1989
Lembrando o título da brilhante obra de ficção científica de George Orwell, 1984, as cortinas se abrem para ser exibido o meu primeiro “filme”: “1989 – Quando tudo começou”. É... daria um excelente título – e com direito a subtítulo! Ali naquele ano, realmente, começaria todo um ciclo em minha vida: além da cara de “ano inicial” para um garoto de 12 anos, 1989 também ficaria marcado como uma espécie de término: não só uma das décadas mais profícuas da Fantasia no Cinema estava chegando a seu fim (a mais pop de todos os tempos, sem dúvida), como também começava a esboçar-se o fim do entretenimento com qualidade artística nas telas de uma forma geral. Principiava ali o “fim da magia”...
Cresci com os deliciosos desenhos animados da "Era de Ouro" (Pernalonga, Popeye, Pica-Pau), da genial dupla Hanna-Barbera (Flintstones, Jetsons, Zé Colmeia, Corrida Maluca etc.) e os novos super-heróis de brinquedo (He-Man e Thundercats), a primeira (e única) versão do Sítio do Pica-pau Amarelo e os programas educativos da Paula Saldanha ao longo de toda a década de 1980. Naquele tempo, apesar de não existirem as inúmeras opções infantis a que as crianças de hoje são acostumadas, a gente sabia aproveitar a telinha! Entretanto, apesar da forte ligação com a televisão, eu ainda passava longe da paixão pela Sétima Arte, a não ser um ou outro filme do Jerry Lewis na Sessão da Tarde e as duas visitas anuais (julho e dezembro) às salas de exibição para ver os brasileiros “filmes das férias” de Os Trapalhões – e sempre acompanhado de minha mãe...
O engraçado é que aquela década seria a mais atrativa em filmes para a minha geração: apesar de nem sempre serem propriamente infantis, fascinavam o público infanto-juvenil do mundo todo, arrastando milhões de crianças e jovens para as telonas. E tome fábulas modernas como a de E. T. - O Extraterrestre ou da trilogia interplanetária de Guerra nas Estrelas, aventuras cômicas como Os Goonies e De volta para o futuro ou comédias de terror como Caça-fantasmas e Gremlins – ou ainda outros que, apesar de indicados para maiores pela distância do universo pueril, também levavam multidões de menores de 16 anos para suas exibições, como os hits de terror jovem A Hora do Espanto e A Hora do Pesadelo ou a ficção/terror Aliens - O Resgate. Porém, fosse porque ainda não me apetecessem, fosse porque minha mãe só soubesse dos Trapalhões (e só se sentia na obrigação de me levar a esses), só fui conhecer todos aqueles clássicos no final da década, quando meu pai comprou nosso aparelho de videocassete.
Por tudo isso, somente em janeiro de 1989 é que “debutei” verdadeiramente nos cinemas! Sim, “cinema” com letra minúscula, como sala de exibição, diferentemente da arte Cinema, uma vez que estou falando de finalmente ir ver um filme na grande sala escura sem ser levado pela minha mãe... E meu primeiro filme seria... uma animação! Mas uma animação adulta: Uma Cilada para Roger Rabbit, divisor de águas de Robert Zemeckis e merecido ganhador do Oscar de efeitos especiais, com suas incríveis cenas que fundiam atores de carne e osso contracenando e famosos cartoons, no mais genial estilo Looney Toones!
Fui assistir com João de Deus, amigo da então recém finda 5ª série, no Cine Alpha – posteriormente Alpha I, em função de uma nova sala de exibição naquele pequeno centro comercial Júnior Center, e que, por sua vez, em 1995, seria transformado na "Sala I" dos desqualificados Cinemas Colossal, hoje também extintos... Na verdade, nenhum daqueles cinemas existe mais: o Cine Passeio foi reformado e transformado numa loja de sapatos; o Cine Monte Castelo foi arrendado para diferentes igrejas neopentecostais ao longo dos anos; e o clássico Cine Roxy, apesar de o único a resistir, virou cinema pornô... Mas, voltando ao meu "marco histórico" no contato com o cinema, aquela foi a minha primeira sessão sem um acompanhante adulto (apesar das caronas com o pai do João na ida e na volta): nas minhas “memórias fellinianas”, aquelas que produzem um mundo paralelo da realidade em nossas mentes, lembro, lembro como se houvesse somente crianças na sala de exibição!
Assim, ao longo daquele ano, deu-se em mim a grande e fascinante “descoberta do Cinema" – algo que jamais me deixaria pelo resto da vida! E, ao longo do ano de 89, vi surgirem outros grandes lançamentos mágicos e marcantes que, apesar de todo aquele frescor de liberdade que eu experimentava, acabariam por marcar o fim de uma era... Mas se Caça-Fantasmas 2 e Indiana Jones e A Última Cruzada alertavam a mim e meus colegas nerds que nossos queridos personagens poderiam ter fim na tela grande com o fim da década (no que o tempo provaria o contrário...), novos e "modernos" heróis surgiam para a galera em crescimento e os novos anos 90 que então despontavam, como um soturno e gótico Batman (outro marco!).
E, com a aquisição do videocassete também naquele ano, quando passei a ver "atrasado" todos aqueles clássicos títulos citados nesta crônica, a 6ª série então chegando ao fim consolidava grandes amizades para o início da adolescência, assim como para o resto da vida – que o diga o amigo Henrique Spencer, que hoje faz 31 anos, e que felicitei graças à Internet: depois de 15 anos de perda de contato depois que o cabra deixou nossa escola rumo ao Recife sem deixar endereço, ele me achou graças à descoberta deste dileto espaço virtual... falando de Cinema!












1 comentários:
Valew pela homenagem Dilberto!!Bons tempos akeles, guardarei para sempre na lembrança!!
Abração!!
Falooows
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