segunda-feira, 24 de novembro de 2008

NEGRO!



Semana passada, comemorou-se o Dia da Consciência Negra, especialmente no Rio, onde a data é feriado (não sei por que não o é aqui no Maranhão, terra de quilombolas e de povo e de costumes fortemente marcados pela origem negra). Quase junto com o aniversário de um rato famoso, símbolo de uma cultura “imperialista” e dominante, tal como o purgante da Coca-Cola e o isopor com molho e picles do MacDonald’s: Mickey Mouse fez 80 anos! Mas, diferentemente dos ícones citados, Mickey sempre foi um cara bacana, com valor... Meio irritante, certas horas, com seu bom-mocismo e sua vozinha efeminada... Mas, às vezes chego a me perguntar: Mickey é negro?

Disney, sem dúvida, foi um inovador artístico (desenvolveu longas de animação quando ninguém acreditava nisso) e um empreendedor branco... Mas meio rato: colaborou com o FBI, preparando relatórios que denunciavam “atividades subversivas” no meio artístico, sendo o queridinho da "Comissão das Atividades Antiamericanas", onde adorava prestar depoimentos a fim de “combater o comunismo”; bancou o vizinho branco bonzinho durante a política norte-americana da Segunda Guerra e criou Zé Carioca com a “alma do Brasil” – vagabundo, trambiqueiro, comedor de feijoada e bebedor de cachaça! E não criou muita coisa (seu rato mais famoso foi criado pelo seu parceiro, Ub Iwerks), gostava mesmo de criar por cima de personagens existentes ou criados por outros, ganhando rios de dinheiro...

Mickey proporcionou a Disney momentos memoráveis na história do Cinema: afinal, foi precursor como desenho sonorizado (Steamboat Willie), deu cara a um dos melhores momentos da Animação (Fantasia) e virou a cara do seu império – bastando as orelhas pretas para uma rápida identificação! Em Steamboat..., fica clara a “origem” de Mickey, já mostrando que tinha ‘swing’: cantava, assobiava (tudo sincronizadinho), era "escravizado" por um "pré"-Bafo de Onça e ainda flertava com a Minnie (já essa "octagenária" nunca valeu nada: fútil e sempre dando bola para os outros, com aquela “microssaia”...)! Tudo em bom preto-e-branco, com o rato preto, mas de cara branca, assim seguindo, de lá até aqui, por estes 80 anos, como um Michael Jackson feliz entre as crianças num parque temático mundial e cheio de traquitanas comercializáveis! Negro da alma branca, coloridinho e perfeito como a “América” deles gosta de ser...


Despirocando no Velho Continente...


Como dividir alguém que se ama com outra pessoa? Como dizer para alguém que se amou por uma vida inteira que surgiu uma grande paixão por outrem? Como passar por cima de princípios e trair o cônjuge? É certo (ou necessário) trair? E como tornar o que parecia um drama anunciado em comédia? Essas e outras perguntas são respondidas (ou não...) pelo Mestre Woody Allen no seu mais recente trabalho: Vicky Cristina Barcelona (assim mesmo, sem vírgulas) conta a estória de Vicky e Cristina (a desconhecida, porém precisa Rebeca Hall, e a nova "musa" de Allen, Scarlett Johansson, do divertido Scoop - O Grande Furo, respectivamente), duas amigas totalmente diferentes entre si no critério "amor", em férias em Barcelona que, depois de conhecerem um galanteador pintor espanhol (Javier Bardem, perfeito mais uma vez), têm as suas vidas completamente viradas de pernas para o ar...

Pode ser que o querido blogueiro de plantão esteja entortando a boca para a esquerda, como que a suspirar "Não gosto desse Woody Allen"... Mas garanto que mesmo aqueles que nunca apreciaram o humor sofisticado ou o drama "bergmaniano" do diretor/roteirista novaiorquino vão se deliciar com este filme: prova disso é a recordista renda de sua estréia, superior a R$ 1 milhão (96.000 pessoas nos cinemas, só superado por 007 - Quantum of Solace, filme há mais tempo em cartaz). Antes, a melhor marca do cineasta no Brasil pertencia a Todos Dizem Eu Te Amo (86.178 espectadores), deliciosa comédia musical de 1997 – mas nem nessa época vi tanta gente numa última sessão como presenciei naquela em que compareci! Seriam as prometidas "cenas polêmicas"? Não, senão a decepção seria grande...

Ponto para Allen, que cada vez melhor sabe se comunicar com quem não é seu público: todo ambientado em Barcelona e arredores (seu quarto filme rodado inteiramente na Europa), parece que o filme foi afetado pelo gostoso clima mediterrâneo e pelo frescor do humor com situações sérias e da comédia ligeira com as tragédias do amor dignas de um Almodóvar! Não foi à toa que Allen "pegou emprestada" a queridinha do diretor espanhol, a sempre interessante Penélope Cruz, para o contraponto cômico do "despirocado" triângulo (ou seria quadrilátero?) amoroso do filme! Hilário desde a proposta indecente do sedutor Juan (Bardém) e os acessos de cólera ciumenta de María Elena (Penélope) até os irônicos dramas vividos pelas personagens (com destaque para as femininas, alvo maior das considerações acerca de fidelidade), especialmente o início e o final da dupla de protagonistas do título (não poupadas pelo narrador do filme: apesar de cansativo no começo, em 'off' mostra como as duas, afinal, "evoluíram" para a mesma coisa que sempre foram...), Vicky... é a prova de que o velho Allen (que fará 78 anos no próximo dia 05) ainda tem muito fôlego e talento para contar grandes estórias – apesar de algumas obviedades (como os contrastes entre a cultura européia e a americana, a suposta latinidade espanhola e a "Barcelona para turistas" mostrados na tela), dá a sensação de mais uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro em 2009!

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