terça-feira, 18 de abril de 2006

Hoje, iniciando a SEMANA ESPECIAL GÊNIOS NACIONAIS deste mês de abril, trago o aniversário de um grande nome de nossas letras, sempre lembrado pela rica obra infantil num tempo muito anterior às tolas colchas de retalho dos Harry Potters de hoje em dia, especialmente graças às primeiras versões televisivas do Sítio do Picapau Amarelo (1978 a 1984) - já que a atualmente exibida pela Globo é melhor ser esquecida... Falo de Monteiro Lobato, um polivalente artista cujo maior pecado foi ter-se insurgido tão ferozmente contra a Semana de Arte Moderna, justo ele, um antropófago cultural no melhor sentido da palavra!

Há 124 anos nascia este pintor, tradutor, promotor público, fazendeiro filho de Taubaté, jornalista, editor e escritor lutador incansável por um Brasil para os brasileiros, vítima da ditadura de Vargas ("Só serei 'imortal' se puserem esse grande gênio fora de lá a pontapés", diria, referindo-se a Getúlio Vargas) e árduo combatente pela Democracia, o pai de Urupês, do Jeca Tatu, de Narizinho, de Emília e de tantos sincretismos culturais que tão brilhantemente criou, Lobato foi um injustiçado não só ao longo de sua vida, como ao longo também da minha: li apenas Emília no País da Gramática, uma de suas obras-primas e o mais original de quantos livros se escreveram até hoje, graças às inventivas metalinguagens, onde a língua é representada como uma cidade, a cidade da Gramática, para onde segue o pessoal do sítio, montado no rinoceronte! Ainda volverei à sua obra e voltarei a ser criança, com certeza, como o menino maravilhado com as estórias de D. Benta e de todo o sítio na Grécia, diante da televisão, nos longínquos anos 70...

Hoje, na ROTATÓRIA ESPECIAL, transcrevo alguns trechos de uma página maravilhosa a este mestre dedicada, a www.lobato.globo.com, onde, dentre outras coisas, você poderá saber mais sobre seus múltiplos talentos, bem como conhecer a refinado humor contido em muitas de suas célebres frases, algumas aqui também apostas...

ROTATÓRIA ESPECIAL


Na sua maior parte, a obra de Monteiro Lobato é o resultado da reunião de textos escritos para jornais ou revistas. Comprometido com as grandes causas de seu tempo, o criador do Jeca Tatu engajou-se em campanhas por saúde, defesa do meio-ambiente, reforma agrária e petróleo, entre outros temas que continuam atuais. Ele arrebatava o público com artigos instigantes, que hoje, vistos de longe, constituem um precioso retrato de época, um painel socioeconômico, político e cultural do período. Dono de estilo conciso e vigoroso, com forte dose de ironia, utilizava uma linguagem clara e objetiva, compreensível ao grande público. Lobato revelou o mundo rural, então ignorado pelos escritores de gabinete que ele tanto criticava. "A nossa literatura é fabricada nas cidades", dizia, "por sujeitos que não penetram nos campos de medo dos carrapatos".

Monteiro Lobato jamais escondeu sua paixão pela pintura e gostaria de ter cursado uma escola de Belas Artes. Por imposição do avô, seu tutor após a morte dos pais, acabou entrando para a Faculdade de Direito. Desistiu das artes plásticas e se fez escritor, numa transposição vocacional com reflexos em toda sua obra. Mas nunca se conformou com isso: "No fundo não sou literato, sou pintor. Nasci pintor, mas como nunca peguei nos pincéis a sério (...) arranjei este derivativo de literatura, e nada mais tenho feito senão pintar com palavras". Em 1909 chegou a participar de um concurso de cartazes no Rio de Janeiro, colaborando com desenhos para revistas como Fon-Fon e Vida Moderna, além de ilustrar a primeira edição do livro Urupês. Na década de 1910 tornou-se um dos mais importantes críticos de arte na cidade de São Paulo. Pintou até os últimos dias de vida, e nos legou histórias cheias de cores e de formas como se fossem quadros.



"Tentei arrancar de mim o carnegão da literatura. Impossível. Só consegui uma coisa: adiar para depois dos 30 o meu aparecimento. Literatura é cachaça. Vicia. A gente começa com um cálice e acaba pau d'água na cadeia". São Paulo, 16/6/1904.

"Ando com idéias dumas coisas a Wells, em que entrem imaginação, a fantasia possível e vislumbres do futuro - não o futuro próximo de Júlio Verne, futurinho de 50 anos, mas um futuro de mil anos. (...) Se a terra dos meus canteiros mentais não for propícia a essas sementinhas, então é que não estou destinado a ser o H. G. Wells de Taubaté, e paciência". Taubaté, 17/12/1905.

"A maior delícia da minha vida de roça é justamente lidar com pintos, com perus, com bois e cavalos, e do bípede humano só me meter com esta insuficiência mitral que é o caboclo da roça. Mesmo assim, só lido com eles através do "administrador", a ponte de ligação. E o caboclo ainda é a melhor coisa da nossa terra, porque analfabeto, simples, muito mais próximo do avô Pitecantropo do que os que usam dragonas ou cartola, e se dão ao luxo de ter idéias na cabeça, em vez de honestíssimos piolhos". Fazenda, 19/9/1912.

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