domingo, 10 de junho de 2007

"O Meu Amor...


...Tem um jeito manso que é só seu/De me fazer rodeios, de me beijar os seios/Me beijar o ventre e me deixar em brasa/Desfruta do meu corpo como se o meu corpo/
Fosse a sua casa", já disse o poeta maior de nossa MPB... É, o amor brasileiro tem o "sangue latino" do sexo à flor da pele (nada contra; bem pelo contrário...) e, aproximando-se o dia dos namorados brasileiro (em outros países é o dia de São Valentim, 14 de fevereiro), é curioso lembrar o que a idéia de "namoro" passou a significar... Especialmente por aqui, onde esta data, que nasceu de uma campanha publicitária paulista de 1949, é lembrada hoje por outra campanha bem mais chinfrim, onde um narrador fala sobre os problemas da disfunção sexual (!), enquanto uma moçoila magrinha do bumbum arrebitado ataca, de calcinha nova comprada naquela loja, um rapazola boboca – bem distante da comemoração de países como os EUA, onde até as crianças participam, fazendo cartões para seus amigos e professores nas escolas...


"Le Baiser de l'Hotel de Ville", Paris, 1950, Robert Doisneau


Por isso eu digo que o velho conterrâneo poeta (e profeta) das palmeiras é quem tinha razão: "Se se morre de amor! – Não, não se morre,/Quando é fascinação que nos surpreende/De ruidoso sarau entre os festejos;/Quando luzes, calor, orquestra e flores/Assomos de prazer nos raiam n'alma,/Que embelezada e solta em tal ambiente/No que ouve e no que vê prazer alcança!(...)/Mas isso amor não é; isso é delírio/Devaneio, ilusão, que se esvaece(...)/Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,/D'amor igual ninguém sucumbe à perda./Amor é vida; é ter constantemente/Alma, sentidos, coração – abertos/Ao grande, ao belo, é ser capaz d'extremos,/D'altas virtudes, té capaz de crimes!(...)/Isso é amor, e desse amor se morre!". Afinal, amor não é algo vagabundo que se compre em 'sex shop', nem namoro é pegação na balada ou papo virtual em 'lan houses' vizinhas... E como são toscas as propagandas de motéis; e como são bregas os comerciais de lojas que pegam carona no dia 12, ainda que seus produtos nada tenham a ver com a data...


"Beijo" (1907/08), Gustav Klimt


"Pois afinal o amor, quando bem verdadeiro, é música em si mesmo, e poesia sem par", no perfeito dizer do gênio 'gauche' de Itabira, que arremata: "O dia dos namorados/para mim é todo dia./Não tenho dias marcados/para te amar noite e dia/O dia 12 de junho/como qualquer outro, diz/(e disso dou testemunho)/que contigo sou feliz" – no que concordo plenamente, especialmente se dedicado à minha amada Jandira, cujos carinhos, conselhos e bifes à parmegiana são sempre maravilhosos! Porque namoro são pílulas diárias de companheirismo, e é coisa séria, ainda que uma preparação bem-humorada para algo maior... Bem, só tinha de ser com você!

Hexalogia de um amor eterno
IV

Sim
Eu te proponho
– Não te propus
Acerca
De um amor
Que podia ser feliz?

A tolice de meus versos
Teu sorriso é quem me diz...

(2004 Poemas, Dilberto Lima Rosa)

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