quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Crônica de Uma Morte Encomendada





Crônica de Uma Morte Encomendada


Tenho o peso de todas essas almas
Acorrentadas às minhas costas
E só consigo pensar em seus olhos de ressaca
A me olharem com a boca entreaberta


Sobre um velho colchão afundado com o peso da minha alma funda
No quarto sujo de um hotel
Nos cafundós de uma cidade quente, porém melhor que eu,
Rabisco seu nome como um colegial
Que acabou de ofertar-lhe flores roubadas
Às escondidas


Quisera dizer-lhe onde estou
Quisera acender-lhe uma vela derradeira pelas tantas almas enredadas
E beijar-lhe a boca, ao final
De outro alvorecer
De mais uma morte encomendada


(Dilberto L. Rosa, 2004)
|

11 comentários:

Gilberto Carlos on 19 de setembro de 2012 07:00 disse...

Gostei do seu poema. Não conhecia esse seu lado poeta.

Surto on 19 de setembro de 2012 08:13 disse...

Caro Dilbert,

Li sim e percebi o engano, o caso é que tenho muitos amigos em Portugal e muitas vezes linko coisas de lá no blog, mas falo mesmo é de SP precisamente de Santo André, região do ABC....

Grande Abraço

Celo Silva on 19 de setembro de 2012 11:03 disse...

Gostei do poema também. Parabéns!

Sônia on 21 de setembro de 2012 21:34 disse...

Eu não gostei...fiquei com medo! rs...

Luci on 22 de setembro de 2012 23:32 disse...

meu poeta!
bj

Claudinha ੴ on 23 de setembro de 2012 20:07 disse...

DILeto amigo, vejo um aqui um matador com um grande coração. Quiçá mata por sobrevivência e ama por destino...
Me lembrou Gabo, me lembrou a crônica de uma morte anunciada, onde ninguém se mexe para impedir o crime. Em seu poema, nem o remorso demove o poder dos olhos tatuados na retina... Gostei!
Beijo procê e pras suas mininas moreninhas e lindas!

Lays Lewis on 24 de setembro de 2012 01:06 disse...

Junte seus poemas e faça um livro. Serei a primeira a comprar.

Elizabeth F. de Oliveira on 24 de setembro de 2012 10:08 disse...

Caro ludovicense, que prazer ter alguém da mesma ilha nessa esfera poética!
Enorme alegria ter alguém de St. Louis, única! Terra acestral de poetas. Pena que não seja daqui, apesar de me sentir completamente maranhense.
Gostei muito do teu poema, o achei singular. Vou linkar o teu blog no meu, afinal, todos precisam conhecer os poetas daqui.
Estarei sempre a ler-te.
Abraços e obrigada pela visita.

Игорь on 24 de setembro de 2012 16:40 disse...

Olá Dilberto, tudo bem ??

Excelente poema, muito poema construído.

abraços !

Jota Effe Esse on 26 de setembro de 2012 23:24 disse...

Carregar "o peso de todas essas almas acorrentadas às minhas costas" sem nenhum remorso é coisa de matador profissional. E você, Dilberto, mata qualquer dificuldade encontrada na construção de um belo poema. Meu abraço.

Dulce Miller on 7 de outubro de 2012 20:57 disse...

Gosto de poemas assim com gosto de personalidade, fortes, intensos...

;-)

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