sexta-feira, 16 de março de 2012

Carta ao Sr. Lewis


Jerry Lewis, quantas saudades...

Happy birthday!

Não, o senhor não me conhece: nem de fã-clube algum seu eu faço parte. Mas é como se o conhecesse pessoalmente há muitos anos... Afinal, "aprendi a rir" com o senhor e com Sir Chaplin. Na verdade, sou somente mais um dentre os milhões que cresceram vendo o senhor na TV. Primeiramente, na imperialista TV Globo, onde minhas férias escolares significavam ver o "Jérri Lévis", como brincava meu pai no aportuguesamento, quase toda tarde de julho ou de janeiro - tanto que o senhor ficou conhecido, com o tempo, como "O Rei da Sessão da Tarde"! Alguns anos depois, eu já na faculdade, o barato saudosista da época era (re)ver o senhor na então recém-inaugurada Rede TV, emissora que, apesar de hoje não merecer nenhum comentário, na ausência de produções próprias em seu tenro início, exibia um monte de filmes antigos - e o Jerry Lewis, então, virou o "Rei da Rede TV" (tanto que se brincava que o senhor seria um dos sócios)!

Não, nenhum preconceito quanto a "filmes antigos", muito pelo contrário: só evidenciando como as televisões se esqueceram do senhor, elegendo como "antiga" qualquer produção de antes de 1999 e relegando-a ao banimento das madrugadas... Uma pena: sinceramente, lamento a garotada de hoje crescer vendo repetecos exaustivos de filminhos ruins, sem jamais ver um "clássico" como Errado pra Cachorro, O Bagunceiro Arrumadinho, A Família Fuleira ou Artistas e Modelos - os quais minha mãe conhecia não pelos títulos, mas pelas suas hilárias sequências, como "aquele em que o aspirador de pó suga tudo numa loja", "aquele das macas caindo das ambulâncias e descendo correndo as ladeiras da cidade", "aquele do monte de tios malucos" e "aquele da Mulher Gato", respectivamente, e com os quais ensaiei as primeiras gravações em VHS lá pelo final dos anos 80.

Bons tempos... Como disse antes, depois de adulto e ainda com dificuldade de encontrar seus filmes nas locadoras, pude matar saudades de outras de suas produções maravilhosas naquela chinfrim televisão iniciante: assim eu urrava de alegria infantil ao rever alguns dos meus favoritos, como Bancando a ama-seca, O Rei do Circo, A farra dos malandros, Ou vai ou racha e O Terror das Mulheres. Com ou sem Dean Martin (incontestável cantor, mas sempre enciumado com o seu brilho, você sendo capaz de roubar todas as cenas), recheado ou não dos clichês da época, o senhor sempre foi o grande astro genial!

Normalmente associam a sua imagem a um mero "careteiro": absurdo! Mesmo antes de ir para o Cinema e já em parceria com Martin no teatro de variedades, o senhor era anarquicamente criativo e já sabia tudo de Comédia! E na telona, então - foi acabar a dupla Martin-Lewis em 57, que o senhor conseguiu se superar ainda mais: com o controle criativo das suas produções, seja na direção de pequenas obras-primas como a reinvenção de "O Médico e O Monstro" em O Professor Aloprado (sem dúvida, seu melhor e mais popular filme) e O Mensageiro Trapalhão (uma ode ao Cinema mudo, com suas piadas quase surreais), seja na produção e no roteiro, ou ainda nas suas parcerias perfeitas - como aquelas com o diretor Frank Tashlin, que dizia exatamente o que o senhor queria -, seus trabalhos foram geniais até 1965, quando, da comédia para as pequenas tragédias, a coisa toda pulou rapidamente...

Mas, como hoje é dia de festa, nem quero lembrar aqueles tempos difíceis, de dores, problemas com remédios e fracassos, preferindo elogiá-lo sobre como deu a volta por cima, não só artisticamente - quando, além de ter virado até desenho animado, mostrou outras facetas, como a ótima veia dramática em grandes filmes como O Rei da Comédia, de Scorcese, ou Um Sonho Americano, de Kusturika, reinventando-se também na televisão -, como também revelou ao mundo o seu lado mais humano, digno da indicação a um Nobel, ao desenvolver os trabalhos da Associação de Distrofia Muscular e criando o famoso Telethon, maratona televisiva para arrecadação de dinheiro para tratamentos de distrofia (hoje bem conhecida no Brasil por meio do Silvio Santos).

Pelo mímico genial (até hoje rio com sequências memoráveis de grandes pantomimas ao som de clássicos musicais, como a "datilografia imaginária" de Errado pra Cachorro ou as ordens do chefe numa reunião em Mocinho Encrenqueiro), pelo comediante perfeito e inovador (tanto que idolatrado na França, berço de Max Linder e Jacques Tati), pelo roteirista criativo e diretor preciso (ao ponto de patentear invenções para melhor uso da câmera), pelo cantor afinado (apesar dos fingimentos cômicos nas desafinações nos filmes), pelo 'showman' que sempre foi (segurando, por tantos anos, a apresentação solo do Telethon), pelo artista completo e inspirador de tantos outros (como Jim Carrey, um dos seus maiores sucessores em comédia física) e pelo belo ser humano... os meus parabéns, Sr. Lewis!

P.S.: quando (e se) esta carta chegar às suas mãos, não se preocupe - não sou nenhum louco Rupert Pupkin, mas só e tão somente a huge fan!


É festa! Felizes 86 anos, amigo Jerry!
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18 comentários:

on 16 de março de 2012 16:12 disse...

Se Jerry Lewis receber sua carta, tenho certeza de que ficará muito feliz! É um depoimento incrível de um fã e tenho certeza de que ele merece. Não sabia que ele tinha criado o Telethon.
Sobre meu último post, "Cantado na Chuva" não entrou porque não tem números de dança muito longos. O máximo que chega é a uns seis minutos, e na lista há filmes com números bem mais longos. E de fato eu tenho 18 anos, mas comecei a escrever sobre cinema clássico aos 16. Quando criei meu primeiro blog, aos dez, não tinha nem muito sobre o que escrever, mas serviu de treino para este blog que tenho agora.
Abraços!

cineboy on 16 de março de 2012 17:01 disse...

Bravo Dilberto! Que lembrança maravilhosa de um ARTISTA COM A MAIÚSCULO. Eu admiro a comédia de Jerry Lewis e cresci vendo esses mesmos filmes na sessão da tarde dos anos 80. Ai! Quanta saudade de filmes assim! Jerry Lewis é o entertainer da América e um dos maiores comediantes de todos os tempos! Me emocionei com essa justa homenagem na forma dessa carta linda e apaixonada por um ídolo irrepreensível que passou por poucas e boas na sua vida pessoal,mas é um vitorioso em tudo.BRAVO novamente meu amigo!

Margarida on 16 de março de 2012 19:14 disse...

Meu querido Dilberto, passo para lhe deixar beijinhos e votos de bom fim de semana!

Lays "Lewis" de Souza. disse...

Sua carta traduz tudo o que eu sinto pelo Jerry. Desde o 4 anos de idade assisto aos filme do Rei da Comédia. Não lembro ao certo s era na Sessão da Tarde, ou se era em uma TV desconhecida daqui do RS em que eu assistia seus filmes. Só sei que, desde que assisti Bancando a Ama-Seca, "apaixonei-me" pelo Claiton Poole, e desde então, minha admiração por ele só vem crescendo. Toda vez que ia à locadora, os únicos filmes que eu queria levar pra casa, eram os flmes dele. Hoje, estou com 18 anos e, na faculdade de Cinema, sou conhecida como "A Grande Fã de Jerry Lewis"! Vida longa ao Rei da Comédia! Oh boy!

Filmes Antigos Club on 16 de março de 2012 21:39 disse...

Fala amigo morcego, vc sumiu, tudo em paz?

Justa homenagem a uma lenda viva do cinema, e um Rei da Comédia. Não tenho dúvidas que receberá com todo carinho este préstimo que lhe tributa.

Jerry Lewis é sinônimo de tardes descontraídas de nossa eterna infância. Embora goste do Dean Martin, sempre achei que era o Jerry que lhe roubava as cenas.

Longa vida ao Jerry, com muitas emoções e experiências bem vividas.

Paulo Néry

MIRZE on 18 de março de 2012 09:27 disse...

Excelente!

Jerry Lewis marcou muitas gerações. Uma época onde o humor não se baseava em nada que não fosse a inocência.

Bravíssimo

Abraços

Mirze

ANTONIO NAHUD JÚNIOR on 18 de março de 2012 12:30 disse...

Belo texto, Dilberto. O Lewis é um gênio do humor.

O Falcão Maltês

Luci on 18 de março de 2012 20:59 disse...

vi todos os filmes dele no cine são luis, nas vesperais de domingo. minha mãe era Fã!
Dil, sou mineira, de Poços de Caldas, morando em Campinas, SP!
mas aqui não há distancias. ainda bem!
bj

Suzane Weck on 18 de março de 2012 21:10 disse...

Um excelente texto para homenagear este grande humorista.Pessoalmente tive 'altos e baixos'com seus filmes.Alguns amei de paixão,outros me deixavam um tanto irritada.Mas com certeza no seu gênero marcou época.Meu grande abraço meu querido amigo.

Suzane Weck on 18 de março de 2012 21:43 disse...

Estou entendendo menos que você,aqui no meu computador está tudo igual como sempre,pelo menos até agora.Se apresentar algum problema o "Dé" vai ter que entrar em ação.Manteremos contato,pode ser algo passageiro....Abs.

Felipe Rocha on 19 de março de 2012 01:01 disse...

Uma carta dessa retrata exatamente o sentimento de um fã, com o monstro que foi e sempre será, Lewis!!!

Ótimo post!! Relembrar ícones assim como Lewis, nos remete a um passado maravilhoso!!!

Mto bem lembrado por destacar Rupert Pupkin hein.... vai q as meras coincidências não o confundem neh.... rsrs

Um abraço!

Jota Effe Esse on 19 de março de 2012 05:21 disse...

Caro Dilbeto, os teus conhecimentos de tudo que diz respeito ao que já foi mostrado na telona são uma deliciosa lição pra quem tão pouco viu desses assuntos. O que estranhei no teu texto foi não mencionares "Morrendo de Medo". Ou será que esse filme nem é com Jarry Lewis, e sou eu quem está perdido no assunto? Meu abraço.

adriana on 19 de março de 2012 20:11 disse...

Fiquei com lágrimas nos olhos, amigo. Eu adorava ver o Jerry Lewis nas tardes da Globo tb. Era um tempo muito bom, rs... "tempos bons que não voltam mais"

Estou melhor da gripe, mas ô tempo danado pra derrubar a gente viu, rs... Calor e chuva, nao aguentei e caí de cama

Beijao.

Saudades! Manda beijos para minhas queridas Jandira e Isabela.

Jefferson Clayton Vendrame on 20 de março de 2012 10:04 disse...

Grande Dilberto, como vai?
Ótimo Post, Muito criativo.
Eu não sabia que a Rede TV exibia filmes antigos quando de seu inicio.
Não conheço muito Jerry Lewis, reconheço que é uma grande falha afinal como posso ser fã de filmes clássicos se não conheço a obra desse tão conceituado ator, pois bem, é como você mesmo disse, nunca foi fácil encontrar seus títulos,e mesmo agora com diversos lançamentos em DVD ainda existe uma certa dificuldade.Pretendo conhecer melhor esses filmes.

Parabéns, ótima publicagem.

Abração

Gilberto Carlos on 20 de março de 2012 13:34 disse...

Um grande ator, fazendo comédia (em sua maioria) ou drama. Quanto aos filmes do início da Rede TV, lembro-me com saudades. Tinha até uma sessão com o nome de TV Escolha que era apresentada pelo Rubens Ewald Filho

Claudinha ੴ on 20 de março de 2012 20:44 disse...

Olá Dil!
Eu gostaria que Jerry recebesse sua carta. Eu a entregaria, vestida de mulher-aranha, dependurada de cabeça pra baixo e também dançando ao som do mais gostoso jazz. Eu a entregaria numa daquelas tardes quentes do final dos anos 70, em que a sessão da tarde era meu programa favorito e acrescentaria um bilhetinho meu, dizendo que também sou fã e que ele fez parte de toda a minha passagem de infância para adolescência com um humor puro, embora americano, doce e terno. Tenho um leãozinho até hoje, de cerâmica que se chama Vincent, por conta do personagem que ele sonhava e Dean Martin desenhava e fazia sucesso... Adorei sua homenagem Dil! Um beijão!

Игорь on 20 de março de 2012 23:16 disse...

volto depois para a leitura . Hoje é só um olá !


abraços

Игорь on 25 de março de 2012 12:34 disse...

Hoje de volta para ler seu post.

Profundamente nostálgico, adorava o Jerry Lewis. Vi todos estes filmes na sessão da tarde.

Pena que parou de filmar.

abraços

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