dos franceses desta região pelos portugueses. Ou ainda nosso famoso São José de Ribamar, cuja imagem (São José de Botas) foi trazida para o povoado de Arriba-Mar por um capitão português depois de salvar-se "milagrosamente" de um naufrágio, séculos atrás – tradição que, além de ter gerado um dos mais visitados festejos religiosos do País, fez proliferar por todo o Maranhão uma infindável série de "Josés de Ribamar" (incluindo um famoso e nada santo coronel bigodudo!)...

E assim, nessa pureza cultural quase infantil, vivemos todos num caldeirão lúdico de velas acesas, fitinhas abençoadas, filhos com nomes de santos, imagens no andor, joelhos no chão e corações aos céus... Sigamos todos como crianças a brincar de pedra na cabeça com nossos bonecos de cera num infinito feriado de delícias tropicais o ano inteiro, a sonhar com a prosperidade do Paraíso na terra – e sigamos com fé, que a fé não costuma falhar...

Falando Nisso...


Uma Vela no Altar

Poesia
Na chama da vela, a tremular,
Tardia,
Ao aguardar a dura e triste sorte
Sombria
De guardar mesma em si a própria morte...
Esguia,
Frágil e humana vela no altar
Da guia:
Luz que queima só na sacristia
Vazia,
Prostrada acesa ao pé de uma imagem
Tão fria,
Queimando a vida e a fé de passagem
– Magia
Que acaba, sem força, em pleno dia...

(Dilberto L. Rosa, 2004 Poemas, 2004)

domingo, 30 de setembro de 2007

"Se é amigo da Clarinha, então é gente boa!"

"Que puxa...!"


Não, caríssimos blogueiros de plantão: apesar do título, não tecerei homenagens à minha dileta amizade virtual com a adorável "Mainha" Márcia Clarinha ("vício meu"... Parabéns pelos 3 anos!), nem falarei sobre as qualidades e os talentos dessa adorável carioca da gema... Na verdade, trata-se da citação literal de um esdrúxulo comentário deixado no hoje extinto (temporária ou definitivamente?!) Miscelânea, no 'post' do último dia 23, onde publiquei o poema Preto e Branco, de meu livro ainda inédito À beira do derradeiro solstício...

O curioso é que a autora do comentário (com todo respeito; seu blog inteligente não deixa dúvida de tudo se tratou de pressa mesmo...) só teve esta brilhante idéia graças à opinião de minutos antes de minha amada Clarinha, que elogiava meu poema e comentava sobre o jogo de sensações e de palavras sobre minha paixão pelo Cinema: assim é que surgiu a pérola "Se é amigo da Clarinha, então é gente boa!", e só, sem mais uma menção sequer ao que acabara de ler (ou não)! Como o poema é inspirado diretamente nos clássicos em P&B do Cinema 'noir' (inclusive com uma bela foto do eterno casal Bogart/Bacall) e nada falava da amiga virtual (que, pelo visto, deve ser sua amiga, também), meditei sobre aquelas divertidas palavras e terminei por inspirar-me para esta pequena crônica metalingüística...

Longe de mim definir uma "cartilha" da arte de como comentar (até que seria bom algo do tipo "Os 10 Mandamentos do Bom Comentário", como "1. Não farás comentários inoportunos que em nada relacionem-se com o 'post' comentado" ou "2. Não farás propaganda gratuita de teu 'blog' se for tua primeira visita" ou ainda "3. Não terás pressa ao comentar; tampouco serás leviano" etc....), não, mesmo, viva a liberdade de dizer o que vier à cabeça... Mas creio dever existir um limite de bom tom para que se mantenham as relações virtuais! E nem é necessário elogio, mas só e tão somente uma observação construtiva, uma troca de idéias, enfim, um alento para a "alma artística" de alguém que criou um texto, procurou a melhor imagem do Google e pensou com carinho e respeito na inteligência do leitor... Bem, pelo menos eu faço isso! Ah, e a Clarinha também!


CPMF?! Tataritatá!!!


É, meus caros blogueiros de plantão: o Brasil é mesmo isso aí! E o Renan e a CPMF que o digam! Falando nisso, meu amigo porreta Luiz Alberto Machado escreveu um baita texto que só vendo sobre o assunto (até o Planalto comentou, vixe!)... Mas aqui vai só um trechinho, que é para o povo querer saber mais e visitar o cabra da peste multifacetado!

QUANDO O TROÇO DA CPMF ENTRA NO OBA-OBA DO ORA VEJA!

No meio de uma tuia de coisa que faz este país o mais paradoxal no vórtice do universo, a questão tributária é uma delas. Só para dar um esquento na sua idéia, quando entrei na Faculdade de Direito, fiquei sabendo o significado da palavra tributo. Pois foi: ela é oriunda do latim e contém a idéia de dar, conceder, atribuir. Hein?! Além disso, carrega outros sinônimos: doação, contribuição, benefício. Vixe! A quem será que a gente está dando, concedendo, atribuindo, doando, contribuindo, beneficiando? Alguém tem alguma idéia? Pergunto isso porque toda tributação nasceu da necessidade de os vencedores cobrarem seus prejuízos aos vencidos. Se é isso, olhem só de que lado nós contribuintes estamos, né? Tradução: devemos presentear os privilegiados da vida que sonegam e alegrar os coniventes sob a coação dos impostos... É isso mesmo que a gente quer?

Lembro muito bem quando lá pros antanhos da memória, o ilustre ministro de então, um certo doutor Adib Jatene, fez um alarido da peste: saiu vociferando aos quatro ventos da necessidade de se conter a lepra e a tuberculose, diminuir a mortalidade infantil e a malária, erradicar o sarampo e o tétano em recém-nascidos, melhorar o atendimento na saúde pública, enfim, um zoadeiro que tocou todo mundo. Até eu disse nessa hora: tô dentro! Tanto lembro desse fato como também tô tinindo do juízo por saber que foi exatamente por causa disso que nasceu um certo famigerado IPMF que, depois de muita lengalenga e provisoriedade, virou CPMF com cara de defintivo.

Vôte! Apois, foi! Tenho também no quengo que logo depois de criada, o próprio Adib Jatene disse em artigo publicado em veículo de grande circulação: "Sugeri a criação da CPMF, vinculada ao Fundo Nacional de Saúde, para complementar o financiamento do setor enquanto o governo reorganizava suas contas, fazendo inclusive a reforma tributária. Foi o que fiz pelejando sozinho, pois até os colegas meus do ministério se diziam céticos quanto à proposta. Conversei com parlamentares, empresários, comerciantes, médicos e, finalmente, após dezesseis meses de luta, conseguimos a aprovação. Infelizmente, constato hoje que a CPMF ajudou muito mais o
governo no equilíbrio de suas contas do que a saúde dos brasileiros ". Êpa! U-la-lá! Como é que é, hein? Minha orelha tá agarrando a pulga! E a sua?

Como não tenho memória curta, tô remoendo as catracas da cachola e me certificando que foi exatamente sob a vigência dessa nada alvissareira contribuição que surgiram fraudes que arrepiaram o meu cabelo e de um montão de gente, como as do Banco Rural, outras tantas pelas autuações da Receita Federal sobre entidades bancárias a respeito, sem contar com aquelas das internações hospitalares de 6 mil e 500 hospitais que, desconhecendo o que é ação social e até a ética, em 1996, fizeram submeter à cirurgia situações insólitas como a de operar uma mulher de fimose ou um caminhoneiro paciente de parto cesariano. Isso que a gente sabe, né? Pois existe mais falcatrua entre Brasília e o resto do país do que possa adivinhar nossa leseira cotidiana.

Pois é, dizem os entendidos que a desgraçada da CPMF representa 1,5% do PIB e agora terá vigência até 2011. Os caras brincam mesmo com a gente. E brincam mesmo, pois quando ouço falar na desgraçada, logo encarco nas reminiscências e tenho arrepio a cada menção de tributo, é cada calafrio medonho, quase tenho troço. E pra gente que
parece mais uma nave levada à deriva ninguém sabe pra onde, nem mesmo um milagre será possível vez que nos crucificam cada vez mais com os pregos da ineficiência. Por isso digo: vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Xô CPMF já! Bié, bié, glup, glup!

(Luiz Alberto Machado)

domingo, 23 de setembro de 2007

BABACAS...



Noutro dia recebi um espirituoso 'e-mail' intitulado "Você é um babaca quando...", no que segue uma lista de itens onde um bom babaca pode se reconhecer através de brincadeiras lugar-comum pra lá de ultrapassadas, como a famosíssima "É 'p'a vê' ou p'a 'comê'?", sobre o enjoativo doce feito à base de biscoito maria. Confesso achar algumas menções até divertidas, como a que explicita os "turnos" do dia: ao darem doze horas no relógio já é "boa tarde" ("Ah, mas eu ainda não almocei..." – isso é babaca!), ao soarem dezoito badaladas não são "seis da tarde", mas, sim, noite e, após a meia-noite, já é dia seguinte, e não a detestável "madrugada de um dia para o outro", como reforçam nossos idiotas âncoras de telejornal quando vão falar sobre os ajustes de relógios no horário de verão ou para anunciar alguma corrida de Fórmula 1 no Japão! Gosto de evidenciar esses turnos, no que coincide com uma das alíneas da tal "lista para babacas" do espirituoso 'e-mail': "todos saindo de uma festa que varou a madrugada e alguém do grupo anuncia "A gente se fala amanhã", ao que você responde "amanhã, não; mais tarde!!!"...

Algumas dessas "babaquices" sempre me pareceram necessárias. Lembro-me, por acaso, do tempo do videocassete – ou, melhor dizendo, aparelho de videocassete ou gravador de videocassete (para coincidir direitinho com o nome em Inglês, 'videocassette recorder', ou 'VCR'). Isso para não confundir com o videocassete propriamente dito, a famosa "fita" – "Comprei um videocassete", algum metidinho afirmava em meados da década de 80, ao que outro, mais esnobe, arrotava "Só um? Pois eu tenho uma pequena coleção de 130 vídeos!"... Mas creio que, além de mim e de uns poucos amigos, quase ninguém seguia esta estreita linha de raciocínio, danando-se a gravar "fitas" no "videocassete", assim mesmo! Tudo para depois perder para o mofo e trocar pelos atuais DVDs!

Mas qual o quê – e "qual o quê", por si, já é antigo pra dedéu ("pra dedéu", então, nem se fala!) –, parece que me esqueço de que falo para uma platéia que, em sua ampla maioria, nunca usufruiu um babaca trocadilho, o famoso "O mofo deu!" sobre a perda de dezenas de VHS para o implacável fungo, desconhecendo por completo algo que não seja DVD, MP3 ou algo ainda mais novo, como o tal 'blue ray'... Mesmo assim é interessante mencionar tudo isso para explicar uma babaquice ainda constante e muito divertida para quem viveu aquela época: "Já devolveste o filme para a locadora?" "Ainda não; falta rebobinar...", numa época em que não mais se corre o risco de ter um filme preso ou comido pelo aparelho, bastando tirar o disquinho de dentro do aparelho de DVD e entregar o vídeo à locadora – sim, você não é ultrapassado se chamar DVD de vídeo, porque não é o formato, mas a mídia que conta; da mesma forma que um CD continua sendo um disco: no caso, é o formato que conta...

O certo é que babaca mesmo é deixar a graça das coisas morrer ou ficar defasada... O vinil, por exemplo, nunca ficou ultrapassado para os admiradores da boa música: quem ouvia, antes das remasterizações dos CDs, um LP ('long play'... Uma longa história...) de Chico Buarque ou de Jazz, sabe do que estou falando e, com certeza, não se desfez dessas preciosidades em "bolachão"... E ainda poderá facilmente brincar com os novos compradores, advertindo-os que "poderão tocar esses CDs até furar, de tão bons que são"... "Mas, hein? Como assim furar? Não é leitura óptica?!" Dã...


Enquanto Isso, na Miscelânea...

Selos da Miscelânea S/A: a antiga versão e a atual, em cuja formação me incluo


Aproveitando o gancho da "babaquice", talvez soe tolo o divertido saudosismo quase 'nerd' que domina muitos adultos de hoje que tiveram suas infâncias entre os anos 70 e 80, como eu, onde uma frase de um desenho da Hanna-Barbera (no caso, o clássico Super-Amigos, em suas diferentes temporadas: "Enquanto isso, na Sala de Justiça...") pode significar tanto... Mas o que é chato mesmo é deixar a ótima idéia de Jackie, a de juntar talentos diversos num 'blog' coletivo e diário (para cada um dos envolvidos), sem o devido destaque! Por isso é que hoje, mais uma vez, reforço o convite para que todos conheçam (ou redescubram ou revejam) a MISCELÂNEA S/A, onde, tal como aqui, semanalmente, aos domingos, publico um novo texto. Enquanto por aqui seguem os mais diversos ensaios sobre as Artes em Geral, lá sigo a expor os poemas de meu livro inédito À beira do derradeiro solstício. E, nessa "ponte virtual", deixei cair o poema seguinte...

Preto no Branco

Página em branco
Vida vazia
Eterno desafio
De transformar
Minhas tintas
Em poesia

(Dilberto L. Rosa, primeiro poema da "Trilogia em Preto e Branco", em À beira do derradeiro solstício, 2006)


E a Poesia segue por neste domingo...

domingo, 16 de setembro de 2007

Animação, Minha Gente!


Não é de hoje que Animação é gênero independente do rótulo Infantil, há muito já não sendo mais "coisa de criança": não só grandes nomes japoneses, ao longo de décadas, inovaram em animações adultas, como Hayao Miyazaki (Porco Rosso e As Viagens de Chihiro) e Katsuhiro Otomo (Akira), como a norte-americana Pixar trouxe um novo universo para o Cinema desde que criou obras-primas em 3D adultas com "caras infantis", como Toy Story e Procurando Nemo.

Não por acaso que considero o melhor filme do ano, dentre os filmes a que assisti nos cinemas, o ótimo Ratatouille, do sempre preciso Brad Bird (O Gigante de Ferro e Os Incríveis), também da Pixar! Menos por acaso ainda que esse gênero esteja arrastando multidões às salas de exibição, catapultando o engraçadíssimo Os Simpsons – O Filme (com um roteiro bem amarrado nos personagens da louca família de Springfield, que já resistiu a temporadas bem mais fracas nos últimos anos de TV) à posição de filme mais visto no Brasil em 2007, à frente de 'blockbusters' sem nenhuma novidade como Duro de Matar 4.0!

E o Brasil só tem crescido nesta matéria! Desde os feitos heróicos de bons trabalhos voltados para o público infantil, como os antigos desenhos da Turma da Mônica, do Maurício de Sousa, e O Grilo Feliz, de Walbercy Ribas, o veterano gaúcho Otto Guerra, além de sempre ter honrado a tradição dos ótimos curtas de sua terra (em "clássicos" como Treiler e Novela), tem-se mantido firme na condução de grandes adaptações de nossos famosos quadrinhos adultos, como no curta As Cobras, das tiras do Veríssimo, e Rock e Hudson, do Adão, atualmente com a transposição literal das tiras ácidas da revistinha oitentista Chiclete com Banana: Wood e Stock – Rock, Orégano e Rock'n Roll, mesmo com alguns 'déficits' no roteiro ou na animação, é delicioso ao trazer Rita Lee como Rê Bordosa, Tom Zé como Raul Seixas (num delírio de Wood), uma ótima trilha sonora e uma estória que une todos os personagens do genial Angeli (Rhalah Rikota, os Escrotinhos, Mara Tara e os revolucionários-utópicos Meiaoito e Nanico) numa colorida produção!

Para terminar, mais uma animada novidade: o pessoal da Animaking, responsável pelo clássico comercial das Tortuguitas (aquele em que a tartaruguinha de chocolate preto come a cabeça da de chocolate branco – "Estúpida...") e por outros ótimos curtas animados publicitários, vai lançar um longa baseado no seu excelente curta Minhocas, a que tive o prazer de assistir no Curta Criança das manhãs de domingo da TVE – temas adultos e inteligentes numa divertida embalagem "infantil" em 'stop-motion'! É torcer pela animação cada vez maior de nossos produtores!

A Bunda e O Ralo...


Nem só de bunda vive o Cinema Nacional, mas de boas idéias, ótimas interpretações e grandes filmes! Tudo isso pode ser facilmente encontrado no "segundo melhor" filme do ano, O Cheiro do Ralo, ainda em exibição em algumas salas. Adaptado do livro homônimo do quadrinhista/romancista Lourenço Mutarelli (que faz uma divertida participação como um segurança) pelo diretor pernambucano Heitor Dhalia (do bom Nina, também no 'pop' com um pé nos Quadrinhos, com arte de Mutarelli), o filme oscila entre o realismo, o humor negro, o 'nonsense' (impagável o "olho" do "Pai Frankenstein"), o grotesco e a sátira bem à brasileira! É Selton Mello brilhante num personagem loucamente engraçado, "grande e complexo, próximo de Gary Oldman, Irmãos Cohen; é pop, mas é maldito, é patético, é solitário, meio mafioso; um filme a que eu gostaria de assistir", nas palavras do próprio ator (e aqui, também co-produtor), o melhor de sua geração.

É, acima de tudo, inteligência em película reta, porém com as devidas nuances de pequenos curtas, que permeiam tudo através: do ralo, como uma metáfora para o "cheiro" que vem do próprio personagem, sem sentimentos e sem vida ao viver da compra de objetos usados por pessoas desesperadas por qualquer trocado; da "coisificação do poder", através da exploração das tais "pessoas desesperadas" e do dinheiro que "magicamente" sai de sua gaveta (ironicamente, não é mostrada nenhuma venda dos objetos comprados e só há um breve, porém ótimo, 'take' do galpão de coisas acumuladas); e de uma perfeita bunda, no caso, de uma garçonete (a bela e competente Paula Braun, legítima "alemã no corpo de brasileira"), início e fim de uma espécie de "redenção", que, se não se completa, aparenta libertar através da personificação do próprio ralo...

Parece Cinema bruto em muitos momentos; parece com algumas concessões, em outros... É Cinema Brasileiro premiado (no Rio e em São Paulo) de ótima qualidade: com bunda, roteiro, Selton Mello, Tiazinha e... Ralo – para o bem e para o mal!

sábado, 8 de setembro de 2007

... Em cismar sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá...

Gonçalves Dias


"Pois só por cima de teus telhados eu respiro
A brisa de saudade que não sei explicar
De onde vem, para onde vou, minha cabeça em giro
Por sobre a cidade-sonho suspensa no ar"
(Dilberto L. Rosa)


O dileto poeta vanguardista de tempos idos (e eterno poeta de alma e questão, semiologicamente visual!), pioneiro e estudioso de nossos Quadrinhos, professor (sempre), "quase-advogado" (poema-processo sem processo na Justiça...) da natal bela região do Seridó (lar vizinho do Cerro Corá potiguar de minha amiga Glória), o multi-"primeiro e único" Moacy Cirne é alguém que sempre pensa o Brasil e o mundo (cujo Cinema ele adora): e pensando nisso que ele sempre margeia 7 maravilhas de vários recantos deste Brasil de meu Deus! Eis que a "brincadeira" chegou a mim e por e por aqui teço sobre os meus "melhores cantos" de minha São Luís! A propósito, o seu ótimo Balaio Vermelho e minha terna cidade eterna fazem aniversário hoje, em ponte virtual!

Felizes 21 Anos, Balaio!

Felizes 395 Anos, São Luís!

Confesso ter sido difícil "estabelecer" 7 maravilhas: há tanta beleza espalhada pela cidade, como o Estádio Castelão, o Sítio do Físico, a Lagoa da Jansen, as Fontes do Bispo e das Pedras, o Museu Histórico-Artístico etc. Mas como estes andam precisando de melhorias, concentrei-me mais no Centro Histórico, onde há mais conservação! Aqui vão:



1. Praia de São Marcos (a começar pela Pedra da Memória, com dois canhões, assinalando onde um dia foi o Forte de São Marcos: início da Avenida Litorânea. Um dos melhores pontos para se verem os recuos da maré da Baía de São Marcos... Areia batida e firme, boa para jogar bola);

2. Teatro Arthur Azevedo (na Rua do Sol, um bom exemplo das ladeiras de São Luís, no Centro);

3. Avenida e Praça Dom Pedro II (com os belíssimos prédios Palácio dos Leões, Tribunal de Justiça, Palácio La Ravardiére e Catedral da Sé);

4. Rua Portugal (de paralelepípedos, com os sobradões de azulejos e os telhados históricos, como em toda a área conservada do Projeto Reviver, e seus museus e casas de artesanato);

5. Rua da Estrela (cheia de casarões seculares, que desemboca no Convento das Mercês: lindo, mas de propriedade do José Sarney, que o tomou de assalto para ser sua "Fundação Republicana" só com coisas dele, quando no poder no Maranhão! Bela vista do fim do Rio Bacanga ao encontro da Baía de São Marcos)

6. Largo dos Amores (Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e Praça Gonçalves Dias, com vista para a Beira-Mar e o fim do Rio Anil)

7. Fonte do Ribeirão (donde se vê, por pequenas aberturas, parte das Galerias Subterrâneas, túneis escuros ainda não totalmente descobertos, que ligam igrejas seculares e onde estaria a Serpente que, se acordada, afundaria a Ilha: lenda local)

Colocaria ainda como "8ª maravilha" a vista do bairro onde cresci, o Maranhão Novo (nasci no Centro), donde, do alto de sua ribanceira para a Avenida Daniel de La Touche, é possível ver, ao longe, o fim do rio Anil com a Ponte Bandeira Tribuzzi, várias torres de igrejas do Centro Hitórico, vários outros bairros e uma das melhores vistas do pôr-do-sol da linda Upaon-Açu ("ilha grande", nome original da Ilha, na linguagem dos índios tupinambás), Atenas Brasileira (epíteto do século XIX, que hoje anda esquecido...), Ilha do Amor (por causa do mestre maranhense do Romantismo, Gonçalves Dias), Jamaica Brasileira (influência do 'reggae', desde o fim dos anos 70)... De minha São Luís do Maranhão!

domingo, 2 de setembro de 2007


As igrejas de New Orleans dobraram seus sinos em memória das vítimaspara as quais foi inaugurado um memorial, com os corpos de mais de 100 vítimas não identificadas.


O tempo passa, mas muitas coisas não conseguem ficar para trás: já se vão dois anos da "tragédia anunciada" do furacão Katrina, que atingiu as costas da Louisiana e do Mississippi, onde quase 1.500 morreram e danos materiais foram avaliados em bilhões de dólares... Na época, ainda no Weblogger, muitos blogueiros de plantão estranharam meu silêncio por um mês inteiro sobre o assunto, até eu vir com um poema em forma de canção (post de 21 de setembro de 2005), numa mescla de elementos tradicionais do Blues (como a essência das 'work songs' dos campos de algodão escravos, na repetição do refrão, e na religiosidade de suas dores pessoais), com uma melodia entre Delta Blues e Hillbilly e que remonta ao ritmo clássico de Blowin' in the Wind, do mestre Bob Dylan, que toca ao fundo.

Outrora uma das cidades mais animadas dos EUA, uma triste Nova Orleans recordou na última quarta-feira o segundo aniversário de uma das maiores tragédias naturais mundiais: Bush ainda é acusado de não cumprir suas promessas quanto à reconstrução (inesquecível a sua imagem acompanhando o desastre a partir de seu rancho do Texas e demorando a interromper suas férias...), enquanto usa o Estado Federal para culpar as autoridades locais pela lentidão da reconstrução... Enquanto isso, os mais afetados continuam sendo os pobres, que dependem da ajuda pública.

Para um povo, cuja alegria e criatividade sempre admirei (seja pela história de sofrimento, seja pela beleza de uma cultura preservada através dos 'spirituals' e principalmente do 'blues'), 'Nu Orlins', como na pronúncia arrastada dos locais, ainda luta e compõe, da tristeza, a alegria de um renascer, a minha singela homenagem em forma de canção no poema de meu livro À beira do derradeiro solstício, que pode ser conferido no 'blog' Miscelânea S/A.



"Então... Algo se move oculto... Algo que respira o ar viciado... E sibila..."


E já se foi o tempo em que o "tempo" não passava para os heróis! Recentemente li, a respeito da saga Guerra Civil, que o maior sonho do Capitão América sempre foi envelhecer normalmente ao invés de ser poderosa e eternamente jovem... E não é de hoje que super-heróis são "remodelados" para novos tempos e novas gerações – nem sempre com acerto... O que não se pode dizer de um dos mais completos trabalhos em HQ de todos os tempos: Batman: Cavaleiro das Trevas não só revolucionou os Quadrinhos há exatos 20 anos, como também abriu em definitivo as portas para uma nova geração de "quadrinhos adultos" dentro das próprias linhas de clássicos personagens (no caso, da DC Comics pós-Crise nas Infinitas Terras).

E Frank Miller foi mesmo decisivo para este "renascimento" do Homem-Morcego: um ano depois de lançar Batman: Ano Um, o consagrado artista de Sin City e 300 escreveu e desenhou com traços precisos (às vezes maneiristas; outras, grandioso em ilustrações de página inteira, com enquadramentos cinematográficos), ao lado das cores inovadoras de Linn Varley e da arte-finalização de Klaus Janson, pela primeira vez na história, um super-herói fora do seu tempo de concepção, com cinqüenta e cinco anos, cabelos brancos e já sem o vigor físico de outrora, vendo-se obrigado a voltar à ativa diante de uma Gotham City caótica, dominada pela violência, pelo medo, por uma Imprensa sensacionalista e por um Presidente (de aparência decadente, mas macaqueado nas TVs com a cara do Reagan!) que proibiu a ação dos super-heróis – à exceção do Super-Homem, que segue como uma espécie de fantoche contra a URSS, de uma ainda existente (e perigosa) Guerra Fria.

O problema cresce para maiores dimensões quando antigos arqui-inimigos (o Duas-Caras e o Coringa) passam a organizar matanças em massa para satisfazerem suas loucuras... E o próprio Homem-de-Aço é convocado para deter Batman, o Arqueiro Verde e um novo Robin (agora, uma adolescente), que ainda têm que enfrentar uma horda de gangues fanáticas, a fim de convertê-los em aliados num exército para conter o caos de Gotham!

A despeito da injustiça de reduzir o Super a um "meio-vilão", espécie de interventor pragmático em nome do Imperialismo Norte-Americano, e da desnecessária e infinitamente inferior (tanto em estória como nos traços bem mais preguiçosos de Miller) continuação Cavaleiro das Trevas 2, de 2002 (para que mexer naquele final "em aberto" da primeira saga?), Frank Miller criou um "universo paralelo" fantástico e que, injustamente, até hoje, não foi adaptado para o Cinema (apesar do título homônimo do novo filme com Chris Bale, não se trata dessa estória)... Sem dúvida, uma obra-prima que resiste ao tempo: Batman não morre (literalmente)! E ainda dá um pau no Super-Homem!

domingo, 26 de agosto de 2007

Os Erros do Mago
E Os 109 Anos do Time Mágico!




Li O Alquimista, de Paulo Coelho, quando adolescente, e, mesmo naquela época, já havia percebido o quão mal escrito e pueril era... Mesmo assim, confesso que ainda houve certo encantamento com a idéia toda sobre "lenda pessoal" e demais assuntos esotéricos e de auto-ajuda, entre amigos que curtiam o livro até bem mais que eu... Recentemente encontrei uma formidável página na internet, o 'site' Por trás das letras, onde encontrei muito com que me identificasse, eu, um apaixonado da Língua como todos bem o sabem! E, em tempos de novelas globais sobre magia e afins (inclusive assessorada pelo "mago-mor" supradescrito), nada melhor que se divertir com os absurdos cometidos naquele "clássico" de nossa Literatura, adorado mundialmente por celebridades do "calibre" de Madonna (!), e que aqui são avaliados com maestria pelo professor e Membro da Academia de Letras do Brasil J. Milton Gonçalves (autor dos livros Gafes Esportivas e Tira-Teimas de Português). E digo "divertir-se" não no sentido de tripudiar, longe disso: afinal, um autor que compôs com o mestre Raul alguns dos maiores 'hits' do 'rock' nacional, faz sucesso mundialmente com suas estórias e que é membro da Academia Brasileira de Letras (será que ele usou magia?) deve ter seu caminho respeitado... Mas não há como não corar diante de erros crassos, passados sem revisão e sem respeito a uma legião de leitores, tudo levado com muito bom humor pelo professor Milton. E, por ocasião do aniversário do escritor e mago (último dia 24), clique Por trás das letras e conheça essas "pérolas", esperando pela "magia" de alguém que faz chover – água ou milhões, não se sabe... –, mas que ainda não apresentou algo de concreto para as Letras Nacionais...



E o que Paulo Coelho, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca, Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, João Goulart, Martinho da Vila, Araci de Almeida, Aldir Blanc, Luiz Melodia, Fernandinha Abreu, Jamelão, Raul Seixas, Roberto e Erasmo Carlos, Chico Anysio, Renato Aragão, Camila Pitanga, Chacrinha e Nelson Piquet e Pelé (na infância) têm (ou tinham) em comum? Todos torcedores do eterno "Expresso da Vitória", do "Time da Virada", do glorioso escrete cruz-maltino (apesar de a cruz símbolo do time carioca ser, de fato, a Cruz Pátea, e não a Cruz de Malta, com as pontas bifurcadas) – todos vascaínos, em comemoração aos 109 anos do clube carioca: 21/08/2007, dia do Clube de Regatas do Vasco da Gama!

A despeito dos anos de desmandos do fascista Eurico Miranda (6 anos sem patrocínio? Larguem essa bomba; votem em Dinamite!), o "Gigante da Colina" tem muitos motivos para orgulhar-se, numa verdadeira história de glórias: lutou muitos anos por ter sido o primeiro clube a aceitar negros no elenco profissional; maior campeão estadual de remo da história (45 títulos); único clube carioca a ser campeão internacional de Basquete (bicampeão sul-americano e da Liga Sul-Americana); único carioca campeão da Liga Nacional de futsal (2000); 116 títulos de futebol; primeiro clube brasileiro a vencer uma competição internacional (Sul-Americano de 1948), primeiro título no Maracanã (Carioca de 1950), primeiro carioca a vencer o Campeonato Brasileiro (1974) e a Taça Guanabara (1965) e vencedor do dificílimo "Super-supercampeonato" Carioca de 58; com o maior número de artilheiros na história dos Brasileiros (e com o maior artilheiro da História: Roberto Dinamite, 190 gols); clube que mais cedeu atletas para uma edição dos Jogos Olímpicos (Sydney/2000 – 83 atletas, incluindo o grande medalhista Gustavo Borges e a dupla Adriana Behar/Shelda), a "fábrica de goleiros", o tetra-campeão brasileiro (2000) e dono do maior estádio de futebol da América do Sul até 1930 – e, até hoje o maior e melhor estádio particular do Rio de Janeiro...

Difícil evidenciar uma única razão para ser vascaíno, mas, com certeza, posso dizer as duas primeiras: as influências dos últimos gols de Roberto Dinamite que a minha infância ainda acompanhou pela TV, ao lado de meu pai, segunda maior influência, jogador amador do Ferroviário F.C. em sua juventude aqui na Ilha... Mais difícil ainda seria escolher o "escrete ideal", tamanhos os fenômenos de craques nascidos (ou que vestiram a camisa) no Vasco, mas meu pai e eu tentamos formular uma, que segue na seção dos comentários! E atenção, detratores de plantão: a homenagem aqui é unicamente a um time único; não há cunho provocativo – em querendo, façam as suas ao seus times do coração! A este clube e a seus craques eternos, só os nossos parabéns!

sábado, 18 de agosto de 2007

Que Rei Sou Eu?




Elvis Presley morreu no ano em que nasci, 3 meses depois de minha chegada. Obviamente que, àquela época, eu não tinha muita noção de quem era Elvis, mas Raul Seixas me contou muita coisa até sua morte anunciada, em 1989, em meus áureos 12 anos... Assim, neste mês de agosto, em que se lembram as mortes destes dois genuínos ídolos do Rock, nada mais justo que falar sobre "majestades"...

Elvis não inventou o rock'n' roll: a maioria das grandes canções que lhe deram projeção eram versões de artistas negros, com a velocidade alterada sobre a música 'gospel' misturada com 'rithm e blues' (Little Richard, genial pianista negro e homossexual que, por várias vezes, largaria tudo em nome da igreja evangélica, por exemplo, é hoje reconhecido como um dos pais do rock)... Mas foi Elvis que o tornou acessível a todos os brancos, que se assombravam com seus requebrados censurados na TV norte-americana, sinônimo de promiscuidade pela forma como o cantou, com luxúria, sensualidade e o próprio rock na alma!

Por isso, não é de se estranhar que o rock sempre tenha sido tomado como a música do Diabo – como o inesquecível "Rock do Diabo", de Raulzito, este mesmo um fã ardoroso de Elvis (de carteirinha, do Elvis Rock Clube)... Mas, enquanto este era amado por tantos, verdadeiro fenômeno de massa, incapaz de abandonar um estilo que ficou um tanto quanto "antiquado" num determinado período de sua carreira (especialmente os anos 60, onde o rock evoluía para os Beatles e Elvis insistia no visual de topete e costeletas em filmes pífios, com canções mais esquecíveis ainda), aquele rapidamente abandonava o estilo "Jovem Guarda" do início da carreira (Raulzito e Os Panteras, um ótimo disco por sinal) para revolucionar o rock nacional em Música e em Poesia, que envolvia desde as influências da Rádio dos anos 50 (Emilinha Borba e Música Cubana) até o Tropicalismo de Mosca na Sopa!

Longe de mim, comparar dois revolucionários, duas pérolas da Música mundial... Mas não há como evitar acreditar que, se Raul fosse norte-americano, teria ele levado o rock a patamares não alcançados por Elvis em sua carreira de altos e baixos (especialmente com seu final, que a maioria de seus 'covers' insiste em relembrar) e acabaria com uma bela "coroa" de "rei de alguma coisa"... Longe também de achar que Raul não teve seus baixos, especialmente por causa de seu vício da bebida, que o levou a um "final sem fígado e sem pâncreas, mas ainda cantando com alma", como relembra Marcelo Nova (que alavancou Raulzito num momento difícil, com o outonal LP "A Panela do Diabo", disco de ouro póstumo)!

Mas é inegável que Elvis, depois da sua volta do "alistamento de propaganda" (1958/60), nunca mais foi o mesmo: piegas e romântico, tinha perdido a rebeldia e o inconformismo, nunca mais sabendo escolher o melhor caminho para um "retorno" (a não ser por It's now or never e pelo especial "Elvis Comeback Special", de 68)... Daí para as crepusculares apresentações com seus ternos de Capitão Marvel de lantejoulas em Las Vegas, gordo e entupido de anfetaminas e barbitúricos para viúvas e donas de casa complexadas (a partir de 74), Elvis, mesmo ainda com sua voz poderosa, nunca mais se entenderia com sua "cria"... Enquanto isso, Raul vociferava verdades que incomodavam a Ditadura com sua genialidade e se aproximava mais do espírito contestador do ritmo que nunca abandonaria...

Raul é rei para seus fãs, e Elvis, um fenômeno mundial... O que vale mesmo é dizer que o Rock não pode ter "reis", mas, sim, contestadores – arte em que os dois tiraram de letra... Afinal, não é à toa que Lennon certa vez disse que, "antes de Elvis, nada existia", tendo se encantado tanto com o 'swing' de 'The King' (na sua visita a Gracieland, como um Beatle), como com as idéias da Sociedade Alternativa de Raulzito, quando do exílio deste em NY – pelo menos, assim Lennon me contou...

O Poeta Que Sabia Rir...


E um dos maiores Poetas de todos os tempos também nos deixou em agosto: há 20 anos morria no Rio de Janeiro, onde eternizou-se como estátua popular, Carlos Drummond de Andrade, um gênio que, apesar da imagem sisuda, sabia da ironia da vida e sabia rir-se dela como poucos, ainda que isso não aparentasse do alto do porte melancólico e de seus oprimidos óculos... Prova disso inúmeras obras-primas, como Cota Zero e Quadrilha e outros tantos momentos "pornográficos" (como no antigo "poema-piada" Era manhã de setembro/e ela me beijava o membro). E hoje, aproveitando o "espírito rock", relembro o devaneio do Mestre quanto à... Bunda!

A bunda que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
rebunda.

(Carlos Drummond de Andrade)

E a morte ainda abunda como guitarras de rock na Miscelânea S/A
 

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