domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro

Em 11 de setembro de 1973, Pinochet, apoiado pelos EUA, liderou um dos mais sangrentos golpes de todos os tempos no Chile de um então promissor Allende. Mas toda a mídia sensacionalista e dominada pela patriotada norte-americana só mostra o 11 de setembro deles. De fato, uma data a ser lamentada, um ataque covardemente absurdo e violento, inúmeras perdas de inocentes num dos maiores cartões-postais mundiais, que nada tinham a ver com o imperialista idiota governo deles, que, juntamente a órgãos mundiais que com eles desrespeitam regras e soberanias alheias, cava há décadas a sua própria sepultura anti-americanista, criando e alimentando os seus próprios monstros (que, no fim, voltam-se contra os seus "donos"). Por isso é que prefiro, guardadas algumas troças e/ou outros exageros, o inteligente Fahrenheit 911, do documentarista estadunidense Michael Moore. Por isso é que, hoje, prefiro lembrar a agonia "em nome da liberdade" sofrida por dezenas de milhares de 'hermanos' sul-americanos mortos e torturados 'with their support', Estados Unidos da América, carrascos que são, foram e ainda serão por algum tempo "contra o terror" de que eles mesmos são causadores... Com vocês, uma ótima matéria para reflexão do 'site' OperaMundi (Para ler a matéria na íntegra, acesse operamundi.uol.com.br)...


Charge do cartunista Carlos Latuff

Vítimas em 2001, EUA foram os algozes do 11 de setembro no Chile
Opera Mundi, João Paulo Charleaux

Antes de serem vítimas do 11 de Setembro de Osama bin Laden, os Estados Unidos foram algozes num outro 11 de setembro, no Chile, 38 anos atrás. O golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, com apoio norte-americano, instaurou uma ditadura brutal, responsável pela morte de seis mil pessoas e pelas torturas cometidas contra 28 mil, na estimativa conservadora dos registros oficiais.

Mas se lições ligam estes dois episódios, elas não foram aprendidas. É o que disse ao Opera Mundi um dos protagonistas desta data negra para o Chile, o cientista político Heraldo Muñoz, de 63 anos, membro do breve governo Allende. Hoje, Muñoz é subsecretário geral do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York. Mas o cargo diplomático não o impediu de fazer uma leitura crítica da política norte-americana.

“Estas duas histórias se comunicam pela porta dos fundos, já que os EUA foram atores em ambos os casos”, disse Muñoz, em entrevista concedida por email. “Primeiro, Washington ajudou a perpetrar a violência no Chile contra um povo indefeso. Mais tarde, os norte-americanos foram objeto da violência fanática no 11 de Setembro de 2001, que também cobrou vitimas inocentes. Mas não sei se a lição histórica – da necessidade de respeitar irrestritamente os direitos humanos – foi aprendida por eles”, afirmou.

No dia 11 de setembro de 1973, o general chileno Augusto Pinochet liderou o golpe de Estado contra Allende. O Palacio de la Moneda, sede do governo, foi bombardeado por caças da Força Aérea do Chile (Fach), enquanto atiradores posicionados nos edifícios do centro de Santiago disparavam contra os poucos membros da guarda presidencial, leais a Allende. Cercado, o presidente fez seu último discurso, transmitido pela rádio, antes de suicidar-se com o disparo no queixo de um fuzil AK-47, presente do amigo cubano Fidel Castro.

“O 11 de setembro do Chile significou a perda da democracia e a interrupção da aspiração de construir o socialismo por uma na via pacifica, pela força dos votos”, analisou Muñoz. “O golpe marcou as vidas de toda uma geração, em todo o mundo. Uma vez, nos anos 1990, eu estive com a ex-primeira ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em 2007, e ela me falou do impacto que o nosso 11 de setembro teve nas forças progressistas paquistanesas neste momento, não apenas no Paquistão, mas também em toda a Ásia e no mundo inteiro.”

O governo norte-americano – que travava, então, uma guerra sem fronteiras contra o comunismo – viu no Chile o embrião de uma experiência com potencial para levantar uma verdadeira onda esquerdista na América Latina. A resposta de Washington veio por meio do então chefe do Departamento de Estado no governo de Richard Nixon, Henry Kissinger. “Não vejo porque temos de esperar e permitir que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo”, afirmou Kissinger.

Um dia depois do golpe no Chile, Kissinger conversou com Nixon sobre o ocorrido. “Há algo novo, que seja de importância?”, perguntou o presidente. “Nada grave. A coisa do Chile é questão de consolidação e, é claro, os jornais são sangue por todos os lados porque um governo pró-comunista foi derrubado”, respondeu Kissinger, antes de agregar: “no período de Eisenhower (presidente norte-americano que forjou a doutrina segundo a qual os EUA deveriam intervir em qualquer país do mundo que sofresse influência soviética) teríamos sido heróis.” Nixon, receoso, perguntou: “Bom, como você sabe, nossa mão não pode ser detectada neste caso”. E ouviu de seu braço direito: “Claro. Não há nenhuma dúvida disso. Eu me refiro ao fato de que nós os ajudamos (trecho ilegível) a criar as condições mais favoráveis possíveis”. Nixon encerra a conversa dizendo: “Muito bom. É o que deveria ter sido feito.”

Mas Muñoz reconhece que o dramático golpe de 1973 também provocou inevitavelmente respostas positivas da sociedade. “O movimento global dos direitos humanos nasceu, em grande medida, em resposta ao 11 de setembro chileno. Hoje, acredito que a data lembra, além da dor da perda de vidas humanas e violações dos direitos humanos, a necessidade de conjugar mudanças sociais e consolidação da democracia”, disse.

Outros tipos de aviões invadiram os céus chilenos naquele distante 11 de setembro...
Leia ainda Outro 11 de Setembro: um Chile 'em parafuso' relembra o golpe contra Allende, por João Peres, sobre os altos preços pagos pelo Chile até hoje.
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11 comentários:

cineboy on 12 de setembro de 2011 11:52 disse...

Bravo Dilberto!! 11 de setembro pra mim é uma antevéspera de meu aniversário no dia 13,além do golpe contra Allende no Chile.
Só me espanto com a capacidade dos eua se fazerem de vítimas e posarem de bonzinhos pra cima e pra baixo.Eca!Gosto do cinema americano,e olhe lá hein!E não dos governos norte americanos!

Jota Effe Esse on 12 de setembro de 2011 12:54 disse...

Sinto muito, Dilberto, mas não lamento nem um pouco o 11/9 americano; já o chileno é lamentável que tenha acontecido. Quem semeia vento... E os americano ainda vão colher muita tempestade, não poeque eu deseje, mas porque a roda não para. Meu abraço.

Duarte on 12 de setembro de 2011 13:07 disse...

Fantástico!!!
Magnífico!!!
O texto provoca um enlevo tal que faz que a alma se libere, pena é que outrem não deixem vê-lo...
Gostei dos cartazes, tem qualidade.
Um grande abraço

ANTONIO NAHUD JÚNIOR on 12 de setembro de 2011 14:00 disse...

Muito bom, amigo. Texto lúcido e contundente.

O Falcão Maltês

Glória on 13 de setembro de 2011 12:04 disse...

Oi primo, obg pela lembrança.
Impossível não se comover com o sensacionalismo que a mídia transmite em relação ao 11 de setembro americano, já o chileno quase ninguém lembra, muito menos a mídia, pq não dá ibope. Não tenho ojeriza total aos norteamericanos, mas consigo notar que eles se acham, apesar dessa crise, os salvadores ou os donos do mundo e isso não é saudável para ninguém. Acredito numa mudança de consciência da humanidade em relação a hegemonia norte americana. No mais temos que pensar positivo, se não der certo, ao menos fomos felizes.
Abraço da AMIGA DISTANTE.

Souza disse...

Bela e justa lembrança, Dilberto: matéria excelente e introdução melhor ainda! Abraço vermelho!

Érica Colaço on 13 de setembro de 2011 17:29 disse...

No dia 11 de setembro de 2001 eu assistia ao vivo dois monstros de concreto desabarem como cartas depois de serem amontoadas. A situação era tão surreal que eu ainda fiquei esperando aparecer Faustão dizendo que era mais uma pegadinha infame, das que ele está mais que acostumado a produzir. A cena era impressionante. Eu tenho muita pena do povo dos EUA, porque eles são essencialmente burros, se autossabotam o tempo todo. O fim do império Norte-Americano está cada vez mais próximo, fato. Sim, a matéria está ótima, até imprimi aqui e vou ler em casa novamente. Parabéns por introduzir tão bem os leitores à reportagem, foi estimulador!

Claudinha ੴ on 13 de setembro de 2011 21:19 disse...

Olá Dil!
Eu vi um documentário sobre o 11 de setembro do Chile e lamento este e o dos EUA e todos os outros, inclusive o meu 11 de setembro de 2011. Aliás, o meu não lamento não, agradeço, porque eu fui embora e voltei à vida, só porque queria muito criar meus filhos, que eram pequenos. Tive uma e.q.m. Não penso nos EUA apenas,penso que toda e qualquer forma de violência é um atraso de vida, atraso na evolução espiritual e faz este nosso mundo vibrar de maneira mais grosseira. É uma pena, mas você abordou bem o assunto, lembrando que não só os ESTADUNIDENSES sofreram. Um beijo procês!

Luiz Santiago on 13 de setembro de 2011 22:30 disse...

...e o que mais me incomoda é o fato de boa parte da mídia convergir isso para uma tragédia além dos parâmetros normais... Não engulo. Não tinha lido nada a respeito da comparação que você fez aqui, achei importante trazer mais luzes aos olhares sobre esse fato tão à tona nesses tempos...

Makoto® on 13 de setembro de 2011 23:00 disse...

Fato: os americanos aprenderam muito mal as lições dos ingleses, os criadores do fanatismo religioso islâmico e grandes fomentadores de conspirações políticas até a metade do século XX. Os rastros deixados pelos ingleses eram menos visíveis. De qualquer modo, considero o 11 de setembro americano um marco não exatamente pelo evento em si, mas pelo modo como pudemos acompanhá-lo em tempo real. Muito mais do que o atentado (ou o modo como ele foi executado), é a transmissão dele pelos meios de comunicação de massa instantâneos que representa o início de uma nova era (conceito que historicamente não faz muito sentido, mas que o senso comum assimila muito bem).

Canto da Boca on 14 de setembro de 2011 00:14 disse...

Acerca desse tema, eu escrevi isso: Falar do 11 de setembro, sem cair no lugar comum, não é fácil, e no entanto, cá estás falando de um episódio que, queiramos ou não, mudou a cara do mundo; e de uma forma que não é cansativa, e nem acentuada, priorizando isto ou aquilo; condenando, endeusando, ou idealizando, mas dando a liberdade de interpretação e inferência, o que também é uma característica da sua escrita. Muito bem articulado, e enredado.
A propósito disto, viste o documentário, 11 de Setembro? Onze curtas-metragens, com a duração de 11 minutos, 11 diretores, do mundo inteiro, onde cada um dava a sua A propósito disto, viste o documentário, 11 de Setembro? Onze curtas-metragens, com a duração de 11 minutos, 11 diretores, do mundo inteiro, onde cada um dava a sua abordagem ao episódio? Eu gostei especialmente destes: da diretora iraniana Samira Makhmalbaf, naquela sala de aula paupérrima, miserável, muito semelhante às muitas salas de aulas dos interiores do nordeste, as crianças sentadas no chão, sem nenhuma estrutura, e professora falando do 11 de setembro, que para aquelas crianças, não dizia nada, mas sim que naquele dia, o avô de um deles, havia falecido, há um ano atrás; e mostrava o tamanho da miséria daquele lado do mundo, e das crianças afegãs;

da indiana Mira Nair, sobre o equívoco em torno do jovem, cuja origem paquistanesa, morando dos U.S.A, Mohammed Salman Hamdani - morto nos destroços, e o identificaram como terrorista e muito depois, o reconheceram herói, em virtude de ter salvo muitas pessoas numa das torres;

a poética do Sean Penn, com a impecável interpretação do Ernest Borgnine, e a mudança psicológica sofrida, sem a sombra das torres, no seu ritual de homenagem e recordação da esposa;

a "fábula", do japonês, Shohei Imamura, sobre o velho soldado, na II Guerra Mundial, e seu grau de loucura, o fazia pensar e agir "como uma serpente", mostrando no gran finale, a frase, "nenhuma guerra é santa";

e finalmente, Ken Loach, que conta a história de um exilado chileno, vivendo em Londres, narrando "a trágica coincidência de datas", o golpe de estado, sofrido por Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, culminando na sua morte - uma história que todos sabemos, né? - e de "pelo menos 30.000 civis nos anos que se seguiram, durante o governo do general Augusto Pinochet". Contando a maneira bruta de como os aliados estadunidenses, e os comandados de Pinochet, agiam, especialmente com relação às mulheres, introduzindo ratazanas na vagina delas; obrigando-as a copularem com cães; e outras barbaridades mais, coisas que não são divulgadas, enfim... Se viste, vale a pena rever, se não, vale a pena assistir.

Aqui no blogue do Herculano: http://herculanoneto.blogspot.com/

que eu gosto de ler, tanto quanto o seu o seu.

Perdoa o copy paste, mesmo sendo meu.

Abraço!

 

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