segunda-feira, 8 de março de 2010

"E O Vencedor É...": A Mulher!

"Dedicando ao meu ex-marido e aos navios vazios que só ele sabe afundar..." Kathryn Bigelow vence com garra épico azul e esvaziado! Por pouco não ganhei a aposta sozinho: empatei com o amigo Sérgio!

Tal qual no passado, voltou à tona a competitiva frase "E o vencedor é..." (no lugar da politicamente correta "E o Oscar vai para..."). E, também como no passado, arranjaram 10 filmes para concorrer ao prêmio principal. Forçaram, melhor dizendo: se já é difícil, num ano só, arrumarem-se 5 grandes filmes nos EUA, avalie quando isso tem que se duplicar! Dos concorrentes, assisti somente à metade: já disse o que penso de Avatar em 'post' anterior - delírio visual cansativo com Smurfs superdesenvolvidos em filminho infantojuvenil apenas divertido (merecidamente levou apenas prêmios técnicos - efeitos visuais, fotografia (!) e direção de arte; seu "prêmio maior" já é ser o mais caro filme já feito e o com a maior arrecadação de todos os tempos!); Bastardos Inglórios acabou ficando aquém das expectativas, mostrando um Tarantino apenas 'pop' e misturador de gêneros e de cenas alheias, num filme divertido, porém bem abaixo da criatividade de Pulp Fiction ou Kill Bill, ignorado, à época, pela Academia; Up, injustamente indicado tanto para filme como para animação, ganhou como melhores animação e trilha sonora (gostei mais de Coraline e de 9 - A Salvação, que nem foi indicado); Guerra ao Terror, o "campeão" da noite (ganhando, inclusive, os prêmios de melhores produção e direção), é um grande filme, quase um "A França vai ao Iraque" (não por acaso, grande parte do financiamento dos "míseros" 6 milhões do orçamento veio da França), tamanho o "existencialismo" da competente película, espécie de docudrama sobre um oficial desarmador de bombas viciado em guerra (um tipo de Além da Linha Vermelha sem poesia!); mas ainda acho que, dentre os que vi, Preciosa - Uma História de Esperança foi o melhor de 2009!

Mesmo com alguns defeitos (a "câmera verdade" em excesso; insistência nas "fantasias escapistas" da personagem principal, funcionando mesmo somente no comecinho, quando sofre o primeiro estupro pelo próprio pai; e a bela, porém péssima, Paula Patton, como a professora lésbica boazinha), Preciosa é Cinema com letra maiúscula, narrando a difícil estória de Claireece Precious Jones, jovem semi-analfabeta de 16 anos, explorada pela mãe (a excelente Mo'Nique, Oscar de atriz coadjuvante), abusada sexualmente pelo pai (de quem está grávida pela segunda vez e de quem contraiu HIV!) e cuja única "esperança" reside na redenção através dos estudos numa escola alternativa e nos filhos incestuosos... Longe dos apelos fáceis dos costumeiros dramalhões hollywoodianos (mais que merecido Oscar de roteiro adaptado), o filme emociona com uma menina se tornando mulher da forma mais violenta que se possa imaginar! Impossível não fulgurar uma "Preciosa" real nos rincões deste imenso Brasil, especialmente em algum ponto perdido do Nordeste, onde tantas meninas viram mulher nas mãos de pais enlouquecidos pela miséria e sobrevivem em meio ao mesmo chão sem educação e esperanças, tal como a negra e obesa adolescente do filme estadunidense, lutando para simplesmente existir, remando e vencendo contra todas as marés... Para essas é que deveria ser dedicado todo Dia da Mulher, longe do 'glamour' de butique ou de 'outdoors' poéticos normalmente estampados nesta data!

Diferentemente do ano passado, onde a mesmice venceu (quando o tolinho Quem quer ser um milionário, em épocas de moda mundial da Índia, onde até babaquice global ganhou Emmy, bateu filmes bem melhores, como O curioso caso de Benjamin Button, Frost/Nixon e até mesmo o unilateral Milk, bem superiores!), este ano prevaleceu a ousadia e a qualidade de produções menores, ficando a previsibilidade dos milhões em entretenimento vazio, definitivamente, para trás (impagável a tirada de Steve Martin no final da cerimônia: "Esta festa foi tão longa que Avatar já ficou no passado!"). Sem dúvida, os novos tempos são mesmo da mulher: não só Kathryn Bigelow venceu como a primeira mulher na direção, como Gabourey Sidibe fez o mundo parar para pensar com sua sensível e institiva interpretação... As mulheres, decididamente, devem ser olhadas com outros olhos...

Vivendo do "bolsa-família": Preciosa também critica como muitos exploram a assistência social norte-americana; no caso, a oscarizada Mo'Nique, que explora sua filha através dos netos e passa o dia em frente à TV... Pior é ficar sem TV a cabo e aguentar a falta de responsabilidade de concessão pública global: Big Bosta corta a metade da cerimônia, comprada para evitar concorrência... Essa foi pesada!
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22 comentários:

Morena on 8 de março de 2010 18:33 disse...

Nada melhor q no dia das mulheres colocar as mulheres vencendo ^^
Ah é tão errado assim colocar um desenho animado como melhor filme!!! eles tbm tem história!!!
Beijos saltitantes
Boa semana

José Viana Filho on 8 de março de 2010 19:18 disse...

PERFEITO Mestre,

vc falou tudo q disse aqui no Rio, em bares, chat e para amigos do cinema. Vc foi completo sobre os filmes do oscar e me deixou sem vontade de escrever sobre o tema. Vou falar sobre o bom e velho Jeff, que ganhou melhor ator!!

Parabéns pela Critica de primeira mão com pitadas de homenagem as mulheres. E Preciosa 'e tudo isso q vc falou, os defeitos não deixam o filme cair e tivemos uma grande obra de denuncia , viva o cinema que nos proporciona isso!!

Parabens a vc e as mulheres da sua vida: Dilena, Jandira e minha ex afilhada Isabela, as mais bela menina a nascer e minha futura Nora, pq ZEZINHO vem ai, te cuida Papai...

Scorpys on 8 de março de 2010 19:28 disse...

Dos indicados não vi nenhum,mas minha filha disse que preciosa é otimo,apesar dela estar na espera de Alice,com o maluco Tim Burton e o não menos maluco Jhony deep,que segunda ela ja bateu records nos Estados Unidos.Tenha uma semana deliciosa,
beijussssss

Érica on 9 de março de 2010 08:53 disse...

Um grande presente para a Kathryn: dia das mulheres e ainda disputando ao lado do ex-marido, deve ter um gostinho docemente salgadinho rs.

Quando eu assisti Avatar, fiquei meio descrente das super produções, apesar de ser bem feito quebrava a idéia de magia quando misturava com a ficção cientifica. Forçado demais, não assisti guerra ao terror, alguns trailers, uns comentários, mas sem dúvida mereceu desbancar o pretensiosismo de Avatar.

E eu que gostei tanto de Bastardos inglórius, falei tão bem lá no blog, não passa de uma filme pop e misturador de gêneros rsrs, eu tenho muito o que aprender...

Eu ainda não li uma crítica tão bem feita, tu realmente sabe o que diz.

Beijos

Francisco Sobreira on 9 de março de 2010 11:18 disse...

Dilberto,
Apesar de não levar o Oscar a sério, eu assistia à cerimônia, até quando o sono deixasse. De uns 4 anos pra cá, nem sequer a vejo. Mas fiquei satisfeito por Christoph Waltz ter ganho o prêmio de ator coadjuvante. É uma atuação que me deixou quase extasiado a desse desconhecido ator austríaco. Fazia muito tempo que não via um vilão da espécie do Coronel Landa (aplausos para Tarantino, um diretor um tanto quanto superestimado, mas gostei de "Bastardos Inglórios"), que encontrou o seu intérprete ideal. Ele é o grande personagem do filme. Um abraço.

Игорь on 9 de março de 2010 12:56 disse...

Oi Dilberto

Há anos que não vejo o Oscar , contento-me em saber via jornal ...e hoje por tue blogue rssss .

Ainda bem que o Avatar ficou limitado à premiação técnica . Se ganhasse mais que isto ...

Vou conferir o filme do Tarantino . Quando passou não me interessei .

abraços !

Luma Rosa on 9 de março de 2010 16:35 disse...

Perfeito!!

Não assisti "Preciosa" mas temo que a atriz não seja aproveitada em outros filmes e torço para que ela se mantenha.

Ah, então é papai!? E não conta? Irmão desnaturado!!

Beijus,

Lara Amaral on 9 de março de 2010 18:59 disse...

Discordo, achei Bastardos Inglórios fantástico, melhor que os anteriores dele que vc citou. Mas enfim, não sou nenhuma entendida de cinema, fico só no gosto mesmo.

Abraços.

Mr.Orange on 9 de março de 2010 19:09 disse...

Só de pensar que um filme completamente oposto ao que era “preferido” para levar todas as estatuetas ganhou todos os prêmios já é uma vitória.Mas o que me impreciona é o fato de “Guerra ao terror” ser um super-filme com uma pegada hard/tensa,mostrando que a diretora manda melhor que muito homem cineasta.

Claudinha ੴ on 9 de março de 2010 20:27 disse...

Olá Dilberto!
Eu não vi os filmes Preciosa nem Avatar. Gostei de Up, mas não acho assim assim para Oscar. Mas, mesmo sem assistir Avatar inteiro, sei que, pelas cenas que vi, vou adorar. Adoro ficção e realidades alternativas. O filme Preciosa é outro que quero ver e imagino pelo apelo dramático ter sido merecedor de muitos prêmios mais. Valeu pelo primeiro prêmio feminino para a direção e por ver esta foto de Barbra Streisand depois de tanto tempo!
Beijo procê e obrigada pelo cumprimento no todo dia da Mulher!

Ruby on 9 de março de 2010 20:42 disse...

Dilberto, muito boa su resenha. Eu acho que eles perceberam que desde que mudaram a frase o evento
sofreu perdas e se queriam acender o glamour de volta, que a clássica
frase também tomasse seu lugar de volta. Pelo menos foi marcada pelo
inédito Oscar de melhor direção, mas confesso que não vi sequer um desses filmes indicados.
e nem compareci à festa hehehehe, na frente da telinha,vc me entende.
Mas espero ver Preciosa.

Ilaine on 10 de março de 2010 04:50 disse...

Oi, Dilberto!

Parabéns pelo post. Concordo com o Francisco, Christoph Waltz é um grande ator. Conheco-o de vários filmes, quase todos produzidos para a tv.

Quanto às mulheres... Um Oscar para Kathryn e para as mulheres em tua vida, Dilberto, e para nós todas!
Beijo

mulherpolvo on 10 de março de 2010 08:13 disse...

Eu não vi p. nenhuma.
hahaha

Mas para que ver, se posso ler suas críticas tão certeiras?? Depois, quando passar no telecine, eu vejo.

Magui on 11 de março de 2010 13:02 disse...

Meu filho viu Avatar e não gostou.Quem sabe se vir comc alma em casa...Qt ao filme que ganhou , não vi mas me parece loas aos soldados no Iraque, exaltando -os e tratando os iraquianos como bandidos terroristas.Nada de novo.

Marcelo on 11 de março de 2010 13:15 disse...

Caro amigo Dilberto, não assistí a nenhum dos filmes " oscaveis" nem pretendo....parece que Preciosa seja realmente bom...mas não receberá meu niquel na bilheteria...tô protestando pelos preços cobrados pelos cinemas brasileiros e enquanto não se decidem sobre o vale cultura...abstenho - me...assistí a uma mostra do turco-germanico Fatih Akin muito bom, muito potente, muito na veia!

abs

Thiago Leite on 11 de março de 2010 14:20 disse...

Interessante. Poucos dias antes do Oscar, eu estava totalmente por fora dos indicados, comentei com Inês que eu não conhecia nenhuma diretora de cinema, e ela me disse que também não.

E eis que ouço falar de um aclamado Guerra ao Terror, dirigido por uma mulher (e ex-esposa do diretor do aclamado Avatar).

Não sei e não interessa se o filme é realmente o melhor e blablablá. A entrega desse Oscar a uma mulher tem um simbolismo semelhante ao da eleição de Obama. Reconheçamos a irrelevância do sexo de alguém para a eficácia de qualquer atividade.

Canto da Boca on 11 de março de 2010 15:43 disse...

Soberbo! I-r-r-e-t-o-c-á-v-e-l!
Uma análise sensata, imparcial com um apuradíssimo senso crítico. Só discordo da parte em que toma o Nordeste do Brasil, como referência de miséria, e toda sorte de violência, isso não é um "privilégio" do Nordeste, mas do país como um todo, com maior ou menor incidência, e/ou lugar na mídia, no mais, o poste é uma ajuda imensa para quem nao viu a cerimônia e ou os filmes aqui citados. A exemplo disso, nao vi e nem verei Avatar, os amantes do 3D, 4D, que me perdoem, mas sou daquelas pessoas que só assiste aos filmes que lhe dizem algo, nao é porque um belo e competente trabalho de marketing, invade o mercado, que me leva ao cinema, nao mesmo, quem escolhe o que eu quero ver, sou eu. E sua impressao do filme O Avatar), só reforça meu sentimento.
E o vencedor somos todos nós de fato, mulheres e homens!

Abraçao, Dilberto, parabéns pelo textão!

Helô Müller on 12 de março de 2010 21:06 disse...

Oi Dilberto!!
Vc, como sempre, super competente em suas análises e críticas!! Não vi Avatar, simplesmente porque não gosto do genero "ficção desvairada" (rs), por mais bem feito que seja... E não pretendo assisti-lo! rs Vi o triler de Coração Louco, antes do Oscar, e fiquei vidrada com a atuação brilhante de Jeef Bridges! Assisti "Preciosa", no dia em que foi lançado, e concordo com todas as suas opiniões "about", sem retoques!! O premio de melhor atriz coadjuvante foi mais do que merecido! ( Mo'nique estava irrepreensível... ) Quanto ao vencedor - duas vezes - e os demais, pretendo assisti-los ainda, portanto ainda "sem opinião formada sobre tudo"!! rs
Bj
Helô

Ricardo Campos disse...

Oi Dil,

Se eu não estou enganado, apenas Senhor dos Anéis e ET ganharam o oscar de melhor filme. Duas obras de ficção-científica/fantasia, em toda a história do Oscar, que ganharam o prêmio principal. Na verdade nunca acreditei que Avatar ganhasse melhor filme. O seu prêmio principal foi a melhor bilheteria de todos os tempos e ter iniciado uma revolução tecnológica no cinema pipoca/digital. Foi até decepção não ter ganhado mais prêmios (de 9 ganhou apenas 3!), mas isso prova que Hollywood ainda privilegia obras com apelo dramático e narrativo mais condesados, autorais e significativos. Parabéns à Guerra ao Terror! Sempre gostei da diretora Bigelow. Dirigiu o sui generis Caçadores de Emoção e o decepcionante Estranhos Prazeres, ambos produzidos pelo próprio ex-marido, Cameron. É uma mulher que dirige feito homem, privilegiando à tensão, edição e à ação. As figuras masculinas nos seus filmes são bem fortes. Descartando quase figuras femininas importantes.
Dil, só não concordo com você dizendo que Avatar é cansativo. Se fosse, acho que não chegaria aos bilhões de dólares no mundo todo. E que UP nem mereceria ser indicado à melhor animação. Creio que a animação está à altura dos filmes anteriores da Pixar, mas não chega a ser a melhor delas. Porém mereceria ser indicado. Fiquei feliz pela animação ter ganho melhor trilha sonora. Muito linda a trilha do filme. Sobre os outros ganhadores, acho que tava tudo no script, à exceção do melhor filme estrangeiro. Uma surpresa o filme argentino ter ganho. Mas li ótimas críticas sobre a película.
Bom, até mais!

Poeta Mauro Rocha on 14 de março de 2010 17:04 disse...

E o mundo muda! E a vida continua para mostrar que todos podem fazer algo e ser reconhecido por isso.

Tenha uma ótima semana.

Soninha on 15 de março de 2010 08:15 disse...

Olá, Dilberto, querido amigo!

Aqui, em seu espaço, vimos recolher informações maravilhosas, através de seu conhecimento e empenho em dividir conosco tudo isto.
Ainda não pude ver todos estes filmes indicados para o Oscar, mas, pretendo vê-los. Ainda mais agora, com seu critério de análise, será mais fácil, para nós, selecionarmos os melhores e a sequência para assistir.
Muito bom, Dilberto.
Valeu, amigo!
Excelente semana a você. Bom trabalho.
Muita paz! Beijossssssss

Marco on 16 de março de 2010 18:03 disse...

Caro primo,
eu discordei de você em muitas coisas neste post. Mas concordei com o Preciosa. Dos que vi (quase todos) foi o me deixou mais inquieto. Torci inclusive para a Gaboney levar o Oscar de Melhor Atriz.
No Oscar de melhor Filme Estrangeiro, eu não sabia se torcia para Fita Branca ou para o Segredo dos seus olhos. São dois filmaços! Acabei torcendo por este último e ele ganhou.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

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