quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Que Sacanagem...!


"Ai, como era grande..."


"- Boa noite, Palmério: é um prazer conhecê-lo! Acompanho seu trabalho desde os tempos da Sexy..."

"- Ô, rapaz, aquela sacanagem era bem melhor que essa..."


Assim eu interpelei o jornalista Palmério Dória, ao pedir-lhe que me autografasse seu livro, no que este, com galhardia, brincou em cima dos seus tempos na Sexy... Mas Palmério não se referia somente à criminosa e mais-do-que-oportunista carreira política de José Sarney (sobre a qual se dependura ao longo das 208 páginas de seu mais recente trabalho, Honoráveis Bandidos: Um retrato do Brasil na era Sarney) como também à criminosa e mais-do-que-oportunista manifestação que acabara de ocorrer graças a um pequeno grupo de 15 "camisas-negras" filiados à Federação dos Estudantes do Maranhão (FESMA), entidade ligada ao grupo político da governadora Roseana Sarney (PMDB), entre eles, Ana Paula Ferreira Ribeiro e Felipe Martins, ambos comissionados da pasta do secretário Roberto Costa, PMDB - mais informações no ótimo 'blog' No Ato), que, entre gritos, ovos e tortas lançados nos organizadores do evento e vidros de portas e janelas quebrados (quando cheguei, deparei-me com senhores com os braços sangrando!), organizaram, bem ao estilo do Duce do Bigode, uma baderna ditatorial e desnecessária: já não bastavam os boicotes das livrarias de São Luís (que, com medo da família Sarney, não aceitaram abrigar o lançamento da obra) e da Feira do Livro de Imperatriz (no segundo maior município do Maranhão, onde o livro também ficou de fora) e o completo silêncio da "Imprensa" do Grupo Sarney, o Sistema Mentira, digo, Mirante de Comunicação?

Afinal, sobre o que trata o livro? Alguma revelação bombástica que levasse a tamanhas badernas e agressões? Bem, tirando citações a uma tara do escandaloso "Presidente-que-nunca-cai" (o bom humor de Palmério: só lendo o livro!), nada há nele que não seja de conhecimento de quem realmente se informa sobre a Política, tanto maranhense como nacional! Entretanto, a coisa toda parece mudar de figura quando o veículo ultrapassa os jornais de combate e 'blogs' locais e passa a ser divulgado num livro lançado nacionalmente e muito bem escrito, cobrindo não só a "carreira" de 50 anos na vida pública (que transformou no quintal de sua casa!) do "inominável", como também o que cerca os membros de sua 'famiglia' (direta, com seus "bons filhinhos" envolvidos até o pescoço em inúmeros escândalos e falcatruas, apuradas em processos que se arrastam em segredo de Justiça) e de asseclas de luxo (como Michel Temmer, Edison Lobão e Maluf) - e que, atualmente, encontra-se na Lista dos Mais Vendidos da Revista Veja!

Palmério Dória trabalhou na Revista Sexy como diretor de redação por sete anos (de onde emanou o também interessante livro Evasão de Privacidade, com um pouco da história da revista e com o que mulheres desejadas, como Bruna Lombardi, Alexia Deschamps, dentre outras, pensam sobre sexo e outros temas) e entende como poucos de uma gostosa sacanagem: nada mais apropriado do que ele colocar agora a boca no trombone (sem trocadilhos!), ao lado do também jornalista Mylton Severiano (não sei por que não creditado!), e mostrar um pouco das sacanagens de um coronel bilionário e cheio de poder e influência há tantas décadas de desmandos num Brasil que rapidamente se esquece das coisas... Alguém aí ainda se lembra dos atos secretos? E do Caso Lúnus, onde Roseana, então pré-candidata à Presidência, não soube explicar as razões de mais de um milhão de reais terem sido encontrados numa de suas empresas pela Polícia Federal? Pois Palmério nos lembra, através de outro imperdível trabalho: A Candidata Que Virou Picolé (de 2002)!

E eu pensando que poderia desfrutar de uma 'happy hour', com os costumeiros salgadinhos e coquetéis servidos em lançamentos de livros... Ledo engano: entre faixas do SINPROESSEMA (que protestava sobre a greve dos professores estaduais, fato também não divulgado pelo Sistema Mirante) e entre gritos e canções esquecidas de comunistas de carteirinha e de párias "esquerdistas" ("Nenhum passo atrás: Sarney nunca mais!": com direito a alguns discursos panfletários, sendo alguns necessários, de políticos de oposição presentes, como o Governador injustamente deposto, Jackson Lago, e do sempre histrionicamente onírico e combatente deputado federal, Domingos Dutra), o que se seguiu foi uma desorganizada noite de autógrafos (para que eu conseguisse o meu "Dilberto, Ao amigo blogueiro que faz este livro conhecido, Palmério e Mylton" foi uma luta de foice de horas!), em que passei longe de uns quibes dos quais só senti o cheiro (e que foram sumariamente devorados pelo proletariado esquerdista!)... No fim, os destroços do Sindicato dos Bancários (onde o lançamento do livro foi sediado) e a esperança mordida de ver um dia esse Estado longe das garras de um ditador onipresente... E olha que o tal bigodudo se diz escritor... Que sacanagem!


"Não vi. Não li. Não me interessa", declarou o senador à Livraria da Folha, por meio de sua assessoria de imprensa... Voltemos às fogueiras dos tempos nazistas, em que livros eram proibidos e queimados! "Cálice": Palmério Dória em foto sugestiva (“Sarney sempre esteve na história do Brasil. Não há como descartar o Sarney. Ele sempre foi o mal maior!”), ao lado da ainda mais sugestiva capa do ótimo livro, cujo título é uma referência a Karl Marx, sobre figuras públicas que conseguem "sentar nas cadeiras mais insuspeitas, dignas das pessoas mais honradas. Emprestam seus nomes a ruas, escolas, edifícios públicos, rodovias, até cidades. São aqueles que, de tanto triunfar na ignomínia, Rui Barbosa inculpa de levar gente honesta a ter vergonha de ser honesta", no preciso dizer do co-autor, Mylton Severiano. Eis alguns títulos ironicamente deliciosos, juntamente com pequeno trecho e uma charge do genial Caruso, presente no livro, ao final:

"As primeiras trapaças com a urna"
"Al Capone seria aprendiz perto desse rapaz de bigodinho, disse o italiano logrado"
"Caçula diploma-se em delinquenciologia no governo Maluf"
"No confisco de Collor, caçula salva a grana da família na calada da noite"
"Na área de energia, vendem até o poste"
"Maranhenses só vêem na tevê o que os netinhos da ditadura querem"
"Operação Boi-Barrica pega diálogos de arrepiar"
"Caçula não sai de casa sem o principal adereço: habeas corpus preventivo"

“Em 2008, o senador José Sarney voltou a ser manchete, principalmente das páginas policiais, quando revelada a organização criminosa da qual seu filho fazia parte. Para não deixar o filho ir para a cadeia, ele teve de disputar no ano seguinte a presidência do Senado. Foi preciso colocar a cara para bater. O poderoso coronel voltou para dar forças aos filhos, para salvá-los”.
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2 comentários:

Helô Müller on 7 de novembro de 2009 05:07 disse...

Pois é... Dilberto!
Confesso que sinto embrulho no estômago só em olhar pra fuça de alguns, pra não dizer da maioria, de nossos políticos! Sou uma pessoa que faz questão de não entender nada de política, partidos, etc e tal... Podem até achar que seja uma opção muito cômoda de minha parte... e talvez até seja, sabe-se lá!...
Mas em contrapartida sou daquelas pessoas que se revoltam com as falcatruas, roubos, mandos e desmandos, oportunismos, ganho de propinas, safadeza por debaixo dos panos, legislação em causa própria, e tantas outras notórias e sabidas safadezas - que como brasileiros que somos - tomamos conhecimento a cada segundo...
Não é preciso gostar ou entender de política, pra que sintamos o sangue fervilhar de revolta, a cada injustiça e abuso cometido!
Fico a pensar que o fato de serem políticos, seja o suficiente pra fazê-los acreditar que poderão usufruir de todas as "suas verdinhas" quanto estiverem no "Reino de Hades"... ( O Deus da Morte, pra quem não sabe!!... rs)
Pra que tanto dinheiro? Pra que tanto poder a este preço? O que farão com "as burras" cada vez mais cheias de dinheiro??
Por vezes, nem podem se dar ao luxo de gastar, como qq cidadão normal o faria, já que chamaria muito a atenção... e então o prazer maior passa a ser "acumular", como se o simples fato de possuir, os assegurasse de permanência, vida eterna, ou algo similar! Não se dão conta da efemeridade da vida, e que daqui não se leva porra nenhuma, que não sejam as virtudes e o respeito conquistado enquanto vivos!
Falei o óbvio... é fato!! rs
Mas, serviu como um pequeno desabafo!! Valeu mesmo... rs
Vim aqui retribuir a sua gentil visita aos meus aposentos! rs
Apareça sempre, afinal foi bem auspicioso e agradável, pra mim, ter retornado ao seu inteligente e culto espaço...
Beijos "fora Sarney" !! rs
Helô, "me engana que eu gosto"!rs

Jens on 11 de novembro de 2009 18:33 disse...

Uau, Dilberto, que happening! Lembrei dos tempos da Nova República, quando exigíamos: FORA, SARNEY. Queria ter estado lá (ou aí). Vou tratar de ler o livro. Valeu a divulgação e a denúncia da truculência (mais uma!) do coronel do sertão.

Um abraço.

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