

Hoje se comemora o Dia do Escritor! Considero-me um, com vários livros por publicar, amador e amante das letras, em prosa e em verso... Por isso que, no SUPERPOST de hoje (em "edição extraordinária", aproveitando o pouco tempo de que venho dispondo para publicar algo aqui e repetindo o sucesso de 'superposts' de outrora, onde publicava, num único 'post', três obras distintas, incluindo a de outro autor além de mim), dedilho um pouco desta minha paixão interminável em um poema onde homenageio o concretismo do ato de ser poeta e em uma crônica poética que narra as idas e vindas saudosistas de um escritor perdido no tempo... Como desfecho desta pequena homenagem ao ato de escrever (e do ato de viver da pena), não poderia deixar de citar o maior escritor que li até hoje, Machado de Assis, cuja obra maior, Dom Casmurro, me marcou bastante (ainda que também seja fascinado por muitos outros de seus livros, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de onde extraí uma pequena passagem para este post)... A todos os grandes nomes desta ingrata arte de tecer no papel o seu ofício, a Manuel Bandeira, a Drummond, a Cecília Meireles, a Eça de Queiroz, a Fernando Pessoa, a Sá Carneiro, a Augusto dos Anjos, a Cruz e Sousa, a Graciliano Ramos, a Vinícius de Moraes... os meus eternos parabéns e o meu humilde muito obrigado...
Nada mais concreto
A tinta que escorre na parede
Não desce à cor do poema
Mais concreto
(Fechada seja a mente
Posta a descoberto)
Ser do sol, sal da terra
E o chapéu se foi com o vento
Chega gesso, falta cimento e se espalham as cinzas
Escrever é meu contentamento
Ao desabar
Em desatino...
(Dilberto L. Rosa, in À Beira do Derradeiro Solstício)
Abrindo meu papel
Acendo a luz e percebo que se trata de um antigo escrito, coisa minha de mais de dez anos. Volto a procurar, só que agora tento encontrar na folha algo meu perdido em alguma linha, uma inocência que talvez o tempo não tenha feito curvar...
O pior é que só vejo a mesma essência do eterno presente de mim: ainda que papel velho, sou eu mesmo que falo ali com a mesma voz cansada de agora, como se ontem e hoje se dobrassem para me lembrar de quem realmente sou...
E o papel ainda conta tantas coisas mais, como que se desdobrando em tantos outros que com ele guardam ligação (eterna continuidade abstrata, talvez mesmo sem valor): todos me aguardam no escuro, nem sei se dobrados ou não...
Por fim dobro o papel, fazendo-o curvar-se ao meu controle e a tudo que ele passou, como papel velho e amarelado, para chegar até aqui - a curvar-se mesmo sobre si, desdobrando os tantos eus que ainda restam em mim...
Encontro, ao léu e no escuro, o que parece ser uma velha folha de papel. Tateio e procuro achar os vieses de algo que há muito já se tenha dobrado, porém não encontro os tais machucados - a folha parece que nunca se curvou...
(Dilberto L. Rosa, in A Prosa de Meu Agora Outrora...)

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908)
"Mas é isso mesmo que nos faz senhores da terra, é esse poder de restaurar o passado, para tocar a instabilidade das nossas impressões e a vaidade dos nossos afetos. Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não: é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."
(Trecho de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", 1881)


Em 1979, logo após uma exibição do eterno clássico Superman - O Filme, um jovem compositor encontra um amigo e declara, extasiado: "cara, que filme fantástico! No final, o Super-Homem volta o tempo e muda a história do mundo pra salvar a mulher que ele ama, a Lois..." - o amigo, também artista, inspira-se naquela narração cheia de belo entusiasmo juvenil e cria uma linda canção... Os amigos em questão eram, respectivamente, Caetano Veloso e Gilberto Gil, e assim nascia a belíssima Super-Homem - A Canção, inspirada diretamente no excelente trabalho de Richard Donner, de 1978.

Àquele comediante que, se não foi um gênio, foi um precursor ao lado de um grupo de companheiros, ajudando a revolucionar o humor brasileiro: Bussunda. Tal como Graham Chapman deixou muito cedo o genial e precursor grupo inglês Monty Python, o nosso comediante surpreendeu a todos com sua partida prematura e no meio de uma Copa do Mundo sem graça (o que me lembra de outro grande nome que se foi em junho, aos 77 anos, o radialista esportivo Fiori Gigliotti, que, quis o destino, acabou por não assistir a esta total ausência de espetáculo, de verdadeiro "crepúsculo de jogo"...) deixando o grupo do Casseta e Planeta (fusão dos grupos universitários Casseta Popular e Planeta Diário) profundamente desfalcado...
Não que o humor brasileiro estivesse morto, não mesmo: uma turma do passado segurava bem as pontas até o começo da década de 80 - especialmente gente de vários talentos como o mestre Paulo Gracindo (que, se vivo, completaria neste último junho 95 anos de idade), que trazia, aliado ao seu gigantesco conhcimento de atuação no Teatro, no Cinema e na TV, a verve fantástica dos primeiros programas de humor da rádio (como o quadro "Primo Pobre e Primo Rico", exibido até então em programas televisivos como Balança, mas não cai)... Mas aquela gente jovem, misturada com gente mais experiente (como Luís Fernando Veríssimo), tinha que trazer Python, Mad, Saturday Night Live, e aportuguesar tudo no grande Besteirol brasileiro, humor que fez escola no teatro (com grupos como Asdrúbal trouxe o trombone) e na Televisão (com o genial TV Pirata, grande parceria de gente como Bussunda, LFV, Falabella, Patrícia Travassos, dentre outros).










