sábado, 13 de maio de 2017

O ontem e o hoje


Em 1977, nascia algo com vontade de criar universos e cruzar galáxias, com força para poetizar em torno de uma Força maior, que a tudo nos cerca e nos envolve... E, o que é ainda mais interessante, é que nesse mesmo mês e ano do meu aniversário nascia também Star Wars - Guerra nas Estrelas (o posteriormente famoso Episódio IV - Uma Nova Esperança)!

Brincadeiras à parte, é incrível como algumas cenas marcam bastante os fãs do Cinema - claro que, em se tratando do Universo SW, isso seria até redundante, tantas as sequências que se tornaram clássicas ao longo desses 40 anos, 7 filmes oficiais e um "extra", o ótimo Rogue One - Uma História Star Wars... Falo mesmo daquelas cenas que acabam marcando cada um de um forma mais íntima e pessoal...

E nesta data especial da minha saga, em que me encontro ávido pelo mapa ideal a fim de encontrar coisas que de mim podem ter se afastado ao longo desta jornada e na busca pelo melhor equilíbrio da minha Força, destaco esses dois momentos que, isoladamente, são lindos e metaforicamente muito ricos em cada filme nesta rica trajetória, do início e do "final" (até agora: faltam, ao menos, mais 2)...

O mais significativo é que, para além das belezas próprias de ambos os trechos (mesmo para quem nunca viu os filmes respectivos), os dois se completam e se complementam num emocionante arco que tão bem emoldura a sempre árdua peregrinação de um herói: no primeiro momento, o horizonte (e os famosos dois sóis de Tatooine) a convidar o nosso personagem a desafiar seus medos, abandonar uma vida pequena e seguir em frente rumo ao algo bem maior para o que foi feito; no último (alerta de spoiller), a jovem que, décadas depois do início de tudo com aquele outrora rapaz, traz ao agora velho e cansado guerreiro um bem significativo o suficiente para lembrá-lo de que ainda há muito pelo que lutar lá fora - tudo com o mais tocante da inesquecível trilha de John Williams ao fundo, a entoar o edificante "Tema da Força", que permeia o heroísmo nos 7 episódios...

O velho e o novo (o sábio e auto-exilado Jedi e a jovem aprendiz), a galáxia muito, muito distante (ou o aqui e agora: "Cuidado meu bem, há perigo na esquina"...) e a vontade desafiada para seguir amando e combatendo o bom e maior combate de qualquer bela história que se preze: aquele que se combate contra si mesmo... O ontem e o hoje - sem crise, por favor... E que a Força (e o amor) esteja com todos nós!

domingo, 30 de abril de 2017

13

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Avolumava-se um vulto na penumbra à porta do escritório, tal como nos jogos de espelhos, luzes e sombras típicos de Cidadão Kane - porém, sua silhueta mais lembrava o Orson Welles de outro filme, A Marca da Maldade... No entanto, Ele se via mais como nalguma história em quadrinhos, quase um um Rei do Crime gigantesco e opulento - de qualquer forma, um vilão, a esperar pelo embate com seu respectivo nêmesis heroico, fosse ele o Homem-Aranha ou o Demolidor que jamais chegaria! Pouco depois, o telefone toca um breve sinal. Era Ela, só que sem voz, somente mais uma mensagem: Eu te amo tanto...

Na verdade, Ele queria que Ela lhe dissesse outras coisas: que o entendia, que sentia suas angústias, seus medos e anseios; a que horas havia chegado e que, no fundo, nem queria ter saído... Enfim, que soubesse acalmar seu coração, sem convidados indesejados, sem fechamentos em conchas, sem data de validade, custasse o que custasse... Talvez fosse demais querer tudo aquilo, uma vez que, como diria o Poeta-Mor, Amar se aprende amando, e algumas maturidades, de saber a hora certa de se ensimesmar ou de celebrar a vida com quem quer que fosse, seriam construções a que Ela talvez ainda não havia conseguido chegar - paciência! Antes querer lembrar o grande Raul, com seus versos dolorosos de A Maçã - Se eu te amo e tu me amas,/ o amor a dois profana,/ sofro, mas eu vou te libertar - do que pensar nalguma coisa mais possessiva, como Antônio Marcos: Preciso tanto me fazer feliz...

De repente, um morcego irrompe pela janela aberta e, antes que Ele se valesse da arma encontrada na gaveta e com Ela encontrasse "a mais indesejada das gentes" de Bandeira, numa típica tragédia Rodriguiana ou se lançasse nalguma trama amargamente policialesca de Rubem Fonseca, eis que a negra criatura noturna, dependurada num balaústre, exclama em alto e bom som: Nunca mais!... E, então, dezenas, centenas, talvez milhares de morcegos adentram o ambiente e, com seus desesperados sons de bater de asas, fazem surgir, diante dos olhos estupefatos de nosso anti-herói, um computador (talvez carreado pelos milhares de quirópteros), daqueles mais antigos, com monitor branco-amarelado com tubo de imagem como os antigos televisores, uma grande CPU, e fios e mais fios a eles interligados - na tela, uma mensagem era digitada: Decifra-me... Ou te devoro!

No instante seguinte, todo o peso do imenso farfalhar geral de asas passou a dar origem, na tela, a letras, números e memórias das artes em geral - e, como num delicioso filme de Terror, Ele some à medida que os assustadores animais alados debandam pela janela por onde entraram: mais kafkiano impossível! Na tela, um poema intitulado "Morcegos"... E Ele acabou perdendo o pouco controle que achava ter: teria sido carregado pelos invasores de há pouco? Ou se teria fundido eternamente ao virtual, carregando-se, automaticamente, nas dezenas, centenas, milhares de crônicas, contos, poemas e críticas de Cinema, Música, Literatura e tantas outras metalinguagens artísticas que passaram a surgir naquela tela bestial? Ninguém sabe ao certo... Só se tem certeza de que Ela jamais perdeu qualquer coisa dita naquele blogue desde então: Ela amava tanto cada letra que lhe surgia... Há exatos 13 anos e para todo o sempre!

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quinta-feira, 23 de março de 2017

Um poema inerentemente preguiçoso,
insolente e sem dor...

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"The Lnely King" - Clare Fergusson-Walker

Indolente


Alma poeta, coração vagabundo, mente doentia
Que me permitam a paz de continuar a escrever

E a esconder-me sabiamente por trás de minha poesia

(Dilberto L. Rosa, 2004)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Fim de Férias de Cinema Mediano...

E, depois de um extenuante ano, os Morcegos, finalmente, tiveram merecidas férias de um mês inteiro, juntamente a este humilde locutor que vos fala! Agora, após semanas de reposição de sono e de organização do tempo com a patroa e as crianças, bem como com alguns consertos e demãos no décimo segundo andar da nossa supertorre de observação da Ilha, eis que voltamos à programação normal de ritmo louco entre escola da criançada e o trabalho nosso de cada dia com algum Cinema na bagagem – infelizmente, em sua maioria, apresentando grau geral de qualidade apenas mediana...
E tome bobagem infantil, atual e “retrô”, ao lado da filha mais velha; animações só razoáveis “para todas as idades”; Fantasia fraca e sem emoção; a velha e escatológica comédia norte-americana de sempre; super-heróis em aventuras requentadas ou herói fraco em superprodução equivocada – tudo como um grande painel de resumo do que se vem produzindo no Cinemão dos últimos anos e, inexplicavelmente, continua sendo feito sobre os mesmos erros, em filmes que, apesar de declarada e anunciadamente ruins ou regulares, eu tinha grande curiosidade para conferir! Porém, para não dizer que foi perda total, um gênero um tanto quanto perdido em mesmices similares se apresentou como a grande surpresa do ano passado e salvou minhas fatigadas retinas: o Terror...
Resultado de imagem para crianças peculiaresMas vamos para o começo, com mais uma decepção com Tim Burton, ex-amado cineasta que, obra após obra (não vi ainda Olhos Grandes, com temática mais “adulta”), só confirma que não tem mais nada a contar na tela a não ser exibir-se com belos visuais: depois do pavoroso Sombras da Noite – e pavoroso no sentido de muito ruim... –, o regular O Lar das Crianças Peculiares (**½), mesmo com tudo para ser uma pequena obra-prima sobre o universo freak de jovens assustadoramente diferentes, apenas se enche de mais do mesmo em situações mirabolantes para adaptar um fraquinho conto literário que nada traz de novo sobre crianças e adolescentes com poderes similares aos famosos mutantes das HQs, só que presos numa dobra temporal e fugindo de monstros capitaneados por Samuel L. Jackson (outro que precisa urgentemente se renovar...)!
Trocando de canal, assisti também a dois heróis que ainda não tiveram a sua melhor adaptação para o Cinema: se o Deus do Trovão (apesar de, desta vez, bem melhor que o primeiro) ainda busca por um intérprete melhor e um roteiro menos clichê que o mote “raça dada como extinta retorna para destruir o universo” em Thor - Mundo Sombrio (**¹/²), a coisa toda desanda mesmo é com O Cavaleiro Solitário (**), que, embora todas as críticas já houvessem falado mal em 2011, só agora pude constatar o quanto do inteligentemente divertido Cinema de Gore Verbinsky de O Chamado e Piratas do Caribe (somente o primeiro) se acabou, nesta tola e “engraçadinha” versão de um clássico personagem dos seriados de rádio e TV – curiosamente, com os mesmos problemas de que padecia recente adaptação de outro personagem das antigas, Besouro Verde (*): direção anabolizada com roteiro ruim sobre herói fraco com parceiro bonzão e engraçadinho...
Outro pessoal que parece não aprender a lição diante de tanta supreprodução ruim é o da Animação, gênero que se renovou com o humor inteligente da Pixar entre os anos 90 e 2000, no entanto há tempos vai mal das pernas... Vide o estúdio Iluminnation, que, até Meu Malvado Favorito 2, parecia bem saber reciclar, em historinhas divertidas e campeãs de bilheteria, piadas e personagens bem bacanas (como o Gru, chupado do Dr. Evil de Austin Powers, e os Minions, mistura infantilizada dos woompa-loompas da Fantástica Fábrica de Chocolate com os divertidos sádicos Gremlins) mas que, desde a bobagem do filme-solo dos Minions (2015), engata, agora duas vezes por ano, um “filme-animal” mais mediano que o outro – vide o nada original Pets - A Vida Secreta dos Bichos (**), que vi com a filhona em casa, no começo de janeiro, enquanto aguardamos a bicharada de Sing - Quem canta, seus males espanta sair em vídeo... Tudo leva a crer que a salvação desses produtores só virá mesmo com Meu Malvado Favorito 3 – que, a depender do ótimo trailler, será a Comédia deste ano!
Não me deixando mentir e consagrando a má fase atual das animações, os velhos diretores de A Pequena Sereia decepcionam com a aventurazinha insossa Moana - Um Mar de Aventuras (**), cujos únicos pontos altos (empoderamento feminino e protagonista de raça polinésia – no caso, de antiga tribo havaiana) se esvanecem logo no começo da projeção em meio a uma historinha boba de superação e musiquinhas extremamente chatas – e fazendo minha garotinha perguntar a que horas tudo acabaria para que ela fosse ao parque eletrônico do shopping... Nem a superprodução francesa O Pequeno Príncipe (**½) se salvou: mesmo sendo mais uma releitura do clássico conto centenário de Saint-Exupérie do que uma simples adaptação, o filme só assim se assume a partir da sua metade final, não sem antes perder um tempo danado em confundir a plateia de pequenos, ainda não iniciados na complexa obra literária, com inserções picotadas de trechos do livro em meio a uma manjada trama de uma garotinha solitária cuja mãe é viciada em trabalho e que só descobre o valor da amizade com o estranho vizinho velhinho (no caso, o próprio aviador da obra infantil)!
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Dúvida cruel: por que, com a transformação, o He-Man
Fica bronzeado e a She-Ra, não?!
E, como já disse, já que muito das férias foi ao lado da criançada, não havia como escapar de exibições da famigerada Barbie, em dezenas de filminhos lançados diretamente em vídeo para vender coleções de bonecas – como o irritante mais-do-mesmo Moda e Magia (*)! Só que, não me dando por vencido, um belo dia procurei antigos boxes de DVDs no gabinete e lhe mostrei um clássico igualmente lançado para vender brinquedos, mas que contava com muita criatividade da década mais prolixa em magia de verdade... E, desde então, ela vem se amarrando com a primeira temporada completa de He-Man (***) – tanto que, mesmo titubeante, aceitou que eu lhe mostrasse (só os 20 minutos iniciais, que é dose aguentar mais que isso...) sua versão em carne e osso, Mestres do Universo (*), ruinzinha produção Golan-Globus, com o sofrível Dolph Lundgreen, que em nada faz jus ao belo desenho animado do super-herói bronzeado inspirado em Conan e que, mesmo com toda a inocência de grande parte dos roteiros e de certas limitações animadas, elevou a produtora Filmation a patamares cultuados até hoje! Ah, sim: depois dessa “introdução masculina”, não havia como não mostrar-lhe a rebelde “Princesa do Poder”, She-Ra, desde sua estreia pomposa no Cinema (O Segredo da Espada Mágica ***) até o DVD que tenho dos melhores episódios (***): mesmo com todo o “boicote machista” de nós, os meninos daquela época, acusando-a de mera “imitação de saias” do nosso amado He-Man, o certo é que She-Ra (“Ela-Rá”, inspiração divina do egípcio Rá, já que “She-Woman” ficaria ainda mais ridículo que “Ele-Homem”) pode ser revista como uma atração bem divertida para todas as idades!
Por fim, cansado de baboseiras como o irregular Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (**), com Seth MacFarlane jogando fora excelente oportunidade de fazer um filme bem melhor que o fraquinho Ted e desperdiçando seu elenco estelar e alguns poucos bons momentos entre os costumeiros excessos de escatologias e outros clichês, resolvi largar a TV por assinatura e me lancei a baixar filmes via Torrent  e foi quando eu me salvei! Ironicamente, entretanto, a salvação veio pelo "mal"... Sim, o gênero Terror finalmente trouxe um sopro de criatividade para as superproduções norte-americanas  e para as minhas tão medianas férias cinematográficas! Dados o excessivo volume de excelentes críticas e a tão elogiada nostalgia oitentista renovada, nada mais certeiro que começar pela badalada primeira temporada (a segunda já está em produção) de Stranger Things (****): enquanto ainda não tenho Netflix, baixei todos os episódios (poucos, 8 no total) e os vi em duas oportunidades em sequência  e, se não é uma obra-prima, uma vez que para os iniciados naquele maravilhoso Cinema dos anos 80 fica fácil prever os acontecimentos da trama, tanto a direção quanto o elenco merecem os parabéns e todos os prêmios que têm recebido (como o Emmy) nessa instigante trama mista de ficção científica e horror passada naquela década maravilhosa de Poltergheist, A Hora da Zona Morta e O Enigma de Outro Mundo (não por acaso, de onde tiraram a maioria das influências) e que conta com uma excelente Wynona Ryder, brilhando de volta à ativa, agora numa série televisiva.
Mas nenhum filme me agradou tanto quanto A Bruxa (*****), o inteligente e assustador trabalho do estreante Roger Eggers que vem surpreendendo os circuitos de arte com a brilhante história de uma família de colonos puritanos nos EUA do século XVII em meio a acontecimentos demoníacos após serem expulsos de seu vilarejo e terem que iniciar uma dura vida isolada no meio de uma floresta. Baseado em relatos históricos e "julgamentos" religiosos da época, a atmosfera lúgubre, valorizada pela excelente fotografia, e o realismo dos acontecimentos macabros assustam bastante, sem as cansativas apelações de praxe dos sustos fáceis e das músicas estourando os tímpanos dos filmes atuais desse gênero  tudo se sucedendo e engolfando os inocentes crentes (na verdade, nem tão inocentes assim...), o que acaba por gerar incertezas até o final, que, apesar de único momento "explícito" do filme, não estraga o conjunto, muito pelo contrário: ajuda a compor o mosaico de dúvidas do espectador e, ao mesmo tempo, dá um belo desfecho à trama. Imperdível, especialmente pelo relevante realismo histórico e pelas inúmeras camadas de leitura sociológica e religiosa!

E eis que pisco os olhos e já ouço que o Oscar se aproxima, com um catatau de filmes sobre os quais não tinha a menor noção nem mesmo da existência, enquanto ainda seguem engatilhados na minha lista de downloads em HD  a ver em breve alguns oscarizáveis do ano passado, como Os Oito Odiados, O Quarto de Jack e A Teoria de Tudo... Cinema, para o bem e para o mal, faz tempo que me é difícil de acompanhar!


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Reunião Dombosquina: Presente!

Boa noite, pessoal! E agora, com todo respeito às incautas presentes... “Chuuuuupa! Chupa que a cana é doce...”, no bom dizer do sábio Silvio Luiz!

Que noite emocionante esta de hoje, hein? Reunião das nossas turmas do terceiro ano, 22 anos depois... Realmente emocionante... Tanto que estou me sentindo estranhamente como se tivesse, de novo, com 17 anos – mas não por causa de nenhuma nostalgia em particular, não, mas porque eu tenho que voltar pra casa antes da meia-noite, que minha mãe está me esperando! Sim, era isso ou eu sequer poderia estar aqui hoje, uma vez que estou sem babá e não tinha com quem deixar as três crianças... Fazer o quê, algumas coisas nunca mudam, não é mesmo?! A não ser a gente, “classe macha” daquela época: “pelo amor de meus filhinhos”, no que diabos a gente se transformou, hein?! Tudo careca, barrigudo e pelancudo... Sim, porque tirando Cristiano e Alan, só quem se conservou de lá pra cá foram as meninas: mesmo algumas já mamães hoje em dia, incrível como vocês, garotas, continuam lindas e nós, os homens, uns cacos!

Eu já estava para ir embora e fizeram questão de um stand-up, só que não posso, pessoal, eu realmente tenho que ir... Senão a gente ficaria aqui fazendo aquelas imitações de nossos mestres inesquecíveis, a noite inteira... Ah, que diabos, mamãe que espere – impossível não lembrar os mais saudosos: “All right, pessoal?!”... Isso, isso mesmo, Josemar, grande professor de Biologia... Hein? Se sêmen engravida?! “Bom, isso depende de por qual lugar vai entrar, all right? Ram, ram, ram...”, ai, ai, grande Josemar... Pois é, né, ele morreu... Imitar quem? Valdivino? Não tenho referência agora... Eu me lembro de Leila “Nabucodonosor”... Ela morreu? Não sei, não sei... Quem não se lembra de Waldiney, de Matemática?... Como é que é, ele morreu também...?! Não, aí vocês já estão de avacalhação com meu número, pô, matando todo mundo...! Assim não tem mais imitação!

Mas, sinceramente, eu tenho que ir, uma pena eu não poder ficar mais: a comida e a bebida estão ótimas – e, o que é melhor, gratuitas! Vantagem de ser casado com uma ex-aluna dombosquina: não se paga a entrada do acompanhante! Muito bacana também ter dançado um pouquinho ao som dos velhos hits dos anos 90... Confesso ter sentido falta de clássicos como “Chinelada na barata da vizinha”, mas a festa, sem brincadeira, está ótima! Eu sei, eu sei: primeiro reencontro de que participo e tenho que sair tão cedo, né? De fato, eu nem viria, como sempre, mas não pude recusar ao convite de dois amados, Luciano e Cristiano: puxa vida, “Luizão” me ligou convidando pra cá, rapaz – Luciano Luizão, a lenda! Nem sabia que esse cara ainda existia, tão difícil que ele é, a gente só se encontrando uma vez por ano pelos shoppings quando da vinda dele a passeio com a família, porque ele é pior do que eu, que não tenho Whatsapp: ele não tem nem Facebook! Foi ele quem criou aquela história de me chamar de “Wolverine”, logo eu, o mais pacífico... Acho que por causa daquele desenho animado dos X-Men que fazia sucesso na época da TV Colosso... Fui longe, eu sei, mas por Luciano vale a pena: adoro esse cara, de verdade!

Mas, não há como negar, há um motivo maior para eu estar aqui esta noite e ele se chama Cristiano Barroso, uma salva de palmas para o nosso anfitrião desta noite, pessoal! Isso mesmo, esse cara, Cristiano... Um irmão pra mim, né, Cristiano?! Ele me convidou inbox, mesmo nem sendo meu contato no Face... Poxa, nunca me esqueço de quando nos reencontramos após anos do fim do Segundo Grau, hoje Ensino Médio: foi num shopping, lembra disso, rapaz?! Eu vi uma confusão danada, o pula-pula sendo isolado por seguranças, para que só a filha daquele magnata pudesse brincar, e eu perguntei “De quem se trata, quem é o ban-ban-ban: Tony Stark? Bruce Wayne? Nada, era o ricaço do Cristiano! Brincadeira, brincadeira... Ele estava lá, sim, no pula-pula, esperando a filha sair e eu levando a minha, ao lado de Jandira, quando o avistei e cheguei todo efusivo “Cristiaaaano, rapaz, há quanto tempo!”, com a mão espalmada no ar para um grande aperto no melhor estilo parceirão, e ele: “Ah, oi. E aí?”... Mas hein?! Fiquei meio sem graça, mas, dada a irmandade, mantive-me no mesmo ritmo: “E aí, cara?! Casado? Só tens essa? Olha só, eu me casei com Jandira, que barato, né, colega nossa de turma...!”, e ele, o que é pior, também se manteve na mesma: “Ah, sim: acho que eu me lembro dela.”... Tu te lembras disso, Cristiano?! Meu irmão... De qualquer forma, aviso logo: eu não vou pagar o estacionamento – tu és o dono do lugar, caramba!

Brincadeira, pessoal, não quero ser indelicado com o dono da festa, deste hotel maravilhoso e de metade do patrimônio de São Luís, brincadeira, mesmo: ele é meio desligadão assim, mesmo, mas é a tal coisa: todos fomos muito próximos, uns mais, outros menos, mas aquela época ficará eternamente em nossos corações, com todas as brincadeiras e sonhos de nossa última época de inocência... Amei encontrar gente como "Geraldão 94", Fabiano Mamede – os dois magnatas que bancarão a impressão do livro “Reminiscências dombosquinas”, vocês sabiam? –, “Gato-Foca” Eduardo, Silma, Gisele, Aurelice, Rosiane... Os amigos da outra turma, Sérgio e Eduardo... Parem tudo, meninas e meninos, que Andrei chegou, senhoras e senhores: aí não há apresentação que resista, teremos que interromper para esta entrada triunfante! Olha Stênio ali chegando também, rapaz: de Bacabal para a Alemanha e direto para São Luís, fazendo uma participação especial: agora vocês terão imitações do Professor Sidney, que Deus o tenha...! Um amor grande, viu, pessoal... Tanto que estou pensando seriamente em colocar o tal do Whatsapp no telefone só para entrar no grupo das piadas de duplo sentido da galera do mal, aí!

Valeu, de verdade, pessoal: pelo menos nessa apresentação, o amigo Geraldo prestou mais atenção do que na época do meu discurso como orador, na nossa formatura – de que ele só se lembra da abertura: "Corpos Docente e Discente do Colégio Dom Bosco, boa noite!" (e do final, "Saudades e Saudades", poeminha com que encerrei...)! Abraço no coração de todos, que já é hora, pois, por um minutinho a mais que seja, capaz de voltar mesmo ao passado e apanhar de mamãe, que está morrendo de sono e quer dormir na sua casa! Eu queria muito ficar mais, ter revisto mais gente: os professores Vieira e Augusto, meu amigo Fred, Fernandinha Moreira, Flávio Augusto, Henrique Spencer, que está no ‘Hellcife’... Também queria poder ficar mais... A gente segue, já, já é Natal, daqui a pouco, 2017... Mas o coração ficou em 94! Deixo vocês com Fabiano, com a palestra "A Importância do Amor, da Amizade e A Destruição das Famílias para As Drogas"! Até o próximo reencontro, nem que seja daqui a 22 anos, obrigado por tudo: pelo carinho de me manter vivo, manter aquele Dilberto vivo na lembrança...  Nem que seja em janeiro eu escreverei sobre esse encontro, podem deixar – as "Reminiscências Dombosquinas" não podem acabar!

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