Tijolo por tijolo num desenho mágico, Chico começou como compositor e cantor (e um ótimo intérprete, diga-se de passagem, ainda que pesem as más línguas: voz precisa e melodiosa, acompanha com afinação as suas notas mais difíceis), lançando o excelente disco Chico Buarque de Hollanda (66), indo na contramão da Bossa Nova e voltando às raízes do samba de Noel e outros bambas. Depois veio o "Chico da Mídia" dos festivais e da TV, o Dramaturgo (com pérolas como A Ópera do Malandro), o Chico Ator (como no bom e excêntrico filme de Cacá Diegues, Quando o carnaval chegar, de 72), o Chico Escritor (com uma esplêndida Literatura, a evoluir da sua Música, como no labiríntico Estorvo) e, na casa dos 60, o Chico Documental, com uma série de DVDs a reunir sua obra de acordo com cada faceta (Cinema, Teatro, Futebol...)... Por todo o talento destes 40 anos de carreira: Chico, Deus lhe pague! Por isso, em continuidade à SEMANA ESPECIAL CHICO BUARQUE, a homenagem vem na forma de versos, que rabisquei em homenagem a uma de suas canções mais perfeitas, Samba e Amor...
Samba e Amor, TV, Poesia e Vazio
Vejo televisão, falo ao telefone
Como pão e faço versos
Até mais tarde
E tenho muito sono o dia todo, o tempo todo
Sem o colo da companheira ou o corpo do violão
Me ressinto no ardor da correria do dia
E da profissão,
E tenho um monte de gente
Para quem prestar satisfação
(Especialmente para mim),
Gente que contorna a minha cama
E que reclama de meu quarto fechado,
Abafado
– Por que é tão difícil adormecer
E acordar e renascer...
E em meio ao certo e ao direito
E à minha preguiça tão covarde
Eu tenho é mais poesia que fazer...
(Dilberto Lima Rosa, 2004 Poemas, 2004)
quarta-feira, 21 de junho de 2006
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