quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Fim de Férias de Cinema Mediano...

E, depois de um extenuante ano, os Morcegos, finalmente, tiveram merecidas férias de um mês inteiro, juntamente a este humilde locutor que vos fala! Agora, após semanas de reposição de sono e de organização do tempo com a patroa e as crianças, bem como com alguns consertos e demãos no décimo segundo andar da nossa supertorre de observação da Ilha, eis que voltamos à programação normal de ritmo louco entre escola da criançada e o trabalho nosso de cada dia com algum Cinema na bagagem – infelizmente, em sua maioria, apresentando grau geral de qualidade apenas mediana...
E tome bobagem infantil, atual e “retrô”, ao lado da filha mais velha; animações só razoáveis “para todas as idades”; Fantasia fraca e sem emoção; a velha e escatológica comédia norte-americana de sempre; super-heróis em aventuras requentadas ou herói fraco em superprodução equivocada – tudo como um grande painel de resumo do que se vem produzindo no Cinemão dos últimos anos e, inexplicavelmente, continua sendo feito sobre os mesmos erros, em filmes que, apesar de declarada e anunciadamente ruins ou regulares, eu tinha grande curiosidade para conferir! Porém, para não dizer que foi perda total, um gênero um tanto quanto perdido em mesmices similares se apresentou como a grande surpresa do ano passado e salvou minhas fatigadas retinas: o Terror...
Resultado de imagem para crianças peculiaresMas vamos para o começo, com mais uma decepção com Tim Burton, ex-amado cineasta que, obra após obra (não vi ainda Olhos Grandes, com temática mais “adulta”), só confirma que não tem mais nada a contar na tela a não ser exibir-se com belos visuais: depois do pavoroso Sombras da Noite – e pavoroso no sentido de muito ruim... –, o regular O Lar das Crianças Peculiares (**½), mesmo com tudo para ser uma pequena obra-prima sobre o universo freak de jovens assustadoramente diferentes, apenas se enche de mais do mesmo em situações mirabolantes para adaptar um fraquinho conto literário que nada traz de novo sobre crianças e adolescentes com poderes similares aos famosos mutantes das HQs, só que presos numa dobra temporal e fugindo de monstros capitaneados por Samuel L. Jackson (outro que precisa urgentemente se renovar...)!
Trocando de canal, assisti também a dois heróis que ainda não tiveram a sua melhor adaptação para o Cinema: se o Deus do Trovão (apesar de, desta vez, bem melhor que o primeiro) ainda busca por um intérprete melhor e um roteiro menos clichê que o mote “raça dada como extinta retorna para destruir o universo” em Thor - Mundo Sombrio (**¹/²), a coisa toda desanda mesmo é com O Cavaleiro Solitário (**), que, embora todas as críticas já houvessem falado mal em 2011, só agora pude constatar o quanto do inteligentemente divertido Cinema de Gore Verbinsky de O Chamado e Piratas do Caribe (somente o primeiro) se acabou, nesta tola e “engraçadinha” versão de um clássico personagem dos seriados de rádio e TV – curiosamente, com os mesmos problemas de que padecia recente adaptação de outro personagem das antigas, Besouro Verde (*): direção anabolizada com roteiro ruim sobre herói fraco com parceiro bonzão e engraçadinho...
Outro pessoal que parece não aprender a lição diante de tanta supreprodução ruim é o da Animação, gênero que se renovou com o humor inteligente da Pixar entre os anos 90 e 2000, no entanto há tempos vai mal das pernas... Vide o estúdio Iluminnation, que, até Meu Malvado Favorito 2, parecia bem saber reciclar, em historinhas divertidas e campeãs de bilheteria, piadas e personagens bem bacanas (como o Gru, chupado do Dr. Evil de Austin Powers, e os Minions, mistura infantilizada dos woompa-loompas da Fantástica Fábrica de Chocolate com os divertidos sádicos Gremlins) mas que, desde a bobagem do filme-solo dos Minions (2015), engata, agora duas vezes por ano, um “filme-animal” mais mediano que o outro – vide o nada original Pets - A Vida Secreta dos Bichos (**), que vi com a filhona em casa, no começo de janeiro, enquanto aguardamos a bicharada de Sing - Quem canta, seus males espanta sair em vídeo... Tudo leva a crer que a salvação desses produtores só virá mesmo com Meu Malvado Favorito 3 – que, a depender do ótimo trailler, será a Comédia deste ano!
Não me deixando mentir e consagrando a má fase atual das animações, os velhos diretores de A Pequena Sereia decepcionam com a aventurazinha insossa Moana - Um Mar de Aventuras (**), cujos únicos pontos altos (empoderamento feminino e protagonista de raça polinésia – no caso, de antiga tribo havaiana) se esvanecem logo no começo da projeção em meio a uma historinha boba de superação e musiquinhas extremamente chatas – e fazendo minha garotinha perguntar a que horas tudo acabaria para que ela fosse ao parque eletrônico do shopping... Nem a superprodução francesa O Pequeno Príncipe (**½) se salvou: mesmo sendo mais uma releitura do clássico conto centenário de Saint-Exupérie do que uma simples adaptação, o filme só assim se assume a partir da sua metade final, não sem antes perder um tempo danado em confundir a plateia de pequenos, ainda não iniciados na complexa obra literária, com inserções picotadas de trechos do livro em meio a uma manjada trama de uma garotinha solitária cuja mãe é viciada em trabalho e que só descobre o valor da amizade com o estranho vizinho velhinho (no caso, o próprio aviador da obra infantil)!
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Dúvida cruel: por que, com a transformação, o He-Man
Fica bronzeado e a She-Ra, não?!
E, como já disse, já que muito das férias foi ao lado da criançada, não havia como escapar de exibições da famigerada Barbie, em dezenas de filminhos lançados diretamente em vídeo para vender coleções de bonecas – como o irritante mais-do-mesmo Moda e Magia (*)! Só que, não me dando por vencido, um belo dia procurei antigos boxes de DVDs no gabinete e lhe mostrei um clássico igualmente lançado para vender brinquedos, mas que contava com muita criatividade da década mais prolixa em magia de verdade... E, desde então, ela vem se amarrando com a primeira temporada completa de He-Man (***) – tanto que, mesmo titubeante, aceitou que eu lhe mostrasse (só os 20 minutos iniciais, que é dose aguentar mais que isso...) sua versão em carne e osso, Mestres do Universo (*), ruinzinha produção Golan-Globus, com o sofrível Dolph Lundgreen, que em nada faz jus ao belo desenho animado do super-herói bronzeado inspirado em Conan e que, mesmo com toda a inocência de grande parte dos roteiros e de certas limitações animadas, elevou a produtora Filmation a patamares cultuados até hoje! Ah, sim: depois dessa “introdução masculina”, não havia como não mostrar-lhe a rebelde “Princesa do Poder”, She-Ra, desde sua estreia pomposa no Cinema (O Segredo da Espada Mágica ***) até o DVD que tenho dos melhores episódios (***): mesmo com todo o “boicote machista” de nós, os meninos daquela época, acusando-a de mera “imitação de saias” do nosso amado He-Man, o certo é que She-Ra (“Ela-Rá”, inspiração divina do egípcio Rá, já que “She-Woman” ficaria ainda mais ridículo que “Ele-Homem”) pode ser revista como uma atração bem divertida para todas as idades!
Por fim, cansado de baboseiras como o irregular Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (**), com Seth MacFarlane jogando fora excelente oportunidade de fazer um filme bem melhor que o fraquinho Ted e desperdiçando seu elenco estelar e alguns poucos bons momentos entre os costumeiros excessos de escatologias e outros clichês, resolvi largar a TV por assinatura e me lancei a baixar filmes via Torrent  e foi quando eu me salvei! Ironicamente, entretanto, a salvação veio pelo "mal"... Sim, o gênero Terror finalmente trouxe um sopro de criatividade para as superproduções norte-americanas  e para as minhas tão medianas férias cinematográficas! Dados o excessivo volume de excelentes críticas e a tão elogiada nostalgia oitentista renovada, nada mais certeiro que começar pela badalada primeira temporada (a segunda já está em produção) de Stranger Things (****): enquanto ainda não tenho Netflix, baixei todos os episódios (poucos, 8 no total) e os vi em duas oportunidades em sequência  e, se não é uma obra-prima, uma vez que para os iniciados naquele maravilhoso Cinema dos anos 80 fica fácil prever os acontecimentos da trama, tanto a direção quanto o elenco merecem os parabéns e todos os prêmios que têm recebido (como o Emmy) nessa instigante trama mista de ficção científica e horror passada naquela década maravilhosa de Poltergheist, A Hora da Zona Morta e O Enigma de Outro Mundo (não por acaso, de onde tiraram a maioria das influências) e que conta com uma excelente Wynona Ryder, brilhando de volta à ativa, agora numa série televisiva.
Mas nenhum filme me agradou tanto quanto A Bruxa (*****), o inteligente e assustador trabalho do estreante Roger Eggers que vem surpreendendo os circuitos de arte com a brilhante história de uma família de colonos puritanos nos EUA do século XVII em meio a acontecimentos demoníacos após serem expulsos de seu vilarejo e terem que iniciar uma dura vida isolada no meio de uma floresta. Baseado em relatos históricos e "julgamentos" religiosos da época, a atmosfera lúgubre, valorizada pela excelente fotografia, e o realismo dos acontecimentos macabros assustam bastante, sem as cansativas apelações de praxe dos sustos fáceis e das músicas estourando os tímpanos dos filmes atuais desse gênero  tudo se sucedendo e engolfando os inocentes crentes (na verdade, nem tão inocentes assim...), o que acaba por gerar incertezas até o final, que, apesar de único momento "explícito" do filme, não estraga o conjunto, muito pelo contrário: ajuda a compor o mosaico de dúvidas do espectador e, ao mesmo tempo, dá um belo desfecho à trama. Imperdível, especialmente pelo relevante realismo histórico e pelas inúmeras camadas de leitura sociológica e religiosa!

E eis que pisco os olhos e já ouço que o Oscar se aproxima, com um catatau de filmes sobre os quais não tinha a menor noção nem mesmo da existência, enquanto ainda seguem engatilhados na minha lista de downloads em HD  a ver em breve alguns oscarizáveis do ano passado, como Os Oito Odiados, O Quarto de Jack e A Teoria de Tudo... Cinema, para o bem e para o mal, faz tempo que me é difícil de acompanhar!


 

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