domingo, 1 de janeiro de 2012

2012 chegou
(e o mundo não se acabou)!


Desde que o mundo é mundo que andam dizendo por aí que o mundo vai se acabar! O genial Assis Valente já brincava com isso, lá nos idos iniciais do século XX, graças às previsões catastróficas quando da passagem do cometa Halley, no genial samba E o mundo não se acabou... E não é sempre assim, desde "antes da Bíblia"? Acertou o comercial da Fiat quando disse que "o mundo não mudou muita coisa": as coisas são mesmo efêmeras, num eterno ciclo de recomeço - se a gente não corre atrás, não tem calendário Maia que salve! Prefiro o bom dizer da ótima Tulipa Ruiz em Efêmera: "Martela o tempo preu ficar mais pianinho Com as coisas que eu gosto E que nunca são efêmeras E que estão despetaladas, acabadas Sempre pedem um tipo de recomeço" (dê o 'play' ao lado e ouça essas adoráveis canções)...

E lá vou eu de volta para o meu futuro incerto no presente do meu passado feliz... Com as minhas tantas idas e vindas no tempo, dele finalmente sinto que já sou íntimo, tal como uma bela mulher com a qual tivemos o prazer de dormir um dia - e dela ter ouvido segredos de alcova: não importa quanto tempo passe e o quão distantes tornamo-nos dela, sempre restará a sensação de tê-la desnudado por completo... Mas, então, por que o tempo soa mais como uma ex-esposa vingativa, um inimigo pronto para dar uma rasteira no primeiro passo em falso ou me jogar na cara antigas verdades doídas?

Difícil dizer... O fato é que, mesmo achando o 'reveillón' uma supervalorizada festa esvaziada de maiores sentidos senão o do "recarregar", tal como Hal Jordan fazia com seu anel energético na bateria de Oa, sempre tento fazer as pazes com o tempo nesta época do ano de "virada" - normalmente em vão! Mas, não sei por quê, este "senhor tão bonito quanto a cara do meu filho" me parece menos cruel agora: finalmente a intimidade das tantas viagens no tempo, das subidas e descidas, que vêm me levando por tantos anos me soa como um verdadeiro desnudar daquela amante geralmente fugaz - eis o tempo sorrindo timidamente, só agora liberando aquele olhar de acolhimento da mulher cortejada depois de anos de olhares de doação intensos...

Não sei se é o brincar de Isabela pelo tempo, com o seu rosto crescendo cada dia mais igual ao meu - e, consequentemente, lembrando-me mesmo de mim, a me cobrar os infantis sonhos de conquista adiados - ou a simples desistência do próprio tempo para comigo (mesmo vencendo-o pelo cansaço, acho que é uma vitória...), mas o fato é que, neste nascer de 2012, as dores parecem, enfim, menos pungentes que antes e o corpo, apesar dos quilos a mais de sedentarismo (pura questão de tempo...), mais preparado para resistir aos golpes da "ex" eternamente insatisfeita e convertê-los em "abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim" da eterna amada...

E, além de acreditar estar preparado diante das artimanhas do tinhoso tempo, tudo poderá ser cabalmente resolvido, com o amarrar definitivo da tal bela mulher efêmera no pé da cama, por meio de uma simples equação: amar mais um pouquinho novamente a fim de aprender "alguma coisa nesta parte do caminho"! Pois que meu irmão quer que eu telefone mais, meus pais me querem menos preocupado, Henrique quer de mim um roteiro (que possa trazer-nos a adolescência de volta!), Jandira quer voar de novo (como já voara um dia...) até à minha Fortaleza da Solidão (com direito a algumas escalas em Paris e em Nápoles) e Isabela quer correr mais vezes em direção ao mar: devo tanta coisa a todos... Devo muito mais ainda a mim e ao meu passado...

Por isso é que, em ano de O Hobbit, As Aventuras de Tintim e de O Cavaleiro das Trevas Ressurge (será este o fim de Batman, tal como se deu no arco "A Queda do Morcegos" nas HQs? Veja o 'trailler' recordista de acessos na coluna ao lado e tire suas conclusões sobre o filme mais esperado do ano), todos com um cheirinho daquela velha e boa magia de meus tempos idos (ô, saudade dos criativos anos 80..), tenho que arrumar tempo também para voltar a amar numa tela escura de cinema... Afinal, não posso fugir de minhas raízes definidoras! A propósito: meu PC também espera de mim a resolução de desocupar 'terabytes' de filmes baixados sem ainda ter sido vistos - até ele precisa de um descanso... Ah, quase me esquecendo: entre uma sessão e outra, entre uma crônica e um roteiro no papel e entre uma aprovação e outra, tenho que ouvir mais meus discos, também muito saudosos de mim...

Então, que venha 2012, sem crises mundiais nem mídias sensacionalistas (sonho distante...), uma vez que o mundo não se acabou... O quê? De acordo com os pessimistas "estudiosos", a tal previsão dos Maias não é para o começo, mas, sim, para o fim do ano, em dezembro de 2012? Ainda há riscos de tudo se acabar?! Ok, sem problema: num ano, prometo, darei conta de tudo! E, no "final" (se ele acontecer logo), ainda darei um jeito, como o bom e velho Super-Homem de outrora, de carregar todos os que amo num trem rumo ao Novo Aeon - deslizando, com Deus, entre brumas de mil magatons... Feliz ano cheio a todos!

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13 comentários:

Luci on 2 de janeiro de 2012 10:57 disse...

maravilha de texto, Dil!
devemos muito a todos, mas muito mais a nós, 100dúvida.
as dores são menos pungentes devido ao endurecimento da carcaça, como dizia meu pai!
feliz 2012.
que haja amor e... tempo!
bj

Claudinha ੴ on 2 de janeiro de 2012 21:56 disse...

Ah meu DILeto amigo, não se cobre tanto... O tempo é nosso algoz, mas eu bem sei, pelo pouco que leio aqui, que o valoriza com coisas boas e planta sementes boas na estrada de Jandira e Isabela, bem como nas de seus familiares. As vezes também me questiono sobre não ter muito tempo para meus pais e mesmo pra mim, mas é fase, temos novas metas para cumprir e , devagar, chegamos lá.
Também tenho n filmes para ver, mudança ainda inacabada mesmo depois de 1 ano e meio, caixas a desbravar com calma, minhas lembranças e tesouros mais queridos, desde a infância... Não dá para sermos tudo, mas dá para termos um pouco com qualidade!
E sobre Isabela, Jandira que me perdoe, mas ela é mesmo parecidíssima com você... (Ô pai corujaaaaa!).
Beijos, um excelente 2012!

Camille on 3 de janeiro de 2012 00:13 disse...

teste: acabei de escever um enorme comentario aqui e vi uma mensagem dizendo que nao poderiaser concluido, sumiu...

Camille on 3 de janeiro de 2012 00:15 disse...

Vou tentar reproduzir em parte. Eu dizia, viva sua filha Isabela, a lembrar o rosto da sua propria infancia. E com essa imagem muitas outras mais.
Dizia tb para voce se cobrar menos, que cada um de nós da o que pode, o que tem. E provavelmente estao todos satisfeitos com a sua maneira de ser.
No mais, esqueci, ora...
Feliz 2012 em todos os dias do ano.
Um abração,
Cam ( e o Jens, tem noticias?)

Loba on 3 de janeiro de 2012 17:06 disse...

Um beijo agradecido pela lembrança sempre carinhosa. Ainda não há tempo para voltar. Driblei-o hj para ler e imaginar o rostinho de Isabela, já que desconheço o do pai. Mas sei do amor nesta familia e isso é o bastante pra fazer de 2012 (e qualquer outro ano) dias de felicidade. É o que desejo!
Beijocas

Érica on 3 de janeiro de 2012 18:16 disse...

Entrei ontem pelo celular aqui, comecei a escrever um comment, escrevi, escrevi, escrevi e quando fui enviar... A rede estava fora do ar e eu perdi tudo. Fiquei arrasada, mas vou tentar sintetizar agora. Adoro tuas narrativas dissertativas cheias de intimidade e tão bem cuidadas por você. Espero que 2012 te encha de momentos maravilhosos para que eles te sirvam de inspiração, então continuarei vindo aqui e lendo coisas tão bem escritas e tão cheias de sentimentos. Tenha um novo ano repleto das melhores coisas que a vida possa te ofertar. Beijos

adriana on 6 de janeiro de 2012 03:23 disse...

Ainda bem que o mundo não acabou, só assim posso ler teus posts!

Estou lendo a obra que vc me deu, fiquei muito feliz pelo carinho, meu amigo. Não poderia haver presente melhor, vou guardá-lo pra sempre. E espero ganhar outras obras suas, rsrs...

Feliz 2012, que seja um ano maravilhoso em todos os sentidos. E de muita produção literária e bloguística. Estou tentando pegar gosto novamente e meu blog está "bombando", já faz dois dias que publico diariamente, ahhaha. Passa lá e me diz se gostou.

Beijao!

Duarte on 6 de janeiro de 2012 20:45 disse...

Tinha que acabar? Não me assustes, é que nem dei fé!...
Seria um grande desgosto. Bom, se morremos todos não está mal, continuamos a ver-nos lá: sim, onde quer que seja, mas vendo-nos!
Opto pelas aventuras de Tim, Tim... sempre foi o meu preferido.
Um grande abraço e que isto siga, com um bom 2012

ANTONIO NAHUD JÚNIOR on 6 de janeiro de 2012 20:54 disse...

O mundo está sempre acabando. São muitos muitos que passam e renascem. Creio que vivemos diversos mundos. Talvez o fim radical seja apenas "mais um outro mundo".

Cumprimentos cinéfilos e Feliz 2012!

O Falcão Maltês

Sonia on 7 de janeiro de 2012 22:06 disse...

O mundo não acaba nem hoje, nem amanhã, nem em dezembro.
Nós é que acabamos um pouquinho a cada dia. Mas 2012 chegou, e sempre há esperança enquanto se vive, enquanto se luta.
Que esse ano seja tudo que você deseja.


Um abraço!

Canto da Boca on 8 de janeiro de 2012 19:31 disse...

Dil, chego sem dizer ou trazer nada novo, mas não vou sair muda, e registro aqui o quanto adorei esse poste.
Sabes que gosto imenso da forma como tu tão bem descreves o que enxergas, sente, pensa.
Não me alongarei no comentário, mas saibas que estaremos juntos nessa caminhada blogosférica em 2012, e até quando permita Javé. Eu super-curti o vídeo em que reproduz como seria a mais bela história bíblica, se fosse à luz da tecnologia e dais redes sociais, pertinentíssimo. Isso demonstra bem como estás sempre antenada com o nosso tempo e o que nos cerca.

Abraços carinhosos para a família, mas para a Isabela é beijo estalado na bocheca!

;)

Jandira Rosa disse...

Graças a Deus que o mundo não acabou! Afinal, agora mais do que nunca, a vida faz muito mais sentido vendo o tempo passar com a cara da nossa filha! Que beleza de espetáculo... Que gostoso que é viver!E que texto maravilhoso! Grande beijo, momô!

Henrique Spencer on 14 de janeiro de 2012 00:30 disse...

Acavo de colocar João pra dormir nesse ritual que gosto de repetir quantas vezes forem possíveis, pois sei que quanto antes eu esperar ele já não vai dar mais tanta importância e pior, com um pouco mais de tempo sequer vai querer, mas enquanto vida tiver ao lado dele sempre estarei.
Quanto a esse malvado tempo, que já nos levou 35, estou tentando saber montá-lo, afinal como um cavalo bravo não há como vencê-lo.
Por isso digo meu amigo, foram longos 14 anos que passamos sem trocar sequer uma palavra, e isso só mostra que nunca é tarde para fazer o que se deseja.
Portanto, senta essa bunda na cadeira e vai escrever esse roteiro homem. Temos que fazer nosso filme antes que esse mundo acabe.

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