quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dose Dupla!

Agosto, mês do desgosto, do cachorro doido e de incômodo para os supersticiosos de plantão – justamente, dentre outras coisas, por causa de uma histórica tragédia nacional: o “bom ditador” Getúlio Vargas, que, para o bem ou para o mal, mudou o País, há exatos 55 anos saía da vida para entrar para a História com um tiro no peito no primeiro suicídio político brasileiro... E, falando em Ditadura, “nunca na história desse país se reuniu um grupo tão bom de jornalistas e artistas a serviço de um jornal!” – não, esta não é mais uma “pérola” do ditador barbudo, mas, sim, do jornalista Ancelmo Gois, no bom programa De lá pra cá (TVBrasil), da semana passada, sobre os 40 anos do Pasquim, o revolucionário jornal que, em plena Ditadura Militar, misturou escracho e notícias com um time que contava com gente, dentre outros, como Ziraldo, Millôr, Henfil, Sérgio Augusto, Paulo Francis, Chico Buarque (“correspondente em Roma”) e Rubem Fonseca! Mas, sobre o velho estancieiro gaúcho, deixo o amigo (e conterrâneo do “fascista tropical”) Jens falar melhor que eu (‘post’ do dia 07 de agosto, “Mês do Pesadelo”), e, quanto ao inovador jornal carioca, clique aqui!

Tampouco falarei de outra dupla que recentemente mexeu o cenário nacional, José “Já que passaram o rodo e fui absolvido, vamos falar de amenidades” Sarney e Eduardo “Se erros cometemos, é importante reconhecermos: cartão vermelho” Suplicy! Ou ainda do Sarney Escritor e os 100 anos de Euclides da Cunha – dobradinha digna de nota, uma vez que, além do bigode em comum, Euclides teve seus últimos dias escancarados por questões de foro íntimo (alguém se lembra da polêmica minissérie global “Desejo”?)... Mas o Coronel-que-se-diz-imortal nunca chegaria aos pés do diletantismo de Euclides, que ainda teve muito mais brio que o Capeta Maranhense ao “defender sua honra”!

Pois a Dose Dupla de hoje vai para outro duplo aniversário ilustre do mês dito “azarado”: Tarzan e Raul Seixas! Mas o que esses dois têm em comum? Não perca o próximo capítulo...

"Porque Durango Kid só existe no gibi"

Tarzan, órfão de pai e mãe depois que um naufrágio e um gorila chamado Kerchak levaram o menino ao insólito caminho de ser criado por macacos na África, "reduzido" de Lord Greystoke a "Rei dos Macacos" de tanguinha de leopardo, tornou-se, sem dúvida nenhuma, um dos maiores ícones culturais do século XX, o que acabou por inspirar outro Rei (no caso, do Rock Nacional) quanto ao seu grito de advertência: "Krig-Ha, Bandolo!", que queria dizer "Cuidado, aí vem o inimigo" (conhecido à época nas revistas em quadrinhos do Tarzan, na EBAL), acabou se tornando o título do primeiro disco solo de Raul Seixas, trabalho excelente, que revelou clássicos como Mosca na Sopa, Metamorfose Ambulante, As Minas do Rei Salomão, Al Capone e Ouro de Tolo – aquela louca viagem de discussão político-social-filosófica com o final mais esdrúxulo da MPB: "Porque longe das cercas/Embandeiradas/Que separam quintais/No cume calmo/Do meu olho que vê/Assenta a sombra sonora/De um disco voador...".

E é mesmo em ritmo de matinê que segue este ‘post’, uma vez que tanto Tarzan como Raul sempre foram personagens multimidiáticos e se deram muito bem com os ‘spotlights’: Tarzan, depois da Literatura (surgiu como romance em 1912 e continuou assim por mais 23 livros), foi para o Cinema em 1919 (com nova versão para a telona prevista para 2011) e, para os Quadrinhos (tiras de jornal), em agosto de 1929, há 80 anos, afora outras mídias (rádio e TV), e Raul, que nos deixou há exatos 20 anos, foi um dos precursores do videoclipe no País (com suas incursões no global Fantástico), sempre com canções cheias de metalinguagens e de atuações memoráveis – não por acaso, no clássico Metamorfose Ambulante desse mesmo disco, Raul se autoafirmava "Eu sou um ator": e o era, na mais completa definição de personagem legendário do Rock!

Se estivesse vivo, Raul com certeza, seria maior que um Tarzan e até mesmo que Paulo Coelho, seu amigo e parceiro ocultista, que soube melhor aproveitar a vida e hoje é um fenômeno 'best-seller' no mundo todo (embora sua Literatura... Deixa pra lá!): performático e genial sempre, creio que o maior roqueiro brasileiro seria o rei da selva globalizada destes tempos virtuais... Mas a miséria, o ocaso e o fígado destruído levaram Raulzito antes do Novo Aeón, no Trem das Sete, cedo demais... Foi-se o diabólico anjo e 'cowboy' fora-da-lei: personagem do humor ímpar e figura impagável que, decididamente, não está no gibi!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

'Dio' não é surdo!


Antes de qualquer coisa, fé não se discute, mas religião, sim, e posso afirmar que meu ‘religare’ é com Deus... E, como qualquer relação, minha fé tem altos e baixos com o Todo-Poderoso... Não credito “religião” a “Igrejas”; por isso, não tenho nenhuma “filiação partidária” e procuro ser “cristão”, por sobre os ensinamentos do bom e velho Jesus: esse, sim, sabia das coisas! Infelizmente, até hoje, muito de seus ensinamentos são deturpados ao bel prazer de mentes fanáticas ou criminosas...

Porém, mesmo a dita “Palavra” deve ser encarada com reservas e com boas doses de fé, uma vez que, historicamente, há muita controvérsia no tal “Bom Livro” e a Bíblia, através dos séculos, acabou condensando inúmeras lendas e histórias de diferentes origens e tempos – mesmo o atribuído ao “Filho do Homem”, no Novo Testamento, é cercado de situações inusitadas: os evangelhos são praticamente iguais, uma vez que nenhum teria sido escrito por testemunhas dos feitos de Jesus, mas, sim, tempos depois de sua morte, tudo na boa dose do “ouvir dizer”... E, graças à danadinha da Igreja Católica, são somente quatro! Logo, tudo passa, necessariamente, pela questão da fé: não se pode levar a Bíblia ao pé da letra, tampouco considerá-la como fonte histórica ou literária.

Não tenho nada contra a religião de ninguém, quem quiser que considere até uma telha algo sagrado: afinal, ela nos cobre e nos protege das intempéries... Mas confesso estar cheio do “evangelical way of life” e devo admitir que detesto certas fórmulas difundidas por aí de uma “salvação autômata”: “Faça isso e será salvo!” – e tome uma indústria de músicas ‘gospel’ (normalmente muito ruins e que nada tem a ver com os bons e belos ‘spirituals’ negros de louvação, origem deste termo), de comportamento, de programas televisivos e até de moda dita “evangélica”: um verdadeiro saco ter que acompanhar até em partidas de futebol as camisetas de “100% Jesus”! O "coisa-ruim", por acaso, sempre torce para o outro time?

Porque, olha, se precisar ficar sem ouvir a "Música do mundo" ou tiver que dar gritinhos inoportunos de “aleluia” e “oh, glória”, com a mão para o alto e franzindo a testa com os olhos fechados, como se eu estivesse passando mal, para me salvar, já estou pretinho no Inferno! E toda esta “febre evangélica”, além de gerar automatismo mental reacionário, fomenta também os Impérios Religiosos, que, ou deturpam tudo e misturam meios de comunicação, imprensa e até Política com Deus (coisas que não deveriam misturar-se...) ou fomentam verdadeiras quadrilhas ditas “neopentescostais”, ceitas que, por trás da dita “filosofia da prosperidade”, enganam milhões de fiéis num gostoso estelionato permitido legalmente (a tal “liberdade de culto”, onde centros religiosos se eximem de pagar tributos por sobre “obras da igreja”) e se espalham mundialmente em conglomerados empresariais especializados em lavagem de dinheiro por trás do belo mármore das fachadas dos templos... Que caia o teto da Renascer se a Bispa Sônia tiver algum dinheiro não declarado! Ou alguém, por acaso, tem dúvida da origem do patrimônio das empresas do endiabrado Edir Macedo, como a TV Record, verdadeira Globo disfarçada?!

E, falando no Diabo, todos sabem também das origens nada santas do poderio global desde os anos de chumbo e dos golpes que se sucederam... Por isso, tamanha bobagem faz a Record querendo, forçosamente, inverter a situação pra lá de suja dos ditos pastores ao mostrar os tais “interesses por trás dos ataques”, que a Globo quer a hegemonia televisiva porque se sente ameaçada etc. e etc. No caso, é como se alguém de bigode viesse a público dizer que “pelos tantos anos de vida pública, deve ser respeitado e ter direito a sua privacidade”: sai pela tangente, acima do bem e do mal, e não prova que não deve nada a ninguém! Santa "perseguição midiática"!

Noutro dia quase caio para trás de tanta “vergonha alheia” sentida, no caso, pelas apresentadoras de carinhas zangadinhas e de cenho fechado do programa Fala, Brasil, que bradavam quase como se estivessem numa “Fogueira Santa”, a mostrar os “podres globais”, e terminavam com a seguinte “enquete”: “Quem, em sua opinião, está vencendo a guerra entre a Globo e a Record?”... Meu Deus... E eu que pensava que o limite da baixaria fosse a campanha política entre Collor e Lula em 89 e que o limite de imprensa marrom e tendenciosa era o do Sistema Mentira, digo, Mirante de Televisão, daqui do Maranhão, de um senador de bigode...

É, meus fiéis blogueiros de plantão, como diria um velho frei italiano franciscano que conheci: “‘Dio’ não é surdo”! Deus, tampouco, é cego! Por isso, muito mais coeso que gritar palavras e correntes de salvação em comportamentos robóticos e pré-determinados é reservar-se seriamente em sua fé com os seus, de maneira sadia e sincera... Vai que alguma corrente santa se quebre e algum Ministério Público desse Brasilzão de meu Deus resolva trabalhar e apurar que você não tem sido um bom menino em sua “Igreja Intergaláctica Octagonal das Últimas Horas do Cristo-Rei Aleluia Salve-Salve” (que, por sinal funciona num cubículo onde antes era uma padaria ao lado da sua casa)?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"It's a madhouse! A madhouse!"*


* "Isto é um manicômio! Um manicômio!": passagem do filme Planeta dos Macacos, proferida por Charlton Heston, num desespero igual ao pesadelo vivdo por muitos brasileiros e brasileiras hoje em dia graças ao nosso Senado... Não faz sentido algum! Vá... Vá e não olhe para trás: de minha parte, nada falo mais!

Não faz muito sentido, muita coisa não faz... Deu em vários ‘sites’ hoje a seguinte afirmação de um certo coronel imortal: "Nunca me acusaram de nada e agora desencadeia-se essa crise política. É essa consciência da tranquilidade que me dá forças. Se não fiz qualquer coisa de errada ao longo de minha vida pública, não esperaria 55 anos para fazer agora. Nunca me meti em qualquer coisa errada."... Suspiro! É demais... Sem mais comentários!

Faz algum sentido, por acaso, a frase "A mandioca é minhaaaa!"? Pois foi dita pelo "gigante do colunismo televisivo", quase um Imbrahim Sued em gostoso besteirol sócio-imbecil, Amaury Júnior, numa passagem do programa do semanal da Bandeirantes CQC (quem será o "oitavo elemento"? Veja forte candidado local clicando no vídeo ao lado), atualmente o melhor da TV aberta – por sua vez, outra coisa que não faz sentido para mim: salva-se o que daqueles ‘reality shows’ agonizantes (até o Fantástico virou isso!), auditórios imbecis, desenhos bestializados e presepadas vespertinas femininas? Acho que só Furfles, do "Novo Chico Anysio" Marcelo Adnet (juntamente com seu esperto 15 minutos) e, vá lá, algum coisa do Jô, de A Grande Família, do Arte com Sérgio Brito ou do pessoal do Pânico merecem ainda uma conferida... Porque, de resto, nada faz sentido permanecer no ar... Tenho que assinar mesmo a TV Senado: "Engula... digira..." e durma-se com um barulho desses!

E qual o sentido de um "Dia do Advogado", como o de ontem, para um humilde causídico que luta de pires na mão numa Justiça engessada entre Deuses e Semi-Deuses no Maranhão? Apenas mais um dia de trabalho e decepção, bem longe da balança firme da Deusa Themis, que anda bem distante destas paragens...

E tudo isso pra quê? Escrevo desde os 14 anos e nunca publiquei um livro... Longe dos grandes centros culturais? Acomodado? Falta de grana? Um pouco dos três? Enfim, o que importa é o prazer: seja para um punhado de amigos, seja para um seleto grupo de blogueiros de plantão como plateia, assim é, até hoje, o mesmo friozinho na barriga de excitação para compor qualquer linha, desde que escrevi Morcegos (poema que rola ao lado e que acabou dando nome ao presente ‘blog’), aos 14 anos, e Amanhã é outro dia (último ‘post’ abaixo), que redigi aos quinze...

Mas o que realmente não faz sentido é que, já nessa época em que me encontrava numa fase mais "madura" na escrita, eu tenha "cometido" os seguintes versos: "Nessa loucura de verão/Em que aumenta o meu tesão/Me dá vontade de ficar/NESSE/Mar agitadão/NESSE/Barril de emoção.../ Vai acabar agora/Vai ter que dar, 'tá na hora/Já 'tá tudo ligadão/Esfriar é que não vai, não"... É, acabei de encontrar em meio aos escombros de velhos cadernos do tempo de colégio, datado de agosto de 1992: compus sob encomenda (ainda me lembro de Ricardo desafiando "Duvido compores uma música pra nossa equipe 'Aí Dentro'!") para a gincana do Maranhão Novo, bairro onde passei boa parte de minha infância e adolescência! O nome da Equipe? "Aí Dentro", é claro...

Vá lá, tem um ritmo bem "maneiro"... E, mais para perto do "refrão" final ("Aaaaah, 'Aí Dentro' é que vamos ganhar/Aaaaah, 'Aí Dentro' eu vou me acabar!!!"), havia até uma parte poética, que poucas vezes depois conseguiria repetir: "Chega de jogo duro,/Porque mais duro não pode ficar/Será que não entendeu/É que é "Aí Dentro" que eu vou festejar?!"... Realmente, não faz o menor sentido a gente se lembrar de coisas assim... Menos ainda, ter a pachorra de publicá-las num 'blog'... Mas, de tudo, faz menos sentido ainda acompanhar todos cantando sua "canção" pelo telefone, aos gritos, em comemoração (sim, "Aí Dentro" ganhou a gincana: tenho pé quente!), porque não pude participar de nada da brincadeira toda: havia quebrado o meu pé alguns dias antes (no caso, o pé frio!)...


Revi recentemente este filme de 68 e, mesmo com a narrativa arrastada, quase um episódio esticado do seriado Além da Imaginação, é um pequeno clássico: "Moisés" ao lado daquela macacada tão bem maquiada! E, sim, faz bem mais sentido, no futuro, um Planeta de Macacos do que um País de Coronéis Imortais! Assim espero...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

De Pai para Filho

O filho que eu quero ter...


Mas minha homenagem real vai mesmo para um magrinho e honesto funcionário público maranhense, meio averso à politicagem de Brasília e do Maranhão, Carlos Humberto G. Rosa.

Toquinho (Antonio Pecci Filho, filho desde o nome e “toquinho de gente” como no apelido dado pela mãe), pai de Pedro e de Jade – e também meio filho de Vinícius de Moraes (1913/1980), parceiro de duas décadas que foi do eterno Poetinha –, sempre teve o dom de comover através de seu belo violão e de suas melodias ou poesias (suas ou de seus ilustres parceiros)...

Por isso sempre me emociono com Aquarela (“Nessa estrada não nos cabe/Conhecer ou ver o que virá/O fim dela ninguém sabe/Bem ao certo onde vai dar/Vamos todos/Numa linda passarela/De uma aquarela/Que um dia enfim/Descolorirá...”), O Caderno (“Serei, de você, confidente fiel/Se seu pranto molhar meu papel...” (...) “Só peço a você/Um favor, se puder/Não me esqueça/Num canto qualquer...”), Ao que vai chegar (“Voa, coração/a minha força te conduz” (...) “Vara a escuridão, vai onde a noite esconde a luz/Clareia seu caminho e acende seu olhar/Vai onde a aurora mora e acorda um lindo dia/colhe a mais bela flor que alguém já viu nascer” (...) “Da paz quero a raiz/E uma casinha lá onde mora o sol poente/pra finalmente a gente simplesmente ser feliz”), Valsa para uma menininha (do atual comercial do Boticário: “Menininha, que graça é você,/Uma coisinha assim, começando a viver./Fique assim, meu amor, sem crescer,/Porque o mundo é ruim...”)...

Mas é com O filho que eu quero ter que, inadvertidamente, sempre quebro ao meio quando Vinícius (quem acabou compondo toda a linda letra por cima da base de Toquinho, sobre o filho que este queria ter), depois de, num sonho, tecer a trama da vida de um filho seu, chega ao inevitável fim do ciclo, despedindo-se do filho, que começa um novo sonho de ser pai: “Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu/Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro beijo seu/E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus/Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus:/’Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer/Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer ter”... Ao filho que eu quero ter e que também deverá ser pai e a todos os que se emocionam com esta canção...
 

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