segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Era Uma Vez no Oeste...
...E no Oscar Também...


"Sem espaço para os velhos"...


Afastado das locadoras – e também dos cinemas, mas isso é estória para o próximo ‘post’... – já há um bom tempo, a fim de “pôr em dia” os tais 101 filmes da minha coleção, finalmente aluguei uma sacola de vídeos que, se não foi uniforme, porque tive de agüentar Nicholas Cage em dose dupla (por falta de opção dos tais “brindes de catálogo”, acompanhei o apenas “honroso” Torres Gêmeas e sacrifiquei-me a duras penas com o horroroso O Sacrifício!), pelo menos “encerrei” minha “lista dos indicados” ao Oscar de melhor filme deste ano!

Não que o Oscar seja parâmetro para qualidade, uma vez que muitos filmes venceram mais pelo alarde das bilheterias ou pelos ‘lobbies’ feitos... Mas, além de sempre atiçarem minha curiosidade o fato de determinados filmes terem chegado aos "5 principais", geralmente com trabalhos de atores ou diretores de que gosto, algo na Academia tem mudado nos últimos anos... E para melhor!

Lembremos do inefável ano de “Tchaitchênique”, há exatos 10 anos: se aquela bomba aquática foi laureada com 11 Oscars, pelo menos o excelente filme inglês The Full Monty – Ou Tudo ou Nada, concorrente no mesmo ano de Titanic, já acenava para uma melhoria futura nos candidatos ao careca dourado... Tanto que, ao longo desses últimos 10 anos, vários foram os filmes de qualidade, fora do circuito dos EUA e do eixo das superproduções, que apareceram na vitrine principal dos indicados a melhor filme (O Tigre e O Dragão, de Hong Kong, O Pianista, co-produção França/Alemanha/UK, Encontros e Desencontros, inteligente co-produção Japão/EUA, produção independente tanto quanto as ótimas comédias dramáticas Sideways – Entre umas e outras e Pequena Miss Sunshine e o excelente ‘thriller’ político Boa noite e boa sorte).

E, enquanto aguardamos se os indicados para a premiação do ano de 2009 (é sempre assim: todos os concorrentes têm de ser exibidos nos EUA antes do fim do ano anterior) continuarão esta gradual “abertura” para as realmente boas produções independentes/estrangeiras, faço aqui uma breve, apesar de tardia, análise sobre os ótimos indicados deste ano que, à exceção da superprodução floreada de época, porém competente, Desejo e Reparação, abriram um precedente não só em termos de qualidade como no critério “preço”: todos os quatro foram produções menores, de selos independentes!

A começar pela surpresa do ano passado, Conduta de Risco: não que ainda seja surpresa a qualidade cada vez maior do trabalho de George Clooney, tanto como ator quanto como diretor engajado (em trabalhos como o já citado Boa Noite... ou o seu Oscar pela atuação no intrincado Syriana), mas, em Conduta..., o preciosismo de sua interpretação (mais uma vez também concorrente a uma estatueta, longe do careteiro que era no passado), juntamente com o ótimo elenco (Tom Wilkinson, o Carmine Falcone de Batman Begins, aqui também concorrente à estatueta, na categoria de coadjuvante) e ao bom roteiro (que, mesmo com a atenção maior voltada para os diálogos longos, não perdeu a mão no desenrolar da estória de um advogado que revê seus conceitos diante de um sistema corrupto), fizeram deste filme um sucesso de público e crítica.

O amadurecido, mas sempre “estranho” e polêmico, Paul Thomas Anderson encanta tanto pela grandiosidade (premiado merecidamente com o Oscar de Fotografia) de Sangue Negro (que bem poderia ter-se chamado "Deus e O Diabo na Terra do Tio Sam"!), como pela eternização do empresário de petróleo Daniel Plainview, bela criação de tipo de Daniel Day Lewis (Globo de Ouro e Oscar de melhor ator). Já a discreta e interessante comédia Juno (Canadá/EUA) arrebatou o Oscar de melhor Roteiro Original para a ex-stripper Diablo Cordy, que tão bem soube contar a trajetória de Juno (Ellen Page, perfeita e sarcasticamente encantadora), uma adolescente de 16 anos que, “entediada”, transa com seu amigo de classe e engravida, tomando a decisão de dar seu filho a um “casal perfeito”. Foram os dois últimos de meu "pacote de fim de semana" (salvaram-me da indigestão com o Cage!).

Porém, mesmo com o sucesso dessas produções, ninguém estava preparado para Onde os fracos não têm vez, brilhante trabalho da parceria Irmãos Cohen/Javier Bardém (Direção/Produção/Roteiro Adaptado, e Ator, respectivamente, todos laureados com Oscar)! E por duas razões: primeiro, pelo verdadeiro soco no estômago da seca e (im)precisa estória de um assassino infalível com seus métodos nada ortodoxos numa implacável caçada contra um homem comum, embate "mediado" na trama por um velho e cansado xerife já sem esperanças (Tommy Lee Jones, sutil) –, tudo embalado num legítimo suspense de faroeste moderno! A segunda razão é ele mesmo: Anton Chigurh, o doentio e frio assassino de aluguel de princípios, brilhantemente "vivido" (muito mais que interpretado) por Javier Bardém, que imprimiu mais que um personagem para a Galeria do Cinema – criou, assim como no filme, um mito! Maior que um Liberty Vance ("Quando a lenda for maior que a história... Imprima-se a lenda!") ou um Frank (Fonda) de antigos clássicos como O homem que matou o facinora e Era uma vez no Oeste... Decididamente, os tempos são outros... Especialmente quando a Academia começa a voltar seus olhos para isso... Que venha 2009!


"– Estarei esperando..."

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