quarta-feira, 1 de agosto de 2012

OS MORCEGOS RESSURGEM:
Batman nunca morre...


O melhor do filme? As inteligentes ironias da Mulher Gato com vários mitos do Homem-Morcego, na bela atuação de Anne Hathaway.

Já disse isso em crônicas idas, mas sempre posso dizer outra vez: há na minha vida um pequeno marco especial que guardo com carinho, aquele momento em que cada um passa a "entender-se por gente" e as descobertas passam a ser algo corriqueiro num então recém-inaugurado processo de crescimento - este marco se deu para mim aos 12 anos de idade...

Naquele ano, no colégio, forjei meu primeiro grande amigo, que, por sua vez, mostrou-me o Cinema que conhecia: não a Arte que eu viria a conhecer depois, mais velho, a partir de Fellini, mas uma arte por trás do entretenimento mágico daqueles já clássicos anos 80. Assim, rapidamente, tornei-me amigo da galera do Dr. Venckman, de Marty McFly, do Dr. Jones, do policial Alex Murphy, bem como de Peter Vincent, Jason Vorhees, Freddy Kruegger... Ali descobri que Cinema era Magia e aquele aparelho de videocassete (até essa "aula" sobre o nome correto do equipamento aquele cabra que me explicou), comprado naquele ano por meu pai, terminou de me mostrar o quanto minha oclusa vida de estudante CDF um tanto quanto distanciado dos esportes poderia render-me longas viagens cheias de aventuras a mundos fascinantes na eternidade das costumeiras duas horas de uma boa fita...

Sim, o tempo passou e fitas são coisas históricas (apesar de guardar algumas, mesmo mofadas, para não enterrar de vez o passado...) e, se DVD já começa a ficar obsoleto diante dos aparelhos cada vez mais sofisticados de exibição, o que dizer de um mais do que obsoleto VCR! Mas, naquela época, dizer para um garoto de 12 anos que se podiam gravar os seus filmes favoritos era a glória máxima de tecnologia de que eu precisava... E o amigo? Ele me ensinou a gravar, editar os "plim-plins" (para que o filme ficasse com cara de uma coisa só, sem os comerciais da Tela Quente ou da Sessão da Tarde), a programar aquela "máquina" a gravar em horários madrigais, quais as melhores marcas de fita (que é, na verdade, o videocassete propriamente dito) etc. e etc.

E eu já conhecia os heróis: sim, já havia visto, pela primeira vez, aos 7 anos, Superman - O Filme, num longínquo Supercine de algum sábado de 1984. Mas, novamente, foi aquele meu amigo que terminou sua "missão" apresentando-me "o herói", aquele cara fantástico que, mesmo sem os poderes de um Homem-Aranha, que eu já havia visto aqui e ali nalguma revistinha que meu irmão mais velho comprara algum dia, ou os de um maravilhoso Super-Homem, "mudando como um deus o curso da história por causa da mulher" no inesquecível filme de 78, um homem normal também podia combater o crime com suas habilidades físicas e mentais e ainda ter o sombrio charme de um detetive atormentado: Batman, aquele famoso blockbuster dirigido por Tim Burton e com a famosa (e genial) trilha de Danny Elfman, fora a minha porta de entrada para descobrir o meu herói favorito. Corria o ano de 1989...

1990 chegou e, com ele, uma nova década de um Cinema de entretenimento (bem como uma Cultura como um todo) bem mais esvaziada de Magia, conteúdo e de qualidade, numa eterna sensação de reciclagem de tudo que já se havia feito nas artes até então, com raríssimas e honrosas exceções... Tanto que meu próprio herói favorito sofreu naquela época três filmes fracos e esquisitíssimos (especialmente pelo fato de eu já acompanhá-lo pelos Quadrinhos e saber bem que tudo andava mal na telona para o Homem-Morcego)! E meu amigo? Bom, meu amigo voltou para sua terra natal e perdemos por completo o contato...

Um pequeno salto no tempo. Em 2004, já em meu primeiro trabalho como advogado num escritório, depois de uma vida de poemas e crônicas perenes, porém sem uma constância precisa, passei a dividir minhas obrigações jurídicas iniciais com a criação, três vezes por semana, de textos para uma "nova" tecnologia que então já dominava o mundo: a Internet e seus blogs me foram apresentados, desta vez, por uma outra amiga de infância e acabaram por se tornar meus novos e queridos "brinquedinhos", tais quais as adoráveis traquitanas de um cinto de utilidades virtual - agora, escrevia constantemente e caprichava nas minhas apresentações visuais para uma fixa plateia de amigos próximos e fiéis em suas leituras, universo que rapidamente se expandiu para amigos de além-cidade, estado, país...

O "endereço"? Um já extinto site de hospedagem, o Weblogger (mudei-me para o Blogspot em seguida, onde estou até hoje). O nome do espaço? Morcegos. Um pouco por causa do meu primeiro poema homônimo, um tanto por causa das referências pop em volta do meu personagem favorito das HQs (e eternizado na imagem que minha adorável amiga encontrou para o layout, um "batsinal" numa lua, tudo com um ar inteligentemente trash e retrô, símbolo que se tornou do meu blogue até hoje), de quem falei várias vezes. Enfim, mesmo sem eu me dar conta, 2004 já era um novo "marco" em minha vida...

O curioso é que, no ano seguinte, dois "retornos" incríveis aconteceram: após o ridículo carnaval baitola dos "batmamilos", finalmente respeitavam a seriedade de Batman numa versão cinematográfica bem realista em Batman Begins e finalmente, graças à visualização com o blog, meu antigo amigo "ressurge", dando um reboot na velha e saudosista amizade: ele me encontrou por causa dos Morcegos e não demorou muito para as antigas "pautas" cinematográficas adolescentes se fazerem presentes em longas conversas telefônicas e via Skype sobre os bons tempos que pareciam estar voltando: tudo começava novamente ali...

E hoje me encontro em frente ao computador, a digitar estas "mal traçadas linhas" virtuais nesta dilatada madrugada, tal como nos tempos madrigais de minha adolescência, logo após assistir a Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge neste mesmo PC - sim, numa ótima cópia pirata virtual que deixei baixando antes de sair para o trabalho agora à noite, tamanha a ansiedade "infantil" em ver o término da tão boa trilogia desenvolvida por Christopher Nolan e tamanha a "adulta" falta de tempo de ir ao cinema em que me encontro desde a estreia do filme na última sexta-feira, 27... E revejo toda essa "história" em minha mente, tudo sedimentado em tantas camadas quanto as várias versões que o meu herói favorito já teve, que me pego gostando deste terceiro filme! "E não era pra gostar?", poderia perguntar algum entusiasta mais aguerrido, no que eu responderia que, após tantas mudanças de tom em relação aos dois primeiros filmes, este encerramento de trilogia, por muitas vezes, soou antiquadamente equivocado...

Sem dúvida o mais "quadrinhos" dos três filmes, parece que o tom realista do diretor abriu demais a mão para concessões "simpáticas" ou mesmo bobas demais na condução das tramas (surge um novo Vader: soluções caricatas para vilões "indestrutíveis") e acabou perdendo a mão no roteiro (situações forçadas, como o primeiro encontro com Bane, a "bomba à anos 60" que deve ser despejada na baía ou ainda os exageros toscos de ver bandido com metralhadora na mão esperando pra levar porrada do Morcego ou Selina montando e mandando ver num batpod que nunca antes pilotou, só para não revelar muito mais...) e, naquilo que os seus sucessores ficaram prejudicados com tanto realismo, este filme acabou se saindo mal por completar tudo em "outro estilo"...

Mas, se como filme é o mais fraco, como desfecho de trilogia (ou, mais especificamente, como "continuação" de Batman Cavaleiro das Trevas) funciona muito bem: como eu disse, são muitos Batmans ao longo de uma história de mais 70 anos de existência do personagem, bem como já se vão tantos anos das minhas iniciações dos idos de 89, que posso dizer que dá para parar tudo (e adiar uma sempre tão importante e almejada boa noite de sono) e assistir, "maduramente", com um sorriso no rosto e com a empolgação de sempre (re)descobrir um personagem que, pelo menos pra mim, é símbolo de uma fase de primeiras descobertas - e, agora, de "ressurgimento"... Viva o herói que nunca morre, não só nos arcos de histórias que inventam para vendar mais revistinhas, matando e "ressuscitando" os personagens mais importantes da editora, como também nos já sempre poéticos finais de Nolan, como em A Origem, onde nem sempre é o que parece ser (atenção para os detalhes...)...

Agora, 2012, com vidas consolidadas, perdas e ganhos de gentes, dinheiros e sonhos que ainda não se realizaram e uma linda filha no meu humilde currículo, aquele velho amigo ressurge com força total a me impulsionar, há pouco tempo, a escrever o argumento de uma ideia antiga: "Vai, usa esse teu dom e escreve um roteiro para a gente ganhar subsídio do Governo federal e fazer nosso filme sobre aquela época incrível, finalmente" - e eu fiz, escrevendo 10 Anos de Cinema em tempo recorde para inscrever no concurso cultural... Não ganhei, tendo apenas sido selecionado na primeira fase, e lá se foi a honorável verba para começar algo completamente novo em minha vida (ele já trabalha com áudio-visual; eu fiquei na burocracia)... Mas não tem nada, não: "estamos aí", imergindo quando preciso, mas ressurgindo sempre - afinal, "para que caímos..."?

Já passa da hora de dormir e encerro parcialmente o que eu tinha pra dizer. Porque sempre se tem algo novo para contar sobre ontem, sempre a se acumular uma nova camada para melhor se sentir a vida e aprender um jeito novo hoje de melhorar o amanhã. Falando em amanhã, ou melhor, daqui a pouco, vou acordar cedo e me preparar para as rotinas diárias, mas acho que, mesmo cansado, estarei melhor com mais essa "camada": os Morcegos estão de volta, em nova fase renovada, e eu terei sido o super-herói da minha madrugada de simples recordações perenes... E viva o Cinema, sempre a recriar personagens das nossas infâncias e a ensinar novos consumidores de Quadrinhos, fazendo tudo o de melhor ressurgir pouco antes da hora de dormir - ou já tendo passado bastante dela...

Ah, os nomes dos meus amigos? A eles dedico este filme (se ainda não viram, vejam já, de preferência nos cinemas!) e esta afetuosa crônica: José Henrique Spencer Leão, o "Rei de Nova Iorque", e Adriana Bello, a "Divindade do Recanto". Saibamos sempre a hora de jogarmos as bombas nos lugares apropriados...

“Tem dias que você simplesmente não consegue se livrar de uma bomba!!!” Adam West, como Batman, no filme Batman O Homem-Morcego, de 1968. Ré, ré, ré.



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