terça-feira, 11 de outubro de 2005

Sejam bem-vindos, queridos blogueiros de plantão, ao meu "novo" espaço virtual: na prática, continuam os mesmos Morcegos, só que em casa nova, por tempo indeterminado! Continuem a acompanhar a Coluna Lateral, com a Imagem da Semana, o Blog Destaque da Família Morcegos e a republicação, abaixo, dos três primeiros capítulos das Novas Cartas Chilenas, a mais "maldita" das novelas virtuais, já publicados no Weblogger...

Hoje mais uma vez peço licença para entrar na ROTATÓRIA, onde tantos amigos já desfilaram seus talentos, por ocasião de mais uma picar... digo, micareta, no caso, o Marafolia, que se realizará nestas terras a partir da quinta, dia 13 - o texto fez parte da coluna Vertebral do ano passado (quando do aniversário de 10 anos deste tosco evento), mas continua extremamente atual, como se tivesse sido escrito há alguns minutos... Também, o que esperar da imutável e insuportável "Axé Music"?...


VERTEBRAL




Marafolia... Dez anos de Marafolia... Desculpe-me, leitor incauto, pelo ruminar alto de meus pensamentos, mas é que estou um tanto bestificado diante do tempo em que reina esta absurdice chamada Marafolia, mais uma das várias micaretas deste país tropical que teima em ser carnaval o ano inteiro...

Por aqui, terra de coronel, até folia tem dono, que é o mesmo do Maranhão - tanto que uma tal "Sanfolia", tentativa de furar o "eixo", vingou apenas um ano... "Tá procurando sarna pra se coçar", pergunta a música: não, obrigado, nós já temos sarna demais pra todo lado... E assim o grupo do bigode estende os seus desmandos pela área das "festas populares" - que de popular só tem a tal "pipoca", onde os foliões mais desafortunados pulam ao som distante dos blocos oficiais, onde varia de 150 a 400 reais um abadá!

E por falar em abadá, um pedaço de tecido sintético que, transmorfado em outras peças como 'tops' ou "micro-saias", e somado a outras tiras de roupa, como os ínfimos 'shorts' atochados, compõe o "figurino" oficial do corredor polonês da Avenida Litorânea (esbórnia na praia: nada mais brasileiro!) - não sei bem onde esta "tradição" de micaretagem começou, mas parece que se está diante de algo tribal soteropolitano, onde proliferam termos africanos como "bandanas" e "axés"... Até mesmo este estranho nome, micareta, parece vir de algum dialeto sudanês, do qual também não tenho a mínima idéia do significado, mas cuja noção já está perfeitamente sedimentada como um "carnaval fora de época", com épocas previamente organizadas de forma harmoniosa com todas as outras folias de diferentes regiões do País, mais especificamente no Nordeste, onde parece que tudo começou, quando no Ceará, abriram o tal "Fortal" e todas as bestas-feras da picaretagem axé-babá passaram a acumular uns trocados com o então boom da marqueteira música baiana - se estiver errado quanto à origem, perdoe-me: além de não ter feito nenhuma pesquisa de campo, não tenho a menor intenção de ser experto no assunto...

E tome "Carnatal", "Recifolia", "Micarina", "Carnabelô", para citar só algumas das "geniais" combinações de capitais brasileiras com a tal folia carnavalesca - tantas que um amigo desocupado da Faculdade agendava-se de acordo com os luxuriosos folguedos: "nesse final de semana eu estive no Fortal; daqui a alguns dias vou para Teresina... vou a todas!"

E as coisas esdrúxulas ("Micarecandanga"?!) não encerram por aí: além de bobagens absurdas como as "danças da manivela" e "da boquinha da garrafa" e de nomes de bandas como "Babado Novo", tudo já está ficando ultrapassado, já que o duvidoso conteúdo axé parece não agüentar mais que a moda de apenas uma estação - até nas rádios o "fenômeno" parece ter morrido, sendo substituído, pelo menos no Nordeste, pela peste do "New Forró" e do "Apokalypso" -, as "mentes criativas" do "estilo" baiano parecem vir apelando para pais de santo e cânticos de macumba: só assim para justificar os "maimbê, maimbê-bá-bá", os "zum zum zumbaba" e os "mugegé-mugegé" que vêm tomando o lugar das antigas exacerbações vocálicas "a ê, a ê, aê, ô ô ô ô ô ô" das composições afro-arretadas...

E assim, ainda que somente num grande e agressivo jogo de 'marketing' onde, a ferro e fogo, ainda sobrevivem (e somente lá) os ritmos ainda assim chamados da "axé music", micaretas como a Marafolia e tantas outras ainda resistem com um relativamente cativo e tolo público que ainda as sustenta, numa repetição do mau gosto que continua a contrariar as mais concretas e otimistas previsões de que aquela explosão de carnavais fora de época do início da década de 90 duraria pouco... Que pena! Só sei "que o corpo estremece" de desgosto ao ouvir a turba "levantar poeira", com uma "mãozinha na cinturinha" e a "outra no ombro", numa vagabundagem esticada demais para um Brasil só, onde a efêmera e vazia sensação de orgia tropical, além de nunca saciar o nosso povo pagão por natureza, parece não ter mais fim...

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