quinta-feira, 31 de maio de 2018

Das Lombadas ao Aniversário

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Quisera eu que minha coleção ainda estivesse com essas cores vivas...

O ano era 1986 e eu tinha de 8 pra 9 anos: lembro-me bem da idade por causa do relógio digital amarelo, de pulseira emborrachada, que eu ostentava, na terceira série, por causa da exclusividade! E também, é claro, por ele ser derivado daquele presente incrível, cortesia da minha finada avó Raquel: uma enciclopédia, a Biblioteca dos Escoteiros Mirins (1985), reedição compilada, em capa dura, dos antigos Manuais Disney da década de 70, que guardo até hoje - e que, além do reloginho, ainda dava como brindes um quebra-cabeça e um carregador de livros (três coisas que, infelizmente, não mais possuo...). Muita gratidão: ali estavam, diante de mim, 20 volumes sobre todos os assuntos que um menino que adorasse ler naquela idade vibraria em conhecer: truques de mágica; grandes inventores e invenções; os maiores nomes da História do Futebol e dos Esportes em geral; personagens da Mitologia grega etc. Só havia um probleminha: ansiosa quanto ao impacto da surpresa, para que eu visualizasse, de imediato, a ilustração completa formada com a junção de todas as lombadas (Donald, Margarida e os sobrinhos escoteiros: vide foto acima), minha avozinha, que morava no Rio, se precipitou em mandar todos os livros já montados, em cima da estantezinha vermelha, na encomenda! Como o plástico frágil não aguentou o longo transporte, a pequena estante rachou em dois pontos, deixando este já colecionador-em-formação em frangalhos, uma vez que ficava tudo sem muita firmeza...

30 anos depois: à beira dos 40 e das falências econômica, profissional e como pessoa, eis que as editoras começam a carrear para o Brasil um filão já explorado lá fora: o "mercado nerd" de relançamentos de Quadrinhos! E, apelando para o então em alta gênero Super-Herói, o primeiro grande lançamento nacional foi Marvel Graphic Novels, 60 volumes encadernados em capa dura, de alguns ótimos arcos famosos (e outros nem tanto: fracos e caça-níqueis revistas dos últimos 15 anos), cujos dorsos traziam o herói protagonista da vez, num quadrinho mais acima, juntamente à parte de um grande mosaico, com a arte de Gabrielle Del'Otto, estampando alguns dos principais medalhões da "Casa das Ideias" em ação. Infelizmente, ao contrário do que se deu com a bela encadernação da antiga Editora Abril e seus escoteiros-mirins (que, por sua vez, também foi relançada recentemente), a Salvat teve enxurradas de reclamações pelos problemas com a ilustração dos lombos: a cada edição, os colecionadores iam percebendo que a ilustração nunca se ajustava - uma hora era o braço do Wolverine mais pra cima; na outra, o ombro bem mais pra baixo... Eu mesmo fui vítima! Curiosamente, mesmo com estes e outros problemas (como os constantes aumentos de preços e os excessivos atrasos nas bancas regionais, muitas vezes com a chegada de três volumes numa só semana!), ainda foi lançada uma coleção complementar, com mais 60 volumes - agora, voltada para os "clássicos" (mais uma vez, alguns bem longe disso...) das décadas de 60 e 70 -, que, ainda em andamento, já me fez desistir pela metade do caminho, tendo parado no volume XXVII, até onde dava para brecar o mosaico sem maiores "perturbações visuais" para a minha prateleira...

Dorso, lombo, lombada... Palavras diferentes para designar uma parte do livro que, antes, mal trazia a identificação do título e de seu autor, mas que há muito passou a carregar pequenas ou grandes ilustrações a fim de criar um visual em formação, dando continuidade para que algumas séries de títulos ficassem mais visíveis e bonitas na estante - sem mencionar a "obrigação" imposta aos compradores de não deixar de comprar um só volume, visando a não desfalcar o visual completo! E tome no lombo um crescendo normalmente escorchante de preços até que uma coleção, especialmente em HQs, viesse a se completar! Sim, porque, do lado de cá da realidade, é um bocado difícil manter-se um "super-herói" com as contas acumulando e o espaço de casa diminuindo para tanta coisa! O certo foi que, no meu caso, chegou um ponto em que livros, quadrinhos e miniaturas se acumularam de uma vez, entre os excessos de lançamentos dos últimos dois anos e a minha controlada cobiça (não compro tudo; vou criando parâmetros e me impondo limites), sem contar com a absoluta falta de tempo para sequer desfrutar do que comprava... Hoje, ao ver a eterna bagunça em que me meti no meu gabinete-escritório de casa, sinto uma melancólica angústia de jamais poder vir a me reencontrar com aquele guri de 8 pra 9 anos plenamente organizado com cada coisa em seu lugar - e capaz de se condoer por simples rachaduras na estantezinha da sua primeira coleção de livros! 

Hoje, recém completados 41, é outra criança de 8 anos, que não eu, que me encara a quase sempre me fazer a mesma pergunta: - Pai, quando é que você vai dar um jeito nessa bagunça...?! - questiona Isabela quando adentra a minha "Fortaleza da Solidão" para ler alguma coisa ou jogar no computador, e para quem, infelizmente, costumo dar somente respostas evasivas, tantas as desordens... Afinal de contas, organizar as lombadas da vida na luta para que a ilustração se acerte e deixe pelo percurso uma bela ilustração não é mesmo tarefa para uma criança! Mas é com essa menina que passei a aprender sobre o tempo e que, ainda que tivesse poderes de um super-homem, a fazer o mundo girar ao contrário e voltando no tempo até ser novamente aquele garotinho e recomeçar tudo, eu poderia jamais colecionar em minhas mãos sorrisos tímidos, birras reflexivas, olhos cheios de luz e beleza, questionamentos repetitivamente adoráveis e graciosidades escalafobéticas como as que recebo todo santo dia por esses "superpoderes" dela! E ela, assim como minhas coleções, nunca para de crescer! O mais engraçado é vê-la hoje a folhear algum livro velho da Biblioteca dos Escoteiros-Mirins nesses frios e imediatistas tempos de Google ou gostando do universo super-heroístico, que conhece desde a época em que comecei a comprar essas graphic novels...
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E essa "saga" meio que continua, numa espécie de "postagem de extensão", tal qual nas intermináveis coleções atuais de relançamentos editoriais, em outro blogue amigão da vizinhança que eu tento escrevinhar por entre os destroços do meu escritório: clique em www.osuperpai.blogspot.com.br e viaje junto!

domingo, 13 de maio de 2018

Às Armas!

Imagem relacionadaQuando nasci, tenho quase como por certo que um anjo torto, perdido havia muitas décadas, sombrio, vacilante, desses bem safados, vaticinou diante de meu primeiro choro: vai, Dilberto - sê cativante e cativeiro da mais bela, destrutiva e apaixonante insegurança diante do mundo! Assim, apesar de nem saber direito do que se tratava aquela vida que me aguardava, eu já "prometia" demais... E, ainda que então desconhecesse duas armas que me seriam sagradas tempos depois e que surgiam naqueles mesmos mês e ano que vim ao mundo (só viria a aprender a "manusear" a Força e o sabre de luz tempos depois, assim como se deu com a Poesia de Drummond e Chico), eu segui em frente!

 Resultado de imagem para espada olho de thunderaResultado de imagem para do que é feita a espada de he-manCrescia... E me foram dadas muitas outras armas: além de me entupir de imaginação, entre desenhos animados da Disney e da Hanna-Barbera e um homem bonito de collant azul e capa vermelha (que me fez acreditar que se podia voar...), exatos dez anos depois minha mãe me faria uma linda festa de aniversário em casa com os felinos de Thundera e, em seguida, me vestiria como o famoso guerreiro de Etérnia para um longínquo 7 de setembro - e tudo só de olhar uns álbuns de figurinhas e desenhos da TV comigo (e também com o auxílio de uma velha máquina Singer)! E eu, além de conversar com meus bonecos na uma hora de "intervalo para a digestão" entre o almoço e o dever de casa, já tinha visão além do alcance, possuía um colete de coridita (com a clara representação do time que meu pai me ensinava, por tabela, a gostar: He-Man era vascaíno!) e uma espada do poder que me daria a Força - de novo... Meu destino estava traçado em meu inconsciente adulto em formação: ou seria desenhista da Disney ou da Maurício de Souza Produções; ou desenvolveria brinquedos tão divertidos quanto aqueles bonecos da Estrela e da Graslitte; ou, se nada mais desse certo, seria arquiteto (conforme os adultos me explicavam que essa era a profissão de quem gostava de desenhar casas) - em meio a inúmeros super-heróis e personagens criados por mim mesmo e excelentes notas na escola (mesmo sem muita consciência disso tudo...)!

Resultado de imagem para proton packNa passagem para a adolescência, mantive-me na infância por meio de um aparelho de videocassete e milhares de filmes que me reconstruíam em fantasia - a qual, juravam pra mim, seria perdida tão logo eu "crescesse"! Mas não era disso que vivia o tal do Spielberg em todos aqueles filmes (até nos que nem eram dele)? Ele me parecia bem crescido, sabendo muito bem o que queria com seu (maravilhoso) trabalho... E, o melhor de tudo: feliz! Estava acertado: seria cineasta! Pouco importava se no Brasil a coisa toda fosse diferente e só a família Barreto ganhasse dinheiro com Cinema: eu criaria a megaprodutora HD Studios com o amigo Henrique, faríamos continuações de Caça-Fantasmas, Robocop e Batman, uma melhor que a outra! Quando o gênero esgotasse, partiríamos para as paródias dos nossos próprios filmes, no melhor estilo Top Secret - Superconfidencial, e seguiríamos dominando o mercado nacional com a cara de Hollywood (mais ou menos o que a famigerada Globo Filmes faz hoje em dia)... Isso até eu descobrir o que era realmente Cinema aos 15 anos, assistindo às sessões Corujão e, por lá, conhecendo os clássicos italianos, franceses, japoneses...

Resultado de imagem para pincel atômico canetaDe repente, o mofo deu (o cacófato foi intencional): não só perdi toda a minha estimada coleção de fitas VHS para grandes manchas brancas de fungo como também o meu precioso aparelho de videocassete (meu, não - ambos, o JVC e depois o Semp-Toshiba, sempre foram de mamãe!) se acabou com o sucessivo desgaste de sujeira no cabeçote... De repente, as velhas armas conhecidas ficaram defasadas: os sabres e feixes de prótons improvisados das brincadeiras foram encostados; Spielberg desandou com Hook já na entrada dos anos 90; há muito o amigo Henrique voltara para Recife (onde hoje ele é... cineasta!)... Mas acabei aprendendo a desenvolver novos mecanismos de batalha: descobri como "atuar" no cinematográfico mundo das mulheres; comecei estudando a Arte da Arquitetura e terminei no seco Direito - mas preferia mesmo era escrever, escondido no escritório, num blogue criado pela amiga Adriana (novamente - dos tempos da escola); e, por fim, descobri-me professor, casado e com uma filha (depois, viriam mais dois!) e posso dizer que as canetas e os pincéis atômicos acabaram tornando-se a única arma disponível a partir de então... Caiu o DVD - depois o Blu-Ray, o pen-drive... O negócio é Torrent e Netflix! Agora os empregos, o mestrado...

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Mas e eu?! Afinal, nada é mais defasado, obsoleto e desarmado do que este velho vermelho das 7 faces lilases... 41 desse jeito?! Não gostei! Morro de medo de, a qualquer momento desses "tempos estranhos", vir a ser julgado não por um juiz de exceção midiático e superpoderoso, mas por aquele eu-garotinho, que antes se armava de sabres, espadas e feixes de sonhos, e agora, por aqui materializado e vindo de alguma fenda espaço-temporal, acabasse por me questionar: - E aí: conseguimos? No que eu teria que confessar que não... E depois, ainda um tanto quanto envergonhado e com os olhos marejados por tantas desistências e magias perdidas, emendaria: "Cá entre nós, apesar de tudo, não mudei tanto assim de você... Mas, diante dos desvios, não conta nada pra mamãe da tua época... No entanto, agora que você está aqui - às armas! Tudo bem, já nem lembro pra onde mesmo que eu vou... Mas vamos até o fim!?"

domingo, 29 de abril de 2018

14 Anos de Magia...

Dirigido por Steven Spielberg, este foi o quinto (e melhor) episódio da primeira temporada da inesquecível Amazing Stories - Histórias Maravilhosas.

Já contei, por inúmeras vezes, como em 1989 minha vida passou por um divisor de águas chamado videocassete... E, naquele mesmo ano, com as inúmeras idas às hoje extintas videolocadoras, conheci a série Amazing Stories - Histórias Maravilhosas (NBC, 1985/1986), deliciosa homenagem oitentista do então Midas de Hollywood Steven Spielberg (produtor/diretor) à clássica série dos anos 60, Twilight Zone - Além da Imaginação, e também no formato de antologia, com episódios independentes. Infelizmente, oscilando entre geniais episódios cheios da melhor Magia dos anos 80 (como na pequena obra-prima A Missão, acima: um artilheiro "sortudo" e sua "velha imaginação" à beira da morte durante a Segunda Guerra) e tramas bem fraquinhas, aquele pequeno marco televisivo não durou muito e acabou após duas temporadas - cujos 9 volumes em VHS devorei a todos (uma vez que só seriam exibidas na televisão aberta brasileira alguns anos depois)!

A Roleta Da Morte
Queria na minha estante...
E foi também em 89 que descobri, numa empoeirada estante da biblioteca do pai de um antigo contemporâneo da escola, o incrível livro Alfred Hitchcock apresenta: A Roleta da Morte (Ed. Record, 1978), espécie de extensão, na Literatura, do sucesso da antologia televisiva de mesmo nome, em que o Mestre do Suspense apresentava tramas dramáticas e assustadoras, selecionadas, pelo próprio diretor, entre autores desconhecidos do grande público. Foi nesse livro que um conto em particular me marcaria profundamente, tanto na memória afetiva de uma bem construída narrativa, como também no meu estilo de escrever, ali começando a aprender a importância da arte de encerrar uma história com um grande final: um fotógrafo, com o estranho dom de capturar os momentos mais dolorosos de pessoas em situações de desespero, depara-se entre salvar a vida da mulher grávida caída no fosso do metrô e conseguir mais uma macabra e derradeira fotografia... De grandes finais, sem dúvida, o velho Hitch de Um Corpo Que Cai, Janela Indiscreta e O Homem Que Sabia Demais entendia muito bem!

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O maior super de todos...
Claro que ela se faz muito mais presente no Cinema ou na Televisão, naqueles momentos em que realmente se acredita que um homem possa voar... Mas, quando falo em Magia, não me refiro somente àqueles filmes ou livros que tratem de universos epicamente fabulosos, como no clássico recente Game of Thrones (que só agora começo a desvendar), tampouco a qualquer obra de Fantasia ou Ficção Científica - fosse assim e o malfadado já esgotado subgênero dos "filmes de super-heróis" ainda hoje agradaria e emocionaria tal como se deu com o impacto causado por Superman - O Filme, em 1978. Na verdade, falo daquela narrativa com encantamento e Poesia, capaz de tornar até um duro filme Policial (vide o cruel, porém belíssimo O Poderoso Chefão) ou um intrincado livro de Mistério algo extasiante, emocionante, envolvente... E quando, nessa obra (cinematográfica, literária...), se dá a sorte descomunal de fazer caber um grande fim, aquele mágico torpor segue a nos tremer a pele, esquentar o peito, intrigar a fronte, arrepiar a espinha e mexer com o cérebro por dias, meses, décadas a fio...

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Clássico de Neil Gaiman:
pesadelos lendo a DC Comics
pelo selo Vertigo...
E olhando em retrospecto, em particular, toda essa época entre os lisérgicos anos 60 de Além da Imaginação e o final dos multicoloridos e falsamente inocentes anos 80 de Histórias Maravilhosas, o período foi bem pródigo em sensíveis montantes de Magia, assim como em saber como bem se acabar um filme, um livro, uma canção - e nem falo de um óbvio Disney e seu incrível Mary Poppins! Tire por Kubrick em 2001 - Uma Odisseia no Espaço ou Antonioni em Blow-Up - Depois daquele beijo; Fellini em 8 ¹/², A Doce Vida e Amarcord; ou o nosso Cinema Novo da amarga Poesia de Gláuber ou Nelson; passando por Lucas com suas épicas Guerras nas EstrelasBraga definindo cores para o até então cinza gênero da Crônica; ou ainda a Música de Caetano, Torquato, Mautner ou Belquior com seus poemas de MPB desconstruída (ou em reconstrução) e músicas de louca escapada; Leminski com seu deboche malandro e seus golpes geniais de releitura poética de nós mesmos; King inventando, em seus livros, o Terror de deslumbramento e fascinação entre crianças e adultos; Moore e Gaiman redefinindo os Quadrinhos e chamando de volta os adultos para a festa; e chegando, inevitavelmente (para o bem e para o mal), às mágicas mãos de Spielberg por trás de praticamente tudo de épica e magicamente romantizado que se fez entre os finais dos anos 70 e 80, de extraterrestres com cinco notas de comunicação em Contatos Imediatos... a aventureiros à moda antiga em Indiana Jones e A Última Cruzada - que período mágico para as Artes em geral!

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Suspense do Além...
Mas... E depois? Infelizmente, pouca coisa... Afinal, os anos 90 produziram quase nada além de reciclagem cultural - se não fossem adoráveis salvações isoladas, como Ghost - Do outro lado da vida, Dick TracyDança com LobosEdward Mãos de Tesoura, Drácula de Bram StokerO Rei LeãoEd Wood, O Exterminador do Futuro II - O Julgamento FinalFeitiço do Tempo, À Beira da LoucuraEntrevista com O VampiroA Roda da FortunaForrest Gump - O Contador de HistóriasA Fraternidade é Vermelha, Toy StoryDesconstruindo Harry, O Enigma do HorizonteContato, O Show de TrumanAlém da Linha Vermelha, Amor Além da VidaCidade das SombrasO Grande LebowskiO Sexto SentidoÀ Espera de Um MilagreNós que aqui estamos por vós esperamosBeleza Americana, História Real ou Matrix... Teríamos uma década perdida! Já sentia saudades da minha infância oitentista...

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Amor que se reinventa de forma lúdica...
E parece que a seca só aumentaria com o passar do tempo: o mais perto de "mágico" que as duas décadas iniciais dos anos 2000 viram foi a explosão de cansativos universos de super-heróis na tela grande e um gigantesco número de refilmagens ou reboots de velhas boas ideias! Logicamente, sempre há de se considerarem honrosas, ainda que cada vez mais esparsas e raras, exceções (e obviamente que magias caça-níqueis de bruxinhos sem sal e "cinema-novela" de não-sei-quantas partes não contam!)... E assim, filmes como Corpo Fechado, O Tigre e O Dragão, O Auto da Compadecida, Embriagado de AmorO Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel, Moulin Rouge - Amor em Vermelho, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, A Viagem de ChihiroDogville, Peixe Grande, Hulk (de Ang Lee), As Bicicletas de BellevilleBrilho eterno de uma mente sem lembranças, Antes do Pôr do Sol e Cisne Negro, na primeira década, e Meia-Noite em ParisO Artista, A Invenção de Hugo CabretAmor, Gravidade, O Perfume, Menino e O Mundo e A Forma da Água nestes últimos 7 anos, apesar da roupagem nova de edições ousadas e de algumas cores mais cínicas, souberam como dignificar a tradição da velha e doce Magia! Só que num triste número bem menor, em quase duas décadas, em relação à já fria década de 90...

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É assim que a tela da smartv da sala vive atualmente:
escolhendo pelos "quadradinhos"
Inúmeros autores jamais deixaram de se valer de alguma Poesia ou Fantasia para tocar suas obras ao longo dos últimos tempos, isso sempre existiu... Mas nada digno de nota, de Magia com 'M' maiúsculo, coisa difícil num mundo tão dominado pelo imediatismo e pela arte comercializada! Curiosamente, é novamente na Televisão o novo espaço fértil para um forte movimento pelo retorno a esse jeito mágico de contar grandes histórias - especialmente agora, em tempos de multimídias como o Netflix, esse híbrido de TV e internet em que milhões de filmes e séries inteiras estão disponíveis para imediatas maratonas! Eu mesmo ando bastante ligado nesse canal: além de ter devorado, assim que assinei no final do ano passado, a segunda temporada do já clássico absoluto de Ficção-Horror Stranger Things (ainda preferindo a primeira...) e finalmente ter visto a quinta e última temporada que me faltava para fechar a trágica Poesia violenta de Breaking Bad (no que não me contive e acabei por rever as primeiras - e melhores - quatro anteriores do grande Walter White), já me familiarizei com as maravilhas do formato streaming e fechei várias séries bacanas: quase toda a heroizada Marvel, dos muito bons Demolidor e O Justiceiro aos fracos e arrastados Luke Cage e Punho de Ferro; a encantadoramente amarga e irônica fantasia cômica das duas temporadas de Desventuras em Série; e a nada mágica e somente razoável Better call Saul, 'spin-off' de Breking Bad com o divertido Saul Goodman (agora ofuscado por longas situações familiares)!

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É a tela ou são as pessoas
que se "quebram" diante da tecnologia?
Pois é: meu namoro com aquele estilo de encantamento continua firme e, na maioria dos casos, ando preferindo as séries nessa linha mágica a renomadas, porém mais realistas tramas - como as ainda não vistas House of Cards, Narcos, The Crown ou La Casa de Papel. E, voltando-se ao início desta postagem, mais um ciclo se fecha com uma nova releitura da antiga Twilight Zone, agora a fim de adequar a velha fórmula de fantasiosos episódios independentes entre si aos hodiernos e cínicos tempos da alta tecnologia: Black Mirror, referência, no título, ao "espelho negro" que nos reflete (e aprisiona) pelas telas dos computadores, TVs e celulares a uma realidade nada boa, é uma premiada série inglesa (hoje pertencente à Netflix) com grande elenco internacional, parece querer trazer à tona esse velho universo do qual jamais nos deixamos separar - o de se surpreender com o inusitado, e, no caso, viajar pelas mágicas possibilidades "futuras" da tecnologia sem perceber direito o quão presentes (e possíveis) todas elas já são! Infelizmente, Magia e Grandes Finais não são uma constante nessa cultuada, porém seca série: de um modo geral, as premissas e painéis de fundo são sempre muito interessantes, mas ora se arrastam demais em longas-metragens (algumas histórias chegam a 90 minutos - o que compromete bastante o desenvolvimento desse formato), ora se encerram sem vontade ou sem apresentar uma conclusão satisfatória...

Melhor jeito de se ignorar alguém numa crise conjugal:
bloquei-o em seu chip e o deixe incomunicável!
De qualquer forma, o grande responsável por tudo, Charlie Brooker, desenvolveu pelo menos uma pequena obra-prima por temporada, capaz de alimentar as esperanças de que nada está perdido no doce terreno da ficção moderna... E Black Mirror, além de merecidas "menções honrosas" a três já pequenos clássicos do imaginário popular, 15 Milhões de Méritos, Hang the DJ e Manda quem pode, conta com os seguintes episódios imperdíveis: na primeira temporada, o Suspense de Ficção Científica Toda Sua História, em que um marido, obcecado com a ideia da traição da esposa, vai às últimas consequências com seu avançado chip de memória; na segunda, a deliciosa Comédia de Ficção Queda Livre mostra Bryce Dallas-Howard e seu sorriso plastificado de boneca na atualmente bastante comum obsessão louca de ser popular nas redes sociais - sendo que, no futuro, disso dependem empréstimos, contratos e até empregos; a terceira revela o melhor episódio de todos com a genial Ficção Científica Natal, em que nada é o que parece ser nesta trama cheia de reviravoltas e histórias intercaladas; e, por fim, a quarta e mais fraca temporada, com somente um grande episódio, Black Museum, em que, mais uma vez, várias histórias se intercalam dentro de uma maior, numa espécie de homenagem à própria série ao alinhavar diversas referências e personagens já explorados, numa espécie de universo unificado, tudo reunido num macabro museu de tecnologias mentais fracassadas... Apesar dos muitos defeitos, esse "Espelho Negro" (saudade de quando se traduziam os títulos originais...) merece ser vista - afinal, é a Magia se renovando!

COMMENTS On the night of November 24th, 2007 I was lucky enough to catch a lunar halo right above my house, under a full moon. Of course I w...
Foi quase assim a Lua daquele dia mágico em que escrevi
meu primeiro poema...
E pensar que tudo isso começaria, para mim, naquele hoje longínquo 1989 por causa do Cinema em minha casa... E que, três anos depois, em 1992, eu entraria nesse mundo ao "começar" a escrever: com o entusiasmo de algumas redações em versos e prosas então muito queridas na escola, minha primeira crônica-conto, Amanhã é outro dia..., escrevi na última folha do caderno do segundo ano do ensino médio, esperando a primeira namorada na imponente Biblioteca Pública Benedito Leite; e, um pouquinho antes, em 1991, concebi o poema que dá título a este humilde espaço virtual, Morcegos, após voltar de uma videolocadora, deixando fitas devidamente rebobinadas no último minuto do prazo sem multas antes de fechar, às 21 horas, olhando para o céu limpo e claro de uma mágica lua cheia envolvida por uma grande auréola - tantas e tão diversas inspirações, mas sempre prenhe de Magia e já exercitando as lições aprendidas algum tempo antes a respeito de grandes finais...

Mas foi somente após decorridos mais 15 anos, em 2004, que este blogue ganhou forma, no finalzinho de abril, mais precisamente no dia 30, ao me fazer entrar de vez na internet e na Literatura, redefinindo minha vida ao abraçar o escrever religiosamente até hoje, 14 anos depois, em que ainda ensaio Poesia pela minha Prosa de amador e amante no contínuo exercício do suspiro derradeiro de um final que nunca há de chegar... Então, que nunca se acabe, sempre se renove - com direito a inúmeros lindos finais mágicos! Obrigado por me acompanharem e me ajudarem na árdua tarefa de carrear Magia do papel para o dia-a-dia com a pena digital desse velho teclado descarregando, sobre a tela do seu PC (hoje também no seu note, tablet e I-Phone!), Cinema, Literatura, Música, Quadrinhos e Artes em Geral, diletos Morcegos... Meus parabéns!
Como tudo começou... Assim era o layout original dos falecidos tempos de Weblogger!
Aproveite o sem-número de links ao longo desta postagem especial de aniversário e boas viagens...

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Todos os Filmes (que eu vi) do Oscar 2018

Oscar de melhor trilha sonora: o criativo Alexander Desplat, oscarizado antes pela trilha do excelente O Grande Hotel Budapeste, compôs aqui o seu melhor trabalho - trilha inesquecível de um filme deliciosamente romântico em todos os aspectos: A Forma da Água.

E a minha "maldição do Oscar" continua: se nos dois anos anteriores a sofrível Sky me deixara sem poder ver a premiação ao vivo, neste ano, livre daquela péssima TV por assinatura, sequer pude acompanhar a exibição picotada da "edição Big Brother" da Globo... A razão? Os técnicos da Sky, ao desligarem seus cabos, desconectaram-me também da antena externa do condomínio dias antes daquele domingo, 4 de março... E, curiosamente, tudo isto se deu num ano em que creio ter visto mais filmes indicados em todos os tempos!
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Mas não falo somente dos 9 "principais", dos candidatos à estatueta de melhor filme - lista que não me apeteceu a ver em sua completude, deixando de lado filmes como Ladybird, Me chame pelo seu nome e The Post - A Guerra Secreta (mas ansioso para ver, muito em breve, Trama Fantasma, Dunkirk e O Destino de Uma Nação, todos oscarizados)! Falo, mesmo, das indicações de um modo geral, com gratas surpresas entre categorias menos badaladas, como a de melhor roteiro adaptado - em que, mesmo não tando levado, concorria o ótimo Logan («««), filme humano e distante das extenuantes pirotecnias dos atuais filmes de super-heróis, livremente adaptado de várias HQs do Wolverine e dos X-Men e despedida metalinguística de Hugh Jackman do papel que o consagrou - e melhor fotografia - em que, apesar da fortíssima concorrência dos outros 4 indicados, foi mesmo a bela e impactante fotografia de Blade Runner 2049 (««««), emocionante sequência-homenagem do clássico noir-punk de 1982 de Riddley Scott (atuando, neste trabalho, apenas como produtor), que merecidamente arrebatou não só esta estatueta como também a de melhores efeitos visuais.

E agora, um mês depois da festa do careca dourado, além desses dois ótimos filmes outonais de queridos personagens antigos (quem mais poderá viver Wolverine ou Deckard no Cinema, no futuro, que não Jackman ou Ford?), os Morcegos vêm falar de outros interessantes indicados (e seus respectivos Oscars, no caso de terem conquistado algum). E, no mês dos 14 anos deste humilde espaço virtual, serão 14 títulos ao todo (títulos e cotações em vermelho negritado) - vamos a eles...

Impossível conter as lágrimas quando a quase centenária Coco, personagem do título original do muito bom Viva - A Vida É Uma Festa, deixa o estado vegetativo e canta com seu bisneto "aventureiro do além" a bela Remember Me (Recuerda-me, na versão em Espanhol), merecidamente premiada com o Oscar de melhor canção.
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Em primeiro lugar, o "campeão" da noite (13 indicações e 4 Oscars)A Forma da Água (««««), além de arrebatar os dois maiores prêmios para Guilhermo del Toro, os de melhor filme e melhor direção, consagrou um novo estilo de sucesso - o "filme-homenagem" (aqui, ao antigo Cinema de Romance e de filmes B de Horror e Ficção Científica), que já havia sido bem sucedido nas edições anteriores (como em O Artista e La La Land, que celebravam os antigos filmes mudos em preto e branco e os musicais), agora com toques bem redondos e encaixados de drama e filme de época, pitadas de discussão político-social e ... filme de monstro (prato cheio na carreira do diretor do ótimo Labirinto do Fauno)! Pronto: receita perfeita para conquistar ainda as láureas de melhor trilha sonora e melhor direção de arte, ambas as categorias impecavelmente representadas neste ótimo folhetim. Seu "maior concorrente" da noite, o igualmente ótimo, porém em gênero e formato completamente diferentes, Três anúncios para um crime (««««), inteligente drama de camadas humanas, acabou "roubando" o Oscar de melhor atriz... E assim, em vez da apaixonada mudinha que se apaixona pelo monstro aquático, vivida brilhantemente por Sally Hawks, quem levou a estatueta pra casa foi a amarga mãe de uma filha violentamente estuprada e morta numa cidadezinha norte-americana, interpretada por Frances McDormand (perfeita, porém naquele tipo de papel sob medida para a veterana atriz, o que Brando costumava chamar de "papel à prova do ator": não tem como errar!). Três anúncios... levou ainda outro prêmio de interpretação: o de melhor ator coadjuvante para Sam Rockwell (que, curiosamente, repete aqui cacoetes de outros de seus melhores papéis...).

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Em tempos de superestimadas séries, como a recente Black Mirror (aguardem postagem especial de aniversário dos Morcegos sobre as 4 temporadas desta cultuada produção televisiva) da Netflix, que nada mais são que releituras tecnologicamente atualizadas de marcos televisivos do passado, como Twilight Zone - Além da Imaginação (e bem aquém da criatividade deste...), o igualmente superestimado Corra! («««)que concorreu, entre outras indicações, ao prêmio de melhor filme (!), bem poderia ser um episódio esticado de uma dessas séries, acabou surpreendentemente com o Oscar de melhor roteiro original - surpreendente porque a divertida mistura de suspense e ficção científica com toques de comédia absurda com fundo de discussão sócio-psicológica sobre questões raciais não tem nada de genial e beira mesmo uma sátira dos antigos filmes de serial killers... De qualquer forma, vale conferir!
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E falando em Netflix, o poderoso canal virtual de programação streaming levou seu segundo Oscar, o de melhor documentário, com o polêmico Ícaro (««««) - em que, quase numa narrativa de thriller (surge um novo Michael Moore?), o cineasta e dublê de desportista Bryan Fogel não só vive na própria pele a realidade do dopping como acompanha o desvendamento de um dos maiores escândalos do esporte mundial com a revelação de um gigantesco esquema criminoso na Rússia de Putin e seus atletas imbatíveis... Igualmente dignos de nota são outros dois candidatos em categorias técnicas, mas que saíram de bolsos vazios da festa: Kong - A Ilha da Caveira («««), indicado a melhores efeitos especiais, é surpreendentemente divertido, com uma espécie de reboot da franquia de King Kong numa gostosa aventura no lar do gorila gigante; e Star Wars - Episódio VIII - Os Últimos Jedi (««««), concorrendo em quatro categorias (incluindo melhor trilha sonora, para o "veterano da Força" John Williams), acabou não levando nenhum - o que achei uma injustiça para esta estranha sequência da cultuada franquia, que, mesmo com tramas paralelas fracas ou que não levam a nada (um Luke Skywalker literalmente "sumido"; Poe Daemeron e seus novos rebeldes em planos já vistos em filmes anteriores; punhado de naves rebeldes "sem gasolina" no espaço vencendo pelo cansaço gigantesca frota imperial) e reviravoltas anticlimáticas (mas quem é este poderoso Snoke... Ai, ele já morreu...), consegue se sustentar como uma empolgante sequência intermediária no universo SW, bem posicionado entre o velho e o novo.

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E na categoria melhor animação, dos quais vi todos os 5 indicados, começo por Com Amor, Van Gogh («««): a belíssima técnica de animação com pinturas nos mesmos moldes do genial pintor holandês sobre cada quadro de um filme morno, de reconstituição biográfica amarrada, mas que chega a emocionar pela beleza... Não se pode, porém, catalogá-lo no subgênero Animação e, portanto, não deveria estar nessa categoria, uma vez que se trata de um drama com atores reais! Já Breadwinner («««« - produção da humanista Angelina Jolie), tanto pela beleza como pela abordagem realista da dura vida de uma menina num Afeganistão dominado pelos talibãs, mereceria o prêmio - mas como estamos numa festa tipicamente estadunidense e comercial, onde reinam a emoção mais trivial e distante de duros problemas de direitos humanos "distantes"... Pelo menos nada que justificasse premiação para o fraquíssimo O Touro Ferdinando (««) - Carlos Saldanha (Rio) e seus personagens cansativos e clichês do início da Era Disney estragando um pequeno clássico da Literatura infantil sobre as diferenças com um touro que prefere as flores às touradas (e que o próprio Disney já havia produzido de forma muito mais competente, em pouco mais de 7 minutos, tendo ganho o Oscar de "curta animado" de 1939) - ou para a simpática premissa sobre a sempre difícil chegada de um bebê na óptica do seu irmão mais velho (e cheio de imaginação) de O Poderoso Chefinho (««« - voz do sempre carismático Alec Baldwin), infelizmente perdida em clichês e exageros típicos das animações atuais... Viva - A Vida É Uma Festa (««««), ainda que longe da excelência da velha Pixar de Toy Story e Procurando Nemo, mereceu esta estatueta, sendo feliz ao criar conceitos por sobre a rica cultura familiar mexicana, numa trama melodramática bem colorida e divertida, agradando na beleza, na Música (vencedora como melhor canção - confira o vídeo acima) e no respeito às famosas caveirinhas de Frida Kahlo (que faz uma "aparição" no filme...) e a um povo normalmente desprestigiado das grandes produções dos EUA.

Por último, mas não menos importante, e ainda falando sobre Animação, o décimo quarto título desta postagem: Dear Basketball («««), de pouco mais de 4 minutos de duração, levou o prêmio de melhor animação em curta-metragem. Imbatível: a paixão pelo basquete, desde a primeira bola de meia aos 6 anos (engraçado: por aqui, essa primeira bola a gente chuta, e não joga na cesta...) até o estrelato, do hoje aposentado Kobe Bryant, pequena lenda do esporte mais popular dos EUA... Música de John Williams (ele de novo) e narração tocante do próprio Kobe num filme tão curto que bem poderia ser um comercial de algum banco, daqueles otimistas e de superação, que ainda fascinam as grandes massas - tal como se dá com um amado ídolo do esporte em relação a seus incontáveis fãs... Se eu ainda fizesse aquela apostinha, seria nesse que eu iria (confira abaixo) - afinal, A Forma da Água deixou bem clara qual a necessidade atual do espectador: magia e emoção...

sexta-feira, 23 de março de 2018

Aqueles olhos negros
Criadores
De um cosmo
Antes mesmo
Da criação em si...


Demiurga

Sem querer
ela filosofou
(olha que ela nem saberia
dizer ao certo o que é isso):
"O amor não existe!
O amor e o ódio
são duas coisas
grandes demais
que ninguém é capaz
de sentir em sua plenitude..."
- Mas quem quer saber
do amor ideal,
criatura?

Quero somente o reles amor
Criador
Capaz de me trazer a felicidade
Recriada
A cada dia
Ao lado de alguém
Pelo resto de uma vida...

(Dilberto L. Rosa, 1996)

sábado, 3 de março de 2018

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De qualquer forma

Ao sol e ao céu
O que é do ar
À terra
Prefiro te tragar
E permanecer
Assim que der
Até nos darmos
Por satisfeitos
Que não há
Na terra ou no ar
O que nos consuma
A carne
Sempre se quer
Até pairar
Sobre qualquer dor
Que não há uma sequer
A nos secar
Te molha, então,
No meu suor
Me sorri fora de hora
Que eu te vejo
Onde estiver
Corre, não morre
Vai que me alcança
A gente se encontra
No ar...

(Dilberto L. Rosa)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Ou você pode preferir ser... Um falcão?!

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O ano era 1991 e Bruce Willis, após a bem sucedida comédia policial A Gata e O Rato e dois Duro de Matar no currículo (ambos ótimos, apesar de o segundo ser uma xérox do primeiro...), podia fazer o que quisesse! Então ele escolheu... Hudson Hawk - O falcão está à solta! Um retumbante fracasso de bilheteria de tão inteligentemente esdrúxulo que era - herói típico de HQ, edição de videoclipe, vilões caricatos e história de videogame cujos resultados, somados, resultaram num ótimo filme, por mais incrível que possa parecer... Tanto que acabou se tornando cult com o passar dos anos! Apesar de não tê-lo em minha videoteca, eis aí um filme que marcou minha adolescência nos últimos tempos áureos de um grande cinemão-pipoca hollywoodiano que não existe mais...

E como esta pérola surgiu das cinzas de minhas memórias afetivas assim, de repente ("não mais que de repente..")? Por causa de uma canção que ouvi hoje no carro, num disco antigo de jazz coletado a esmo de minha discoteca - Swinging on a star, de Jimmy Van Heusen e Johnny Burke, título que bem pode ser traduzido como "Balançar-se dançando numa estrela", lançada em 1944 no ganhador do Oscar O Bom Pastor, com o velho e sempre bom Bing Crosby a cantarolar que, ou você escolhe ser melhor do que é, podendo ficar lá no alto e se balançar numa estrela (sem esquecer-se de "carregar algum luar numa jarra"!), ou talvez preferisse ser uma mula (ou um peixe... ou um porco... afinal, "nem todos os macacos estão no zoológico: todo dia se pode achar um bom bocado deles por aí..."):

Would you like to swing on a star
Carry moonbeams home in a jar
And be better off than you are
Or would you rather be a mule
(...)
And all the monkeys aren't in the zoo
Every day you meet quite a few
So you see it's all up to you
You can be better than you are
You could be swingin' on a star


O que me faz pensar... Por que o Bruce Willis não soube mais se "balançar numa estrela" e preferiu o cansativo caminho chato de um sem número de imitações de Duro de Matar - inclusive duas péssimas continuações da ótima trilogia original -, cheio de filmes de ação exageradamente cansativos ou sem criatividade no seu histórico? Não sei quanto aos ainda adoradores do dito "Cinema de Ação", que ainda conseguem curtir Vin Diesel e Jason Statham em produções vazias, porém cheias de explosões e chutes na cara, mas hoje o efeito do rosto de Willis num cartaz, pelo menos pra mim, tem o efeito contrário ao que tinha no final dos incríveis anos 80 e começo dos razoáveis 90: faz com que eu passe longe daquelas duas horas de lugar-comum! Será que o único careca bonitão do cinema resolveu ser um porco (ou uma mula... ou um peixe... ou ainda um macaco de zoológico) e só o que sabe é chafurdar na lama de roteiros chinfrins, mas cheios da grana?!

Voltemos ao filme relembrado: talvez pelas ousadias tomadas, talvez pelos excessos de ritmo e paródia - talvez pela soma dos dois... -, Hudson Hawk até hoje é lembrado pela maioria dos cinéfilos com mais de 35 anos, que o viram na tela grande, como um filme ruim... Eu, que também paguei ingresso para vê-lo no Cine Alpha 2, no entanto, sou do cordão dos seus ardorosos fãs, até hoje com divertidas sequências na cabeça mesmo há muito não vendo o repeteco de nenhuma delas! No caso desta em que toca o clássico de Crosby, Willis, conversando com o grande, porém sumido Danny Aiello, sobre o assalto que estão pra cometer num museu amplamente vigiado por câmeras de segurança, acertam os últimos detalhes da empreitada combinando o tempo exato da ação delituosa: assim, a fim de precisar os minutos, que tal "Swinging on a star"? - Ei, sabia que inventaram uma coisa chamada relógio?, pergunta Aiello, com razão... Mas pra que sincronizar cronômetros se você pode ser criativo e desenhar essa cena num roteiro cheio de sequências bacanas e marcantes como esta? Cool Bruce... Ainda hei de comprar um chapéu igualzinho ao do Hudson Hawk quando cair meu último fio!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Marcha da Quarta-Feira de Cinzas

Confete e serpentina. Foto: Reprodução de Internet

No carnaval de 1938, não tinha pra ninguém - só dava Braguinha, o famoso João de Barro, pseudônimo adotado pelo arquiteto de formação Carlos Alberto Ferreira Braga (em razão de ser esse o "pássaro construtor" e de, em sua família, ninguém àquela época querer saber de um compositor de Música popular!), que dominou aquele ano com duas marchas da sua lavra: Touradas de Madri, bem ruinzinha (Eu fui às touradas em Madri,/ Pararatimbum, bum, bum, pararatimbum/ E quase não volto mais aqui/ Pra ver Peri beijar Ceci... Urgh!), e As Pastorinhas (1934/1937), esta, sim, uma belíssima composição em parceria com meu famoso "tio-avô" Noel Rosa (na verdade, uma marcha-rancho natalina, porque inspirada nas cantatas de Dia de Reis) e que adoro cantarolar até hoje, dada a sua bela estrutura melodiosa, que aprendi a amar na voz do saudoso Nelson Gonçalves:
A estrela d'alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor

Linda pastora
Morena da cor de Madalena
Tu não tens pena
De mim que vivo tonto com o teu olhar
Linda criança
Tu não me sais da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre e sempre te amar

Sempre gostei de marchinhas... Não das escrachadas e chulas, como as comuns aqui em São Luís do Maranhão (tolamente conceituadas como "irreverentes"!), mas das divertidas, animadas, inteligentes; dessas que não morrem e não caem em desuso - enfim, das que duram pra sempre sem ofender ninguém, como o faziam as grosseiras e preconceituosas O teu cabelo não nega ou Cabeleira do Zezé, para citar apenas dois exemplos, bem mais do que politicamente incorretas nos dias atuais... Gosto de sentir o carnaval como uma festa simplesmente alegre, romanticamente bem diferente do tom sexual e alcoolizado que foi adquirindo com o passar dos anos... E, por isso, simpatizo tanto com a alegria das marchas eternas, como que a simbolizar um carnaval que, pelo menos pra mim, nunca vai ter fim...

Sim, eu sei de Todo carnaval tem seu fim (Deixa eu brincar de ser felizDeixa eu quebrar o meu nariz...) e, para muito além dos modernosos Los Hermanos, sempre gostei muito do tom amargo e desesperançoso por trás da Felicidade desesperada que festas como o carnaval mascaram (A felicidade/ é como a gota de orvalho/ numa pétala de flor... como diria a dupla dinâmica Tom e Vinícius)! O sempre genial Chico Buarque já se guardou pra Quando o carnaval chegar e mesmo este humilde escritor amador que vos fala já saracoteou bastante por versos amaríssimos sobre a mais que idealizada Festa de Momo, com Sempre chove nos carnavais e Carnaval Atemporal... Ainda assim, acho que carnaval não tem fim, dada a alma carnavalesca do brasileiro e a alegria incontinente e inconteste que pulula suspensa o ano inteiro por entre os olhos mais ávidos por dias melhores no amanhã... Sim, eu creio na santidade da Poesia maior contida (e reprimida) que tanto simboliza essa festa pagã! E se você ama, nunca se chega ao fim...

E assim se tenta dourar a pílula entre o mais amargo e o mais doce da alegria etérea e ideal: para os fracos e para os fortes da vez, sigamos crendo na vida após a católica quarta-feira de cinzas das dores e das culpas e vivamos intensamente a promessa do Poetinha Vinícius de Moraes de "tantas coisas azuis", "tão grandes promessas de luz" e de "Tanto amor para amar que a gente nem sabe"... Sim, porque "mais que nunca é preciso cantar", e alegrar não só a cidade, como também este bairro, o caminho entre as nossas ruas, e pavimentá-lo com alguma coisa semelhante aos velhos confetes e serpentinas coloridos e acreditar no que sustentou nosso carnaval até aqui... Porque por mais desgaste que possa haver, a gente só se afasta do carnaval - mas ele continua aí, para quem quiser ver... E assim, o "Velho Vina" (em parceria com Carlinhos Lyra) dosou bem os pesos quando escreveu sua marcha para este dia cinza, nublado e com gosto de ressaca - pois "A tristeza que a gente tem/ qualquer dia vai se acabar"...:


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

De repente Braga:
Crônicas & Poesias
que se amam e se conversam...

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Por essas coincidências do destino, após terminar a leitura de um pequeno grande livro-compilação de crônicas de Rubem Braga (autor que tanto já li, mas que sempre se reapresenta novo a mim, ainda mais num voluminho desses, tão gostoso quanto na época de juventude) que se me apareceu de repente para uma longa viagem, na última sexta, dia 12 de janeiro, onde estava escrito que Rubem Braga nascera... no dia 12 de janeiro (de 1912)! 105 anos do nascimento do Mestre Cronista: isto merece um post!

Amo a sintonia de certas coisas poéticas que, vira-mexe, caem em nosso colo sem pedir licença, ora causando assombro, ora nos lembrando de quão poéticos podem ser os caminhos - mesmo os aparentemente mais simples ou doídos nos têm tanto a ensinar... Como este lindo trecho de A Visita do Casal, em que o Grande Cronista brasileiro tece poeticamente algumas linhas líricas, ao ver subir para a sua residência um casal amigo, sobre a essência de um casal - a nos lembrar que não somos nós tão individuais quanto pensamos:
Como toda gente, já fui amigo de casais que se separaram. É tão triste. É penoso e incômodo, porque então a gente tem de passar a considerar cada um em separado – e cada um fica sem uma parte de sua própria realidade. A realidade, para nós, eram dois, não apenas no que os unia, como ainda no que os separava quando juntos. Havia um casal; quando deixa de haver, passamos a considerar cada um, secretamente, como se estivesse com uma espécie de luto. Preferimos que vivam mal, porém juntos; é mais cômodo para nós. Que briguem e não se compreendam, e não mais se amem e se traiam; mas não deixem de ser um casal, pois é assim que eles existem para nós. Ficam ligeiramente absurdos sendo duas pessoas. 

Como quase todo casal, esse que vem me visitar já andou querendo se separar. Pois ali estão os dois juntos.

De repente, apesar de embebido por estas e outras crônicas, sinto-me envolvido por uma forte imagem poética: a de uma cama, ocupada por uma moça, de um quarto inteiro, que se vai como um navio, a derrubar o restante da casa com quem a pobre dona não conversa mais... Assim que sair do avião, do hotel, deste parque, desta serração... hei de escrever algo: vai que renda um poema...

Viagem longa para o Sul, por vezes tosca, sempre muito cansativa, cheia das gentes empachadas numa cidade maquiada, onde não se vêem negros (nem rodas de pessoas, nem samba, nem pobres, nem supermercados ou padarias por perto, nem pontos simples onde se compre uma fruta ou um cachorro-quente - como confiar numa cidade em que não se encontre gente negra, gente das mais lindas e autênticas deste País? Mas havia hortênsias por todo lado... E isso, mesmo tendo sido plantado (para a cidade que se quer nevada em espuma ter ainda mais "cara europeia") pelos arbustos de cada encosta, acaba me agradando, porque gosto de hortênsias... O que não gosto é de cidades que não se queiram brasileiras: pois que façam como na minha imagem poética (que ainda não virou poema...), que saiam rasgando-se do resto brasileiro com que não conversa mais e rume para a Europa!

Mas mesmo depois da viagem, já descansado, com as crianças então esgotadas e estressadas com a longa viagem e agora também descansadas e felizes com seus brinquedinhos e com seu chão, ainda me sinto engasgado, como se algo estivesse com sede dentro de mim... Algo com força e com pressa para singrar o mar, em busca do horizonte (aquele que nunca chega, mas não deixa de ser um rumo...): sim, com licença que eu quero escrever Poesia:

De repente uma cama numa praça

Eu vejo ao longe,
Alojado numa praça que não é minha,
Uma moça deitada em sua cama
- Cama que não é a minha...
Parece que ela me sente
De alguma forma, ela me vê observá-la
Mas jaz dormente
Ouvindo um jazz
Ou uma bossa nova reticente
(Da boca de alguém novo
Que nem sabe compor nem cantar)

E de repente,
A moça que há tanto não falava,
Mas só escutava,
Pareceu murmurar algo pra si
Em feitio de oração
- E entre lágrimas, estremeceu-se
Com a força de sua canção silenciosa...
Tirou os fones de seus ouvidos,
Desligou seu telefone
E se levantou finalmente
Com seu resto de força,
No que todo o seu quarto estremeceu...

E eu,
Sem nem saber direito o que ali fazia
Via diante de mim a sua partida
Em seu quarto, em sua cama
Rasgando as ruas,
Singrando as avenidas,
As banquinhas e as lojas chiques,
Em direção ao mar...

E eu, que nem a conhecia,
De repente sentia o calor dos seus desejos
Me dando conta de que nem sabia como a via
Antes mesmo desse poderoso lampejo
- E fiquei feliz em perceber
Que o restante da casa
Que com ela não tratava
Se quedou paralisada
Sem acreditar
Nem saber o que fazer...

De repente eu me vi parado
Naquela estranha praça alojado,
Assim sem saber direito
Para onde seguir...
Triste
- Quanto mais longe aquela cama seguia
Menos eu me acalmava!
Nada aplacava a sensação de nuvem fria
Da minha praça estrangeira
De onde eu nunca aterrissava...

(Dilberto L. Rosa, janeiro de 2018)

Assim, meio que de repente ("Não mais que de repente", como diria o Poetinha...), surgiram-me esses versos, um instante atrás... Mas a sensação de sede, de engasgamento, não passa! E agora há pouco (logo em seguida), guardando o restante das malas desfeitas, eis que reencontro o livrinho querido do Rubem (sim, eles acabam nos sendo íntimos com o tempo...), o mesmo da viagem. E "reencontro" seria mesmo a melhor palavra para definir o sentimento de estranho e poético pertencimento, daqueles a que me referia no início desta longa postagem: primeiramente, porque este danadinho já tão antigo se me perdeu por alguns instantes na viagem - e, angustiado, livro antigo e amado, encontrei-o uma hora depois, ainda no voo, num outro compartimento de mochila esquecido, e o abracei como uma criança reencontra um brinquedo perdido; em segundo, porque foi só terminar este poema da minha tão cara imagem poética que por dias perdurou sem um corpo em meus pensamentos e só agora se fez Poesia, eis que vejo o seguinte trecho, segundos atrás, após folhear a esmo o mesmo livrinho, como que automaticamente a procurar algo em seu interior antes de guardá-lo na empoeirada estante de aço:

(...) talvez lá dentro, no bojo do imenso prédio, estivesse estirada numa rede, meio inconsciente, minha impassível amada, talvez doente, talvez sonhando um sonho triste, e eu precisaria estar a seu lado, segurar sua mão, dizer uma palavra de ternura que a fizesse sorrir e a pudesse salvar.

E a partir deste belo trecho, segui a "crônica-quase-conto" Marinheiro na Rua, em que o grande Braga narra a simples desventura de um marinheiro batendo insistentemente à grande porta de um prédio sem sucesso de ser atendido, até o seu fim, num belo e surrealista desfecho: 

Quando ele seguiu lentamente pela calçada, fiquei a olhá-lo de minha janela escura, até perdê-lo de vista. A rua sem ele ficou tão vazia que me veio a impressão de que todos os habitantes haviam abandonado a cidade e eu ficara sozinho, numa absurda e desconhecida sala de escritório do centro, sem luz, sem saber por que estava ali, nem o que fazer.

Sentia, entretanto, que estava prestes a acontecer alguma coisa. Olhei a fachada escura do prédio em que ele tentara entrar. Olhei... Então lá dentro todas as luzes se acenderam, e o edifício ficou maior que todos na rua escura; sua fachada oscilou um pouco; alguma coisa rangeu, houve rumores vagos, e o prédio começou a se mover pesadamente como um grande navio iluminado - e lentamente partiu.

E eu, ainda emocionado com estas coincidências da danada da sintonia poética com o acaso (minha imagem poética do "quarto-navio" tinha nascido antes ou depois de relido essa crônica do Marinheiro, para a qual atento só agora?!) e ainda um aprendiz na Grande Arte da Crônica, lembro-me de outro fato curioso em minha relação afetiva com Rubem Braga: minha primeira crônica (com cara de conto, assim como muitas do Mestre de Cachoeiro do Itepemirim), apesar de escrita aos meus 15 anos de ainda ignorância da obra do Velho Braga, já possuía uma influência amiga do estilo de imagens poéticas que tanto agradava o genial cronista que conheceria somente alguns anos depois...

É, meu querido blogueiro de plantão e minha cara leitora amada e conhecedora das artes em geral de ontem e de hoje: jamais será possível estabelecer-se uma fronteira entre o que se escreve, de onde vem ou para onde vai cada ideia, cada linha escrita... Tampouco quem nasce primeiro: o amor, a Poesia, a Crônica, Rubem, este pobre escriba que vos fala... Ele, com certeza, primeiro... Eu venho em seguida, com minhas mal traçadas linhas de observador e amante, em verso ou em prosa. À Poesia, sempre em primeiro - a Crônica sobre esta surrealista viagem absurda das sintonias vem logo depois!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

"Porque eu acabei guardando Música pra depois
E agora passo a colecionar anos, histórias e canções..."


"Lamento,⁄ não sei tocar um instrumento⁄ nem compor canções pra ti" - escrevi isso há mais de 20 anos... Porque, mesmo até hoje um grande amante da Música, jamais aprendi a tocar nada e segui a adorar, dentre outros, o piano e vários tipos de sax e trombones somente ao longe, pelas melhores peças eruditas e pelas maiores big bands ao longo dos anos... Guardei discos em LP, CD e pen-drives ao longo dos tempos e hoje sou mais colecionador que um ouvinte amador... Mas dessa coleção, "Instrumentos Musicais", da Salvat, acabei comprando esses dois números promocionais nas bancas, a tuba e o violão da foto acima, e eles acabaram virando um belo pedacinho do meu universo colecionável, compondo uma fração de carinho entre os inúmeros itens de minha grande coleção de miniaturas - que, neste novo ano, prometo mostrar aos poucos...

E falando neste novo ano, neste primeiro dia de reflexões solitárias como peças de uma coleção e de renovação de sonhos e desejos como os de um menino que vai guardando as figurinhas e os bonecos pra depois, tudo o que mais desejo a toda gente que ama e quer viver é muita Música no coração! Porque a dança nunca pode parar... E eu, mesmo afastado de tantas artes em geral, só agora reaprendendo a ver o Cinema, a brincar com o Desenho e a ouvir boa Música, estou revendo cada pedaço do que colecionei e abandonei nalgum canto do meu escritório e da minha vida... Porque eu, vivendo e me perdendo, acabei também guardando muita Música pra depois - e, agora, passo a colecionar anos, histórias e canções...

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