quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

É, meus queridos blogueiros de plantão: o "Primeiro-Ministro" caiu! E só falta o bigodudo, com a sua corja, cair também no ano que vem aqui no Maranhão (com sua amada filhinha, que quer voltar a qualquer preço ao poder maranhense, a fim de retirar o atual desafeto, o Governador José Reinaldo Tavares, que está, por sua vez, fazendo de tudo para limpar a bagunça feita por Roseana em seus oito anos de desmando...)!

Como prometido, segue a entrevista dada pelo senador José Sarney à revista Carta Capital: notem a cara de pau em inúmeros aspectos que evidenciam que o bigodudo não tem mesmo mais a noção da enorme diferença entre a coisa pública e a privada... Leiam tudo e se divirtam!


"NÃO TENHO CULPA"
O senador José Sarney fala do mausoléu, da oposição, de oligarquias e dos índices de desenvolvimento do Maranhão
Por Sergio Lirio

Na manhã da quarta-feira 16, o senador José Sarney recebeu CartaCapital no gabinete de Brasília. A Assembléia Legislativa do Maranhão ainda não havia aprovado o projeto que prevê a devolução do prédio histórico que abriga a fundação do ex-presidente da República ao Estado. Sarney classificou a iniciativa de "briga política", defendeu a construção de seu mausoléu no convento que um dia abrigou padre Antonio Vieira e disse que os indicadores sociais que colocam o Maranhão na rabeira das estatísticas nacionais estão distorcidos. E desabafou: "Não tenho culpa de ser ex-presidente".

CartaCapital: O Ministério Público Federal e a Assembléia Legislativa do Maranhão questionam a doação do Convento das Mercês à Fundação José Sarney. Como o senhor encara esse questionamento?
José Sarney: Não há doação. O que há é uma fundação, feita a exemplo do que se faz nos EUA com todos os presidentes da República. No Brasil, temos a Fundação Tancredo Neves, temos a do Fernando Henrique, criada em forma de instituto, temos a do Juscelino Kubitschek, em Brasília. Entrei como doador de todo o meu acervo, cerca de 400 mil documentos. Estão lá todas as minhas obras de arte, a minha biblioteca de 40 mil volumes. Sou um colecionador, bibliófilo também, tenho cerca de 2 mil livros, primeiras edições, edições raras, manuscritos raríssimos como Espumas Flutuantes, de Castro Alves. O Estado entrou com o local, que estava abandonado. O convento é um dos museus mais visitados do Brasil. Mais de 100 mil turistas estiveram lá neste ano.

CC: A oposição diz que a Fundação não cumpre suas finalidades e que o espaço é usado de forma personalista. Aluga-se para festas de casamento e usa-se como estacionamento, por exemplo.
JS: É mentira. Em dez anos, fizemos uns três casamentos e nem sei quem são as pessoas. Isso é comum em palácios da Europa. A Fundação vive de receitas de aluguel e de doações. Nunca ninguém acusou de se fazer política no convento, de se usar o espaço para assuntos pessoais.

CC: E como o senhor explica essa investida?
JS: É uma guerra política sem nenhum apoio público. O governador, por vendeta, quer... Na verdade eles não podem tirar o convento. Só se a Fundação não cumprir seus objetivos. O acervo que tem lá vale muito mais que o prédio.

CC: Mas não é uma atitude personalista querer ser enterrado em um prédio histórico?
JS: Todos os museus presidenciais dos Estados Unidos têm local para mausoléus. Posso ser enterrado lá, posso não ser, não é essencial. Seria um atrativo turístico. No futuro, até ponto de peregrinação. Tenho culpa de ter sido presidente da República? Tenho culpa de ser membro da Academia Brasileira de Letras? Tenho culpa de ter escrito mais de 60 livros e de ter livros traduzidos em 12 idiomas? Não tenho culpa. É a minha vida. Nasci no Maranhão. É um patrimônio do estado, não meu.

CC: Há uma frente de oposição formada por alguns ex-aliados...
JS: Todos são ex-aliados. O governador, aliás, é membro do conselho da Fundação.

CC: O fato de a vida política do Maranhão organizar-se em torno da figura do senhor não demonstra a existência de uma oligarquia?
JS: Nunca exercemos o poder de maneira pessoal. Somos gente simples. Tenho 14 irmãos; tinha, porque hoje são 11. Vivemos lá, casamos no Maranhão, os meus filhos estão lá, os filhos deles estão lá. Gente de classe média. A única participação em empresas é relativa à atividade política: jornal, rádio e televisão.

CC: Mas isso não faz a diferença?
JS: Isso não é ter grupo econômico. Temos uma pequena televisão, uma das menores, talvez, da Rede Globo. E por motivos políticos. Se não fôssemos políticos, não teríamos necessidade de ter meios de comunicação.

CC: O Maranhão ostenta os piores indicadores sociais do País. O senhor sente-se responsável?
JS: É outra mentira. O IBGE tem 2 mil índices. Em alguns o Maranhão é ruim, em outros é bom. Por exemplo, é o segundo estado menos violento do Brasil. Temos o segundo maior porto, que movimenta 100 milhões de toneladas. Quando assumi não havia nenhum quilômetro de estrada. Hoje temos a melhor infra-estrutura do Nordeste. Dizem que temos o pior IDH do País. Não é verdade, os dados estão errados.

CC: Errados como?
JS: O IDH é feito para sociedades industriais, urbanizadas. No Maranhão, 50% da população vive na zona rural. Isso distorce as estatísticas.

CC: E o fato de ter a menor média de escolaridade?
JS: No governo da Roseana Sarney foi o período de maior avanço na educação.

CC: O atual governo diz que ela não construiu nenhuma escola.
JS: Não é verdade. Ela recuperou a rede escolar e investiu pesado em um projeto de ensino a distância (um contrato de R$ 100 milhões com a Fundação Roberto Marinho). Foram 150 mil alunos atendidos por meio de tecnologia avançada. Em vez de construir prédios, ela preferiu apostar na tecnologia.

CC: Segundo o IBGE, das cem cidades com menor renda per capita, 83 ficam no Maranhão.
JS: É uma distorção que não foi criada por nós. Criaram 87 municípios que não tinham condições de virar cidade. Repito que 50% da população vive na zona rural. E isso é muito bom. O Maranhão é o segundo estado menos violento, atrás apenas de Santa Catarina.

CC: O discurso de posse do senhor, em 1966, é moderno. Promete uma ruptura com a oligarquia, mas...
JS: E aconteceu. No Maranhão, hoje, todo mundo tem oportunidade. Basta dizer que nunca persegui nem cassei ninguém. Tive todos os poderes, era governador no tempo da Revolução. Nossa presença no estado sempre foi em benefício de consolidar os ideais democráticos, de aprofundar a democracia, de lutar para que houvesse progresso. Basta dizer que meus adversários são meus antigos amigos. Todos estiveram comigo em algum momento. Nenhum deles deixou de estar do meu lado ao longo da vida. Agora, não posso me dar um tiro, me matar, só porque alguns não se sentem confortáveis com a minha presença no Maranhão. A verdade é que o carinho do povo é muito grande.

CC: O senhor fez a Lei de Terras, que distribuiu enormes extensões de terra a grandes empresas.
JS: A lei no meu tempo não permitia dar além de 3 mil hectares, de acordo com a Constituição. Sou contra muitos dos procedimentos que foram feitos em governos posteriores em relação à posse de terra no Maranhão.

CC: O senhor tem uma enorme capacidade de estar ao lado de forças díspares. Em 1965, foi apoiado pelas esquerdas e contou com a simpatia dos militares.
JS: Tive muitas restrições dos militares por ter uma ligação forte com a esquerda. Recebi várias vezes o Juscelino (Kubitschek). Sempre procurei unir todo mundo no Maranhão, governar para todos. Não tenho inimigos. Não há ninguém que diga que sou um homem violento. Por que o povo nos apoiaria por tanto tempo se usássemos de violência? Não usamos força, não usamos nada.

CC: Há vários prédios públicos batizados com o nome do senhor ou de membros da sua família. O Tribunal de Contas do Estado chama-se Governadora Roseana Sarney Murad. Não é outra prova do seu poder oligárquico?
JS: Mas o que significa para quem está há 40 anos na política botar o nome em um prediozinho de dois andares? Pode ser errado ou certo, mas não é uma tragédia.

CC: Vários parentes do senhor ocupam postos importantes na administração pública do Maranhão.
JS: Somos uma família que está no Maranhão há muitos e muitos anos, vamos dizer, há três séculos. Não posso evitar que uma cunhada minha, há 30 anos na magistratura, vire desembargadora. O que tenho a ver com isso? Nada. É a carreira dela. Mas não conheço outros parentes meus em cargos importantes.

CC: Um primo do senhor é vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado.
JS: É um primo distante. Não é meu irmão, não é meu sobrinho, nem uma pessoa próxima.

(Carta Capital, Edição n. 369, de 23 de novembro de 2005)

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