sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

30 Anos de Caça a Fantasmas...


Ah, o meu primeiro contato com os inigualáveis "Três Mosqueteiros do Sobrenatural" (Winston Zeddemore/Ernie Hudson, o "quarto caça-fantasma", era menos que um "Dartagnan negro" na sua substituição a Eddie Murphy): foi quando vi, pela primeira vez, a foto acima, que faz parte do pôster original do filme. Estava com meus 10 anos de idade, ao lado de um grande amigo da infância, Ricardo Alexandre, que, assim como eu, seguia maravilhado por aqueles mágicos anos 80 e comigo compartilhava a densa e jovial criatividade artística daqueles anos multicoloridos, e, numa das nossas voltas pra casa (morávamos no mesmo bairro e eu vinha de carona com sua família), folheávamos uma revista de seu pai, achada no carro, quando ele deságua a me deixar cheio de curiosa inveja diante da tal foto – Ah, eu já vi esse, Caça-Fantasmas, é muito bom, de verdade: papai já alugou algumas vezes no videoclube Tropical e é massa... Como nessa época ainda não possuía aparelho de videocassete em casa (só teria esta então maravilha da tecnologia uns dois anos depois, em 89), tudo o que conhecia sobre Cinema era o que a Sessão da Tarde, Tela Quente, Temperatura Máxima, Sessão das 10 ou o SuperCine ou o Cinema em Casa permitia, e, assim, cada informação sobre aquele filme, que realmente prometia bastante, era uma atração em si...

Especialmente porque já era um sucesso o desenho animado Os Caça-Fantasmas (The Real Ghostbusters, para diferenciar dos GhostBusters, da Filmation, espécie de continuação de uma série dos anos 70, bem diferente) e era legal descobrir que o filme no qual se baseara a já popular atração do Xou da Xuxa era bem mais “adulto”, até com pitadas de “Terror” – Não tem esse tanto de bichinhos bonitinhos e coloridinhos, não: é bem melhor! O Geleia, por exemplo, é meio do mal... E não, o Egon não tem cabelo loiro e esse do meio aí na foto não é o Ray; é o Pete! O Ray, que nessa foto 'tá parecendo com o Peter dos desenhos, é o da direita! Caramba... Pra uma mente já embasbacada pela magia de inúmeros clássicos instantâneos que surgiam aos borbotões em tempos de Caçadores da Arca Perdida, Os Goonies, Krull e Conan - O Bárbaro, e por já ser fã dos personagens animados, todos aqueles relatos e descrições só me enchiam ainda mais de vontade de que alguma emissora passasse logo aquela coisa genial!

Mais ou menos um ano depois, meu segundo contato foi com a famosa canção-tema, de Ray Parker Jr. (que seria acusado de plágio por Huey Lewis, compositor da igualmente indicado ao Oscar The Power of Love, de De volta para o futuro) – que também tocava no desenho: o ‘hit’ Ghostbusters! Assim, passeando com minha descolada jaqueta ‘jeans’ pelo Tropical Shopping (o Tropical de novo, primeiro, único e recém-inaugurado centro comercial da Ilha, com a respectiva primeira videolocadora), encontrei um colega do colégio, Fábio, que, levando-me a entrar pela primeira vez numa loja de discos (meus dois únicos LPs na época eram A Turma do Balão Mágico e Xou da Xuxa Vol. 2, comprados por minha mãe por causa dos modismos de alguns anos antes: eu não era nada ligado a Música), ajudou-me a descobrir duas coisas maravilhosas: a primeira, o LP O Melhor do Oscar Vol. 2, que continha, entre outras pérolas do cinemão oitentista, os temas de Top Gun, Footloose, Flashdance, A Força do Destino e, é claro, Os Caça-Fantasmas; a segunda, que era possível você entrar numa loja para ouvir, com fones de ouvido numa cabine e de graça (sem abusar, é claro...), os discos de sua preferência!

Desde aquele acorde de guitarra inicial (ou seria um sintetizador?), que imitava um gemido fantasmagórico, passando pelo inconfundível tema-chiclete que cobriria a canção por inteiro (pan-pan-pan-pan-pan-pan... Ghostbusters!), até chegar aos inconfundíveis chavões criados pelo filme e repetidos à exaustão ao longo da música, quase como um mantra ‘nerd’ (Who ya gonna call? – “Quem vocês vão chamar?” e I’m not afraid of no ghost – “Eu não tenho medo de fantasma nenhum"), apesar da rotação mais lenta que o normal daquele disco, aquela canção meio que mudaria minha vida... E não digo isso simplesmente pelo fato de ter perdido a hora e só ter percebido que o meu colega havia há muito deixado a loja quando o gerente passou a esmurrar o vidro para que eu saísse da cabine, pois estavam quase para fechar (eu abusei... E pior: não comprei disco algum!)! Digo, sim, porque, a partir de então, passei a ligar para rádios locais a fim de gravar aquele assombro (que trocadilho...) numa fita k-7 e repeti-la à exaustão, para desespero dos meus pais e dos vizinhos... O meu interesse por Música, especialmente a ‘pop’ norte-americana, aflorara com força total e o meu desejo em ver o longa, a partir desse episódio, começou a beirar a obsessão! Até que, no final daquele 1987, eu me estremeceria ao ver a chamada Cinema 88, onde a Globo, finalmente anunciava Os Caça-Fantasmas para o ano seguinte (dois segundos na tela, em meio a dezenas de outros inéditos prometidos, mas duração de sobra para me consumir de expectativas)...

E como era de praxe com a maldita “Vênus Platinada”, que sempre reservava seus medalhões cinematográficos mais para o final do ano, eu acabei tendo de esperar chegar quase o final de 1988 para ver, pela primeira vez, o que vários amigos já haviam visto e me contado desde a sua estreia no Brasil, em dezembro de 84... Mas, confesso, a espera valeu a pena: tudo era, simplesmente, genial! De cara, fiquei boquiaberto com a sensacional abertura sem diálogos, que segue cheia de suspense até seu assustador final, com o desespero de uma pobre bibliotecária e o surgimento do icônico símbolo do fantasminha proibido junto ao título do filme, abrindo o espetáculo ao som da canção-título; morri de rir com as tiradas do trio cômico formado pelos doutores cientistas e aventureiros da Parapsicologia, o cínico sedutor Peter Venckman (o impagável Bill Murray, hoje 'cult' e voltado para o Cinema independente/autoral), o infantilizado Ray Stantz (Dan Aykroyd, de quem já era fã por causa de outro clássico dos anos 80, Os Irmãos Cara-de-Pau) e o compenetrado Egon Spengler (um ainda quase desconhecido ator/roteirista Harold Ramis), gentilmente dublados pelas mesmas vozes brasileiras correspondentes no já famoso desenho animado; e, em meio àqueles impressionantes efeitos especiais, achei a história toda incrível, ao misturar um monte de conceitos reais sobre o paranormal a uma assustadoramente divertida invasão de criaturas do além para dominar o nosso mundo, começando por Nova Iorque – não tinha jeito: virei fã incondicional! Agora só faltava encontrar algum outro fanático com quem pudesse dividir a loucura... E, curiosamente, seria a descoberta de um amigo num velho conhecido!

O ano, enfim, era 1989, e eu, nos 11 para 12 ao longo do meu sexto ano, já nem me lembrava de que o conhecia desde aqueles cheios de expectativa 10 anos de idade, na época em que, bem diferente da carona na volta pra casa, a minha ida para o colégio era num ônibus escolar velho, sempre atrasado por pegar um monte de alunos na cidade quase toda e, “de quebra”, quebrar quase todo dia pelo caminho, condução que ele também tomava, algumas vezes, para ir à escola, mas com quem não trocara nada além de algumas palavras soltas, sem aprofundamento ‘nerd’ algum. Entretanto, foi só o “novo integrante” aportar na minha turma, depois da extinção da sua sala e o consequente "repatriamento" na minha, para que a química fluísse tão bem quanto no famoso trio de pesquisadores paranormais do Cinema! O próprio nome lembrava os dos personagens: Henrique Spencer! Porém, apesar do sobrenome "gringo", ele mantinha mesmo era o velho sotaque pernambucano de origem e uma paixão maior do que a minha e do meu antigo amigo Ricardo somadas, em nossa incipiente "nerdice". Afinal, o cara era "profissional": cartazes gigantes de pérolas como A Hora do Pesadelo, O Exterminador do Futuro e Robocop, ao lado de inúmeros outros grandes nomes da melhor Ficção/Fantasia daqueles tempos, cobriam todo o pé-direito de seu quarto (cortesias da mais que saudosa revista VideoNews – que, dentre outros mimos igualmente preciosos, também me deu a oportunidade de imitar aquele amigo com réplicas de pôsteres de lançamentos "cinco estrelas" da época, como Indiana Jones e A Última Cruzada, assim como do grande leão da Metro, ambos rasgados "acidentalmente" por meu pai, que detestava "casa de barbeiro")! Isso sem falar na enorme estante repleta de fitas VHS – Na 'verdadde', 'videocassette' 'mexmo' é o que chamam dde fita; o 'eletrodoméxttico' é o 'aparelho de 'viddeocassette' ou 'VCR' – explicava-me o sempre professoral companheiro, com seus característicos 'd's e 't's dobrados.

Caça-Fantasmas?! LÓGICO que eu adoro! – deve ter respondido Henrique, algum dia, quando o assunto veio à tona pela primeira vez, mas é lógico que eu jamais lembraria quando isso se deu ou como primeiramente abordamos um tema que nos seria tão caro... Com certeza, depois da descoberta dos inúmeros interesses em comum e de alguns bons diálogos sobre BeetleJuice e A Hora do Espanto (em cuja gravação em vídeo ele me ensinou as primeiras noções de "edição", ao me mostrar como se gravava um filme pela TV, sem evidenciar os cortes a não ser pelas reiteradas inserções da emissora nos números das "partes"), a deliciosa mistura de Comédia e Fantasia de 84 seria o nosso maior assunto ao longo do ano! E haja tempo para botarmos todos os nossos baculejos em dia: "Não cruzem os raios!", "Esvaziem as mentes, não pensem em nada!""Ninguém pisa uma igreja da minha cidade!" e tantas outras citações cheias de entusiasmo adolescente eram um pouco da tônica daquelas farras nos recreios e de suas inevitáveis continuidades nas conversas intermináveis durante as aulas subsequentes – e, com isso, meus primeiros puxões de orelha pelos professores...

Tudo era motivo para estarmos a rediscutir nossa idolatria: desde a possibilidade da construção de um real feixe de prótons (só de papelão, num projeto que ele tinha desenhado), passando pelo maravilhamento pela trilha sonora (excelente mescla de 'hits pop' da época com os adoráveis acordes cheios de horror cômico do saudoso Elmer Bernstein) e pelos efeitos especiais do filme (o Geleia, de tão simples, era um dos mais incríveis bonecos manipuláveis já feitos, numa época ainda distante dos cansativos efeitos digitais de hoje), até o "estudo" dos "fenômenos" observados na porta da biblioteca (opa!) da escola, no corredor de saída da nossa turma, que depois mostrou a realidade por trás dos insistentes movimentos que a porta frouxa fazia na base do cadeado: uma corrente de ar desconhecida por todos, vinda de frestas de uma persiana escondida, porém sempre aberta, era a real responsável pelo vai-e-vem da porta, e não um fluido errante de alguma bibliotecária falecida – Não, não: é fantasma, sim: as janelas da biblioteca ficam todas sempre fechadas...

Decididamente, Henrique e eu éramos os Caça-Fantasmas da sexta série... Desenhos à exaustão dos fascinantes personagens, tanto do desenho como em 'live-action' (que, inclusive, tive a pachorra de ofertar a uma antiga paixão platônica) e adesivos com a famosa logomarca com o fantasminha eram a coisa mais comum em nossos cadernos e blocos de desenho! Muito antes das facilidades da internet e do Google, enchíamos a paciência da professora de Inglês para que "tirasse a letra" de Ghostbusters e a traduzisse para nós! Éramos mesmo consultados em nossos "conhecimentos do paranormal" por alguns amigos mais próximos – só nunca pudemos explicar por que o Ray precisava de óculos especiais para ver espectros, se todo mundo do hotel podia ver o Geleia (independente de mediunidade)! Tudo ia bem naquele período idílico até que, tal como na famosa frase do filme, nós descobríamos que não estávamos preparados pra isso: o banho de água fria no excesso de expectativas em torno de um dos maiores lançamentos do ano de 89 (depois de Batman, é claro, com outra paixão em comum que surgiu na época, a batmania) nos acordou do sonho de que toda aquela magia cinematográfica duraria pra sempre: Caça-Fantasmas 2, que só veríamos, em péssimas cópias piratas, no ano seguinte, em 1990, foi mesmo uma grande decepção...

Certo, os nossos personagens favoritos estavam lá, "5 anos depois" – exatamente como na vida real (1984/1989) –, com a mesma química e muitas piadas divertidas... E o que estaria faltando? Bom, essa continuação é uma cópia escancarada do primeiro, tanto no formato como no enredo, como um todo: a abertura com suspense (lembra a velhinha bibliotecária? Agora é a Dana Barrett/Sigourney Weaver tentando salvar o filhinho no carrinho endemoninhado); a apresentação dos personagens, agora heróis esquecidos ou em baixa, e, depois, tornando-se populares novamente após uma grande "apreensão" espectral (os irmãos Scoreli no lugar do Geleia, que ficou bonzinho); vilão demoníaco toma, por possessão, um ser fraco a fim de dominar o mundo (sai Gozer e entra Vigo; sai Louis/Moranis e entra Janosz/MacNicol); e, no final, ser gigante invade Nova Iorque e toda a confusão acaba em meladeira (Stay Puft substituído pela Estátua da Liberdade e gosma "do bem" no lugar de 'marshmallow'!)! Caramba... Esqueceram de Mim 2, e seu esquemão idêntico ao primeiro, perde, viu?

E o pior é que a vergonha alheia por aquela trupe tão admirada estar se repetindo na telona, a decepcionar uma legião assustadora de fãs (olha o trocadilho infame aí novamente...), sem quase criatividade alguma para tocar um projeto tão aguardado, não ficou apenas em relação aos mais que queridos Caça-Fantasmas: juntamente a eles, uma enxurrada de obras fraquíssimas veio na mesma leva de repetecos caça-níqueis das fórmulas de sucesso dos primeiros filmes ou em reinícios com infantilizações das tramas iniciais, igualmente manchando a história da Fantasia oitentista e cuspindo na memória afetiva de tantos aficionados, em filmes que jamais fariam jus aos clássicos originais, como Gremlins 2 e Robocop 2! Começavam os frios, sem magia e artisticamente reciclados anos 90, e Hollywood só viria a se redimir exatamente 10 anos depois do último bom suspiro dos anos 80, Batman (e olhe lá...), com Matrix O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel, ambos de 1999. E olha que, em 1997, todo mundo dava como certo de que a recém-lançada série de desenhos animados televisivos Extreme Ghostbusters, seria a base para um ótimo retorno aos cinemas, com um terceiro e renovado filme da série, com os antigos heróis do sobrenatural passando o cetro e apenas guiando uma nova trupe de cômicos cientistas – mas essa ideia bem razoável acabou sendo abandonada pelo caminho: era a meca cinematográfica norte-americana e o próprio tempo se encarregando de apor freios naqueles meninos sonhadores – e o grande companheiro de caça a fantasmas igualmente se despediria...

Nós fomos capazes de tantas coisas, desde fazer 'takes' com as mãos a enquadrar a fachada da Biblioteca Benedito Leite – que, só bem remotamente, lembrava a famosa Biblioteca de NY, da abertura... –, assediar uma bela mocinha mais velha no colégio para que ela vivesse a secretária Janine Melnitz para um "filme" que faríamos, um dia, pela nossa HD Produções (chupa, Hawaiian Dreams!), até "inventar" de fazer um robô para a Feira de Ciências, com direito aos barulhinhos do nosso igualmente querido Robocop (o que acabou ficando só na vontade de uma super-equipe de 22 integrantes pra nada)... Mas não conseguimos deter o momento no roteiro reservado às despedidas: logo depois da mudança para outra turma na nossa escola, em 1990, onde se encontrava um número maior dos seus antigos "expatriados", em 91 Henrique voltou para a sua amada Recife e perdemos, completamente, o contato; Ricardo mudou de escola e, apesar da proximidade geográfica na vizinhança, o ritmo da amizade também foi arrefecendo ao longo da década adolescente... Restava falar de Cinema de forma mais crítica e artística com amigos concretizados no colégio desse período, como Sérgio Ronnie, com quem tive que engolir junto, depois do fim da VidoNews, as baboseiras de uma Set em final melancolicamente 'teen', assim como com ele também teci longas elucubrações sobre grandes cineastas, como Fellini, Truffaut, Kurosawa e Nelson Pereira dos Santos – o que terminou nos levando à composição de um cineclube e um programa de rádio sobre a Sétima Arte, O Clube dos Amantes do Cinema, e de conduzir este humilde escriba que vos fala a aceitar a proposta da igualmente amiga dos agora findos tempos de escola, Adriana Bello, de escrever um blogue, no começo dos anos 2.000, sobre meus assuntos favoritos: "artes em geral" (blogue este que reaproximou o hoje cineasta Henrique, graças aos rencontros proporcionados via internet) – e o resto é História...

História essa que escrevemos – ou, ao menos, tentamos escrever – com a afetividade repleta de referências de uma era em que os dias eram mais inocentemente preenchidos por magia e fantasia, ao contrário dos excessos cinicamente realistas deste século/milênio na arte cinematográfica, em qualquer gênero... Reflexo dos novos tempos ou foi toda uma geração que cresceu? Nunca saberia dizer. Claro que se trata de um "endeusamento infantil" de recordações boas, uma vez que, em termos de Cinema, Caça-Fantasmas até resiste como uma inteligente Comédia de Ficção Científica, porém perde feio para inúmeros outros títulos em profundidade e linguagem cinematográficas, como Amarcord e Oito e Meio, só pra citar meus dois filmes favoritos e duas preciosidades artísticas do genial Fellini – tanto é assim que Caça-Fantasmas sequer consta na lista dos meus 50 melhores... Mesmo porque a proposta nunca foi essa: como disse o próprio Aykroyd numa antiga entrevista – É o nosso jeito de fazer os antigos filmes cômicos de fantasmas; é o Abbott e Costelo do nosso tempo... Perfeito! Acrescentem-se a essa tese de "filme de geração" as inteligentes pitadas de Horror e tecnologia (poder nuclear pra "pegar" fantasmas: absurdamente engraçado!), típicas da "reinvenção das antigas matinês" feita nos anos 80 e tão bem encaixadas na trama, e temos um legítimo filme que marca uma infância/adolescência e se perpetua para todo o sempre...

Assim é que, mesmo com tantos títulos grandiosos completando redondos aniversários neste 2014 (como, mais recentemente, os 40 anos da obra-prima das continuações, O Poderoso Chefão Parte II) e com o recente lançamento de algumas boas adaptações de Quadrinhos entre as já cansativas dezenas de fracas produções de Super-Heróis lançados a todo instante nos dias atuais, na primeira oportunidade existente o lado afetivo ainda grita Ghostbusters na memória, tal como se eu estivesse novamente diante de meu amado JVC 4 cabeças a reproduzir esse filme pela sexagésima-tanta vez (parei de contar na quinquagésima...), na minha antiga gravação no global Festival 25 Anos... E assim tantos outros clássicos fantásticos, presos na retina das centenas de repetições no aparelho de videocassete, como Superman - O Filme (do qual até hoje sei quase todos os diálogos), Indiana Jones e O Templo da Perdição e O Império Contra-Ataca – esse mesmo bastante superior como Cinema, base para qualquer grande trilogia que se preze, como O Senhor dos Anéis, e, não por acaso, igualmente um dos favoritos do amigo Spencer, tal como gosta de afirmar, levou-o a querer trabalhar com Cinema. Caça-Fantasmas, porém, segue imbatível em minhas recordações pelo número de tempo e de coisas a ele ligadas...

E, apesar das tantas más notícias envolvendo uma tosca nova parte 3 para os maiores caçadores de entidades sobrenaturais (chupa, Supernatural!) – primeiro era Bill Murray que não aceitava, de jeito nenhum, voltar a usar as famosas mochilas de prótons; depois, morreu o bom diretor de uma rara exceção mágica de 93, o pequeno clássico Feitiço do Tempo (com Murray), Harold Ramis; e agora, resta aparentemente fechado para que um elenco feminino de comediantes substitua os 4 rapazes num filme que pouco teria com os personagens originais e com o ex-diretor Ivan Reitman, que apenas produzirá –, em vez de ficar caçando os fantasmas do que deixou de ser feito, como uma continuação realmente à altura daquela pequena obra-prima dos anos 80 ou o avanço nalgum sonho que nunca vingou entre esses quatro caça-fantasmas do saudosismo, realmente prefiro o novo tempo dos meus filhos, todos bastante ávidos por (re)ver com o pai não esses incômodos 'reboots', que andam pululando por aí a enterrar passados gloriosos, ou os intermináveis 'remakes' atuais para grandes filmes de outrora (até clássicos recentes andam entrando na roda!), mas, sim, a boa e velha chama dos tempos do seu papai, que hoje, graças a Deus, não pede pra esperar e pode ser revivida a qualquer hora de maneira bem mais cheia de definição e segura de se guardar – saem os mofados VHS com suas gravações cheias de ranhuras na imagem e barulhos no som e entram os DVDs, BDs HDs com terabytes de armazenagem para guardar a melhor das resoluções (4k, não é isso, diretor Spencer?), tudo fresquinho, diretamente baixado de algum site de L.A. para a minha casa via torent! O danado do fantasma a caçar agora é o diacho do tempo, infernalmente ligeiro, sem chance de reprise, mas que não para de passar...

  E aí, gurizada: quem vocês vão chamar? Eu! Afinal, definitivamente, sou um Caça-Fantasma!
Não são os meus três filhos, mas bem que eles poderiam descolar essas fantasias maneiras, né?
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1 comentários:

Ricardo Campos on 24 de dezembro de 2014 16:06 disse...

Oi Dil,
Antes de tudo, quero dizer que apesar das nossas diferenças atuais no campo da política e economia, você é meu único amigo de infância em que traz lembranças de uma época nostálgica (isso acontece atualmente só com meus primos), de uma época de fantasia em que o cinema nos unia, as séries de TV e as brincadeiras pueris de dois adolescentes nerds sobrevivendo em um mundo de garotões nos anos 80, 90 e início dos anos 2000, nas idas e vindas do Colégio Dom Bosco, nas caminhadas do bairro Bequimão (do chamado "Bronx" do Bequimão...kkkk) até o Maranhão Novo. Pra ser sincero, não lembrava do fato narrado por ti neste blog a respeito de Caça-Fantasma, mas que fiquei sinceramente muito emocionado, feliz por esta lembrança, pois este filme foi um marco pra mim nesta época, uma época feliz do cinema de fantasia. Infelizmente, hoje em dia, esse tempo não volta mais. Não é somente a nostalgia que faz os anos 80 ser bom (o que pode tornar filmes ruins em filmes bons), mas as produções realmente possuíam ótimos roteiro, direção e atuações convincentes, dentro do padrão "blockbuster" americano. Foi uma época "sui generis", rico em criatividade e ineditismo do cinema de aventura, de comédia e de ficção-científica, reconhecido até hoje por críticos e diretores. No anos 90 ainda houve certa continuação do padrão criativo dos anos 80, mas claro, ainda inferior em algum grau, mas com o estabelecimento dos efeitos digitais que veríamos com mais profusão nos anos 2000. Bom, a partir desses anos 2K, não há uma regra, há apenas anos com bons filmes, outros anos com reboots ruins, outros anos com reboots razoáveis e anos com alguns filmes criativos, mais com um grau de inconsistência, dentro de uma gangorra mercadológica. Creio que vivemos em uma época sem regra estabelecida, mas talvez com estabelecimento do universo dos quadrinhos, das sagas das "comics" da DC e Marvel nos cinemas, com alguma criatividade, mas também perdida nessa gangorra mercadológica. Dil, o importante neste teu blog, em tempos difíceis da criatividade do "cinemão" americano, é relembrar de uma época deliciosa, feliz e em que nós participamos como imberbes adolescentes, vivenciamos - talvez com um certo delay pois os filmes demoraram até 2 anos para passar nos cinemas daqui após o lançamento nas terras yankees - e curtimos. E Caça-Fantasmas, sem dúvida, é o filme perfeito que retrata a alegria adolescente. Mas além deste filme, História sem Fim, Robocop, Exterminador do Futuro, Aliens e Batman de 89, foram os filmes que mais me fissuraram (sem contar claro com o clássico, Super-Homem, E.T. e Indiana Jones). Agora, essa trupe toda, de comediantes caçadores do sobrenatural, com seus raios prótons (que não podem se cruzar), com o fantasma Geleia e Rick Moranis possuído, é memorável! Valeu Dil, meu mestre Yoda, meu mestre Yagi, o Batman e Darth Vader do Bronx (kkk), agradeço por trazer lembranças inesquecíveis da "nerdice" que me moldou durante anos e anos! Obrigado!!!!

 

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