sexta-feira, 29 de junho de 2007

Aos Bons Velhinhos!


Vocês já são donos dos céus...


Foram tantos os aniversariantes ilustres deste mês de junho, os quais admiro ainda mais por produzirem nas lindas e avançadas idades que já alcançaram, que mal deu para relembrar aqui entre os Morcegos. Mas aqui vai o meu singelo reconhecimento a artistas que já passaram dos 80 anos e seguem com arte...

O primeiro, juntamente com sua família, é um "ser-vivente do Nordeste", contra as opressões desde a mais tenra idade, e, em Taperoá (PB), descobriu que, através da arte dos mamulengos, das encenações circenses e dos desafios de viola, era possível falar de um povo sofrido, porém lutador, com humor, poesia, teatro e, acima de tudo, genialidade! Ariano Suassuna é o imortal (cadeira 32 da ABL) por trás de obras fantásticas como O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (filmado com mãos pesadíssimas por Luís Fernando Carvalho), O Santo e A Porca e Auto da Compadecida (imortalizada através da versão definitiva em TV e Cinema com Matheus Natchersgalle, Selton Mello e grande elenco global), três livros que li e reli tantas vezes, sem esquecer os feitos poéticos, o Movimento Armorial (criação de arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina) e as entrevistas sempre espirituosas! Fala, Ariano!

Outro belo nordestino octogenário merece todas as reverências – embora ele as deteste! Francisco Brennand, assim como Suassuna, desistiu do Direito e abraçou a Arte (ai, ai...), reerguendo a velha Cerâmica São João da Várzea de seu pai e, tal como um herói dos quadrinhos, lá fez sua gigante caverna de lindos ofícios em painéis, desenhos e esculturas, e também seu refúgio, às margens do Capibaribe e diante da mata atlântica, criando assim mais que um ponto turístico belíssimo: uma cercania viva de cultura em perene evolução e aberta a todos! A Brennand, que adora uma conversa com os visitantes!

E o que dizer de alguém que passou dos 80 há muito tempo?! "Por...", "Caral...", "Filha da P..."?! Infelizmente, Dercy Gonçalves se resume a isso para a maioria das pessoas, que esquecem o passado difícil de luta e de caráter precursor num País cheio de censuras e repressões, o talento absoluto e verdadeira escola do improviso na Comédia, tanto no Cinema (noutro dia ri muito com A Baronesa Transviada, numa reprise madrigal da Globo) como na TV. Esquecida por causa da mais-que-sem-graça Ditadura, Dercy tornou-se um ícone do escracho nos anos 80, onde passou de excelente comediante a apenas uma figura decorativa verborrágica em programas de auditório! Por isso digo que esta centenária (ela mesma afirma ter mais de 102 anos, em razão de um atraso de seu registro pelo pai) é "a superestimada mais subestimada" da História da Comédia brasileira! Salve, Dercy, tu que ainda és capaz de fazer rir com tua lucidez de mandar tudo à p... que pariu!!!


"Para Sérgio, Obrigada por Tudo! Julie Newmar"


Sérgio Ronnie é meu grande amigo há mais de quinze anos. Rompeu com o mundo, queimou seus navios e seguiu viagem para o Rio para a realização de um sonho de nossas adolescências: estudar e trabalhar com áudio-visual! Só neste mês, depois de quase 6 anos, pisou novamente solo maranhense... O Sérgio, infelizmente, passa longe de um Ziraldo que clama sua Caratinga aos quatro ventos...

Vítima de um "estropiamento de ouvido" quando da viagem para cá, cortesia da GOL, somado a um "choque térmico-cultural", Serjão temeu fantasmas da Terra da Cantaria e acabou tecendo um solitário auto no alto da São Pantaleão, sem sair de casa, matando bem a saudade que consumia sua bela família, que prezo tanto. Fiel, não virou pescoço para índias deslumbrantes, nem pegou no maracá, mas ensaiou enquadramentos fantásticos de um futuro filme sobre uma tragédia de amor à Catirina, exaltando nosso bumba-meu-boi tal como Vinícius fez com seu Orfeu no carnaval. Talvez assim encontre redenção com sua terra esquecida, esmaecida... A mesma onde presenciou, juntamente comigo, a inesquecível estréia dos Cinemas Colossal!

Mas não posso condená-lo (apesar de muita provocação!): afinal, Sérgio lembra muito os Transformers de nossos queridos anos 80 – e como lembra! Sérgio é Optimus e precisa de sua reserva de Energon, caída na Terra há milhões de anos e armazenada nas profundezas de Copacabana, único posto onde pode respirar livremente... Eu vou ficando por aqui ("e que Deus do céu me ajude: quem sai da terra natal em outros campos não pára..."), esperando por um Rio antigo, enquanto meu amigo aguarda uma São Luís do futuro... 'Farewell, my goodfella'! E segue um soneto em anexo nos comentários...

domingo, 24 de junho de 2007

É São João!


Nasci e me criei em São Luís do Maranhão, assistindo a uma bela e rica cultura advinda de um povo pobre, porém rico em misturas raciais e em tradições folclóricas. E tome quadrilhas, tambores de crioula (recentemente elevada à categoria de patrimônio imaterial nacional), danças portuguesas, do coco, da fita e do Cacuriá, pandeirões, matracas e todo tipo de bumba-meu-boi... Descobri a essência de nossa música num dos melhores discos que já tive o prazer de ouvir: Bandeira de Aço, que reunia a genialidade das composições de Josias Sobrinho e Carlos Cesar Teixeira sobre nossas tradições e lendas, com os arranjos e as interpretações precisas de Papete... Naquele tempo não havia esse 'boom' de arraiais de hoje, de "São João pra inglês ver", de São Luís Patrimônio da Humanidade nem qualquer outro 'merchandising' barato nascido com uma oligarquia imunda que de pão e circo se alimenta há mais de 40 anos (se não dominam atualmente o governo local, nossos "representantes do Senado" são todos da "boiada")!

Há uma lenda, em particular, que basicamente estrutura o folguedo de todos os bois que "bumbam" pelos mais diversos sotaques (ritmos e percussões que conduzem as apresentações de cada grupo): a lenda da Negra Catirina. Nela, uma escrava grávida fica tão desejosa de comer língua de boi assada a ponto de obrigar seu marido, o Pai Francisco, a matar o boi de estimação do Senhor, que, desesperado, recorre à sabedoria mística dos indos e aos poderes dos cazumbás para ter o seu boi ressuscitado, o que, ao final, acontece, com tudo acabando em perdão e festa... Em torno deste mito, e da grana do Estado, inúmeros novos "bois" se formaram, diminuindo um pouco a tradição, passando a pulular por toda parte nos mais diversos arraiais (amplos parques, com bares feitos como barraquinhas de palha, onde são feitas as apresentações que adentram a madrugada), algo bem diferente dos terreiros do interior e dos limites pobres da Cidade...

Ainda há tradição no nosso bumba-meu-boi – e viva o boi de Ribamar, da Maioba e do Maracanã! –, nem tudo está perdido... Resta a torcida para que o nosso boi, nossas tradições e até mesmo nossa bandeira deixem, enfim, de ser símbolo de posse de poderosos Senhores e voltem aos caboclos de fita, aos cazumbás, aos matraqueiros e às índias... Ah, as índias...! E parabéns aos aniversariantes de São João Mirelle Faray e minha tia Magali – ocasião em que eu sempre comia deliciosos manuês e muito mingau de milho quando menino...



Boi da Lua
(Carlos Cesar Teixeira)

Meu São João!
São João, meu São João...

Eu vim pagar a promessa
De trazer esse boizinho
Para alegrar sua festa
Olhos de papel de seda
Com uma estrela na testa
Chora, chora...
Chora Boi da Lua
Vim pedir uma esmola
Pr'aquela boneca de anil

Mamãe, eu vi Boi da Lua
Dançar no planeta do Brasil!

terça-feira, 19 de junho de 2007

É Guarnicê!


Estive no encerramento do 30º Festival Guarnicê de Cine-Vídeo (17/11, promovido pelo DAC da UFMA), antigo "Jornada Maranhense de Super-8" dos anos 70, quando então despontavam nomes como o do mestre maranhense Murilo Santos (diretor, fotógrafo, editor etc.), merecidamente laureado com um prêmio pelo belo documentário O Caso da Ulen, que não só revive um dos mais famosos crimes do Maranhão (o assassinato de um possível "tio" do Presidente Kennedy, representante comercial da multinacional Ulen, responsável pela companhia energética do Estado na década de 30) como também cobre um rico panorama de nossas raízes étnico-sociais e culturais, o único filme a que assisti (exibido no DocTV do último dia 17, na TVE), uma vez que uma virose e uma dor de coluna, somados à correria do dia-a-dia, só me permitiram comparecer antes um dia no Festival, vendo o só razoável A Máquina, numa mostra de vídeos.

E lá estive em razão da possibilidade de o vídeo Nós, do dileto amigo Henrique Spencer, vir a ganhar algum troféu Guarnicê (de "guarnecer", momento em que a "guarnição" do bumba-meu-boi prepara os pandeirões nas fogueiras), um belo boizinho dourado. Abertura com 'making-of' do filme Ouro Negro, de Isa Albuquerque, as costumeiras apresentações de canto lírico com artistas locais, a já tradicional índia-roliça-decorativa, os micos gigantes pagos pela dublê de atriz-e-apresentadora Amélia Cristina (cuja insistência na apresentação há tantas edições irrita: como alguém não se prepara a respeito do roteiro sobre o que será apresentado?!), geradores de gargalhadas da platéia, especialmente quando no palco a ótima e tresloucada Marcela Cartaxo, e muitas horas depois de agradecimentos/homenagens aos patrocinadores (algumas fidelidades garantidoras da continuidade de tudo, como os prêmios em dinheiro), nada de eu subir ao palco do luxuoso Teatro Arthur Azevedo para agradecer em nome do Henrique e dizer que ele estava em Amsterdã, mas que nunca esquecera esta terra onde passou parte da infância e da adolescência (na verdade, ele estava em Recife mesmo e não pôde vir!) – fica para a próxima!

De louvarem-se as oficinas abertas ao público e a organização e o entrosamento que encantam os jornalistas e atores convidados (como os sempre presentes Norton Nascimento e Leona Cavalli), com seus requintados passeios turísticos, bem como a diversidade de atrações folclóricas, o que torna o festival algo mais completo em termos culturais; mas de lamentar-se a desorganização para o público em geral, que ainda fica perdido com tanta desinformação, mesmo com o maior número de funcionários deste ano, somada a uma preguiçosa divulgação nos meios de comunicação... Nada que proíba a inteligente e sempre simpática Aurora Miranda Leão (presença já carimbada), do 'site' Argumento.Net, assim avalizar esta festa que tem a minha idade: "O Guarnicê é uma autêntica celebração de cores, raças, simpatias e audiovisual de todos os matizes"...

Ao Mestre, com Carinho,
com Açúcar e com Afeto!



Este 'post' "em edição extraordinária" vem, de fato, para homenagear o mais completo nome da Música Popular Brasileira, tanto em suas obras-primas absolutas de canções, verdadeiras aulas de como aliar poesia e música de qualidade num só produto (o que me fez despertar, nos idos de meus treze anos), quanto em sua diversidade de talentos – ainda que talvez não tenha havido a mesma genialidade na Literatura como a gerada no Teatro (porém, com uma produção muito acima da média, como o belo Budapeste) –, sem esquecer o dono da famosa "alma feminina", capaz de ir aos "úteros" de cantoras consagradas e de inúmeras tietes de todas as idades (mães e filhas que até hoje veneram os tais "olhos de ardósia" e o charme meio tímido, meio reservado e um tanto cínico) e o dono da voz perfeita em timbre (infelizmente não-unanimidade...), afinação e paixão: Francisco Buarque de Hollanda, felizes 63 anos!

Meu caro Chico, muito te admiro, meu chapéu te tiro, muito humildemente: a ti, que já amaste de todas as maneiras que há de amar, pelas rodas vivas de tantas obras inesquecíveis (tantas "canções favoritas", como Construção, Acorda Amor, O que será, Cotidiano, Cara a Cara, Almanaque, Iracema, Samba e Amor, A Ostra e O Vento...; sem esquecer Estorvo, A Ópera do Malandro...) e pelas tantas piruetas que ainda haverá, bravo, bravo! Agora falando sério: que outro gênio, o também eterno Tom Jobim, diga por mim tudo que eu queria lhe falar...

Carta ao Chico

Chico Buarque meu herói nacional
Chico Buarque gênio da raça
Chico Buarque salvação do Brasil

A lealdade, a generosidade, a coragem. Chico carrega grandes cruzes, sua estrada é uma subida pedregosa. Seu desenho é prisco, atlético, ágil, bailarino. Let's dance! Eterno, simples, sofisticado, criador de melodias bruscas, nítidas, onde a Vida e a Morte estão sempre presentes, o Dia e a Noite, o Homem e a Mulher, Tristeza e Alegria, o modo menor e o modo maior, onde o admirável intérprete revela o grande compositor, o sambista, o melo inventivo, o criador, o grande artista, o poeta maior, Francisco Buarque de Hollanda, o jogador de futebol, o defensor dos desvalidos, dos desatinados, das crianças que só comem luz, que mexe com os prepotentes, que discute com Deus e mora no coração do povo.

(...)
Chico Buarque homem do povo
Fla Flu, calça Lee, carradas de razão
Mamão, Jacarandá, Surubim
Macuco não, Pierrot e Arlequim
Você é tanta coisa que nem cabe aqui
Inovador, preservador, reencarnado, redivivo
Mestre da língua
Cabelos negros
Olhos de gatão selvagem
Dos grandes gatos do mato
Olhos glaucos, luminosos
Teu sorriso inesquecível
Ó, Francisco, nosso querido amigo!

(Tom Jobim, Nova Iorque, outubro de 1969)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Ela desatinou...

– Vou-me embora para Pasárgada... E de avião!


'Tá todo mundo louco, oba! Enquanto a televisão insistir em mostrar só coisas feias, não haverá turismo no País! Parem a LulaTur que eu quero descer! Mas do Presidente nem falo mais... O pior foi a sexóloga confundir as bolas (literalmente) e levar a sua sandice para um "ministério qualquer" e terminar a zona! Assim não dá! Nem desce!

E o Chico Viana não me deixa mentir: médico, jornalista, escritor e mestre-apresentador do mais íntegro e isento programa da TV maranhense, o São Luís Debate, onde costuma discutir coisas que poucos desta terra querem sequer ver, Chico foi um dos grandes defensores recentes da libertação da oligarquia do bigode, sempre defendendo a Democracia, à unha, porém, sem perder 'lo escarnio jamás' – por isso é que, recentemente, em seu Recado (espécie de editorial do seu programa televisivo), ele desfilou mais uma vez seu brilhantismo num texto engraçadamente inteligente, que reproduzo aqui, com a autorização do próprio autor. É relaxar, rir... E gozar!

Fala, Chico!


Com ou sem camisinha?

A gente precisa estar atento aos pequenos detalhes para entender este País cada vez mais peculiar; estranho, diria mesmo além da realidade, digamos... Metafísico!

Primeiro, o Presidente, ao segurar uma taça d'água, ou algo parecido, desaprumou a mão e tomou um banho! Logo a seguir, talvez por não haver tomado o precioso líquido, visivelmente transtornado, desancou: "O cidadão está em casa, quer viajar no fim de semana e não recebe nenhum encorajamento. Os jornais só dão notícia de crime: é crime no Rio, é crime em Recife, é crime na Bahia, é crime no Ceará, é bala perdida não sei aonde... Aí ele fica em casa, com medo de sair, prejudicando o turismo!"

Em outras palavras: a culpa é da imprensa se tem assalto, morte, seqüestro, a três por dois neste País sem o mínimo de segurança – do Estado é que não é!

Faz uma apologia (claro, a água lhe fazendo falta!) à escamoteação da verdade, à omissão dos fatos, o que, aliás, não é de se estranhar num governo que desde o primeiro momento vive disso: o Vavá, por exemplo, é um ingênuo, "um pequeno lambari no meio de peixe grande"... Imagine quando chegar a um tubarão! Bronco que só, diz o Lula, mas não o suficiente para prontamente pedir ao interlocutor dois mil reais e lembrar que o vai almoçar com o "homem" amanhã e que está tudo certo...

O cidadão deve ser incentivado a sair de casa de peito aberto, convencido de que o País é seguro, tranqüilo e que pode facilitar que nada lhe acontece. Imagine, mataram um soldado do exército quando tentaram seqüestrar o filho do Lula há dois anos. Mas isso é irrelevante, o importante é incentivar a mentira, a desfaçatez e a ilusão.

No fim do evento em que Lula, uma taça a menos, fez este desabafo, perguntaram à Ministra de Turismo, a sexóloga Marta Suplicy, sobre como estimular o turismo com este caos e este sofrimento no tráfego aéreo, as multidões presas em aeroportos acéfalos. Marta não se deu por rogada e deu o conselho: "Relaxe e goze, que depois você esquece todos os transtornos"!

Faz sentido...

Primeiro, o usuário de transporte aéreo está sendo sofrido e mal pago. Estão botando para moer em quem se aventura a fazer turismo neste (e deste) país. É claro que os verbos estão escamoteados, mas ela, como sexóloga, compreendeu, daí haver dado a sugestão fascista e irresponsável utilizada freqüentemente quando se refere ao sexo obrigado e violento – estupro, por exemplo.

Segundo, tem experiência teórica e prática no 'savoir-faire' sexual! Não foi à toa que trocou um senador que trabalha dormindo por um francês arisco que não dorme em serviço. Ou dormia, parece que ela já está em outra, ou noutro...

Enquanto isso, entre a taça a menos e o sexo a mais, a gente continua sendo objeto do ato sugerido pela dona Marta quando esta aconselha a relaxar e gozar.

Tivesse eu lá, não deixava em branco:
– A seco, Ministra, ou com camisinha lubrificada, para não machucar tanto?

(Chico Viana, Recado do programa São Luís Debate, 14 de junho de 2007)

domingo, 10 de junho de 2007

"O Meu Amor...


...Tem um jeito manso que é só seu/De me fazer rodeios, de me beijar os seios/Me beijar o ventre e me deixar em brasa/Desfruta do meu corpo como se o meu corpo/
Fosse a sua casa", já disse o poeta maior de nossa MPB... É, o amor brasileiro tem o "sangue latino" do sexo à flor da pele (nada contra; bem pelo contrário...) e, aproximando-se o dia dos namorados brasileiro (em outros países é o dia de São Valentim, 14 de fevereiro), é curioso lembrar o que a idéia de "namoro" passou a significar... Especialmente por aqui, onde esta data, que nasceu de uma campanha publicitária paulista de 1949, é lembrada hoje por outra campanha bem mais chinfrim, onde um narrador fala sobre os problemas da disfunção sexual (!), enquanto uma moçoila magrinha do bumbum arrebitado ataca, de calcinha nova comprada naquela loja, um rapazola boboca – bem distante da comemoração de países como os EUA, onde até as crianças participam, fazendo cartões para seus amigos e professores nas escolas...


"Le Baiser de l'Hotel de Ville", Paris, 1950, Robert Doisneau


Por isso eu digo que o velho conterrâneo poeta (e profeta) das palmeiras é quem tinha razão: "Se se morre de amor! – Não, não se morre,/Quando é fascinação que nos surpreende/De ruidoso sarau entre os festejos;/Quando luzes, calor, orquestra e flores/Assomos de prazer nos raiam n'alma,/Que embelezada e solta em tal ambiente/No que ouve e no que vê prazer alcança!(...)/Mas isso amor não é; isso é delírio/Devaneio, ilusão, que se esvaece(...)/Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,/D'amor igual ninguém sucumbe à perda./Amor é vida; é ter constantemente/Alma, sentidos, coração – abertos/Ao grande, ao belo, é ser capaz d'extremos,/D'altas virtudes, té capaz de crimes!(...)/Isso é amor, e desse amor se morre!". Afinal, amor não é algo vagabundo que se compre em 'sex shop', nem namoro é pegação na balada ou papo virtual em 'lan houses' vizinhas... E como são toscas as propagandas de motéis; e como são bregas os comerciais de lojas que pegam carona no dia 12, ainda que seus produtos nada tenham a ver com a data...


"Beijo" (1907/08), Gustav Klimt


"Pois afinal o amor, quando bem verdadeiro, é música em si mesmo, e poesia sem par", no perfeito dizer do gênio 'gauche' de Itabira, que arremata: "O dia dos namorados/para mim é todo dia./Não tenho dias marcados/para te amar noite e dia/O dia 12 de junho/como qualquer outro, diz/(e disso dou testemunho)/que contigo sou feliz" – no que concordo plenamente, especialmente se dedicado à minha amada Jandira, cujos carinhos, conselhos e bifes à parmegiana são sempre maravilhosos! Porque namoro são pílulas diárias de companheirismo, e é coisa séria, ainda que uma preparação bem-humorada para algo maior... Bem, só tinha de ser com você!

Hexalogia de um amor eterno
IV

Sim
Eu te proponho
– Não te propus
Acerca
De um amor
Que podia ser feliz?

A tolice de meus versos
Teu sorriso é quem me diz...

(2004 Poemas, Dilberto Lima Rosa)

domingo, 3 de junho de 2007

Tem, Mas Acabou...


Maio chegou ao fim: 30 anos de estrada, 3 de Morcegos, 1 mês de retorno, um punhado de notícias passaram sem o devido destaque por aqui e nunca esta verdadeira "máxima" do título fez tanto sentido! Afinal, cinéfilo, vascaíno e bicho-saudosista como sou, não poderia deixar o tempo passar ou as idades avançarem sem os devidos respeitos...

O Xerife Faz 100 Anos

O Novo, O Velho e O Oeste...


No último dia 26 comemorou-se o centenário do nascimento de John Wayne. Mas por que imortalizar um republicano reacionário (que foi capaz de denunciar colegas na época do Macharthismo e de co-assinar a xaropada Os Boinas Verdes, para manifestar seu apoio à Guerra do Vietnã!), símbolo do "herói durão" norte-americano e canastrão? Porque o Cinema, antes de Arte, é a magia da imagem em movimento, e, alguém que fez parte dela desde os vinte e poucos anos até a agonia do câncer e a morte (que, de certa forma, anteviu em belas passagens de filmes como O Último Pistoleiro ou Os Cowboys), representando, basicamente, o arquétipo que o povo dos EUA adora ver – e que tão bem sabe vender para o resto do mundo –, ultrapassa a barreira do tempo e vira mito... Afinal, o homem que matou Liberty Vance ("quando a lenda é mais forte que a realidade, imprima-se a lenda"), passando por caminhos ásperos e rios bravos, sempre sabendo que, depois do vendaval, o caminho para Eldorado seria logo ali, não teria como não ser inesquecível... Grandes filmes, de grandes diretores, sem dúvida, ainda que John Wayne, basicamente, fizesse quae sempre o mesmo papel! Mas alguns me marcaram mais, justamente pela certa nuance mostrada pelo ator, especialmente quando o personagem do bravo dava lugar ao homem fragilizado, particularmente no próprio O homem que matou o facínora, no final do clássico Rastros de Ódio e, no meu papel favorito, Bravura Indômita, onde o durão se resumiu a uma caricatura de si mesmo, bêbado e caolho, mas que acabou sendo o primeiro cara no Cinema a empunhar uma espingarda em cada mão, ao mesmo tempo (bem antes de qualquer exterminador, viu só, amigo Sérgio?!)...

Meu Deus!

O Novo, O Velho e O Futebol...


Alguém esqueceu o gol 1000 do Rei? Com certeza não foi por causa da patacoada emocionada dita na hora da emoção ("Vamos pensar nas criancinhas...") ou pela beleza do gol em si (um pênalti, considerado o "menor" dos gols), mas, sim, pelo número histórico... Alguém contestou? E como! Mas hoje é "tecnicamente" aceito, apesar de assim não terem sido reconhecidos – afinal, em jogos oficiais, são "apenas" 720... Por isso, chega de tripudiar do baixinho cruz-maltino: ele "inventou" a "marra" como estilo de vida futebolístico e a aposentadoria das chuteiras somente depois dos 40, e, queiram ou não, está a apenas dois gols de Pelé em partidas oficiais! "Rei tem um monte, mas Deus só tem um..."! E viva o milésimo na terra de São Januário!

Ô, 'Crides!

O Novo, O Velho e Eterno Humor...


Você sente que a idade está avançando quando, sem querer, liga a TV tão logo chega a casa, por volta das 18:30 h, e dá de cara com o Ronald Golias, gênio único do humor do improviso e um dos fundadores da televisão brasileira, falecido há dois anos, em mais uma esdrúxula reprise do SBT: assim, sem maiores razões, o Homem do Baú coloca no ar novamente uma atração de 1995! Longe de mim reclamar, fã de carteirinha que sou do imortal Golias, mas confesso ter sentido duas tristezas grandes ao final daquele humorístico: uma é que, a não ser nestas benditas reprises, nunca mais veremos um humorista segurar nas costas um programa inteiro e ainda assim ser engraçado; a outra é que, de 1995 para cá, já se vão 12 anos...

E segue o seco, com 40 anos de Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band, 190 anos do teatro Arthur Azevedo (segundo mais antigo do País), o fechamento da TV venezuelana por um Chávez que não gosta de televisão, mas tudo para depois... Afinal, "tem... mas acabou"!

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