quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Eu me recordo...



Eu me lembro ainda de uma antiga noitinha de dia 24 de dezembro, já meio perdida entre tantas de minha memória cansada, quando, banhado pelo perfume quase inebriante da casa recém-limpa, na tradicional superfaxina da semana de Natal na casa de minha mãe, onde esta já terminava a farta e deliciosa ceia que eu já salivava, e revendo o fraquinho (porém saudoso) filme Papai Noel existe na TV, papai adentrava a sala com as últimas sacolas de compras da véspera da Grande Festa, no que lhe pergunto "O senhor trouxe?", ao que ele responde, com a praticidade que lhe é peculiar até hoje, "É essa?", jogando-me aquela maravilhosa revistinha no sofá, bem ao lado do lugar onde estava sentado.

Era 1990 e aquele era o primeiro relançamento de A Piada Mortal, clássica ‘graphic novel’ da genial dupla Allan Morre/Brian Bolland, sobre o maior encontro entre Batman e Coringa até então narrado. E eu, já encantado com aquelas figuras cheias de cores e embates sobre a loucura do maior vilão dos Quadrinhos naquele breve folhear, levantei a vista e agradeci "É essa mesma, pai, ’brigado!". Aquele foi um bom Natal para mim... Já para Batman, no meu viver daquelas páginas cheias de arte cinematográfica, aquele era um "Natal difícil" – embora a estória daquela HQ não se passasse nessa época do ano...

Nos Quadrinhos, poucas boas estórias narraram o Natal de grandes personagens – o que é um contra-senso, uma vez que comemoramos, ainda que ao menos num simbolismo genérico de paz e esperança quando a fé não permite, o nascimento de um superser... Fico a imaginar a dificuldade de um super-herói numa noite real de dia 24 de dezembro, a esperar pela chance de paz e realizações da meia-noite do dia 25... É verdade: Natal de um herói (ou uma heroína) não deve ser nada fácil...

Super-Homem sentiria falta dos pais que nunca abraçou, num planeta que nunca conheceu e que sequer celebrava esta data especial... Ou sentiria falta de sua Lois Lane por perto, como sua legítima companheira... Ou poderia estar numa missão, incansável, na Terra ou mesmo no Espaço Sideral... Já Batman não teria mesmo o que comemorar: traumatizado por ter assistido ao assassinato de seus pais aos 10 anos de idade, normalmente tem trabalho dobrado nesta época do ano com os malucos suicidas de Gotham... E assim também o Lanterna Verde, o Homem-Aranha e tantos outros que lutam incessantemente o ano inteiro por algo maior em que acreditam, e, muitas vezes, têm de passar por cima de problemas pessoais e das tristezas para salvar o dia, sem esquecer os infindáveis afazeres da identidade secreta – ter de "correr atrás" para pagar as contas, por exemplo!

Mas mesmo o mais infalível dos heróis também pode falhar: enquanto salva milhões de um míssil nuclear desgovernado numa ponta do País, pode estar perdendo, ao mesmo tempo, sua amada na outra ponta... E assim, mesmo ao longo de um ano em que se cantou na chuva em meio a mofo e infiltrações, e se comemorou a vitória política de um quase "super-herói negro" como uma espécie de "salvador mundial" a caminho (será?!), lamentou-se a ausência de um herói quando enchentes arrasaram nosso povo, riu-se e chorou-se na igreja, viveram-se sonhos, conquistas e descobertas inacreditáveis e se viajou pelo espaço-tempo de fantasias por carros, ônibus e embarcações em dias maravilhosos, muitas falhas foram cometidas e muitas lágrimas, derramadas...

Nem sempre o mundo é como desejamos... Mas saibamos agradecer a Deus pelos poderes inefáveis do dia-a-dia e pelas dádivas maravilhosas dignas de uma perfeita história de ficção: ainda que haja tanta kryptonita ao redor, nunca percamos nosso poder de voar, sonhar e de dizer para todos, mesmo para aqueles que não acreditam em milagres: feliz Natal – celebremos a vinda de um real salvador a este mundo já tão triste e cheio de ausências, ansioso por um milagre natalino ao longo do novo ano que se aproxima...

Eu me recordo, como em Amarcord, e as lembranças são sempre de dias felizes e, por isso, saudosos sempre... Agora, neste Natal, de fundo com a belíssima e saudosa trilha de Nino Rota, acompanho tudo de olho no mais novo embate entre Batman e Coringa em O Cavaleiro das Trevas: presentes de um herói com o peito cansado, mas com os olhos esperançosos olhando para o longe, em viagens distantes...



Até logo, 2008...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ODISSÉIA
Ao Infinito (E Além...)



Na linha das homenagens especiais de aniversários ilustres deste ano de 2008 já quase no fim, eis que o maior clássico da ficção-científica, aquele que definiu as bases deste gênero e estabeleceu patamares a ser seguidos ao infinito (e além), completa imbatíveis 40 anos de genialidade e Poesia: 2001 – Uma Odisséia no Espaço.

Fico a imaginar as mentes das platéias naquele longínquo 68 (aquele mesmo, que nunca acabou...): o primeiro momento do filme tem quase três minutos de pura banda sonora sem nenhuma imagem, com a tela escura e os sons abstratos e sombrios de uma música sem melodia, criando clima para o que vem a seguir, a imagem do espaço, demonstrando a Terra, a Lua crescente e o Sol, ao som de “Assim falou Zarathustra” de Richard Strauss... Vê-se uma imagem do nascer de um dia e se assiste ao primeiro "ato" do filme (típica divisão cinematográfica do mestre Kubrick): "A aurora do homem", com imagens de um deserto com seres antropóides (maquiagem tão perfeita de um tipo de "elo perdido" ancestral humano que fez todo mundo acreditar, na época, que se tratava de macacos reais – só assim para explicar porque 2001 não levou o Oscar nesta categoria) dividindo o espaço com antas e leopardos – são mostradas as primeiras disputas entre estes grupos hominídeos por comida, água e território; novamente um pôr do sol e a lua crescente alinhados (lua crescente=evolução...) e surge mais um enigma para o já intrincado filme que aquela incauta platéia de 68 acompanhava estupefata ("Será que entrei no cinema errado?!"): um estranho monolito, iluminado com um facho de luz e com direito a uma trilha sonora estranha, com um crescente de ruídos, vozes e sons agudos, enlouquece de curiosidade aqueles "homens-macacos"... Monótono? De forma alguma: mágica e perfeitamente intrigante...

Depois de descoberto um osso como instrumento e, jogado este ao ar por um dos hominídeos, surge nas telas o "segundo ato", agora com as imagens "do passado" sendo abrupta e secamente (como quase toda a montagem do filme, à exceção de alguns 'fades' marcadores de tempo) substituídas por outras, agora no espaço, e o osso lançado vira um nave longilínea, que se junta a outras naves e estações orbitais num lindo balé de imagens (perfeitos espeitos especiais, merecedores da única estatueta do filme), tudo permeado por "Danúbio Azul": segue-se um pequeno enredo quase documental da vida numa estação espacial, com direito à antecipação de muitas tecnologias e conjunturas atuais (videofone, russos e norte-americanos trabalhando juntos na estação etc.) e eis mais uma surpresa para os já incrédulos espectadores daquele espetáculo inovador de 68 – o misterioso monolito do início volta a aparecer com seus sons insuportáveis, depois de encontrado em escavações na Lua... Um artefato de vida extraterrena ou um marco divino de evolução?!

Sem esquecer um "ato intermediário", onde um dos maiores personagens da História ganha consciência através de um "olho vermelho que tudo vê" (outro ponto marcante: a dicotomia vermelho: ruim/ azul: bom) – HAL 9000, o predecessor de todas as máquinas inteligentes ("David, sinto minha consicência se esvaindo...") –, o último ato jogava então aquela intrépida trupe da platéia da década de 60 a uma viagem sem volta: inicia-se com uma "caçada" ao monolito (que agora vaga pelo espaço), agora com o último sobrevivente da nave da missão Júpiter... Nosso herói e os espectadores são arremetidos então por uma espécie de portal estelar, num caleidoscópio de imagens densas e multicoloridas que vão direto para nosso inconsciente, numa viagem para dentro de si mesmos, numa espécie de "hospital atemporal", em busca de "respostas": coisa que, graças a Deus (ou aos alienígenas ou aos gênios de Kubrick e do autor do conto, Arthur C. Clark, também co-roteirista), foi deixada para as mentes e corações daquela enebriada audiência de 68 (e para todos os fãs, atuais e futuros, que ainda se apaixonam por este clássico absoluto) sentirem como uma criança, que tem que renascer no espaço como um "super-homem", um "anjo celestial", um novo filho preparado para mais um passo na evolução, simplesmente para "entender" tudo em sua volta... Ou além...



ODISSÉIA
para baixo...



Paródia ao Hino do Vasco da Gama
(Dilberto L. Rosa)

Vamos todos chorar de coração
Vasco é segunda divisão...
A nossa nau agora despencou de vez:
Foi tanta lama que sua trama assim se fez...

Sua imensa torcida infeliz
Norte/ Sul, Norte/ Sul desse País
Teu futebol foi um tremendo fiasco
Até Vitória rebaixa o Vasco!


Não adianta chorar o leite derramado ou culpar "heranças malditas": cabe agora ao nosso querido Presidente e à Nação Cruzmaltina como um todo erguer novamente o Vasco da Gama à respeitabilidade de time carioca de primeira linha, tetracampeão brasileiro e, até então, um dos pouquíssimos (quatro apenas) a participar de todas as edições do Campeonato Brasileiro na Primeira Divisão...

Tal como fez o Coríntians (que, no ano passado, se não foi rebaixado pelo Vasco, teve seu "passaporte carimbado" para o "desembarque" com o Grêmio!), vindo de uma série de erros e mamatas escusas, mas que soube se estruturar para dar a volta por cima em 2008, assim nossa Nau terá que se direcionar em 2009... Que venham as gozações... A odisséia (e o sofrimento...) está só começando...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Então... É Natal?!


“Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém?/ Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem”... Assim compôs tão idilicamente Octávio Filho na já clássica “O Velhinho”, sobre uma utópica igualdade social graças a uma lenda natalina sueca (que se propagou mundialmente, com a especial paramentação vermelha graças a um comercial da Coca-Cola nos anos 40)... Entretanto, nem preciso lembrar que, na prática, não é bem assim: milhões de crianças não só não terão presentes, como também não farão ideia do que seja uma ceia natalina! Felizmente, pelo menos nessa época do ano, alguns poucos se lembram da palavra solidariedade e procuram ajudar com uma doação, seja ela qual for.

Muitas empresas, públicas ou privadas, acabam entrando na “onda” e promovendo campanhas de arrecadação: a já tradicional “Seja o Papai Noel de uma criança”, dos Correios, sempre incentiva com que alguém, nesta época do ano, “adote” a cartinha de alguma criança que para lá escreveu, pedindo alguma coisa – nem sempre brinquedo, muitas vezes, com a realidade à flor da pele, ou com o pai em cima, muitos pedem de utilidades domésticas a telhas e cimento para terminar a casa...

Neste ano, procurei variar: encontrei outra campanha, a do Ministério Público do Estado do Maranhão, adotando a cartinha de uma criança que pede coisas para sua família... Como minha intenção, com certeza, não é a autopromoção, deixo somente a dica para muita gente dar um “pontapé inicial” na solidariedade, começando, com o Natal, a olhar alguém que está logo ao lado – guardo, em segredo, o pedido do meu novo amiguinho: que fique entre ele, Papai Noel e eu...

Façamos de tudo, entretanto, para que o Natal não se converta a Papais Noéis, luzinhas a piscar nas fachadas e a ceias fartas de peru e de cerveja! Especialmente o comercialismo das infindáveis trocas de presentes na família, no escritório e em qualquer outro amigo invisível que imaginarem... Mas, na querência de me agradarem com um mimo e não saberem qual a melhor opção para um colecionador razoável como eu, eis aqui algumas dicas que não só aproveitam os corações moles do Natal para explorar o recebimento de um presente, como também mostram meus atuais interesses em DVD, CD, livros e Quadrinhos, a fim de completar algumas injustas ausências nas minhas coleções já citadas neste espaço virtual... Quem sabe não se tornam opções de compras para os próprios blogueiros de plantão? É só clicar e saber mais sobre o produto (já pesquisados com os melhores preços, nas versões desejadas) nos ‘sites’ lincados!




CD Amy Winehouse - Lioness: Hidden Treasures

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

NEGRO!



Semana passada, comemorou-se o Dia da Consciência Negra, especialmente no Rio, onde a data é feriado (não sei por que não o é aqui no Maranhão, terra de quilombolas e de povo e de costumes fortemente marcados pela origem negra). Quase junto com o aniversário de um rato famoso, símbolo de uma cultura “imperialista” e dominante, tal como o purgante da Coca-Cola e o isopor com molho e picles do MacDonald’s: Mickey Mouse fez 80 anos! Mas, diferentemente dos ícones citados, Mickey sempre foi um cara bacana, com valor... Meio irritante, certas horas, com seu bom-mocismo e sua vozinha efeminada... Mas, às vezes chego a me perguntar: Mickey é negro?

Disney, sem dúvida, foi um inovador artístico (desenvolveu longas de animação quando ninguém acreditava nisso) e um empreendedor branco... Mas meio rato: colaborou com o FBI, preparando relatórios que denunciavam “atividades subversivas” no meio artístico, sendo o queridinho da "Comissão das Atividades Antiamericanas", onde adorava prestar depoimentos a fim de “combater o comunismo”; bancou o vizinho branco bonzinho durante a política norte-americana da Segunda Guerra e criou Zé Carioca com a “alma do Brasil” – vagabundo, trambiqueiro, comedor de feijoada e bebedor de cachaça! E não criou muita coisa (seu rato mais famoso foi criado pelo seu parceiro, Ub Iwerks), gostava mesmo de criar por cima de personagens existentes ou criados por outros, ganhando rios de dinheiro...

Mickey proporcionou a Disney momentos memoráveis na história do Cinema: afinal, foi precursor como desenho sonorizado (Steamboat Willie), deu cara a um dos melhores momentos da Animação (Fantasia) e virou a cara do seu império – bastando as orelhas pretas para uma rápida identificação! Em Steamboat..., fica clara a “origem” de Mickey, já mostrando que tinha ‘swing’: cantava, assobiava (tudo sincronizadinho), era "escravizado" por um "pré"-Bafo de Onça e ainda flertava com a Minnie (já essa "octagenária" nunca valeu nada: fútil e sempre dando bola para os outros, com aquela “microssaia”...)! Tudo em bom preto-e-branco, com o rato preto, mas de cara branca, assim seguindo, de lá até aqui, por estes 80 anos, como um Michael Jackson feliz entre as crianças num parque temático mundial e cheio de traquitanas comercializáveis! Negro da alma branca, coloridinho e perfeito como a “América” deles gosta de ser...


Despirocando no Velho Continente...


Como dividir alguém que se ama com outra pessoa? Como dizer para alguém que se amou por uma vida inteira que surgiu uma grande paixão por outrem? Como passar por cima de princípios e trair o cônjuge? É certo (ou necessário) trair? E como tornar o que parecia um drama anunciado em comédia? Essas e outras perguntas são respondidas (ou não...) pelo Mestre Woody Allen no seu mais recente trabalho: Vicky Cristina Barcelona (assim mesmo, sem vírgulas) conta a estória de Vicky e Cristina (a desconhecida, porém precisa Rebeca Hall, e a nova "musa" de Allen, Scarlett Johansson, do divertido Scoop - O Grande Furo, respectivamente), duas amigas totalmente diferentes entre si no critério "amor", em férias em Barcelona que, depois de conhecerem um galanteador pintor espanhol (Javier Bardem, perfeito mais uma vez), têm as suas vidas completamente viradas de pernas para o ar...

Pode ser que o querido blogueiro de plantão esteja entortando a boca para a esquerda, como que a suspirar "Não gosto desse Woody Allen"... Mas garanto que mesmo aqueles que nunca apreciaram o humor sofisticado ou o drama "bergmaniano" do diretor/roteirista novaiorquino vão se deliciar com este filme: prova disso é a recordista renda de sua estréia, superior a R$ 1 milhão (96.000 pessoas nos cinemas, só superado por 007 - Quantum of Solace, filme há mais tempo em cartaz). Antes, a melhor marca do cineasta no Brasil pertencia a Todos Dizem Eu Te Amo (86.178 espectadores), deliciosa comédia musical de 1997 – mas nem nessa época vi tanta gente numa última sessão como presenciei naquela em que compareci! Seriam as prometidas "cenas polêmicas"? Não, senão a decepção seria grande...

Ponto para Allen, que cada vez melhor sabe se comunicar com quem não é seu público: todo ambientado em Barcelona e arredores (seu quarto filme rodado inteiramente na Europa), parece que o filme foi afetado pelo gostoso clima mediterrâneo e pelo frescor do humor com situações sérias e da comédia ligeira com as tragédias do amor dignas de um Almodóvar! Não foi à toa que Allen "pegou emprestada" a queridinha do diretor espanhol, a sempre interessante Penélope Cruz, para o contraponto cômico do "despirocado" triângulo (ou seria quadrilátero?) amoroso do filme! Hilário desde a proposta indecente do sedutor Juan (Bardém) e os acessos de cólera ciumenta de María Elena (Penélope) até os irônicos dramas vividos pelas personagens (com destaque para as femininas, alvo maior das considerações acerca de fidelidade), especialmente o início e o final da dupla de protagonistas do título (não poupadas pelo narrador do filme: apesar de cansativo no começo, em 'off' mostra como as duas, afinal, "evoluíram" para a mesma coisa que sempre foram...), Vicky... é a prova de que o velho Allen (que fará 78 anos no próximo dia 05) ainda tem muito fôlego e talento para contar grandes estórias – apesar de algumas obviedades (como os contrastes entre a cultura européia e a americana, a suposta latinidade espanhola e a "Barcelona para turistas" mostrados na tela), dá a sensação de mais uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro em 2009!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Era Uma Vez no Oeste...
...E no Oscar Também...


"Sem espaço para os velhos"...


Afastado das locadoras – e também dos cinemas, mas isso é estória para o próximo ‘post’... – já há um bom tempo, a fim de “pôr em dia” os tais 101 filmes da minha coleção, finalmente aluguei uma sacola de vídeos que, se não foi uniforme, porque tive de agüentar Nicholas Cage em dose dupla (por falta de opção dos tais “brindes de catálogo”, acompanhei o apenas “honroso” Torres Gêmeas e sacrifiquei-me a duras penas com o horroroso O Sacrifício!), pelo menos “encerrei” minha “lista dos indicados” ao Oscar de melhor filme deste ano!

Não que o Oscar seja parâmetro para qualidade, uma vez que muitos filmes venceram mais pelo alarde das bilheterias ou pelos ‘lobbies’ feitos... Mas, além de sempre atiçarem minha curiosidade o fato de determinados filmes terem chegado aos "5 principais", geralmente com trabalhos de atores ou diretores de que gosto, algo na Academia tem mudado nos últimos anos... E para melhor!

Lembremos do inefável ano de “Tchaitchênique”, há exatos 10 anos: se aquela bomba aquática foi laureada com 11 Oscars, pelo menos o excelente filme inglês The Full Monty – Ou Tudo ou Nada, concorrente no mesmo ano de Titanic, já acenava para uma melhoria futura nos candidatos ao careca dourado... Tanto que, ao longo desses últimos 10 anos, vários foram os filmes de qualidade, fora do circuito dos EUA e do eixo das superproduções, que apareceram na vitrine principal dos indicados a melhor filme (O Tigre e O Dragão, de Hong Kong, O Pianista, co-produção França/Alemanha/UK, Encontros e Desencontros, inteligente co-produção Japão/EUA, produção independente tanto quanto as ótimas comédias dramáticas Sideways – Entre umas e outras e Pequena Miss Sunshine e o excelente ‘thriller’ político Boa noite e boa sorte).

E, enquanto aguardamos se os indicados para a premiação do ano de 2009 (é sempre assim: todos os concorrentes têm de ser exibidos nos EUA antes do fim do ano anterior) continuarão esta gradual “abertura” para as realmente boas produções independentes/estrangeiras, faço aqui uma breve, apesar de tardia, análise sobre os ótimos indicados deste ano que, à exceção da superprodução floreada de época, porém competente, Desejo e Reparação, abriram um precedente não só em termos de qualidade como no critério “preço”: todos os quatro foram produções menores, de selos independentes!

A começar pela surpresa do ano passado, Conduta de Risco: não que ainda seja surpresa a qualidade cada vez maior do trabalho de George Clooney, tanto como ator quanto como diretor engajado (em trabalhos como o já citado Boa Noite... ou o seu Oscar pela atuação no intrincado Syriana), mas, em Conduta..., o preciosismo de sua interpretação (mais uma vez também concorrente a uma estatueta, longe do careteiro que era no passado), juntamente com o ótimo elenco (Tom Wilkinson, o Carmine Falcone de Batman Begins, aqui também concorrente à estatueta, na categoria de coadjuvante) e ao bom roteiro (que, mesmo com a atenção maior voltada para os diálogos longos, não perdeu a mão no desenrolar da estória de um advogado que revê seus conceitos diante de um sistema corrupto), fizeram deste filme um sucesso de público e crítica.

O amadurecido, mas sempre “estranho” e polêmico, Paul Thomas Anderson encanta tanto pela grandiosidade (premiado merecidamente com o Oscar de Fotografia) de Sangue Negro (que bem poderia ter-se chamado "Deus e O Diabo na Terra do Tio Sam"!), como pela eternização do empresário de petróleo Daniel Plainview, bela criação de tipo de Daniel Day Lewis (Globo de Ouro e Oscar de melhor ator). Já a discreta e interessante comédia Juno (Canadá/EUA) arrebatou o Oscar de melhor Roteiro Original para a ex-stripper Diablo Cordy, que tão bem soube contar a trajetória de Juno (Ellen Page, perfeita e sarcasticamente encantadora), uma adolescente de 16 anos que, “entediada”, transa com seu amigo de classe e engravida, tomando a decisão de dar seu filho a um “casal perfeito”. Foram os dois últimos de meu "pacote de fim de semana" (salvaram-me da indigestão com o Cage!).

Porém, mesmo com o sucesso dessas produções, ninguém estava preparado para Onde os fracos não têm vez, brilhante trabalho da parceria Irmãos Cohen/Javier Bardém (Direção/Produção/Roteiro Adaptado, e Ator, respectivamente, todos laureados com Oscar)! E por duas razões: primeiro, pelo verdadeiro soco no estômago da seca e (im)precisa estória de um assassino infalível com seus métodos nada ortodoxos numa implacável caçada contra um homem comum, embate "mediado" na trama por um velho e cansado xerife já sem esperanças (Tommy Lee Jones, sutil) –, tudo embalado num legítimo suspense de faroeste moderno! A segunda razão é ele mesmo: Anton Chigurh, o doentio e frio assassino de aluguel de princípios, brilhantemente "vivido" (muito mais que interpretado) por Javier Bardém, que imprimiu mais que um personagem para a Galeria do Cinema – criou, assim como no filme, um mito! Maior que um Liberty Vance ("Quando a lenda for maior que a história... Imprima-se a lenda!") ou um Frank (Fonda) de antigos clássicos como O homem que matou o facinora e Era uma vez no Oeste... Decididamente, os tempos são outros... Especialmente quando a Academia começa a voltar seus olhos para isso... Que venha 2009!


"– Estarei esperando..."

domingo, 9 de novembro de 2008



Cecília, és libérrima e exacta
Como a concha,
Mas a concha é excessiva matéria,
E a matéria mata.

Cecília, és tão forte e tão frágil
Como a onda ao termo da luta.
Mas a onda é água que afoga:
Tu, não, és enxuta.

Cecília, és, como o ar,
Diáfana, diáfana.
Mas o ar tem limites:
Tu, quem te pode limitar?

Definição:
Concha, mas de orelha;
Agua, mas de lágrima;
Ar com sentimento.
- Brisa, viração
Da asa de uma abelha.

Manuel Bandeira (Improviso, Recife, Brasil, 19/4/1886 - Rio de Janeiro, 13/10/1968)


O que dizer de Cecília Meireles? Nossa primeira (em reconhecimento) e maior poetisa? Cronista, pedagoga, jornalista, professora, dramaturga, além de mulher defensora de nobres causas, conferencista e mãe... Cecília sempre foi multifacetada e globalizada, em tempos pré-net (chegando a “decifrar” a Índia em vários de seus livros, graças a palestras e conferências realizadas no Oriente), sempre acrescentando pitadas de Simbolismo, métrica portuguesa, de Modernismo e, principalmente, um sentimento indecifrável a seus escritos em verso ou em prosa... Com um sublime interesse tanto pelos episódios cotidianos quanto pelas questões de natureza ética ou pelos problemas que cercam o homem, Cecília passeou como uma borboleta pelas letras e imprimiu em definitivo seu nome na Arte Maior da Literatura...

“O meu assombro é pensarem que eu sempre quero dizer outra coisa. Não! eu sempre quero dizer o que digo.” – Assim define tão bem sua posição diante das Letras e da vida, naquela que é de minhas crônicas favoritas, “O que se diz e o que se entende”, do livro homônimo lançado após a sua morte. Sobre esta pérola em crônica (que só não publico aqui, in litteris, por não ver disposta em lugar algum da internet), tão bem resume a escritora Valquíria Gesqui Malagoli:

“Tendo solicitado ao balconista um objeto azul, a protagonista ouve: 'A senhora quer dizer... verde?'. No final desse primeiro ato, após certa contrariedade, triunfa a compradora, pois, trazido ao balcão o tal objeto, eis que aquele se exibe... azul! Segunda cena. Cenário: loja de brinquedos. Ao pedir um caleidoscópio que da rua vira na prateleira, dá-se outro fato interessante: 'A senhora quer dizer... tubo?', diz, corrigindo-a, a vendedora. Bem, desta vez, embora se tratasse realmente de um caleidoscópio, considerando o quanto era sem graça, 'bem merecia ser tratado como desprezível tubo'. Nova confusão ocorre quando a mulher quer comprar papel impermeável, mas é informada pelo jovem atendente de sorriso profissional: 'A senhora quer dizer papel metálico?' 'Não, eu quero dizer papel impermeável mesmo'".


Pois que Cecília era cronista, e das boas, no que prova, além da acima citada, com a sensível “Conversa com as águas”:

CONVERSA COM AS ÁGUAS

Na verdade, eu ia conversar com a estátua que fica no meio da praça, alta e solene, toda cercada de símbolos. Àquela hora da tarde as crianças voltavam das escolas próximas; crianças do curso primário e do secundário: cachos negros, tranças louras, uma grande festa de risos vermelhos e róseos, beirando os gramados e subindo musicalmente para as nuvens, entre as montanhas e o mar.
Certamente, a estátua teria coisas interessantes a dizer-me, sempre ali parada, vendo deslizar todos os dias à mesma hora tanta criatura engraçada cheia de ciência nos livros e de alegria no rosto – pois eu, só meia hora num banco, já sentia um tumulto imenso de idéias dentro de mim. E isto sem falar que os olhos das estátuas são olhos eternos, e vêem, com seu olhar imóvel, todas as coisas que se agitam na nossa mobilidade triste de prisioneiros da vida misteriosa.
A minha dificuldade na conversa decorreu simplesmente da diferença de nível: a estátua se alcandorava num pedestal majestoso, e eu, bicho humilde e mortal, apenas avultava entre as folhas e as flores. Minha voz, esta que uso todos os dias sem alto-falante, não poderia chegar tão longe. E, além disso, as estátuas têm ouvidos de bronze.
Mas, quando se tem vontade de conversar, qualquer interlocutor pode servir. E, quando abaixei meus olhos melancólicos, encontrei as águas, que são o contrário das estátuas, por fluidas e transparentes, e cuja eternidade não é a do estacionamento, mas a da sucessão. As águas são mais falantes que as estátuas: estão sempre murmurando, cantando,sorrindo,chorando. E, se não observam durante muito tempo – por sua natureza andarilha-, observam muitas coisas, porque atravessam o mundo das nuvens à terra e de um a outro oceano. E com as águas comecei a falar ...”

(Cecília Meireles.Coleção Melhores Crônicas – Editora Global, pg.110 )


Mas é com a Poesia o seu caso maior, forma com a qual ficou mais conhecida, popular mesmo com livros como Romanceiro da Inconfidência, de 1953 (cujos trechos lindamente musicados por Chico Buarque ficaram famosos) e Viagem (1939), um de seus melhores e mais premiados (e meu favorito) e com poemas inesquecíveis (como o sempre tão lembrado Motivo: "Eu canto porque o instante existe/e a minha vida está completa./Não sou alegre nem sou triste:/Sou poeta.")... Difícil citar aqui apenas um poema, participando da Blogagem Coletiva da Leonor Cordeiro (ainda que atrasado, mas ainda "atual" na homenagem, uma vez que o intervalo entre as suas datas de nascimento e de morte se deu, respectivamente, entre 07 e 09 de novembro – esta última, no ano de 1964), mas aqui vai a "minimalista" Canção Mínima, além do famoso trecho do belo poema Marchas, adaptado, musicado e cantado por Fagner (que se ouve ao fundo):

Canção Mínima
Cecília Meireles

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;

no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.


Photobucket

Para conferir o poético blogue da Leonor Cordeiro, bem como conhecer os demais participantes da Blogagem Coletiva sobre a Poetisa Maior Cecília Meirelles: basta clicar no selinho acima.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sua kryptonita? O medo... E o amarelo!


"Quem sabe o mal que se esconde nos corações humanos? O Sombra sabe..." Assim sempre terminava a famosa novela policial das rádios norte-americanas da década de 30, O Sombra, que depois viraria seriado de TV e filme (insosso, porém divertido, com Alec Baldwin no papel título)... Naquela época, a rádio era o meio de difusão de grandes personagens, tanto da Literatura, quanto dos Quadrinhos, que depois migrariam para a mídia do Cinema, levando inúmeros garotos a conhecer grandes heróis até então só publicados em tiras ou em livrinhos...

Lembrei-me, no início deste texto, do célebre encerramento do Sombra por causa de uma outra famosa frase que, com o mesmo tom austero de “herói das antigas”, perpetuou um belo e rico legado por mais de 60 anos em suas mais diferentes versões: “No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante a minha presença... Todo aquele que venera o mal há de penar quando o poder do Lanterna Verde enfrentar!”... É, eu sei, faz a gente se sentir menino de novo e acreditar naqueles homens valorosos de colante colorido, que começaram a se definir naqueles fins dos anos 50 (a chamada Era de Prata), nos estilos vistos até hoje: no caso, o Lanterna Verde – que, antes do eterno Hal Jordan, era o herói Alan Scott, mais para poderes místicos do que para a ficção científica/fantasia do que se consolidou a partir de então esse personagem (inclusive com novo uniforme).

Mas, graças aos absurdos cometidos pelos editores (verdadeiro samba do crioulo doido: personagens morrem, ressuscitam, morrem novamente...), esse mesmo bravo e valoroso piloto de testes Hal Jordan, o mais conhecido patrulheiro das galáxias, que empunha o anel energético no setor espacial 2814 (que abriga a Terra), já sofreu inúmeras mudanças ao longo das décadas (tendo sido substituído pelo negro John Stewart, pelo também muito modificado Guy Gardner e por Kyle Rayner – já se transformou até em vilão!) desde que, naquele longínquo 1959, encontrou, à beira da morte em sua nave caída na Terra, Abin Sur, um alienígena membro da Tropa dos Lanternas Verdes, que lhe passou um anel energético capaz de realizar qualquer desejo e cujos únicos limites eram a força de vontade do usuário e a cor amarela (derivada de imperfeições amarelas do interior da lanterna, onde se recarregava o anel a cada 24 horas, com direito a novo juramento – hoje o amarelo não é mais problema...).

Confesso que, na infância, quando conheci o personagem, nos desenhos Superamigos, da Filmation, achava tudo meio bobo (só melhor que aqueles Supergêmeos imprestáveis!)... Tudo bem quanto ao fato de que aquele anel permitisse Hal voar a velocidades interplanetárias, cobrindo seu corpo com uma aura para proteger-se de ataques e rigores do espaço, podendo ainda detectar outros Lanternas Verdes, projeção astral e fazer com que o usuário relembrasse de fatos esquecidos... Mas aquela capacidade ilimitada de criar quaisquer objetos com energia verde, que funcionavam como suas exatas duplicatas reais (na verdade, era a transformação da vontade do usuário do anel em algo presencial) – fora o fato de traduzir automaticamente cada língua conhecida no universo (!) – sempre me deixavam encasquetado... Especialmente diante da austeridade e da perfeição dos meus favoritos Super-Homem e Batman (que conheci primeiramente nos Cinemas)!

Mas, com o tempo e com as leituras dos Quadrinhos clássicos (especialmente com os desenhos do mestre Gil Kane), a familiarização e o carinho pelo Gladiador Esmeralda foi evoluindo com o tempo... E qual outro lugar melhor para se conhecer um herói desse porte de fantasia que não na Nona Arte? Só se fosse através da Rádio dos anos 30...


Dedicado a todos aqueles que carregam um 'button' de seu herói favorito no peito e se permitem viajar pelos mais distantes lugares do infinito cósmico; dedicado também à aniversariante de hoje, minha sobrinha Ana Carolina, que completa 3 anos e ainda não conhece Hal Jordan... E ao novo "super-herói" do momento, Barack Obama, com nome digno de estórias em quadrinhos e jeitão de John Stewart!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Belém III: Epílogo


Adeus às orquídeas e às garças que não vi, escondidas pela escuridão da noite do Mangal; adeus ao Teatro da Paz em que não entrei e ao Juruá que não comprei... Adeus a todos aqueles gostos e belezas e sensações que não provarei por um bom tempo... Audiência realizada e reencontro merecido: adeus, amores de Belém...


Imagens do Mangal das Garças, Parque de Belém do Pará

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O Centésimo Primeiro Filme


Por amar Cinema, não tenho "gênero favorito", coisa para quem leva a 7ª Arte como mero passatempo, algo no estilo "hoje estou a fim de rir, por isso quero comédia!", quando a coisa toda não se apresenta necessariamente assim: gêneros se intercalam e, por muitas vezes, rótulos prejudicam uma obra... Existe gênero "Faroeste" (corruptela de 'far west', "oeste distantes"), o antigo "bangue bangue"? Existe filme de "Guerra"? Na verdade, esses dois seriam subgêneros... E qual a diferença entre Terror e Suspense? O que é apresentado: no Suspense, há o conduzir para uma descoberta; no Terror (ou "Horror", como querem alguns), há o explícito, geralmente o sobrenatural (vide a origem deste gênero, os filmes de monstros da Universal)...

Mas o mote deste 'post' é outro: o "centésimo primeiro filme" adquirido para minha coleção – o clássico Encurralado, verdadeira aula de edição e narrativa do ex-mestre Spielberg (que continua a aula de forma ainda mais didática nas entrevistas do DVD, com um bom meterial de bônus, os famosos "extras" – razão maior para que eu compre um filme). Decerto que em minha casa há bem mais que 101 títulos de filmes, seja por causa da "juntada de patrimônio" (que incorporou filmes que admiro, como Antes do Pôr-do-Sol, Central do Brasil e Moulin Rouge), seja devido à antiga coleção de VHS (cuja maioria de títulos já perdi para o mofo, depois que o vídeo pifou...)... Mas a minha coleção individual de DVDs originais (sim, tenho uns piratinhas eróticos...) alcançou esta marca só recentemente, devido a um grande hiato de interesse meu em comprar filmes...

Voltando aos gêneros: os que considero como legítimos estão elencados na lista abaixo (em letras garrafais, às vezes acompanhados de subgêneros, juntamente com o destaque para os meus favoritos, sublinhados), ajudando a classificar os meus 101 filmes... Cabe ao meu queirdo blogueiro de plantão dizer o que acha desta classificação, falar sobre algum gênero favorito ou comentar sobre minha pequena coleção... Só não vale pedir emprestado: colecionador é bicho ciumento...

COLEÇÃO PARTICULAR:
LISTA DE FILMES ORIGINAIS

(Atualizada em abril de 2011 - DVD e 'Blue-Ray Disc')


TERROR: ‘Evil Dead’ – A Morte do Demônio; O Bebê de Rosemary; Sexta-Feira 13/ O Exorcista (Versão do Diretor – 2 DVDs); O Chamado; A Profecia; Drácula de Bram Stoker (Edição de Luxo com 2 Discos);

SUSPENSE: Psicose – Coleção Hitchcock (Edição Comemorativa – 2 Discos); Um corpo que cai – Coleção Hitchcock; Janela Indiscreta – Coleção Hitchcock; Os 39 Degraus/ O Inquilino (DVD Dupla Face); Encurralado; Onde os fracos não têm vez; O Massacre da Serra Elétrica (Edição de Colecionador); Tubarão – Edição Especial de 30º Aniversário (DUPLO);

FICÇÃO CIENTÍFICA: Contatos Imediatos do Terceiro Grau – Edição Especial (DUPLO); 2001 – Uma Odisséia no Espaço; Robocop – O Policial do Futuro; Alien – O Oitavo Passageiro (DUPLO); Star Wars Trilogia (BOX) - Episódio IV Uma Nova esperança; Episódio V O Império Contra-Ataca; Episódio VI O Retorno do Jedi; Matrix; Blade Runner O caçador de Andróides (Edição Especial - DVD Triplo); Laranja Mecânica (2 DVDs); Guerra dos Mundos; O Planeta dos Macacos (Edição Especial de 35º Aniversário);

Aventura/ Fantasia: Homem de Ferro (edição Especial - 2 Discos); Hulk (Edição Especial – 2 DVDs); Homem-Aranha (DVD Duplo); BOX COLEÇÃO SUPERMAN (3 DVDs): Superman – O Filme (DVD Duplo), Superman II – A aventura continua, Superman III; Superman – O Retorno (Edição Especial – DVD Duplo); ‘Batman Begins’ (Edição Especial – DVD Duplo); Batman (Edição Especial – DVD Duplo); Batman – O Retorno (Edição Especial – DVD Duplo); Batman – O Homem-Morcego; King Kong (1933, Edição Especial – DVD Duplo); O Senhor dos Anéis A Trilogia do Filme (BOX - 3 DVDs Duplos) - A Sociedade do Anel; As Duas Torres; O Retorno do Rei; Desventuras em Série; X-Men - o filme ('Blue-Ray Disc'); O Cavaleiro das Trevas ('Blue-Ray Disc');
Aventura/ Ação: KILL BILL VOLUMES 1 e 2 (BOX - 2 DVDs): ‘Kill Bill’ Volume 1, ‘Kill Bill’ Volume 2; O Tigre e O Dragão; AS AVENTURAS DE INDIANA JONES (BOX - 4 DVDs): Caçadores da Arca Perdida, Indiana Jones e O Templo da Perdição, Indiana Jones e A Última Cruzada, Extras da Trilogia; Rambo - A Trilogia (4 DVDs): Rambo - Programado para Matar; Rambo II - A Missão; Rambo III; Duro de Matar Edição – Especial Edição de Colecionador (DVD Duplo); Os Goonies; Missão Impossível (Edição Especial para Colecionador - DVD Duplo); 330 ('Blue-Ray Disc');
Aventura/ Drama: Uma Aventura na África; Conta Comigo (Edição Especial); Rocky – Um Lutador (Edição Definitiva – 2 Discos); A Missão (Edição Especial – DVD Dupla Face);
Aventura/ Drama de Faroeste: Dança com Lobos (Edição Especial); Três Homens em Conflito; Rastros de Ódio – Edição do Aniversário de 50 Anos (DVD Duplo); Butch Cassidy (Edição Especial); Era Uma Vez no Oeste;

DRAMA: A Lista de Schindler (2 Discos – Documentários: “As Vozes da Lista” e “A História da Fundação Shoa”); Taxi Driver (Edição Especial – 2 Discos); Sindicato de Ladrões; A Doce Vida; Ladrões de Bicicletas; Mar Adentro; Central do Brasil; Cinema Paradiso; A Liberdade É Azul; Auor em Família; Um dia para relembrar; Tomates Verdes Fritos (Edição Especial); Cidadão Kane (Edição Exclusiva – DVD Duplo – Documentário: “A Batalha por Cidadão Kane”); Crepúsculo dos Deuses (Edição Especial para Colecionadores); Farrapo Humano; Faça a coisa certa; Forrest Gump – O Contador de Histórias (Edição Especial para Colecionadores – DVD Duplo); O Carteiro e O Poeta, O Piano;
Drama-Épico: Os Dez Mandamentos (Edição Especial para Colecionador – DVD Duplo); Spartacus (Edição Especial); Ben-Hur (Edição de Colecionador - 4 DVDs); ...E o vento levou (Edição de Colecionador - 4 DVDs);
Drama/ Fantasia: Brilho eterno de uma mente sem lembranças; O Mistério da Libélula;
Drama/ Romance: Antes do Pôr-do-Sol; Antes do Amanhecer; A História de Nós Dois; Simplesmente Amor; Romeu e Julieta;
Drama/ Guerra: O Resgate do Soldado Ryan (Edição de Colecionador - 2 Discos);

COMÉDIA: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain; Poucas e Boas; A Era do Rádio; O Virgem de 40 Anos; Um Hóspede do Barulho; Austin Powers – 000: Um agente nada secreto; Harry e Sally – Feitos um para o outro; COLEÇÃO EDDIE MURPHY (2 DVDs): Um Tira da Pesada (Edição Especial para Colecionadores), 48 Horas; Trocando as Bolas (Edição Especial para Colecionadores); Curtindo a Vida Adoidado (Edição Especial para Colecionador); Os Irmãos Cara de Pau; Monty Python e O Sentido da Vida (Edição Especial – DVD Duplo); A Vida de Brian de Monty Python; Um Convidado Bem Trapalhão/ A Nova Transa da Pantera Cor-de-Rosa (2 Discos); O Incrível Exército de Brancalleone; Quanto mais quente melhor (Edição Especial); COLEÇÃO JERRY LEWIS (2 DVDs): O Mensageiro, O Professor Aloprado; Os Reis do Ié-Ié-Ié ('Blue-Ray Disc');
Comédia/ Fantasia: Dr. Fantástico (Edição Especial); Edward Mãos de Tesoura; De Volta para O Futuro; Splash – Uma sereia em minha vida; OS CAÇA-FANTASMAS 1 E 2 (Edição de Luxo – 2 DVDs): Caça-Fantasmas, Caça-Fantasmas 2; Dona Flor e Seus Dois Maridos;

ANIMAÇÃO: Batman – A Máscara do Fantasma; Superman - Max Fleischer; A Viagem de Chihiro; A Pequena Sereia; Alice no País das Maravilhas; Branca de Neve e Os Sete Anões; Cronologia do Donald; Todo ama o Mickey; Toy Story; Vida de Inseto; Toy Story 2 (Edição Especial); Monstros S. A. (Edição de Colecionador – 2 DVDs); Procurando Nemo (Edição de Colecionador – 2 DVDs); Os Incríveis (Edição Especial – 2 DVDs); Ratatouille; Wall-E; Up - Altas Aventuras; Happy Feet O Pingüim; Akira ('Blue-Ray Disc');

DOCUMENTÁRIOS/ : O Mundo Mágico dos Trapalhões; Tiros em Columbine; Pelé Eterno; Coleção Copa do Mundo FIFA 1958 Suécia; Coleção Copa do Mundo FIFA 1970 México; FIFA Fever - O Melhor da História das Copas;
SERIADOS DE TV: A Grande Família; Sai de Baixo (2 Discos); TV Pirata (2 Discos); Armação Ilimitada (2 Discos); Chico Especial! (2 Discos); Os Normais; Os Simpsons – 1ª Temporada (Edição Especial para Colecionador – 6 DVDs); He-Man e Os Mestres do Universo – 1ª Temporada – Vol. 1 (6 DVDs); He-Man e Os Mestres do Universo – 1ª Temporada – Vol. 2 (6 DVDs); She-Ra A Princesa do Poder/ O Segredo da Espada Mágica; Os Flintstones (4 DVDs); Os Jetsons (4 DVDs); Coleção 'Looney Tunes' (4 DVDs); Wallace e Gromit - 3 Aventuras Explosivas;

POLICIAL: Amnésia; Cães de Aluguel (Edição Especial); BOX 02 – O PODEROSO CHEFÃO ‘DVD COLLECTION’ (5 DVDs): O Poderoso Chefão, O Poderoso Chefão – Parte II (Disco 1 e Disco 2), O Poderoso Chefão – Parte III, Material Especial; Os Bons Companheiros – Edição Especial (DVD Duplo); Os Intocáveis – Edição Especial; Missão Impossível – Edição Especial para Colecionador (DVD Duplo); Os Infiltrados ('Blue-Ray Disc');

MUSICAL: Moulin Rouge Amor em Vermelho (edição Especial - 2 DVDs); My Fair Lady; Mary Poppins – Edição do 40º. Aniversário (2 Discos); A Noviça Rebelde – Edição Especial para Colecionador de 40º. Aniversário (2 Discos); Cantando na Chuva – Edição Comemorativa 50 Anos (DVD Duplo);
MUSICAL/ SHOWS & VIDEOCLIPES: Michael Jackson History - video greatest hits; Michael Jackson History on film Volume II; Jobim, Vinícius e Toquinho com Miúcha; Eternamente Nelson; The Frank Sinatra Show – Welcome Home, Elvis;

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Super-Heróis!


Não, não me refiro aos 70 anos do inaugurador do gênero super-herói nos quadrinhos, o Super-Homem – a não ser numa rápida menção a duas revistas com o Homem de Aço, ainda nas bancas em algumas cidades, que valem uma conferida: Superman 70 que “recomeça” novas estórias no universo DC (com direito a chaveirinho metalizado); e Coleção DC 70 Anos – As Maiores Histórias do Superman, com boas e curiosas aventuras, de diferentes épocas e artistas (e com 'button' do "S" do personagem). Tampouco estou falando do passamento recente do superator (alter-ego de piloto) Paul Newman, o gigante cênico dos personagens com gosto de fracasso, como o intrépido prisioneiro Luke de Rebeldia Indomável , o orgulhoso Brick de Gata em teto de zinco quente ou o bandoleiro mocinho de Butch Cassidy. Também não me pego em homenagear, talvez pelos deveres amaríssimos do tempo corrido, o maior escritor de nossa Língua (e do mundo!), Machado de Assis, cujo centenário de morte em setembro nos lembrou o quanto sua obra literária ironicamente genial conseguiu o feito de dialogar com um Rio de Janeiro de maioria analfabeta no século XIX e ainda dialogar com uma nação globalizada nos anos 2000, por ter sabido narrar os males da sociedade e das relações humanas como ninguém... Na verdade, a homenagem destes Morcegos segue para aquele superser que, tantas vezes, tem que pegar um grande número de conduções, seja nos rincões perdidos deste País, seja em modernas metrópoles, para, desviando-se de alunos desajustados e de minissalários radiativos, interpretar, à perfeição, não apenas um personagem, mas tantos quantos forem necessários para ampliar a precisão de sua didática, escrevendo e reescrevendo inúmeros livros pelos quadros-negros e pelas observações atentas nas correções das provas... A esse super-herói, cuja fantasia pode variar entre um jaleco e uma camiseta desbotada do Che e cuja missão é levar a educação adiante, sem esperar por um prêmio da Academia ou pelas batatas que a vida lhe reserva... Pelo sacerdócio da luta pagã do dia-a-dia – eu, que fui professor (ou sou, porque, além da carteira assinada perdida num armário qualquer, o espírito assim permanece...), sei do que estou falando... –, aos professores, o meu carinho por este dia!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Depois do humor pastelão de boa gama de candidatos a prefeitos e vereadores, que ainda encaram a Política e os cargos públicos como uma divertida loteria e lutam para tirar a sorte grande sem ética alguma, aqui em São Luís do Maranhão encararemos o segundo turno... Com Lula olhando, lá de cima, por todos nós...

Incrível como o Lula, de “sapo barbudo”, transformou-se no garoto mais popular do colégio: calouros e veteranos da escola da politicagem nessas eleições, em todo o Brasil, disputaram a tapa o apoio do Presidente mais popular da História deste País... Desafetos ou aliados, não importa, o que interessa é uma foto ao lado do “hômi” ou um vídeo no horário eleitoral desse ou daquele candidato, com o barbudo dizendo que o apóia... E por aqui a coisa não foi diferente: a impressionante arrancada do ex-juiz federal e meu ex-professor Flávio Dino, da aliança PCdoB e PT no Município, tem o apoio “oficial” de Lula, diferentemente do ultrapassado e ex-governador biônico dos tempos da Ditadura Militar, João Castelo (PSDB), antigo compadre e atualmente rompido em relações com a Sarna... Mas que agora também deseja o Lula! Com os dois no segundo turno para prefeito de São Luís, não consigo parar de pensar num amigo meu, que perguntou a sua empregada em quem esta votaria: “Ah, nesse Flávio Dino, que o Lula 'tá com ele e eu não quero perder minha bolsa família! Nem eu, nem minhas irmãs”! É... Às vezes o errado sai certo...


E sigo a disfarçar o trabalho com o prazer, e paro um dia para rever Alcântara e um processo esquecido... Encaro a lancha e as ondas (calmas, até...) do verão de outubro e visito aquele paraíso perdido e quente, que me abraça como uma amante – logo eu, tão fiel a São Luís!

E nessa cidade-fantasma, sem quase viva alma além de militares perdidos num projeto esvaziado por bases espaciais mal resolvidas, ou dos despojos de “restos mortaes” de gente abastada de outrora nos pátios das igrejas seculares, busco incessantemente por água, sombra e por um processo que parece não ter fim...

Mas eis que, nessa dimensão paralela logo ali, o sol nasce por sobre o pelourinho e se eterniza na pintura de cor viva por sobre as ruínas de um tempo morto e suspenso no ar, porém prestes a nascer outra vez, a rolar abaixo a Ladeira do Jacaré, criar forma no mar e se alimentar de doces de espécie...

E sigo, sem olhar para trás, para que não me escape a vista (por entre um pórtico da ruína de algum casarão perdido ao lado de alguma belíssima igreja) de um processo sem solução: por dentro do pórtico a imagem de um outro, donde se vê mais uma cidade a esperar...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Quem quer dinheiro?

Shaná Tová Umetuká: feliz 5.769, Senor
Abravanel, e parabéns pelos 50 anos do baú...


Sem dúvida, o SBT quer! Amargando ter perdido o segundo lugar de audiência desde que a nada cristã Record se “desconverteu” e se transformou numa cópia do “padrão Globo de qualidade”, há tempos que o eterno Homem do Baú tem sua emissora mais veiculada para a divulgação de seus próprios negócios (o Panamericano, maior fonte de lucro do “Patrão” atualmente, a Tele-Sena, Jequiti e o próprio Baú da Felicidade), vindo hoje a ficar atrás mesmo até da Bandeirantes em muitos horários... Tudo bem que a reapresentação de Pantanal, o inesgotável sucesso de Chaves (que, de tão bom, ainda alavanca as audiências ao substituir atrações que não rendem, nos horários mais diversos) e a cativante presença de Silvio Santos no ar até hoje deixam a emissora sempre em destaque, mas não posso negar uma melancolia ao ver o melhor comunicador da televisão brasileira ter que se submeter a reciclar antigos sucessos (Topa Tudo por Dinheiro, Qual é a Música, Hot, Hot, Hot e Roletrando) para ver se a emissora alcança alguns pontinhos a mais no IBOPE...

Mas também não posso negar que a desistência de sua aposentadoria antecipada me fez nostalgicamente mais feliz: afinal, ver Silvio Santos, aos domingos, entoando antigos chavões (“Quem quer dinheiroooo?”, “Lê, lê, lê, ô, chama eeeu!”, “Eu só acredito... vendo!”) e marchinhas de carnaval (“A pipa do vovô”, “Coração Corintiano”, "Vai com Jeito”) me remete às velhas tardes de domingo (“tantas alegrias/ Velhos tempos, belos dias”) de minha infância, em que o Programa Silvio Santos reinava absoluto nas tardes dominicais das famílias, ganhando disparado de qualquer enlatado americano que a Globo exibisse até os “horários nobres" de Os Trapalhões e Fantástico... Só faltava o Mestre Abravanel retornar com Domingo no Parque, Porta da Esperança e Show de Calouros! Quem sabe?...

Por ora, enquanto pratas da casa, como Hebe, Ratinho e Adriane Galisteu, enfrentam problemas de renovação de contrato, e gente do calibre do Celso Portiolli e da Ana Paula Padrão (a bela jornalista apresenta apenas uma espécie de “Mundo Animal” às segundas!) são subestimados, ninguém sabe qual o futuro desta emissora tão com a cara do povo e dos anos 80... Não sabe? Então pergunta pra Maísa...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Um Super-Homem...


Como na canção do velho Paulo Diniz, ele veio de Piripiri ("De acordo com os sábios da língua, que mudaram a grafia primitiva, 'Peripery', para esta atual... Que, em dialeto indígena, originariamente, este nome significa 'capim', o que tem em abundância naquela cidade piauiense..."), peregrinou pelo País até instalar-se em São Luís e edificar uma linda família (que adotei com carinho desde tenra idade, quando dos bate-papos depois da aula com meu amigo exilado carioca Sérgio Roonie): ao amigo Odon Ferreira, você que faz versos, que ama, protesta (merecidamente reconhecido com uma placa pelo seu "Canto do Protesto" da Benedito Leite, onde já passei algumas vezes, de forma curiosa) e, que agora completa 80 anos de uma vida enciclopedicamente rica (ô, memória...) nesta noite cheia de emoções (as palavras do Bob e do próprio anfitrião, a atenção de D. Zenaide, o vídeo de Rodrigo, o novo documentarista da família, com Superman Love Theme ao fundo...) e de iguarias (ah, as delícias da Aleida!)... Segura o homem, que ele vai longe! E segue nossa admiração...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Além de 50 anos da Bossa Nova e do nosso primeiro título da Copa, existe um “aniversário duplo” que não pode ser esquecido: trata-se dos 50 anos de Michael Jackson e dos 25 anos de seu maior sucesso, Thriller, o disco mais vendido da história fonográfica, de acordo com o Guiness Book e com as milhões de cópias e dezenas de Grammies e de discos de platina... E eu tenho este clássico, em CD edição especial (com faixas extras e comentários de Quincy Jones), comprado a modestos 14 reais, contra os R$ 50 da atual “edição comemorativa dos 25 anos”...


Falar das maluquices e do quão bizarro se tornou o maior astro pop dos anos 80 é chover no molhado (prisões, escândalos, plásticas etc.), não há mais nenhuma novidade na figura tosca, na verdadeira caricatura de si mesmo em que Michael se enfronhou... Mas lembrar Thriller é muito mais que ser saudosista e falar dos anos 80 – é ouvir (e ver, uma vez que o clipe da canção carro-chefe do disco ainda é o maior vídeo musical de todos os tempos, verdadeira obra-prima em curta-metragem de 14 minutos de um dos maiores nomes daquela década, John Landis, diretor então recém-saído do sucesso Um Lobisomem Americano em Londres) um dos trabalhos mais completos de um artista: simplesmente quase todas as músicas viraram ‘hit’: Billie Jean (uma espécie de “adaptação inconsciente” de um clássico brasileiro, Nega Maluca, coisa que Caetano veio a enxergar naquele famoso ‘medley’), The girl is mine (ao lado do eterno ícone Paul McCartney, apesar de nunca ter convencido ninguém naquela "disputa" com o beatle sobre o amor de uma garota...), Beat it (clássico absoluto, que você ouve ao fundo), a própria Thriller (estouro de exibições numa então iniciada MTV, com destaque inédito para um artista negro), sem esquecer Wanna Be Startin' Somethin' e Baby be mine.

Tudo bem que Off the Wall já havia sido um grande ‘debut’ em sua carreira solo pós-Jackson Five (que “ameaçam” voltar ainda neste ano, talvez com a presença do próprio filho pródigo Michael), com o ‘hit’ eterno Don’t Stop ‘Til You Get Enough (abertura do global Videoshow), mas foi com a combinação perfeita de 'discomusic’/ritmos urbanos com coreografia e a ainda mais caprichada produção do mestre Quincy Jones que Michael Jackson, naqueles idos de 82/83, ascendia como um “Elvis” dos novos tempos para, depois, entrar num declive eterno (apesar de Bad e Dangerous terem-no mantido astro mundial até a década de 90), tamanha a qualidade daquele álbum, impossível de ser novamente alcançado... Impossíveis novos anos 80, com aquele Michael Jackson, outra vez...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

“O amor nasceu aqui…”



Se vens de fora ou chegaste agora, dá licença de contar: esta terra de contrastes tem mais poesia a dois por sobre os telhados e paralelepípedos, que hoje completam 396 anos de História, do que em qualquer outro lugar... Tanto que, por aqui, amores nascem de onde menos se espera e permanecem por séculos, indeléveis, impressos por sobre azulejos incautos e discretos, escondidos por entre o limo das paredes velhas... E eu, que pra ti sou parte viva destes sobrados e destas vistas cheias de sonhos, canto-te estas ruas e estes becos sem fim... E é tanta poesia, que esta cidade tem um hino oficial (cuja letra você acompanha abaixo), de autoria do poeta Bandeira Tribuzzi, e outro que já se oficializou pelos cantos dos amantes nos poentes encantados à beira-mar, a bela canção Ilha Magnética, de César Nascimento (que você ouve no belo vídeo-fotográfico acima). E por ser tão rica em poesia é que também cabe homenagem a um dos maiores que nasceram desta Ilha Encantada: Ferreira Goulart, que, quase empatado com o aniversário de São Luís, completará 78 anos no próximo dia 10...

CANTIGA PARA NÃO MORRER
Ferreira Goulart

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca como a neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina de branca neve,
me leve no esquecimento.



LOUVAÇÃO A SÃO LUÍS
Letra e Música de Bandeira Tribuzzi

Ó minha cidade
Deixa-me viver
que eu quero aprender
tua poesia
sol e maresia
lendas e mistérios
luar das serestas
e o azul de teus dias

Quero ouvir à noite
tambores do Congo
gemendo e cantando
dores e saudades
A evocar martírios
lágrimas, açoites
que floriram claros
sóis da liberdade

Quero ler nas ruas
fontes, cantarias
torres e mirantes
igrejas, sobrados
nas lentas ladeiras
que sobem angústias
sonhos do futuro
glórias do passado

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

"Os Desafinados"


Não falo sobre o novo filme do Walter Lima Jr., que ainda nem estreou por aqui, mas, sim, de quão desacreditada viajava para a Suécia aquela que seria, em minha opinião, a maior seleção de todos os tempos: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nilton Santos, Zito, Didi, Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo (para citar somente os maiorais que pintaram aquela linda final de 5 X 2, em Estocolmo, contra a dona da casa), em virtude dos fracassos nas Copas anteriores – saíram daqui sem pressão nenhuma e só mostraram afinamento e perfeição dignos da batida de João Gilberto naquele mesmo ano (que nunca deveria ter terminado...) ao longo dos jogos da Copa de 58. Mérito também do comandante Paulo Machado de Carvalho e do técnico Feola, que souberam administrar aquele inesquecível panteão azul (graças ao improviso do próprio Paulo, na final, uma vez que os suecos jogariam de amarelo...)! Inesquecível para quem gosta de Futebol, já que o brucutu Josué foi taxativo minutos depois do recente amistoso contra a Suécia, em comemoração aos 50 anos de nossa primeira conquista: "Não sei muita coisa sobre 58. Não era nascido. Mas o título está aí, é isso que importa"... É como bem disse o colunista esportivo José Roberto Malia: “Santa ignorância... Mas uma feliz realidade: quem nasceu para anão de Dunga jamais chegará à floresta encantada dos deuses da bola”. E viva a Santíssima Trindade: Pelé, Garrincha e Didi!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

"O Amor,
O Sorriso e
A Flor"...



“Mas não sei, me cansei do calipso ao chá-chá-chá... Por isso só danço samba, só danço samba”... E o mesmo samba que subia o morro no meado do século para finalmente encontrar-se como a “identidade nacional” através do carnaval, no início dos anos 50 era ele que queria descer do estilo operístico dos sambas-canção rasgados até os apartamentos sofisticados à beira-mar, de gente que ouvia jazz e que sabia das coisas...

Sabia, por exemplo, lembrar que aquela “bossa” nada tinha de nova: Dick Farney e Lúcio Alves, bem como Johnny Alf, Luiz Bonfá e Tito Madi já davam as pinceladas de um novo samba desde os anos 40 e João Gilberto sabia disso! Tanto que nunca apreciou muito essa coisa de “Bossa Nova”, porque, pra ele, samba era sempre samba – e cada um que descobrisse um novo jeito para tocá-lo...

Dizer que a Bossa Nova nasceu oficialmente com a obra-prima absoluta Chega de Saudade, em 58, que sua Música era de uma linda harmonia elaborada e de bela linha melódica, bem podendo ser interpretado como uma mistura de samba e jazz (tanto que o povo arrogante de sempre dos EUA assim anunciou no Carneggie Hall: “Come to see the new brazilian jazz”!), tudo isso é chover no molhado, assim como espinafrar seus maiores intérpretes, ao cuspir que são apenas “sussurros desafinados” num violão “bom pra fazer dormir”... Mas é como bem questionava Farney, "Por que não existe um samba que a gente possa cantarolar no ouvido da namorada?", ou como afirmava Carlinhos Lira, “Aquelas canções a gente fazia para pegar as meninas, mesmo” (referindo-se a Minha Namorada, genial parceira com Vinícius)! E quem quiser, que cante outra!

O que deve ser dito sobre a Bossa Nova é que foi a onda certa no lugar certo: aquela onda que se ergueu no mar das praias onde moravam os meninos bacanas cariocas e que traziam a modernidade e o bom viver dourado de sol às canções, o que foi rapidamente antenada por gente como a maravilhosa Nara Leão, que, leoa como um colibri, passou de “alcoviteira” de grandes encontros musicais em seu apartamento a “moça de opinião”, na década de 60... Que saudades da Nara: se todos fossem iguais a você...

E, como música que se queria de “vanguarda”, trazia outras inovações além da batida do violão de João Gilberto (que deslocava o acento da tradicional batida de samba) ou da tal “alegria perfeita”, em substituição aos dramas de fossa dos sambas-canção de um pouco antes (alegria falsa em alguns casos, uma vez que muitas bossas eram tristes, como Triste, de Tom Jobim, ou num trecho de uma das inaugurais do movimento, Garota de Ipanema: “Ai por que sou tão sozinho/ Ai, por que tudo é tão triste...”). O que se seguiu mesmo foi um tom coloquial, falando sobre praia, mar, amor, como se vê na “música inaugural” do gênero, Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes: “Mas, se ela voltar/ Se ela voltar que coisa linda!/ Que coisa louca!/ Pois há menos peixinhos a nadar no mar/ Do que os beijinhos/ Que eu darei na sua boca”...

Mas não é porque os meninos eram bronzeados da Zona Sul, ou porque se pegavam meninas com maior facilidade sussurrando samba em suas orelhas, ou porque Vinícius desbundou do Itamaraty e de sua poesia existencialista para algo mais solto, ou porque João Gilberto virou algo popular (na época, apesar de sempre polêmico...), que a Bossa era esvaziada. Pelo contrário: a coisa toda tinha conteúdo, e um existencialismo entre a solidão e a paz no amor, em fuga à metrópole que oprimia ou deprimia, crescia em espaço e convivia feliz com "barquinhos", "patos" e afins!

A Bossa nunca mais seria a mesma a partir de 62... Tanto que, oficialmente, o "movimento" acabaria em 1966, e, em 64, hora da radicalização política que converteu lirismo num necessário engajamento de discussão e posicionamento político, Vinícius e Carlos Lira assim cantaram, profeticamente, em Marcha da Quarta-feira de Cinzas: "Acabou nosso carnaval/ Ninguém ouve cantar canções/ Ninguém passa mais brincando feliz/ E nos corações/ Saudades e cinzas foi o que restou/ Pelas ruas o que se vê/ É uma gente que nem se vê/ Que nem se sorri/ Se beija e se abraça/ E sai caminhando/ Dançando e cantando cantigas de amor/ E no entanto é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar"...

Mas, do mar, não morreu na praia: se não se podem esquecer músicos que fizeram essa bossa tornar-se eterna (Aloysio de Oliveira, Baden Powell, Billy Blanco, Maurício Einhorn, Newton Mendonça, Oscar Castro Neves, Roberto Mesnescal, Ronaldo Bôscoli, Sérgio Ricardo, Sérgio Mendes...), o mesmo se pode dizer sobre a própria Bossa Nova – Caetano e Gil vociferaram e vaticinaram certa feita: "Chega de saudade, a realidade/é que aprendemos com João/pra sempre a ser desafinados" (Saudosismo) – e, assim, seguiram com um banquinho, um violão e "aquela batida" Chico Buarque (Januária e Carolina), Cazuza (Faz parte do meu show) e até Lobão (Me Chama)... Coisa mais linda essa insensatez desafinada de saber que vou te amar por toda minha vida, Maria Ninguém, no eterno sincopado de um samba de uma nota só, até o apagar da velha chama...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

"Peguei Um Ita no Norte...
Adeus, Belém do Pará..."


Decerto que a viagem foi cansativa, mas não cheguei ao ponto de pegar aquele navio... Na verdade, o caminho foi inverso: do Meio-Norte de São Luís do Mará fui mais um tantinho para o Norte e conheci Belém – e isso só porque a audiência foi adiada! Aproveitei para ver o peso do tal mercado, conhecer o artesanato dos sachês de 'patchouli', o “cheiro do Pará”, as meias-soquetes das colegiais no Iguatemi, as docas de outrora, a leve arte marajoara, mas, infelizmente, sem beber o tacacá (não deu tempo...)! E muita, muita gente, na rua a se abarrotar por entre as árvores e a chuva do final da tarde...

Eu não parava de cantarolar “Peguei um Ita no norte/ Pra vim ‘pro’ Rio morar/ Adeus meu pai, minha mãe/ Adeus Belém do Pará/ (...)/ Vendi meus troços que eu tinha/ O resto dei pra ‘guardá’/ Talvez, eu volte pro ano/ Talvez eu fique por lá”... Talvez por causa da ‘sodade’ que já apontava do tempo bom da genialidade do recém-finado Caymmi, talvez pela idéia desacorrentada que se me tem apresentado nas formas mais loucas: amigos que largam tudo para filmar, maridos que largam tudo para “atuar”, e por assim vai...

Pois “adeus vivo sempre a dizer, adeus”... Porque tudo numa viagem pode recordar a vida feliz que eu vivi... E ainda assim eu desejar ficar... Que nem o Mestre Caymmi, que não largava sua terra e que sabia de cor do seu samba, dos “dois amor” do pescador, das igrejas e das receitas de vatapá e de acarajé... E era sempre a Bahia! Ô, Bahia... Bahia que não lhe saía do pensamento (embora esta Bahia fosse de um “falso baiano”, Ary Barroso, e não dele)...

Ao Caymmi da epopéia da simplicidade e do cantar simples e “pouco” por sobre o tanto que há por lá, já com sua voz rouca de tanto violar a Saudade da Bahia (e de outras obras-primas como Marancagalha, Marina, Doralice, Rosa Morena, Lá Vem A Baiana...), cheia de religiosidade (2 de Fevereiro, 365 Igrejas) e de grandes histórias (como em História de Pescador e João Valentão)... Pois “quem inventou o amor não fui eu... Nem ninguém"! Adeus, amigo velho: só louco amou como nós amamos... O bem do mar e o bem de nossa terra...


“E assim adormece esse homem, que nunca precisa dormir pra sonhar, porque não há sonho mais lindo do que sua terra”...


É Doce Morrer No Mar
Dorival Caymmi

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi
Foi de tristeza prá mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim

Saveiro partiu de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou

Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

"Ó, menina, vai ver nesse almanaque
como é que isso tudo começou"...

'Post' dedicado a meu pai, o Sr. Carlos Humberto Guilhon Rosa, meu dileto almanaque de Futebol das antigas, especialmente do Maranhão, onde foi lateral esquerdo do juvenil no Ferroviário F. C. – e ponto de onde o meu almanaque começou...


Alguém já se decidiu? É Pequim ou é Beijing?! E vamos a mais uma seqüência de diletante patriotismo e sigamos a torcer até por futebol de botão e “porrinha” – o quê, essas ainda não são modalidades olímpicas? Que injustiça com o Brasil... Enfim, são poucos os esportes que realmente me apetecem alguma torcida! O que realmente me encheria de orgulho seria ver o País revestir-se de uma educação esportiva à Grécia Clássica, com um retorno bem maior para os nossos jovens do que uma mera soma (magra) de medalhas... Tudo bem que é sempre bonito ver um brasileiro (aquele que “não desiste nunca”...) superar "fome" e "falta de apoio" para ganhar um suado bronze, mas as Olimpíadas, neste país maior de contrastes (estou falando da China...), ainda resultam, para mim, num morno caldeirão de vitrine para os peixes grandes – como o caso da própria anfitriã, que, por sua vez, ainda tem bem menos motivos para se orgulhar...

Entretanto, apesar de ter jurado afastar-me da Seleção de Futebol desde as meias de Roberto Carlos na última Copa, ainda acompanho os jogos anões desta turma de patos – o magérrimo resultado contra a Bélgica acena para mais uma vez sem o tão sonhado ouro... Ou para um ouro parecido com aquela Copa de 2002: ninguém esperava... Por isso, sempre que desestimulado com este escrete, socorro-me no meu sábio Livro de Ouro do Futebol, onde me arrefeço com os grandes resultados dos tempos de nosso áureo esporte bretão...



Mas o apreço por este Livro de Ouro... é exceção para mim, devido ao grande porte de informações (tem até as regras do Esporte) – normalmente, não gosto de almanaques: são como “índices gerais” para alguns assuntos (ou, pior ainda, para todos os assuntos!), sem esquecer que costumam não apresentar a menor literatura... Mas eis que me caíram nas mãos, por ocasião de meu aniversário em maio, dois títulos que, se não mudam muito minha visão e meus preconceitos, pelo menos apresentam alguns diferenciais interessantes! Graças a duas pessoas bem caras, fui presenteado com o Almanaque do Samba e o Almanaque dos Anos 80: se este, apesar de uma deliciosa volta no tempo para os nostálgicos nascidos na “última década da inocência”, não é exceção à regra da superficialidade dos almanaques (inclusive com notas metidas a engraçadinhas, algumas até com deslizes de informação), aquele traz alguma novidade para o esvaziado mercado sobre o nosso ritmo maior...

Embora, como todo almanaque que se preze, seja mais um livro para iniciantes do que para iniciados, o historiador André Diniz (autor também do "Almanaque do Choro", 2003) consegue satisfazer mesmo os mais exigentes com um bom leque de informações! Entre um bom texto e notas de curiosidades em ‘boxes’ (capítulos iniciais com um histórico do nascimento da música urbana brasileira no século 19; as formações dos morros cariocas, em contraponto a momentos políticos célebres; biografias resumidas, indo de Noel a Chico Buarque – embora sendo algumas repetidas entre os perfis; as modernas fusões do gênero etc.), ainda há, no final do livro, uma discografia com uma boa lista de referências para os que desejarem mais profundidade (com nomes como os de Sérgio Cabral e Hermínio Bello de Carvalho), sem esquecer um interessante roteiro das melhores casas onde ouvir samba no País (no que incluíram até minha comumente esquecida São Luís!).

Já o divertidíssimo Almanaque dos Anos 80 (a cujo lançamento seguiram um jogo e dois CDs) mantém-se na esteira dos “almanaques temáticos” da Ediouro (que já lançou, no mesmo formato, até o “Almanaque do Fusca”!): através de 8 capítulos, que vão das lembranças da Televisão e do Cinema até os Jogos e as Guloseimas que marcaram minha geração, e de muitas fotos (com qualidades, cores e fontes diversas – vale até o carimbo da cortesia na cara do artista retratado na capa da revista escaneada...), o livro traz uma verdadeira viagem no tempo! Se peca em alguns aspectos, remoça qualquer um que já passou dos 30 entre lembranças de coisas como as figurinhas da Seleção Canarinho de 82 da Ping Pong, ‘transfers’ do Ploc Monster, os cartuchos do Odissey e do Atari (quase uma dualidade Vasco X Flamengo entre seus admiradores!), as coleções do Playmobil e da Moranguinho, as delícias do Minichicletes Adams (alguém aí sabe quantos chicletinhos vinham naquele saco rosa e vermelho com uma carinha? Leia o livro!)...

Só sei que entre o saudosismo daqueles bons tempos e a boa e velha Voz do Morro, prefiro o almanaque do maior poeta de nossa Música, quando Chico Buarque, na narrativa e inteligente canção Almanaque, fala sobre um curioso que pede para que se busque num almanaque as repostas para a origem e o fim de todas as coisas, num dado momento perguntando: “Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor”... Tudo num amplo espectro que remonta ao infinito – coisa de gênio, especialmente quando fala do verdadeiro amor...

"Quem é que sabe o signo do capeta
E o ascendente de Deus Nosso Senhor
Nosso Senhor

Quem não fez a patente da espoleta
Explodir na gaveta do inventor
Me diz, me diz, me diz por favor

Quem tava no volante do planeta
Que o meu continente capotou

Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba

Vê se tem no almanaque, essa menina,
Como é que termina um grande amor
Me diz, me diz... Um grande amor

Se adianta tomar uma aspirina
Ou se bate na quina aquela dor
Me diz, me diz
Me diz... Aquela dor

Se é chover o ano inteiro chuva fina
Ou se é como cair do elevador

Me responde por favor
Pra que que tudo começou
Quando tudo acaba".


(Trecho de Almanaque, do disco Almanaque, de Chico Buarque de Hollanda, 1982)
 

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