domingo, 23 de setembro de 2007

BABACAS...



Noutro dia recebi um espirituoso 'e-mail' intitulado "Você é um babaca quando...", no que segue uma lista de itens onde um bom babaca pode se reconhecer através de brincadeiras lugar-comum pra lá de ultrapassadas, como a famosíssima "É 'p'a vê' ou p'a 'comê'?", sobre o enjoativo doce feito à base de biscoito maria. Confesso achar algumas menções até divertidas, como a que explicita os "turnos" do dia: ao darem doze horas no relógio já é "boa tarde" ("Ah, mas eu ainda não almocei..." – isso é babaca!), ao soarem dezoito badaladas não são "seis da tarde", mas, sim, noite e, após a meia-noite, já é dia seguinte, e não a detestável "madrugada de um dia para o outro", como reforçam nossos idiotas âncoras de telejornal quando vão falar sobre os ajustes de relógios no horário de verão ou para anunciar alguma corrida de Fórmula 1 no Japão! Gosto de evidenciar esses turnos, no que coincide com uma das alíneas da tal "lista para babacas" do espirituoso 'e-mail': "todos saindo de uma festa que varou a madrugada e alguém do grupo anuncia "A gente se fala amanhã", ao que você responde "amanhã, não; mais tarde!!!"...

Algumas dessas "babaquices" sempre me pareceram necessárias. Lembro-me, por acaso, do tempo do videocassete – ou, melhor dizendo, aparelho de videocassete ou gravador de videocassete (para coincidir direitinho com o nome em Inglês, 'videocassette recorder', ou 'VCR'). Isso para não confundir com o videocassete propriamente dito, a famosa "fita" – "Comprei um videocassete", algum metidinho afirmava em meados da década de 80, ao que outro, mais esnobe, arrotava "Só um? Pois eu tenho uma pequena coleção de 130 vídeos!"... Mas creio que, além de mim e de uns poucos amigos, quase ninguém seguia esta estreita linha de raciocínio, danando-se a gravar "fitas" no "videocassete", assim mesmo! Tudo para depois perder para o mofo e trocar pelos atuais DVDs!

Mas qual o quê – e "qual o quê", por si, já é antigo pra dedéu ("pra dedéu", então, nem se fala!) –, parece que me esqueço de que falo para uma platéia que, em sua ampla maioria, nunca usufruiu um babaca trocadilho, o famoso "O mofo deu!" sobre a perda de dezenas de VHS para o implacável fungo, desconhecendo por completo algo que não seja DVD, MP3 ou algo ainda mais novo, como o tal 'blue ray'... Mesmo assim é interessante mencionar tudo isso para explicar uma babaquice ainda constante e muito divertida para quem viveu aquela época: "Já devolveste o filme para a locadora?" "Ainda não; falta rebobinar...", numa época em que não mais se corre o risco de ter um filme preso ou comido pelo aparelho, bastando tirar o disquinho de dentro do aparelho de DVD e entregar o vídeo à locadora – sim, você não é ultrapassado se chamar DVD de vídeo, porque não é o formato, mas a mídia que conta; da mesma forma que um CD continua sendo um disco: no caso, é o formato que conta...

O certo é que babaca mesmo é deixar a graça das coisas morrer ou ficar defasada... O vinil, por exemplo, nunca ficou ultrapassado para os admiradores da boa música: quem ouvia, antes das remasterizações dos CDs, um LP ('long play'... Uma longa história...) de Chico Buarque ou de Jazz, sabe do que estou falando e, com certeza, não se desfez dessas preciosidades em "bolachão"... E ainda poderá facilmente brincar com os novos compradores, advertindo-os que "poderão tocar esses CDs até furar, de tão bons que são"... "Mas, hein? Como assim furar? Não é leitura óptica?!" Dã...


Enquanto Isso, na Miscelânea...

Selos da Miscelânea S/A: a antiga versão e a atual, em cuja formação me incluo


Aproveitando o gancho da "babaquice", talvez soe tolo o divertido saudosismo quase 'nerd' que domina muitos adultos de hoje que tiveram suas infâncias entre os anos 70 e 80, como eu, onde uma frase de um desenho da Hanna-Barbera (no caso, o clássico Super-Amigos, em suas diferentes temporadas: "Enquanto isso, na Sala de Justiça...") pode significar tanto... Mas o que é chato mesmo é deixar a ótima idéia de Jackie, a de juntar talentos diversos num 'blog' coletivo e diário (para cada um dos envolvidos), sem o devido destaque! Por isso é que hoje, mais uma vez, reforço o convite para que todos conheçam (ou redescubram ou revejam) a MISCELÂNEA S/A, onde, tal como aqui, semanalmente, aos domingos, publico um novo texto. Enquanto por aqui seguem os mais diversos ensaios sobre as Artes em Geral, lá sigo a expor os poemas de meu livro inédito À beira do derradeiro solstício. E, nessa "ponte virtual", deixei cair o poema seguinte...

Preto no Branco

Página em branco
Vida vazia
Eterno desafio
De transformar
Minhas tintas
Em poesia

(Dilberto L. Rosa, primeiro poema da "Trilogia em Preto e Branco", em À beira do derradeiro solstício, 2006)


E a Poesia segue por neste domingo...
 

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