Mês de junho no ar e, depois da Retrospectiva 2 Anos, a cada semana teremos um novo tema cinematográfico em evidência. Nesta "primeira sessão", um olhar sobre o universo da atual animação, mais especificamente uma novidade dos estúdios Disney em sua primeira empreitada em 3D sem a parceira Pixar.
A novidade do estúdio do camundongo não reside no lançamento do seu primeiro longa em 3D (o último a usar a animação tradicional foi o simpático Irmão Urso) nem por se tratar de um novo clássico instantâneo (com obras-primas como Fantasia ou O Rei Leão, há muito deixa a desejar). Não, meus queridos blogueiros de plantão, Chicken Little, lançado em DVD já há alguns meses, tem seus méritos, mas sua inovação consiste mesmo em apresentar um aspecto pouco debatido na Disney: o primeiro personagem gay da animação norte-americana. Apesar de outros personagens terem antes ventilado a temática (como no clássico Bamby ou no fraco O Cão e A Raposa, com alguns bichinhos, digamos, efeminados), normalmente a coisa toda se restringe a uma infantilidade "mais exacerbada" no trato com algum bichinho falante!
Refilmagem de um curta homônimo da própria Disney, de 1943 (melhor e mais sombrio, metáfora sobre os riscos da propaganda de guerra), neste Chicken Little temos uma divertida estorinha com cara de episódio de série animada sobre um galinho adolescente, menor que a maioria de sua idade, que acredita que o céu esteja caindo e, por isso, acaba aprontando inúmeras confusões numa pacata cidadezinha. E, entre os bichinhos impopulares amigos do Galinho, está um porco covarde, gordo, infantilizado e perseguido por seus colegas de escola – até aí, nada além da velha fórmula dos "perdedores do colégio", tão comum no Cinema infantojuvenil ianque. No entanto, Raspa do Tacho (adaptação em Português do nome do porquinho, Runt) coleciona escondido de seus amiguinhos os discos da Barbara Streissand, adora as Spice Girls, canta como uma garotinha quando tocam Lollipop e, na sequência mais importante do filme, toma coragem ao ouvir o grito de guerra de sua música favorita, I Will Survive, espécie de hino consagrado das drag queens.
É, o mundo está realmente mudando – e até o mais conservador estúdio do mundo começa a se abrir para as diversidades do mundo atual e apresenta às crianças um personagem infantil diferenciado, comumente marcado por preconceitos. E, mesmo que na maioria das vezes somente os pais entenderão as referências, Chicken Little inova para além das belas novas técnicas digitais: afora a temática homossexual, explora outros motes bastante atuais, como a necessidade do diálogo entre pais e filhos e a diversidade racial: na cidadezinha cosmopolita com cara de cartoon, vemos todos os tipos de animais: de mamíferos como bois e ovelhas, até um peixe, que anda em receptáculos cheios de água (o personagem mais engraçado do filme). Algo com que talvez o velho e reaça Walt nunca tivesse sonhado, em 1937, quando do lançamento de Branca de Neve e Os Sete Anões... Será que não, mesmo?!










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