domingo, 31 de março de 2013

Feriadão de Páscoa:
Cinemão? Cineminha...
Só Jesus Salva!

Jesus! O melhor a fazer é olhar para a luz e esquecer...

De repente, senti-me num saudosismo torto do louco semestre passado, onde não tinha tempo para nada tanto fazia se fosse feriado ou não, e, com isso, ficava afastado do universo de ver filmes... Loucura? Não, apenas uma dura constatação a respeito do que a cada dia mais industrial 7ª Arte acabou por fazer com o dito "Cinemão" nos dias atuais... Sabe quando a ignorância, às vezes, acaba sendo uma bênção? Preferia o ocaso a ter perdido o meu ainda sagrado tempo com "iguarias" nada abençoadas como as deste feriadão!

Falo isso porque, desencavando as centenas de filmes baixados naquele período (não via, mas baixava...), sucumbi à curiosidade de ver algumas produções que, já naquela época, não me apeteceriam muito a deixar meu lar rumo à sala escura, ainda que tivesse mais tempo: e ver, enfim, "filmes" como Homens de Preto 3, Asterix nos Jogos Olímpicos e O Homem do Futuro só evidenciam que o bom e velho "Cinema de Entretenimento" virou sinônimo de coisa ruim em qualquer nacionalidade...

Primeiramente, a adaptação dos divertidos personagens dos Quadrinhos: MiB já virou referência no imaginário popular, sobre aquela espécie de "polícia secreta contra alienígenas clandestinos", que age na surdina contra os perigos interplanetários... Então por que seguem fazendo péssimas continuações do interessante primeiro filme? Se o segundo já era ruim, com seu "roteiro" esburacado e extremamente corrido, a fim de que não se "percebessem" os inúmeros furos e vazios da "trama", este terceiro conseguiu repetir os mesmos erros e ser ainda pior: praticamente um episódio de televisão de um seriado ruim, agora apelaram para o velho lugar-comum da viagem no tempo... para mais perda de tempo! O resultado: pirotecnia sem graça e desengonçadamente corrida e previsível - só o Will Smith ainda acredita nessa barca furada, uma vez que o Tommy Lee Jones parece já ceder lugar para seu alter-ego do passado, Josh Brolin (a única "graça" do filme: como são parecidos)!

Mas nem só os EUA seguem jogando lixo cultural no mundo: qualquer outro País que bem seguir a cartilha cada dia mais cretina do cinemão ianque vai desembocar no mesmo esgoto: casos do péssimo brasileiro O Homem do Futuro - se alguém conseguir imaginar um dos melhores atores brasileiros da atualidade, Wagner Moura, péssimo e careteiro, duplique essa fórmula e junte-a às batidas "tramas" da viagem no tempo (de novo?!) norte-americana e seus "dilemas 'nerd'" dos tempos de escola e brindem o mundo com mais um lixo de "comédia" da Globo Filmes, agora sob a batuta do sempre irregular diretor Fernando Torres - e do fraquíssimo francês Asterix nos Jogos Olímpicos - que insiste no já desgastado universo cinematográfico dos famosos personagens gauleses contra o Império Romano e adjacências, com um terceiro filme bobo e "engraçadinho", tão sem criatividade quanto o segundo, Asterix: Missão Cleópatra (sendo que agora o veterano Chsristian Clavier abandona o papel do baixinho protagonista e nem Alain Delon salva no papel de César)!

Ainda bem que o divertido estadunidense Os Muppets, o sensível Intocáveis e o brasileiro As Melhores Coisas do Mundo, cada um no seu estilo (comédia infantil, drama e comédia dramática sobre universo adolescente) salvaram o feriadão e, mesmo com alguns clichês reciclados, conseguiram ser bem amarrados e garantiram algumas horas de diversão sem ofender a inteligência dos presentes - no caso, a minha, pois Jandira deixa de ser companheira quando Morfeu a abate, dormindo ao meu lado, arriada no meu ombro, durante a maioria das exibições caseiras noturnas (às vezes, depois do almoço também)... No fundo, mesmo com alguns poucos acertos, começo a achar que ela é que está certa diante de, salvo as boas exceções, tanto "cineminha"...

Mas a Páscoa não se vai sem antes uma boa e santa reflexão cinematográfica sobre nossa religiosidade: a bela adaptação cinematográfica da vida do Cristo, no épico Rei dos Reis, brindou a todos em casa, de surpresa, no canal pago TCM, no último sábado de aleluia... Bons tempos em que "Cinemão" era sinônimo de algo épico, onde até o maravilhoso e humilde Jesus virava personagem de superprodução com conteúdo - e o Cristo de Jeffrey Hunter, hoje gritado e alardeado em infinitas "guerras santas" nada cinematográficas da Política nacional, bastava impor seus profundos olhos azuis e todo o milagre se fazia - tanto na tela como nas emoções de plateias abençoadas no mundo inteiro...

domingo, 10 de março de 2013


Chuva no Concreto

A


chuva


que cai                          no concreto


é a mesma que           se desprende           do céu


sem se saber                  repetente          na constância          da vida


(Dilberto L. Rosa, 2004)


domingo, 3 de março de 2013

Para não dizer que não falei do Oscar...


Não, não acho que o Oscar seja a "maior festa do Cinema mundial". Tampouco acho "justa" a premiação, jamais diminuindo algum filme porque não "ganhou" nenhuma estatueta dourada. Aquele tapete vermelho de exibicionismo, então, para as sonhadoras copiarem os vestidos ou as modistas (ou "fashionistas"?) de plantão comentarem os 'looks', me é irritante! E eu, com minha boa e velha base esquerdista, sigo mesmo a abominar todo aquele oba-oba em torno de tantos filmes apenas medianos (com algumas boas exceções, claro) sendo laureados unicamente em função da dinheirama ianque em torno daquela indústria fascista de imperialismo mundial... Então por que diabos eu ainda gosto tanto de ver a entrega desta premiação todo ano?!

Simplesmente porque isso é lembrança viva da minha adolescência, onde alguns amigos e eu corríamos para ler sobre os indicados na extinta revista SET (não havia internet...) e apostávamos para ver quem acertava mais palpites sobre cada uma das categorias (até naquelas de que não tínhamos a mínima ideia), todos ainda endeusados pelo rico e fantasioso cinemão americano (depois viriam os brasileiros, os franceses, os italianos...)! Ou ainda porque, já na juventude, o passatempo favorito de fevereiro (ou em março: o Oscar variava...) era assistir ao maior número de indicados possível até pouco antes da cerimônia, para que a aposta fosse ainda mais bem sucedida (o vencedor agora ganhava um lanche dos perdedores)... Talvez, por fim, já na fase adulta e mais crítica, restava a possibilidade de acompanhar o Oscar para falar mal do Cinema norte-americano e enaltecer Cannes ou Veneza...

De qualquer forma, o Oscar e sua cerimônia fazem parte da minha vida e, independentemente do declínio da qualidade de uma forma geral (Melhor Filme para Titanic, Crash e Quem quer ser um milionário?! Jesus...), ainda é tradição imprimir a listinha, telefonar para os amigos e apostar, para depois correr atrás dos perdedores para pagar o jantar - embora, esse ano, nenhum de meus tradicionais amigos tenha me procurado para isso... Mas restam as cerimônias, cheias de bom humor e de atrações interessantes - se bem que as antigas eram bem mais divertidas que as correrias de hoje (já dormi às 4 da matina, na época da faculdade; hoje a festa acaba antes das duas)! Se bem que aquelas traduções simultâneas e os comentários muitas vezes fúteis me tiram a paciência... Mas sempre há a lista dos indicados (antes, só 5), aos quais normalmente assistia a todos antes da entrega da premiação, a fim de poder criticar ou torcer, mas que, neste ano, acabei só vendo 3 dos 9 concorrentes a melhor filme... O Palhaço, de Selton Melo, mais que merecedor, acabou ficando de fora dos finalistas a melhor estrangeiro!

Então vamos falar de Cinema: o badalado As Aventuras de Pi começa como uma promessa de um novo Peixe Grande (aquele do Tim Burton, que, por sua vez, lembra Fellini e seus filmes mais poéticos) em torno de mitos e crenças orientais sobre a vida e o divino, passa por uma épica viagem em alto mar - numa espécie de mistura de O Náufrago com um tigre maravilhoso e uma saraivada do que há de mais impressionante em efeitos visuais atualmente - e acaba se transformando numa espécie de "filme de auto-ajuda" no final... Um belo trabalho do competente Ang Lee (que injustamente levou o Oscar de Diretor, no lugar de Spielberg, para quem eu torcia), mas, com tantos filmes num só, não creio merecer passar para a História como um grande filme ou mesmo receber tantos prêmios: com 4 Oscars no total, a premiada trilha é esquecível e a fotografia é puramente tecnológica (uma vez que o filme quase inteiro foi filmado num tanque), merecendo apenas o dos efeitos especiais, uma vez que nunca se sabe onde acaba o tigre e começa o CGI!

Amor, uma grande coprodução europeia (o diretor é alemão, o filme é falado em Francês, mas representou a Áustria como Melhor Filme Estrangeiro), mereceria muito mais: creio que a difícil história de um casal de idosos, dentro de um apartamento (praticamente o único cenário do filme inteiro), diante da dura realidade da decrepitude e da morte, realmente teria sido o melhor entre os indicados - pelo menos o prêmio de melhor roteiro, de atriz (a octogenária Emanuelle Riva bem que merecia sua estatueta dourada...) ou de direção seriam bem mais merecidos que apenas o de melhor filme estrangeiro... Mas como Oscar não é uma premiação para ser justa, fica o convite para que o querido blogueiro de plantão, que deseja um filme para sentir e refletir, não perca uma oportunidade de vivenciar a delicada experiência de ver Amor no cinema: palmas para a Palma de Ouro em Cannes do ano passado, uma legítima viagem, cena a cena sutil, pela existência e suas perdas inevitáveis...

Por fim, o filme deste domingão: O Lado Bom da Vida começa surpreendendo como um daqueles filmes independentes que conseguem abordar, com inteligente bom-humor, temas sérios e dolorosos - como os transtornos psicológicos e as dificuldades enfrentadas pelas famílias que passam por isso com algum ente querido... Mas, diferentemente de outro filme com abordagem parecida, o genial A Pequena Miss Sunshine, o evoluir de O Lado Bom da Vida acaba descambando num filme redondo no melhor estilo Bob Weinstein (produtor "independente-industrial" de oscarizáveis como Shakespeare Apaixonado)! Mas nada que comprometa o bom filme do diretor David O. Russel (dos igualmente interessantes Três Reis e O Vencedor) - interessante como ele conduz a trama deixando fluir os bons diálogos entre o ótimo Bradley Cooper (Se beber, não case), Robert DeNiro (engraçado e tocante ao mesmo tempo) e a exuberante Jennifer Lawrence (X-Men Primeira Classe): sua performance explosiva enche a tela toda santa vez que entra em cena com sua beleza juvenil e seu personagem adorável. Não tinha como não darem o Oscar para ela! Afinal, a Academia adora esses rompantes à Marisa Tomei e à Cuba Gooding Jr. (só esperemos que a bela moça não padeça da "Maldição do Oscar")!

E corre o ano, enfim, depois do carnaval e, agora, do Oscar - e eu só venho falar da dourada e americanizada premiação (Michelle Obama?!) uma semana depois da sua exibição... E se não há mais grandes filmes ou grandes piadas para amenizar as patacoadas ufanistas e industrialistas de um Cinema ianque em decadência buscando se recuperar na criatividade, resta a tradição de acompanhar algo que representa o lado idílico de alguém que cresceu vendo cinemão de qualidade e sonhando, um dia, trabalhar de alguma forma com isso... Quem sabe, não é, meu caros f... amigos Henrique, Sérgio e Ricardo (alguns de vocês já passaram bem perto...)?! Agora só me resta correr para ver se ainda resta alguma sala exibindo Lincoln ou Django Livre (o "vencedor" Argo e O Vôo, do amigo Zemeckis, já me esperam em HD no computador, devidamente baixados) e, ano que vem, apostar de novo, que sempre dá pra melhorar... Excelsior!

 

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