terça-feira, 4 de setembro de 2012

"Artes em Geral"...

Pôr-do-sol no Canto da Fabril, ladeira da Venceslau Brás (2008).

Apesar de fazer referências à Arquitetura e à Música como artes primordiais da evolução humana na obra Psicologia Musical das Civilizações (1908), curiosamente Ricciotto Canudo não incluiu a arte do edificar no seu mais famoso Manifesto das Sete Artes (1911/1923) - sim, o Cinema não é chamado de "Sétima Arte" à toa, uma vez que, no início do Século XX, aquele italiano catalogou em sete as artes existentes (Música, Dança, Pintura, Escultura, Teatro e Literatura), posicionando, no último lugar, a então recém-surgida cinematografia...

E antes que o meu querido blogueiro de plantão abandone esta leitura, temendo encontrar por aqui outro texto longo, complexo ou mesmo chato, tal como o de algumas últimas postagens fracassos recentes de público, um aviso: na verdade, trata-se apenas de um prólogo para abordar as duas artes desprezadas pela esmagadora soma de votos da última enquete (total de 8 votos, na verdade...) aqui nos Morcegos: quando perguntado na última postagem "O que não pode faltar nos Morcegos" (veja resultado completo abaixo deste 'post'), nenhum visitante escolheu "Artes em geral: Quadrinhos, Fotografia etc.", preferindo matérias sobre o tão querido e popular Cinema,  opção  mais votada - vitória da sétima, mais popular especialmente pela Indústria norte-americana, em detrimento da oitava e da nona artes...

Sim, pois que, com o tempo, outras artes foram "adicionadas" aos pensamentos do referido manifesto e, ainda que a Fotografia tenha surgido antes do Cinema, só foi "lembrada" depois, sendo normalmente aposta como a oitava arte - ou seja, a ordem das colocações não passa, necessariamente, pela sequência do surgimento de cada uma delas... Outras manifestações, como as artes visuais digitais (incluindo até mesmo as programações dos novos videogames, muitas com trilhas sonoras sinfônicas e trabalhos de atuação de dubladores para os personagens), já são informalmente inseridas nesta lista, sem muito critério ou cerimônia...

E eis que uma imagem tirada em família fez bastante sucesso entre amigos no Facebook neste mês de agosto que se finda: usando como capa da linha do tempo do meu perfil pessoal naquela rede social uma foto, de junho de 2011, onde apareço de costas, com Isabela nos braços à beira do mar (Praia do Araçagi), mostrando a ela os navios a caminho do Porto de Itaqui - foto escolhida sem maiores pretensões além de homenagear o mês dos pais - aquela imagem foi vista e comentada por muitos como uma "ode poética" à relação pai-filho, onde estaria mostrando à minha garotinha linda o mundo e "ensinando-lhe sobre a vida"... Tudo isso retratado numa simples câmera 'point-and-shoot', sem nenhum daqueles efeitos mágicos de luz das máquinas profissionais, o que traz à tona a arte por trás do retratar: houve algo a ser dito, ainda que não intencionalmente, aquele instante clicado se eternizou não só para o fotógrafo (no caso, Jandira) como para qualquer um que vivenciasse aquela experiência sob suas próprias impressões! No caso, talvez eu só tenha sido ajudado por uma poesia inerente ao preto-e-branco em que salvei a imagem...

O certo é que nossas praias ludovicenses andam bem distantes da poeticidade capturada naquela foto (vide abaixo): a não ser pela quase fidelidade do tom cinza das águas (como São Luís é voltada para o continente, nosso mar sofre influência de muitos bancos de areia e de poucas algas), nosso litoral anda bem sujo e, o que é pior, agora oficialmente poluído e impróprio para banho... De um modo geral, às vésperas de a cidade completar 400 anos no próximo dia 08, pouca é a Poesia que resta para ser retratada - o que eu, de teimoso, clico de vez em quando, como na foto que abre esta postagem: um poético pôr-do-sol, próximo a meu antigo escritório, registrado pelo meu celular (de poucos 'pixels' de precisão)!

Já sobre Quadrinhos, não ando querendo falar muito, não: grande admirador de gênios como Eisner, Crumb, Sacco, Manara, Moebius, Mutarelli, Laerte e outros bambas, sigo desanimado com as poucas opções do momento para os colecionadores (edições encadernadas de grandes personagens ou histórias clássicas, por exemplo) e ainda me pego caindo na esparrela da curiosidade sobre o que a DC Comics andou prometendo como "revolução", recomeçando do zero a contagem de todas as suas edições recentes - vejo tudo como mais uma farofada promocional para atualizar heróis eternos que não deveriam passar por tanta reformulação (ainda bem que deixei de acompanhar faz tempo, comprando só ocasionalmente algumas coisas)... Mas, afinal, quem precisa de HQs de renovados personagens de collants espalhafatosos quando se pode ser o super-herói de sua filha numa simples praia (poluída) maranhense? E, o melhor: num artístico e poeticamente eternizado mundo em preto-e-branco perdido no tempo...

Isabela, com 1 ano de idade, contemplando o mar e o horizonte no meu braço (2011).

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6 comentários:

Sônia on 4 de setembro de 2012 09:40 disse...

A foto é bacana mesmo! O que não é bacana, é vc visitar os blogs e não visitar o meu!
Vejo vc no blog da Ruby sempre! kkk
Ora essa...rs

Rubi on 5 de setembro de 2012 13:15 disse...

Dilberto, quanto tempo!
Eu sou uma pessoa completamente apaixonada pela arte. Digo isso não só pelo cinema ou fotografia, mas também a música, a pintura, teatro enfim. E é estranho o fato das pessoas colocarem a fotografia depois do cinema, diria até, um tanto quanto curioso.

Enfim, que fotografia linda. É incrível o que uma fotografia em preto e branco, pode fazer não? Remete aos velhos tempos.

Abraços!

on 6 de setembro de 2012 16:24 disse...

Embora eu prefira o cinema, sou apreciadora de todas as artes! Uma boa fotografia, como a que fecha o post, pode ser uma obra tão encantadora quando um bom filme ou uma boa música.
Quanto aos quadrinhos, não tenho muito know-how para opinar. Só se for do Pato Donald :)
Abraços!

Luci on 7 de setembro de 2012 00:26 disse...

ah, eu sou fotos! e fotos PB são mágicas, trágicas e marcantes!
bj

euza noronha disse...

não votei pq vivo ausente. mas votaria na literatura, sem dúvida, embora o cinema tenha passado a me interessar graças ao Sobreira e seu Luzes da Cidade.
de qq forma, é bom reencontrar a sua escrita aqui e as fotos lá no face.
beijocas

Jota Effe Esse on 8 de setembro de 2012 20:48 disse...

Desculpe Dilberto, mas vim aqui apenas para dar, por intermédio de seu blog, os parabéns no dia de hoje, a São Luís "quatrocentão" velho de guerra! Meu abraço.

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