domingo, 29 de abril de 2012

Cinema,

Últimas considerações sobre o Oscar

e Os Vingadores

Brad Pitty, indicado ao Oscar deste ano pelo bom O homem que mudou o jogo, daria um bom Thor...

Desde meados finais de fevereiro não pisava numa sala escura  tempo pequeno, se comparado ao período de mais de 2 anos sem ir a um cinema, só assistindo a filmes, esporadicamente, pela internet! E, depois daquela saraivada de sessões de concorrentes ao Oscar (sempre tenho a curiosidade de ver os indicados antes da famosa cerimônia), a volta à tela grande não poderia ser mais empolgante e triunfal! Mas, antes de falar da minha sessão noturna de ontem com o filme do momento, o ótimo Os Vingadores, voltemos um pouco no tempo e falemos das minhas últimas idas ao cinema, no afã de assistir a todos os então concorrentes à estatueta de melhor filme deste ano...

Nem preciso dizer que não consegui a proeza de assistir a todos os indicados, uma vez que "só" pude ver 6 dos 9 indicados  os quais, na minha avaliação, seguiram nesta ordem de qualidade: em primeiro, O Artista (uma das raras vezes que coincidi em gosto com a Academia); seguido de Os Descendentes; Meia-Noite em Paris; A Invenção de Hugo Cabret ('Scorcese for kids'); O homem que mudou o jogo; e Histórias Cruzadas (estes dois últimos empatados "tecnicamente", com seus erros e acertos em filmes somente bacanas). Deixei de ver o irregular, porém belíssima homenagem ao Cinema de Guerra e a clássicos como ...E o vento levou e a alguns filmes de John Ford em Cavalo de Guerra (sem mencionar seus impressionantes efeitos sonoros e som, que, injustamente, não levaram nesta categoria), de Spielberg  tudo porque, naquele último fim de semana de fevereiro, resolvi perder meu tempo com um filme que até então considerava uma grande injustiça por não ser indicado como melhor estrangeiro: o sofrível A pele que habito não só foi decepcionante, o pior trabalho de um acomodado em sua excentricidade Almodóvar, como comprovou o porquê de não indicarem este péssimo recorte provocativo do queridinho espanhol de Hollywood a nenhum prêmio da Academia!

Por fim, os dois últimos que só olhei depois da estatueta dourada (que, pelo menos neste ano, foi mais justamente distribuída): o pretensioso, porém belo trabalho do diretor Terence Mallick, A Árvore da Vida  que, se pecou com desnecessárias viagens ao tempo dos dinossauros (!) para "explicar" a vida e a morte (!!), acertou na sensibilidade de uma pequena tragédia familiar e em seu elenco afiado (até Brad Pitty deixa de lado os maneirismos de galã!)  e o derradeiro e péssimo Tão forte e tão perto, que, sem dúvida, foi o mais fraco de todos  mais um trabalho chato, pretensioso e equivocadamente manipulador de emoções do diretor Stephen Daldry (do igualmente equivocado As Horas), onde o filme inteiro passa a sensação de querer arrancar a fórceps uma emocionalidade pelo 11 de setembro de um público que já está vacinado diante de tolos filmes assim: os problemas psicológicos do garoto protagonista acabam sendo o principal mote da “trama” e isso não deixa o filme crescer num só instante, num roteiro empacado que nem Max vonSidow salva (o que dizer de Sandra Bullock...)!

De fevereiro pra cá, após o "retorno" ao cinema, acabei vendo um bocado de filmes que, entre ruins ou somente razoáveis  Scott Pilgrim contra O Mundo; Cilada.Com; Comer, Rezar, Amar; Filhinho de Papai; Jantar para Idiotas; O Último Mestre do Ar; 'Tá rindo do quê?; Esposa de Mentirinha; 500 dias com ela  e bons e ótimos além de ter revisto alguns filmes da minha infância, como os clássicos geniais Roma Cidade Aberta, Rocco e seus irmãos, A Regra do Jogo, pude assistir à inteligente e divertidíssima animação vencedora do Oscar Rango; o exercício inteligente de um Aranowski estreante em Pi; o ótimo show do comediante Danilo Gentili em Politicamente Incorretoe ainda os interessantes Coração Louco; Um espírito atrás de mim; X-Men Primeira Classe, inteligente 'reboot' da franquia dos mutantes dos Quadrinhos da Marvel.

E, falando da Marvel, desde que virou estúdio de Cinema que a "Casa das Ideias" estava devendo uma grande adaptação dos seus personagens para a tela grande – à exceção do ótimo Homem de Ferro (só o primeiro, diga-se de passagem), todos os outros heróis vinham amargando produções irregulares: Motoqueiro Fantasma, Hulk (ainda prefiro a profundidade de imagens e conceitos filosóficos de Ang Lee à correria vazia com Edward Norton), Justiceiro, Thor e até o competente, porém fraco, Capitão América pareciam prenunciar que a união dos seus principais heróis no "filme-evento" Os Vingadores seria mais um caça-níqueis cheio de efeitos e com um roteiro esvaziado como tantos outros por aí... Ledo engano: não só posso afirmar, com tranquilidade, que se trata da terceira melhor adaptação das HQs para as telas (perdendo somente para os já clássicos Superman - O Filme e Batman Cavalheiro das Trevas  e isso porque estes dois são melhores como Cinema), como saí maravilhado de uma sala lotada depois de ver os "maiores heróis da Terra" (tudo bem, a ideia original da união de super-heróis foi da DC com a Liga da Justiça, mas os anos 60 foram mesmo de Stan Lee e Jack Kirby com suas fusões maravilhosas de enredos e personagens humanos)

Com uma trilha das antigas (o velho e sempre bom Alan Silvestri), ótimos diálogos, tiradas típicas e sequências impagavelmente fiéis às das revistinhas (como as disputas de egos e os embates entre os heróis na formação do supergrupo), aliados a um bom desenvolvimento de cada personagem e a uma direção mais do que segura de um 'nerd' talentoso da TV (Josh Whedon, de Buffy A Caça-Vampiros), que soube extrair o melhor do seu elenco (todos convencem em seus personagens  menos, talvez, Scarlet Johansson, que não parece muito à vontade em seu"traje") e das cenas de ação, tão bem feitas e montadas, que parecem ter instalado um novo e mais alto padrão de qualidade para ser seguido por futuras produções do gênero ("chupa", Michael Bay e seus desfocados e irritantes Transformers!). Mesmo minha esposa Jandira, que nunca havia lido uma HQ do grupo, disse, a certa altura do filme: "Que bacana: isto é mesmo um sonho para qualquer menino que gosta de Quadrinhos!" (meio que prenunciando a minha ida à loja de brinquedos do shopping logo em seguida ao filme para comprar o meu Capitão América)... 

E não poderia haver definição melhor: mesmo que a linha principal do roteiro seja fraca, estes são OS heróis da hora, que tão bem conduzem o resto da trama e que andam fazendo muito marmanjo voltar a ser criança de novo ao sair da sala escura com um sorrisão no rosto depois de ver todo aquele universo de fantasia tão bem retratado na telona  Loki é mau, mas o Hulk (o Gigante Esmeralda finalmente em sua melhor versão!)... esmaga o "Deus franzino" (falando em "Deus"... Todo mundo viu o Thanos no finalzinho?)! Finalmente o Cinema 'pop' e de ação fazendo as pazes com a qualidade! Que venha o Cavalheiro das Trevas: parece que Batman vai ter trabalho pela frente... Fica o recado para a Warner/DC correr com sua adaptação da Liga da Justiça e o Batman, para devidamente enfrentar os Vingadores,  aparecer finalmente com o devido reforço do Super-Homem, da Mulher-Maravilha, do Lanterna Verde, do Caçador de Marte, do Flash... 

"Capitão lidera e o Austin esmaga!"
Paradinha na loja de brinquedos antes de ir para casa: Capitão para o papai e o Austin, dos Backyardigans, para a filha, como recompensa por ter-se comportado tão bem (como sempre) na casa da vovó enquanto os pais iam ao cinema...


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6 comentários:

cineboy on 30 de abril de 2012 02:45 disse...

Fantástico. Os Vingadores me provocou a mesma sensação que tive quando saí do cinema após assistir O Senhor dos Anéis. É MÁGICO.Entretenimento de primeira e uma delícia para qualquer amante de quadrinhos de super-heróis. Estou empolgado com essa adaptação e adorei o Hulk nessa versão,finalmente,além de aplaudir Robert Downey Jr,novamente,como o Home de Ferro. Enfim, foi uma sessão de sonhos,me transportei para aquele lugar em qual os sonhos são feitos. É por isso que amo o cinema!!! E os quadrinhos!!!

Emmanuela on 1 de maio de 2012 11:22 disse...

Muito bom mesmo! Estou pensando em ir ver mais uma vez! Gostaria de ter visto mais filmes indicados ao Oscar, nem posso debater como gostaria. Nesse feriado prolongado também tive a oportunidade de ver outro filme pelo qual eu esperava ansiosamente: "Sete Dias com Marilyn" - Michelle Willians impressiona, encarna mesmo o mito! Um deleite para os fãs.

Beijos!

Ricardo Campos disse...

Oi Dil,

Não resisti o fui ver o filme neste domingo. Sem dúvida nenhuma, coloco Os Vingadores no mesmo patamar de Superman de Richard Donner e o Batman de Nolan (até ao lado de X-Men Primeira Classe, excelente também. Apesar de eu não ter gostado muito da roupa do Capitão América (preferia a mais discreta do filme solo) e o final a La Independece Day, o mais, o filme diverte, empolga, com atores bem a vontade no papel, Thor um pouco deslocado, poderia mostrar mais poder, mas a película é um verdadeiro deleite ao mundo nerd. Cenas espetaculares de ação, que lembram aqueles desenhos da Marvel dos X-Men dos anos 90. Uma verdadeira simbiose entre quadrinhos e cinema. Adoro Alan Silvestri e ele acertou com o tema. Perfeito! Enfim, o filme trouxe aquele nerd que estava escondido no coração de qualquer trintão. A cena do Homem-de-Ferro, um verdadeiro ególatra, carregando o míssil nuclear, meio que no sacrífico, remeteu ao Superman de 78, foi uma verdadeira homenagem ao pai de todas as adaptações de cinema de todos os tempos. Bravo!

Felipe Rocha on 3 de maio de 2012 00:47 disse...

Belo post meu camarada!
Um ótimo filme, ótima ação, ótimos diálogos, ótimas "tiradas", ótima adaptação! Achei td perfeito! Filme bom é aquele que após 10min da cena de ação vc ainda está com uma fisionomia perplexa... filme bom é aquele que após uma cena engraçada passam-se 10min e seu sorriso nao sai do rosto...

Filme bom é aquele que mal acabou e vc já pensa em assistir de novo!

Um abraço!!

Jandira disse...

Até eu que nem sou ligada a quadrinhos, gostei demais de Os Vingadores!! Excelente!! Melhor ainda reviver os tempos de infância quando via esses heróis como 'coisa de menino', lembrando dos meus irmãos que viviam com os quadrinhos deles pela casa... E a sessão com o maridão, num cinema lotado,sábado à tarde, não tem preço!! Beijo grande!

Souza disse...

Filmaço! Grande texto! E volte logo, cara!

 

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