domingo, 24 de fevereiro de 2008

Os Morcegos dão um tempo...

...E voltam já!


Acho que caiu um olho no meu cisco... Só assim para que eu não diga nada acerca deste Oscar 2008 (a não ser que aquele prêmio comercial completa 80 anos e que, como fã, torcerei pelos irmãos Cohen, que têm grandes chances com Onde os fracos não têm vez), simplesmente por nunca mais ter visto um só filme sequer nos cinemas desde novembro do ano passado, que foi Tropa de Elite, nem sequer indicado para uma indicação ianque, mas que pegou um, pegou geral na Alemanha, dividindo o Urso com alguns críticos que, tanto lá, quanto cá, ainda querem rotular este filme (que só merece uma única legenda: a de ótimo!)...

E eu não vi (nem quero ver...) o que andam fazendo por aí com belas criações do universo ‘pop’, como o já inconsciente coletivo dos “mutantes”: relidos e repaginados desde a versão cinematográfica de 97, os X-Men, além de “involuído” em estórias fraquinhas nos Quadrinhos e nos Desenhos, ainda têm que amargar um sem número de baboseiras no mundo todo – prova disso é o que a TV do Bispo anda “exibindo” em horário nobre: bastou uma cena para eu saber que aqueles caminhos passam longe do coração e muito mais perto de outra parte anatômica bem menos nobre de nosso organismo... Prova disso as gargalhadas que tive, juntamente com todos os zapeadores da sala que estavam comigo naquele momento!

Fim de temporada...


Mas nem tudo parece estar perdido: apesar de uma reconhecidamente mais fraca segunda temporada (porém divertida, apesar de algumas apelações mais que convenientes... A prova disso é que “Sangue de Claire tem Poder” pode ser, fácil, fácil, um novo tema para novas igrejas neo-pentecostais-dos-últimos-dias pulularem por aí!), a série norte-americana Heroes foi um interessante fôlego de respeito ao universo da mutação genética criado por Stan Lee na longínqua década de 60! O irônico é que, enquanto a mesma Record, que “comete” aquela novela, também exibe os bons episódios da primeira leva dos “Heróis” (por que não chamá-los assim, em Português?) e, depois de já ter mudado de horário n vezes, e até de dia de exibição, finalmente apresentará amanhã o último episódio da primeira temporada (ou Volume Um?!), enquanto assisti, há quase um mês, o último episódio da segunda temporada, graças aos pirateiros-virtuais de plantão... O jeito agora é esperar até setembro, data prevista pela NBC para o retorno do “pessoal especial”...

E, assim, como nessas intermináveis séries enlatadas, os Morcegos chegam a mais um “fim de temporada” (pelos meus cálculos, este seria o fim da quinta...): literalmente, fim de uma fase e início de outra era em meu tempo louco e em miniatura (daquelas que cabem na palma da mão, mas que, nem por isso, são-nos conhecidas com tal intimidade...), começo um novo tempo, apesar dos perigos, preenchendo de fé o peito aturdido, mas que ainda quer sonhar... Sem data de retorno prevista, talvez os quirópteros e eu apareçamos a qualquer hora para falar da vida... Ou de algum outro morcego que retorne por causa de algum palhaço natimorto... Ou por causa de qualquer outro palhaço por trás das cortinas (e dos cartões) do poder... Ou por alguma notícia bombástica da ilha caribenha pós-barba... Ou, simplesmente, quando a correria deixar...

O Último Vôo...


E, mais rápido que a quinta velocidade dos nefastos créus cariocas, eis que preparo minha saída pela direita e para o alto e avante: afinal, que os céus abençoem minhas novas aventuras, de ontem, de hoje e de eternamente... Porque a dois muita coisa boa já foi vivida, tanto as previsíveis, quanto as maravilhosa e surpreendentemente novas sensações que tomam condução juntamente com você! Por isso é que é hora de voar, mesmo sabendo que tanto fica para trás...

Assim é que este super-herói que vos fala encerra este episódio: não deixem de se alimentar nas horas certas, de ler e de estudar, de abandonar velhos hábitos ruins e de rezar para o papai do céu... Porque sempre voarei com ela em meus poemas sem fim...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Pouca gente gostou (ou entendeu) do filme Adaptação: o filme dentro do filme dentro do filme... Em resumo: o filme a que assistimos é a tentativa frustrada de Charlie Kaufman (o próprio roteirista do filme em si, vivido aqui, como personagem, por Nicholas Cage) de fazer um outro filme, tudo isso propositadamente... A confusão foi tamanha, que até a Academia de Hollywood entrou na dança: Adaptação concorreu, dentre outras indicações, ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, uma loucura encantadora, diga-se de passagem, uma vez que o roteiro trata da dificuldade do roteirista em adaptar um livro real para as telas – o que gera, na verdade, um filme completamente diferente no final das contas... E, na esteira recente de bons filmes, como "Mais estranho que a ficção", com Will Ferrel e Emma Thompson, resta o tema para o presente 'post': e quando o filme fala do próprio filme – até onde se pode considerar uma falta de criatividade como camuflada em "homenagem" e até onde se cria um novo trabalho com metalinguagem às vezes tão bom quanto o original?...

A Arte Dentro da Arte

É, Nicole... Que ninguém espalhe que você fez certas comédias...


A Tal da Metalinguagem...

A metalinguagem se dá quando, dentro de uma linguagem ou mídia, fala-se da própria linguagem – são os tais “livro dentro do livro”, “peça dentro da peça”, “filme dentro do filme” etc. Normalmente rendem boas idéias e melancólicas estórias, especialmente quando passam pelo caminho da homenagem – como no inesquecível caso de Cantando na Chuva – ou planos bem assustadores – como nos livros de Stephen King, onde esse assunto costuma ser recorrente: Louca Obsessão e O Iluminado, para ficar só com dois exemplos.

Acontece também de a metalinguagem ser mais aprofundada ainda: a estória não só trata da mesma linguagem, como também reestrutura uma mesma estória pré-existente. Explicando melhor: a estória de um livro recriando outro livro famoso ou um filme traçando um paralelo com outro filme. Exemplo no Cinema é o que não falta – e hoje fico somente com quatro: A Feiticeira, Dizem por aí..., A Sombra do Vampiro e Um novato na máfia.

Neste particular, normalmente a idéia não rende grandes filmes... Vide os dois primeiros exemplos. Enquanto A Feiticeira aparenta ter uma cara de “refilmagem” da clássica série dos anos 60, mas, no fundo, é apenas uma frustrada tentativa de recriar o universo da TV na “vida real”, quando, no filme, todos se envolvem às vésperas de uma refilmagem da série “A Feiticeira” (mais metalingüístico, impossível!), com Will Ferrel e Nicole Kidman lutando para salvar essa bobagem (decididamente, Comédia não é praia para Nicole, vide o ridículo Mulheres Perfeitas), em Dizem por aí... a coisa fica ainda pior: e se a estória dos ótimos livro/filme A primeira noite de um homem fosse real? E se o perdido personagem imortalizado por Dustin Hoffmann fosse vivo e tivesse mesmo “passado o rodo” em duas gerações de uma mesma família? Essa é a premissa de um dos poucos erros do ótimo diretor Rob Reiner (de Harry e Sally), com Jenifer Aniston, Shirley MacLaine e Kevin Costner numa tolice insípida e exagerada...

Mas ainda há esperança nessa área. O excelente A Sombra do Vampiro não só recria, ficcionalmente, os bastidores das filmagens do clássico alemão de Murnau, Nosferatu (inspirado no livro Drácula, de Bram Stocker), como também cria a excelente "tese-brincadeira" de que o ator envolvido com aquele papel (o alemão Max Schrek, aqui vivido pelo excelente William Dafoe) seria, realmente, um vampiro! E Um novato na máfia não só traz de volta Marlon Brando refazendo um dos maiores personagens do Cinema, Dom Corleone, como homenageia rasgadamente O Poderoso Chefão – Parte II (nas aulas de um professor apaixonado pela obra de Coppola), numa estória deliciosamente engraçada de “iniciação” de um aluno de Cinema (Mathew Broderick) em NY! Brilhante trabalho do diretor Andrew Bergman, que brinda a todos com um grande filme, mesmo para quem não conhece o universo operístico da trilogia de Francis Ford.

Terreno realmente movediço este, o das “vidas reais” de obras de ficção, das “super-metalinguagens”... Pouca coisa se salva! Inúmeros são os exemplos deste instigante estilo, no Cinema, na Literatura e no Teatro: exemplos são o que não falta! E você, lembra-se de mais algum?


domingo, 3 de fevereiro de 2008

Poesia & Carnaval

Nunca fui de folia, a não ser por alguma curiosidade na infância dos fofões ou na adolescência das namoradas de alguns bailes em clubes de São Luís... Nunca entendi o “dançar e beber até se acabar” antes que o mundo se acabe, menos ainda quando esse hedonismo hoje em dia se arrasta pelo resto do ano... Mas estamos no carnaval, quando nesta ilha sempre chove e onde nunca falta amido de milho (por aqui, maisena) para se jogar no pessoal... E no carnaval nunca falta poesia (o que clássicos como "A Felicidade", "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas" e tantas outras pérolas de nosso cancioneiro MPB estão até hoje por aí a nos relembrar...), ainda que a temporada toda de folia seja um tanto insensível com alguns incautos pierrôs e colombinas...

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Sempre chove nos carnavais

Sempre chove nos carnavais
Lágrimas temporais
Escorrem.

E um grito abafado
Na lama
É pisado por algum folião distraído.

(Dilberto L. Rosa, Um breve desabafo em antítese, 1998)



Carnaval Atemporal

Domingo atemporal
De velhos carnavais:
Silêncio na ressaca
Do povo que se guarda
Pra quando a noite chegar,
Quando a banda passar
E a cachaça fazer tremer...

Da carne trêmula exposta
Que balança e sacode e se contorce
E se apodrece ao sol que racha
Ao meio dia
Resta a maisena e o perfume barato
Na pele molhada do sexo,
Do samba, do suor e da cerveja...

Amanhece e anoitece
Que o carnaval já vai acabar:
Adeus à tua boca e ao teu corpo
Que conheci ainda há pouco
No sangue deixado pra trás,
Em cada paralelepípedo arrepiado
Da velha cidade a cantar...

Fofão, folião, língua adentro
E o torpor não me faz descansar
Diante de ti, nua e coberta
Da fantasia da já quase morta folia
No corpo que vacila e se rescinde
À beira da terceira madrugada que anuncia
A cinza de nossos doces infinitos...

Tudo acabado entre nós
Cada qual acabado a sós
– Mas jogo água por cima
Lavo tudo com a língua,
Limpo os pratos das orgias,
Recrio a rima da minha folia
E estico minha sina pra depois...


(Dilberto L. Rosa, Morcegos em São Luís, 2000/2007)

 

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