
Realmente, não é tarefa fácil para ninguém, que dirá para um fã ardoroso de sua obra completa como este pobre escritor que vos fala... Por isso, tentando reduzir o "multiverso" deste tão fantástico compositor, minimizemos o dilema com a reunião de muitos destes clássicos na também já clássica compilação Chico Buarque, 50 Anos – em que, se não foi possível juntar todos os maiores e mais populares títulos de sua extensa produção, pelo menos o hercúleo trabalho do crítico Tárik de Sousa na escolha do repertório foi, dentre todas as coletâneas, a que mais se aproximou da perfeição!
Infelizmente, tal perfeição não acompanhou o box: a coleção de 5 CDs não traz qualquer material extra, como encartes com fotos ou letras das músicas. No entanto, Chico Buarque, 50 Anos, além de genialidades como Samba e Amor, Construção, Cotidiano, Você vai me seguir, Bye, Bye, Brasil, Geni e o Zepelim e Até o fim, traz suas gravações originais (14 por CD, desde 1966 até 1994, ano de lançamento da compilação, com inúmeros relançamentos) de acordo com as várias facetas do eclético compositor: assim, temos o disco O Amante, área em que foi inconteste; O Trovador, tal como nos tempos áureos do Pré-Romantismo; O Cronista, marca maior de sua obra, cheia de atos e personagens; O Malandro, estilo que carreia do Velho Samba carioca e coroado com a trilha de Vai Trabalhar, Vagabundo, filme de Hugo Carvana; e O Político, veia onipresente, especialmente ao longo dos negros anos da Ditadura...
Apesar de então já conhecer alguns clássicos como A Banda, Meu Caro Amigo e O Meu Guri, "descobri" Chico Buarque por volta dos 14 para 15 anos, conhecendo mais a fundo o Mestre maior da nossa MPB ao garimpar LPs cheios de encartes com informações sobre sua vida e obra (viu como tais extras fazem falta, gravadoras?), pelas casas de amigos e parentes. Nem preciso dizer o quanto ouvir esta coletânea, recebida de aniversário, mês passado, de minha querida Jandira, é uma grata e rica viagem... Porém, deixo aqui uma ressalva: para quem começou ouvindo Chico em LP, é curioso como o universo orquestralmente grandioso das suas gravações (especialmente as dos anos 70, de discos fantásticos como o famoso "disco da samambaia", com Feijoada Completa) parece tão reduzido e esterilizado na tão alardeadamente superior qualidade de um compact disc... Não concordam?









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