terça-feira, 19 de agosto de 2008

"Peguei Um Ita no Norte...
Adeus, Belém do Pará..."


Decerto que a viagem foi cansativa, mas não cheguei ao ponto de pegar aquele navio... Na verdade, o caminho foi inverso: do Meio-Norte de São Luís do Mará fui mais um tantinho para o Norte e conheci Belém – e isso só porque a audiência foi adiada! Aproveitei para ver o peso do tal mercado, conhecer o artesanato dos sachês de 'patchouli', o “cheiro do Pará”, as meias-soquetes das colegiais no Iguatemi, as docas de outrora, a leve arte marajoara, mas, infelizmente, sem beber o tacacá (não deu tempo...)! E muita, muita gente, na rua a se abarrotar por entre as árvores e a chuva do final da tarde...

Eu não parava de cantarolar “Peguei um Ita no norte/ Pra vim ‘pro’ Rio morar/ Adeus meu pai, minha mãe/ Adeus Belém do Pará/ (...)/ Vendi meus troços que eu tinha/ O resto dei pra ‘guardá’/ Talvez, eu volte pro ano/ Talvez eu fique por lá”... Talvez por causa da ‘sodade’ que já apontava do tempo bom da genialidade do recém-finado Caymmi, talvez pela idéia desacorrentada que se me tem apresentado nas formas mais loucas: amigos que largam tudo para filmar, maridos que largam tudo para “atuar”, e por assim vai...

Pois “adeus vivo sempre a dizer, adeus”... Porque tudo numa viagem pode recordar a vida feliz que eu vivi... E ainda assim eu desejar ficar... Que nem o Mestre Caymmi, que não largava sua terra e que sabia de cor do seu samba, dos “dois amor” do pescador, das igrejas e das receitas de vatapá e de acarajé... E era sempre a Bahia! Ô, Bahia... Bahia que não lhe saía do pensamento (embora esta Bahia fosse de um “falso baiano”, Ary Barroso, e não dele)...

Ao Caymmi da epopéia da simplicidade e do cantar simples e “pouco” por sobre o tanto que há por lá, já com sua voz rouca de tanto violar a Saudade da Bahia (e de outras obras-primas como Marancagalha, Marina, Doralice, Rosa Morena, Lá Vem A Baiana...), cheia de religiosidade (2 de Fevereiro, 365 Igrejas) e de grandes histórias (como em História de Pescador e João Valentão)... Pois “quem inventou o amor não fui eu... Nem ninguém"! Adeus, amigo velho: só louco amou como nós amamos... O bem do mar e o bem de nossa terra...


“E assim adormece esse homem, que nunca precisa dormir pra sonhar, porque não há sonho mais lindo do que sua terra”...


É Doce Morrer No Mar
Dorival Caymmi

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi
Foi de tristeza prá mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim

Saveiro partiu de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou

Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá
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1 comentários:

Moacy Cirne on 26 de agosto de 2008 11:57 disse...

DOPI, DORIVAL: GRANDE HOMEM,GRANDE COMPOSITOR. Uma bela homenagem. Em tempo: a foto comentada por você, no Balaio, lembra uma escultura de linhas suavemente delicadas, não? Abraços.

 

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