segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Segue a Semana Antigas Ternuras – Anos 80: mais nostalgia, impossível... E hoje, com o primeiro "super-herói vascaíno" da infância de toda aquela geração – e um de meus primeiros desenhos no caderninho da escola...




E não é que foi cancelada outra coisa bacana da TV, o desenho do He-Man, que passava naquele programa infantil, o Balão Mágico... É, eu sei que não é bem assim: Balão Mágico era um programa infantil/grupo musical orquestrado pela Globo (composto por Mike – filho do Ronald Biggs, ladrão do trem pagador inglês –, Tobby, Simony e, posteriormente, Jairzinho, acrescidos do genial Pessini como Fofão e do Castrinho) e que foi cancelado em 1986, mas deixou saudades, não só pelo talento do grupo, que virou “fenômeno nacional” (ao contrário da forçação da Xuxa, sua substituta anos depois, que só sobrevive até hoje por força do poder global), como também por ótimos desenhos animados que marcaram toda aquela geração anos 80, como Smurfs, Caverna do Dragão e He-Man – este, de volta em duas novas séries: uma, que nada tinha a ver com o original, nos anos 90, e outra em 2004, que trouxe para as novas gerações uma nova leva de bonecos e uma atualização para os tempos pós-trilogia O Senhor dos Anéis.

Mas o cancelamento a que me referia no início desta croniqueta foi o do antigo seriado, produzido entre 1983 e 1985 pela Filmation (a mesma produtora de “clássicos” como Super-Amigos e Tarzan – este último bem parecido com os “modelos” de He-Man) e que a Record, no lastro de saudosismo e/ou da falta de criatividade na TV brasileira que comentei aqui no último ‘post’, “ressuscitou” por um tempo em sua programação atual (primeiramente aos domingos, depois, semanalmente)! Nem preciso dizer o quanto de emoção um “velhote” de 30 anos como eu, que até hoje tem guardado os bonecos He-Man e Esqueleto em sua coleção, sente ao rever nos dias atuais um produto genuíno dos anos 80...

Popularmente intitulado He-Man e Os Defensores do Universo no Brasil (He-Man e Os Mestres do Universo no original – quem eram os tais “mestres”? Todos os que “guerreavam” em Etérnia, tanto os do “Bem”, como os do “Mal”), o desenho, mesmo com sérias restrições orçamentárias (foi o primeiro “desenho independente” da TV) e com fortes limitações de movimentos (um recurso interessante para driblar o problema foi o aproveitamento de cenas para variados personagens, baseados, por sua vez, em movimentos de atores reais, como a corridinha de He-Man ou o seu famoso pulo “de costas para a câmera”, aproveitados até por Teela), virou febre mundial. Basicamente, a reinvenção do gênero “guerreiro/feiticeiro” (então revigorado pelo sucesso de Conan nos cinemas), a ótima trilha sonora e uma boa dose de criatividade, ávida por driblar a censura a qualquer tipo de violência nos desenhos (tanto que até um psiquiatra tinha contrato fixo para escrever as “lições de moral” de cada episódio!), traçaram o sucesso dos personagens criados para vender os bonecos da linha homônima da Mattel (no Brasil, distribuídos pela então absoluta Estrela).

Nunca fui fã de nenhuma outra versão dos guerreiros de Etérnia (especialmente da sofrível “adaptação” para o Cinema, com... Dolph Lundgreen!), apesar de reconhecer o mérito da versão animada de 2000 (exibida recentemente pela Globo): só consigo acompanhar com o mesmo entusiasmo de outrora as antigas estórias desenvolvidas nas duas temporadas em que o programa foi ao ar nos anos 80... Tanto que cheguei a comprar recentemente os ‘boxes’ com a primeira temporada completa (com direito à dublagem original, mais os episódios da basbaquice She-Ra, em embalagem especial em forma de lata, com ‘cards’ e camiseta tamanho G) e, vez por outra, assisto a um episódio, mesmo reconhecendo certo “envelhecimento” na idéia toda (algumas estorinhas soam hoje muito ingênuas, tendo servido apenas para divulgar algum acessório de brinquedo novo da época)... Tal como um amigo meu mais velho revê National Kid em seus DVDs...

Mas fã é assim mesmo: veste a camisa do herói de infância (e, literalmente, a roupa do personagem, quando eu tinha 7 anos...) e sabe de cor um monte de coisas a respeito! Sem esquecer as dúvidas eternas, que até hoje me atordoam: se He-Man é o “homem mais poderoso do Universo”, por que ele gemia mais que o Gustavo Küerten para levantar um tronco de árvore? Quais são os “segredos de Grayskull” que tanto seduzem o Esqueleto – seria a resposta à questão de como a Feiticeira, sendo mãe verdadeira de Teela, tem os mesmos rosto e corpo (e que corpo!) jovens da filha (o que justificaria o senhor da Montanha da Serpente desejar melhorar a aparência)? Como é que ninguém enxerga que o príncipe Adam e He-Man são a mesma pessoa, só que mais bronzeada – seria a tal “magia de Grayskull”? E Esqueleto, que tudo vê naquela bola de cristal, por que nunca presenciou Adam se transformando em He-Man? É... Acho que respostas a estes e a outros questionamentos nem o próximo filme baseado no “Universo MU” (ou “MOTU”), programado para estrear em 2009, terá...

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