quinta-feira, 20 de abril de 2006

Ontem, dia 19, parabéns ao Roberto Carlos (65 anos) e à índia Maria das Dores de Oliveira Pankararu (42), a primeira índia doutora no país, no dia mais que esvaziado dos índios... Mais hoje, no segundo 'post' da SEMANA ESPECIAL GÊNIOS NACIONAIS, o destaque vai para o "belo" e imortal Manuel Bandeira, 120 anos depois do seu nascimento... Há muito o poeta já recebeu a visita da "mais indesejada das gentes" e se foi para "Pasárgada", juntamente com uma infindável e perfeita obra poética... Ainda que "vivendo sempre como que provisoriamente", uma vez que a tuberculose o perseguisse desde muito cedo (quando tinha apenas 18 anos), Bandeira poetizou até os 82 anos, quando se foi, vítima de hemorragia gástrica, em 1968.

Apesar de não ter tido ainda o prazer de conhecer-lhe a obra completa, dentre seus livros e poemas maravilhosos destaco como minha obra favorita Libertinagem (1930, considerado, por muitos, o livro de maior amadurecimento do poeta recifense em termos de liberdade estética), onde constam alguns de meus melhores textos, como Não sei dançar, Mulheres, Pneumotórax, Na Boca, Teresa, Evocação do Recife e aquele que se tornaria o seu poema mais conhecido (e que parece ter sido o que mais demorou para ser feito, sendo a palavra Pasárgada oriunda de um autor grego lido pelo poeta aos 16 anos) - Vou-me Embora pra Pasárgada, "a vida inteira que podia ter sido e não foi", no dizer do próprio Bandeira, no seu eterno sonho do "vou-me-emborismo", cultivado desde a adolescência, espécie de pequena síntese de seu viver poético...

Como fica impossível sintetizar a obra deste mestre em tão poucos poemas, uma vez que eu mesmo gosto de tantos outros, de livros diversos (como Boi Morto, Consoada, Lua Nova, Variações Sérias em Forma de Soneto, Neologismo...), dou por encerrada esta breve homenagem, não sem antes viajar por dois poemas: o primeiro, o seu famoso e magistral (e meu favorito) Vou-me Embora pra Pasárgada; o segundo se perfaz em derradeira vassalagem, num poema de minha autoria, Feio... Ao Mestre da derradeira Estrela da Vida Inteira, com carinho...


SEMANA ESPECIAL
GÊNIOS NACIONAIS
Manuel Bandeira



VOU ME EMBORA PRA PASÁRGADA

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro bravo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito a beira do rio
Mando chamar a mãe-díágua.
Pra me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóides à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

(Manuel Bandeira)

FEIO

Feio feio minha feia
Tenho só o que odeio
E nada por que anseio
Odeio-me a calva e o esteio
E a falta de dinheiro
Anseio anseio
Pelo aberto do dia
Pela rica poesia
Por viver de minha pena
Pelo filho que ainda não veio
Anseio por um novo neologismo
E pela velha Pasárgada
Em Teodora (ou em Teresa)
Busco o antigo seio
No poema que medeio
Entre Bandeira e eu...

(Dilberto Lima Rosa)

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