domingo, 10 de fevereiro de 2008

Pouca gente gostou (ou entendeu) do filme Adaptação: o filme dentro do filme dentro do filme... Em resumo: o filme a que assistimos é a tentativa frustrada de Charlie Kaufman (o próprio roteirista do filme em si, vivido aqui, como personagem, por Nicholas Cage) de fazer um outro filme, tudo isso propositadamente... A confusão foi tamanha, que até a Academia de Hollywood entrou na dança: Adaptação concorreu, dentre outras indicações, ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, uma loucura encantadora, diga-se de passagem, uma vez que o roteiro trata da dificuldade do roteirista em adaptar um livro real para as telas – o que gera, na verdade, um filme completamente diferente no final das contas... E, na esteira recente de bons filmes, como "Mais estranho que a ficção", com Will Ferrel e Emma Thompson, resta o tema para o presente 'post': e quando o filme fala do próprio filme – até onde se pode considerar uma falta de criatividade como camuflada em "homenagem" e até onde se cria um novo trabalho com metalinguagem às vezes tão bom quanto o original?...

A Arte Dentro da Arte

É, Nicole... Que ninguém espalhe que você fez certas comédias...


A Tal da Metalinguagem...

A metalinguagem se dá quando, dentro de uma linguagem ou mídia, fala-se da própria linguagem – são os tais “livro dentro do livro”, “peça dentro da peça”, “filme dentro do filme” etc. Normalmente rendem boas idéias e melancólicas estórias, especialmente quando passam pelo caminho da homenagem – como no inesquecível caso de Cantando na Chuva – ou planos bem assustadores – como nos livros de Stephen King, onde esse assunto costuma ser recorrente: Louca Obsessão e O Iluminado, para ficar só com dois exemplos.

Acontece também de a metalinguagem ser mais aprofundada ainda: a estória não só trata da mesma linguagem, como também reestrutura uma mesma estória pré-existente. Explicando melhor: a estória de um livro recriando outro livro famoso ou um filme traçando um paralelo com outro filme. Exemplo no Cinema é o que não falta – e hoje fico somente com quatro: A Feiticeira, Dizem por aí..., A Sombra do Vampiro e Um novato na máfia.

Neste particular, normalmente a idéia não rende grandes filmes... Vide os dois primeiros exemplos. Enquanto A Feiticeira aparenta ter uma cara de “refilmagem” da clássica série dos anos 60, mas, no fundo, é apenas uma frustrada tentativa de recriar o universo da TV na “vida real”, quando, no filme, todos se envolvem às vésperas de uma refilmagem da série “A Feiticeira” (mais metalingüístico, impossível!), com Will Ferrel e Nicole Kidman lutando para salvar essa bobagem (decididamente, Comédia não é praia para Nicole, vide o ridículo Mulheres Perfeitas), em Dizem por aí... a coisa fica ainda pior: e se a estória dos ótimos livro/filme A primeira noite de um homem fosse real? E se o perdido personagem imortalizado por Dustin Hoffmann fosse vivo e tivesse mesmo “passado o rodo” em duas gerações de uma mesma família? Essa é a premissa de um dos poucos erros do ótimo diretor Rob Reiner (de Harry e Sally), com Jenifer Aniston, Shirley MacLaine e Kevin Costner numa tolice insípida e exagerada...

Mas ainda há esperança nessa área. O excelente A Sombra do Vampiro não só recria, ficcionalmente, os bastidores das filmagens do clássico alemão de Murnau, Nosferatu (inspirado no livro Drácula, de Bram Stocker), como também cria a excelente "tese-brincadeira" de que o ator envolvido com aquele papel (o alemão Max Schrek, aqui vivido pelo excelente William Dafoe) seria, realmente, um vampiro! E Um novato na máfia não só traz de volta Marlon Brando refazendo um dos maiores personagens do Cinema, Dom Corleone, como homenageia rasgadamente O Poderoso Chefão – Parte II (nas aulas de um professor apaixonado pela obra de Coppola), numa estória deliciosamente engraçada de “iniciação” de um aluno de Cinema (Mathew Broderick) em NY! Brilhante trabalho do diretor Andrew Bergman, que brinda a todos com um grande filme, mesmo para quem não conhece o universo operístico da trilogia de Francis Ford.

Terreno realmente movediço este, o das “vidas reais” de obras de ficção, das “super-metalinguagens”... Pouca coisa se salva! Inúmeros são os exemplos deste instigante estilo, no Cinema, na Literatura e no Teatro: exemplos são o que não falta! E você, lembra-se de mais algum?


 

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