quinta-feira, 1 de março de 2012

Poesia
Antes que tarde
Hoje é dia


Perdão

Perdão
Pela tua grandeza
Pela certeza
Do desencanto

Teu canto que eu não mais sei ouvir

Sentir o tempo
A chamar
A carne a queimar
No tempo incerto

Decerto que o santo morreu e a obra se partiu...

Teu cerne pio
No tempo das graças
Rechaça
A morta sereia

A veia, solta, tateia, e volta a sossegar...

Teu navegar
Pelo meu rio
Segue o fio
Da navalha

E a alma canalha, enfim, quer se santificar...



Preta e Branco

No deserto da praia
Não sei até onde vai a mistura de cor
Se no depois do mar acinzentado
Ou no antes da areia mais clara
(Ou ainda no sol em seu ápice,
Só brilho sem cor):
Na curva do sal
Das amizades coloridas
Foram-se as feridas, fundem-se os olores


Pelos amigos de cor
Sigo preocupadamente maravilhado...
Seguem os pés descolorados
(Pés nos pés, pé ante pé)
Da menina marrom
Do beijo perfeito de mil cores


(Dilberto L. Rosa, Morcegos em São Luís, 2007)
|

15 comentários:

Jandira Rosa disse...

E o poeta hoje se derrama todo por meio de suas belas palavras. Quão belo está isto aqui!! Quanta sensibilidade! Lindos poemas que exalam fortemente milhões de sentimentos. Hoje é dia de perdão, encantamento, beleza, amor, carinho, saudade... Parabéns por tudo, meu Amor!

Luci on 1 de março de 2012 11:07 disse...

no fundo (e no raso!) toda alma é canalha, né?!
bj

Antonio Nahud Júnior on 1 de março de 2012 11:28 disse...

Belos versos, amigo.
Grande abraço,

O Falcão Maltês

Souza disse...

Me emocionei com os vídeos dos grandes cantores que morreram recentemente e logo depois eu ri com o dueto dos gatos em forma de música clássica! Valeu! Belos poemas, parabéns!

Helô Müller on 1 de março de 2012 13:24 disse...

Lindos poemas, Dilberto!
Aliás, tudo o que vc se mete a fazer, sai bem feito...
Sensibilidade aliada à inteligência dá nisso! Parabéns!

Bj
Helô

Duarte on 2 de março de 2012 19:39 disse...

Bom, mesmo bom, e sem pontuação.
É certo que com essa cadencia bem se pode por a pontuação ao gosto de cada qual. Foi uma boa experiência: ate gostei!

Deixo-te aqui a resposta ao teu comentário lá em casa...

Dilberto,
sim, o Museu está decorado de acordo com essa época, que oscilou entre o século XVIII e uma grande parte do século XIX.
Ademais coincidiu com a presença do Carlos Alberto ali. A saúde era precaria e considerou-se que o ar puro e a proximidade do rio lhe fariam bem. Só viveu ali uns dois meses.
A filha mandou edificar uma capela em memoria do seu pai. Está na rua das Tílias, nos jardins do recinto do Palacio de Cristal do Porto.

Um grande abraço desde Valência

Camille on 2 de março de 2012 23:47 disse...

Nossa, adorei a frase da Luci, muiiiiiiiiiiiito verdadeira, no fundo toda almaé canalha. No fundo e no raso disse ela. É isso mesmo. Eta especiezinha mequetrefe a nossa!
As vezes eu fico meio obtusa para ler poesia por que fico lendo nas entrelinhas e achando que o que se passa é verdade, e nao aquilo que pula do inconsciente dos poetas, que se chama de inspiraçao. Enfim...voce anda aprontando é? heheheheh
Falar nisso, cade o Jens que prometeu uma apariçao retumbante e nada. Sera que ele esta bemde saude?
Bjs

Gilberto Carlos on 3 de março de 2012 17:14 disse...

Adoro poesia. Também publico algumas de vez em quando no blog. Muito bonitas as suas...

Beti Timm on 4 de março de 2012 00:08 disse...

Que lindo!! O que dizer a não ser que vc sabe lindar e versejar encantando o mais recôndidos dos sentidos.
Roubei.

Beijos poeta

Игорь on 4 de março de 2012 12:26 disse...

"Alma Canalha"! Gostei muito Dilberto !


abraços!

Solange Maia on 4 de março de 2012 13:03 disse...

e da certeza do desancanto nasce o pranto, o canto, o tanto...


espetacular !!!


beijo imenso

Canto da Boca on 4 de março de 2012 17:11 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Canto da Boca on 4 de março de 2012 17:13 disse...

Uma vastidão dentro desse pedido de perdão! Está o meu também, pela ausência nos Morcegos. Esse rígido tempo que me obriga estar em outras searas, uma pena que não possamos viver apenas de brisa, mar e poesia!
Dá-me a impressão da consciente miniatura humana diante da grandeza da natureza. Tenho dialogado com Clarice, e entendido com ela, que precisamos de mais ternura... Teu poema ratifica essa sensação e desejo em mim.

O mar se acinzenta, ainda na mistura das cores, que depois do beijo se transmuta para o céu em formato de arco-íris!

Como eu gosto do Dilberto poeta!

Abração, Dil, insisto no meu pedido de desculpas pela ausência, um dia atualizarei todas as minhas leituras, tenho fé!

;)

p.s.
não gosto de ler na pressa e não comentar direito...

Pedra do Sertão on 5 de março de 2012 09:41 disse...

Passeando pelo blog e já encantada pela expressão poética dos "Morcegos".

Abraço do Pedra do Sertão

Jota Effe Esse on 5 de março de 2012 17:02 disse...

E o poeta Dilberto, por um lado chora o canto que não mais sabe ouvir, por outro canta os 21 meses de Isabela, em Play it again, Sam, secundada por outros cantos. Meu abraço.

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