quarta-feira, 21 de junho de 2006

Tijolo por tijolo num desenho mágico, Chico começou como compositor e cantor (e um ótimo intérprete, diga-se de passagem, ainda que pesem as más línguas: voz precisa e melodiosa, acompanha com afinação as suas notas mais difíceis), lançando o excelente disco Chico Buarque de Hollanda (66), indo na contra-mão do samba Bossa Nova e voltando às raízes do samba de Noel e companhia! Depois veio o Chico "garoto-da-mídia", o Chico dramaturgo, com pérolas como A Ópera do Malandro (e até ator, no bom e excêntrico filme de Cacá Diegues Quando o carnaval chegar, de 72), o Chico escritor (com uma Literatura competente e evoluindo a cada livro) e, na casa dos 60, novamete o "garoto-da-mídia", com uma série enorme de DVDs, prova da força de Chico tanto com a geração antiga como com o público mais jovem, através de seus trabalhos mais recentes somados aos clássicos eternos... Por todo o talento destes 40 anos de carreira: Chico, Deus lhe pague...

E hoje, dando continuidade à SEMANA ESPECIAL CHICO BUARQUE, a homenagem vem em dupla face: a primeira, na forma de versos, que rabisquei em homenagem a uma de suas canções mais perfeitas Samba e Amor; a segunda, na forma de depoimento apaixonado de quem trabalhou com o Mestre carioca - Ruy Guerra, diretor no Cinema de duas adaptações da obra de Chico (A Ópera do Malandro e Estorvo).



Samba e Amor, TV, Poesia e Vazio


Vejo televisão, falo ao telefone
Como pão e faço versos
Até mais tarde
E tenho muito sono o dia todo, o tempo todo
Sem o colo da companheira ou o corpo do violão
Me ressinto no ardor da correria do dia
E da profissão,
E tenho um monte de gente
Para quem prestar satisfação
(Especialmente para mim),
Gente que contorna a minha cama
E que reclama de meu quarto fechado,
Abafado
- Por que é tão difícil adormecer
E acordar e renascer...
E em meio ao certo e ao direito
E a minha preguiça tão covarde
Eu tenho é mais poesia que fazer...

(Dilberto Lima Rosa, 2004 Poemas, 2004)



"Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemática, silêncios eloqüentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua - tudo à flor do coração, em carne viva... Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva, Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam! Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."

(Ruy Guerra, cineasta e escritor, outubro de 1998)
 

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