quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

TRILOGIA DO POEMA

I
Poema Que Se Atrase

Por que este poema
Pequeno, tolo, maldito
E sem futuro
Insiste em me roubar o sono
Em plena madrugada?


Antes fosse poema roubado
Que se fingisse meu
Em qualquer outra hora do dia
Para que assim não perdesse a hora,
Nem o café, nem o trem ou o trabalho.


II
Poema Que Se Ajuste

Que cada poesia em sua errância
Ajustasse sua insignificância
Ao estéril esquema de um horário!


Quisera que ao menos o meu dinheiro
Viesse por vocação e por inteiro
De cada um de meus versos ordinários!


III
Poema Que Se Perca

Onde está o meu poema
Que deixei por aqui agora, há pouco,
Cadê?
Fui só ali, bem rápido, falar com o mundo,
Fazer a vida acontecer...
Cadê
O meu poema, que não participa dos arredores,
Que nem mesmo tem por quê?!
Cadê,
Como pôde ter-me deixado aqui
Assim, largado à vida, sem saber
– Cadê...

(Dilberto L. Rosa, 2004)

|

15 comentários:

Poeta Mauro Rocha on 13 de janeiro de 2012 00:41 disse...

Poema Que Se Atrase, dos três esse é o melhor, pois não dá tempo de fazer nada e tudo tem que está pronto.

Um abraço!

Érica on 13 de janeiro de 2012 10:51 disse...

És mesmo um grande poeta. Uma palavra se encaixa na outra e fica tudo parecendo uma dança. Mais que um grande poeta, és um arquiteto das palavras.

Parabéns, queria ser assim.

Beijos

Игорь on 13 de janeiro de 2012 13:52 disse...

Excelente!

Lembrei-me de quantas inspirações surgiram e desaparecerem assim...

bom final de semana !

Jota Effe Esse on 13 de janeiro de 2012 16:43 disse...

Eu também queria ser assim, Érica, mas o máximo que consigo é ter ideias de jerico, como a que acabo de postar. Vai lá em http://verdeeamarelo.zip.net e verás. Meu abraço para o Dilberto e meu beijo pra você.

layla lauar on 13 de janeiro de 2012 19:28 disse...

poemas lindamente sincronizados... sua criatividade me encanta - amei!

beijos Poeta

Adriana on 13 de janeiro de 2012 21:03 disse...

poemas que emocionem!!! assim são os seus poemas, sempre tão lindos. Vc tem o dom da palavra, amigo, parabéns por se expressar tão bem de forma tão poética.

beijao

Suzane Weck on 14 de janeiro de 2012 14:57 disse...

Ola,no dia 09 de janeiro enviei da praia [Capão da Canoa]onde estou passando uns dias de férias,o CD,para o endereço que enviastes.Espero que chegue logo,qualquer extravio eu fiquei com o recibo do correio.Até então vamos mantendo contato OK?.Grande abraço.E mais uma vez obrigado mesmo pelos comentários gentis e carinhosos.

vieira calado on 15 de janeiro de 2012 01:45 disse...

Minha 1ª visita, creio.

Embora já um pouco tardiamente

desejo-lhe

de Bom Ano de 2012.

Saudações poéticas!

Marcelo on 15 de janeiro de 2012 10:51 disse...

Poema que se atrase, que se ajuste, poema que se perca e se ache na hora certa....chequei aqui na hora certa...tempo me seduz de várias maneiras...grande abraço...Feliz 2000 e Doce!!!!

Filmes Antigos Club on 15 de janeiro de 2012 11:04 disse...

Prezado Dilberto, saudações!

Seu espaço é fantástico e cult! Seguindo com o maior prazer e adicionado no blogrool do meu espaço.Obrigado por ter adicionado o meu aqui. Forte Abraço e parabéns pelo trabalho.

Paulo Néry
Filmes Antigos Club Artigos
http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/

Claudinha ੴ on 15 de janeiro de 2012 11:25 disse...

meu DILeto amigo! Gosto bastante de seus poemas e esta trilogia em especial. Me identifico com poemas que perco por aí, com poemas atrasados e com palavras que me vistam em trajes adequados às situações... Eu tenho um sonho atualmente, que é escrever,ler, ler escrever o dia todo, em local onde a natureza me acolha... Viver de escrever não é isso?Rsrsrs
Eu Estou de volta e, lentamente vou pondo em dia minha leitura!
Bj procê , Jandira e a Linda Isabela!

Jandira disse...

Poemas de 2004? Isso me remete a "2004 poemas"... Tempo bom que não volta mais, mas que a vida sempre dá um jeito de ser relembrado!
Obrigada pelas emoções! Belíssima trilogia, meu Amor, com lindas palavras e versos maravilhosos. E o melhor de tudo: cheio de Dilberto. Adoro!!

Canto da Boca on 17 de janeiro de 2012 15:15 disse...

Ai, Dil, lá venho eu, a voz dissonante, em defesa das vozes do poema, que é tão grande, tão vasto; são tantos nessa tríade exposta, que engessá-lo numa trilogia, doeu em mim, imagino nele próprio!

Eu daqui desconfio que o poema que lhe faz e fez seu porta-voz, e não ao contrário. É o poema que fala, que lhe enreda nas teias das indagações, é o poema que se ressente da rigidez do tempo do relógio, desse tempo linear que aprisiona as pessoas e os sentimentos e até as coisas.

E numa inútil tentativa de nos acordar, agora ele clama e reclama para o coletivo (nós seus assíduos leitores), que não nos ausentemos dele, que não o abandonemos, à mercê da vida, das situações mundanas, porque ele, o poema é a seiva que alimenta a nossa alegria, mesmo que um dia esteja triste, taciturno, deprimido, mas ele é a razão da poesia!

Dil, que beleza de poema, conforme eu te falei antes, alguns textos me engolem, me tragam, e eu não consigo articular nenhum pensamento, é preciso tempo, eu careço da espera, sair do centro do transtorno, distanciar-me e só então sai alguma coisa...

Abração e beijos para as meninas!

;)

Margarida Costa on 19 de janeiro de 2012 20:43 disse...

Meu Deus! Fico sem palavras com palavras tuas tão belas! :)

Du on 21 de janeiro de 2012 13:31 disse...

Lindo, adorei!!!!

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