sábado, 31 de janeiro de 2009

Quando Pará e Maranhão se tornam uma coisa só...

Entre mangueiras e palmeiras: "Às vezes sonho com ruas desertas/Margeadas por mangueiras/Entrecortadas por ladeiras,/De palmeiras encimadas"...


Encerrando uma despropositada “trilogia das cidades”, iniciada aqui com o dia do padroeiro do Rio, viajemos hoje um pouco mais para o Meio-Norte e vejamos o que nos guarda uma “quase-ilha” (na verdade, uma península), bem mais perto da minha Ilha do que se imagina...

Situada entre o rio Guamá e a baía de Guajará, sendo dois terços de seu território formado por ilhas (assim como São Luís, que tem em sua volta, no golfão maranhense, inúmeras ilhotas), A Grande Belém foi inicialmente criada como porto fluvial, nascendo na mesma época em que o Forte do Presépio (ou Forte do Castelo, foto abaixo) foi construído – o objetivo era dificultar o acesso de estrangeiros à região (como os franceses, que, à época, já haviam fundado o porto de Saint Louis, no Maranhão) – e, em 1751, é elevada à capital do Maranhão e do Grão-Pará (assim como São Luís já o havia sido, alguns anos antes), vindo estes dois estados a se tornar uma coisa só...

Mas nem falo só dessas uniões históricas: no dia 12 deste mês que se encerra, a ex-“Paris n’América” (SL é a única capital francesa do País), Belém completou 393 anos (um tanto mais nova que São Luís...) e guarda consigo uma bonita paridade que torna os dois estados, de certa forma, irmanados: é só viajar por estas estradas, entre São Luís e Belém, que se vê tanta coisa parecida... E há muito mais além da juçara (lá, assim como no Sul/Sudeste, é açaí) e das belezas histórico-artesanais entre as duas capitais: há um calor humano, embebido pelo amor a estas terras fronteiriças entre o Nordeste e o Norte do Brasil, que me fez amar e me sentir em casa nas vezes que para lá fui! Parabéns, Belém (onde amanhã se encerram as atividades do Fórum Social Mundial), de tantas praças, museus e lugares que ainda não visitei! Viva o Maranhão e o Pará, num rincão bonito e, juntos, já com tanta história pra contar...


Feliz Lusitânia...


As Duas Torres

Dando fim ao elenco de minha coleção de CDs (iniciada com a parte nacional no último 'post'), aqui segue a lista dos discos de minhas "Duas Torres", em homenagem ao clássico livro do Tolkien, forma carinhosa que dou para estes 2 porta-CDs: na primeira e maior, jazz, blues, rock e pop internacionais; na segunda, as trilhas sonoras do Cinema (instrumentais ou não) se juntam aos discos da chamada "Mùsica Clássica". Sublinhados seguem os melhores e/ou meu favoritos.

Torre I: 1. The Best of Carlos Gardel; Follio Collection The Jazz Masters 100 Anos de 'Swing': 2. Miles Davis; 3. Ella Fitzgerald; 4. P. Metheny, B.B. King e Dave Brubeck; Jazz - Coleciones delPrado: 5. Louis Armstrong - What a wonderful world; 6. Billie Holliday - Me, myself and I;
7. Billie Hollyday (EUROPA); All That Jazz - 25 Mundo Hits: 8. CD 1; 9. CD 2; 10. CD 3; 11. CD 4 (VÁRIOS ARTISTAS); 12. Glenn Miller Vol 1; 13. Glenn Miller Vol 2 (2CDs); 14. Original Big Bands - One o'clock jump - 25 Big Band Hit; Unforgettable - O Melhor de Nat King Cole (READER'S DIGGEST): 15.16. CDs 1 e 2; 17.18. CDs 3 e 4; 19. CD 5; 20. Frank Sinatra - New York New York; 21. Frank Sinatra - Classic Sinatra; 22. Frank Sinatra - The Classic Years; 23. Frank Sinatra - Romance (2 CDs); 24. The Essence of Frank Sinatra; 25. Frank Sinatra Forever (EDITORA GLOBO); 26. The Sinatra Family wish you a merry Christmas; 27. Coleção Legends: Frank Sinatra;
28. Dean Martin - All The Hits 1964/1969; 29. Doris Day - A day at the movies; 30. The Ultimate Tony Bennett; 31. Tony Bennett - Unplugged MTV; 32. The Platters (POLYDISC); 33. B.B.King - Why I sing the blues; 34. Rollin' Tmbblin - Mestres do Blues (REVISTA SHOWBIZZ); 35. From the Cradle - Eric Clapton; 36. Eric Clapton - Unplugged MTV;
37. 16 All-Time Rock'n Roll Hits; Exclusive Collection: 38. The Mamas and Papas; 39. Chuby Checker; 40. Elvis' Golden Records Elvis Presley; 41. Chuck Berry Vol. 1 Sweet Little Sixteen; The Collection: 42. Jerry Lee Lewis; 43. Little Richard; 44. David Bowie; The 20TH Century Music Collection: 45. Bill Halley and his Comets; 46. The Beatles 1; 47. The Beatles: Past Masters Vol 1; 48. The Very Best of The Beach Boys; 49. Bob Dylan Greatest Hits; 50. The Doors; 51. Simon and Garfunkel's Greatest Hits; 52. The Clash London Calling (2 Record Set on 1 Compact Disc); 53. Michael Jackson - Thriller (Special Edition); 54. Alanis Morrisette - Jagged Little Pill; 55. Globo Special Hits 2.

Torre II: Cinema History: 1. Heroes in Hollywood; 2. A History of Hitchcock; 3. Music from the films of Harrison Ford;
4. Cinema Serenade - Itzhak Perlman - Pittsburgh Simphony Oschestra - John Williams; 5. The Essential Miklós Rozsa
(2 DISCOS); 6. Bernard Hermann no Cinema; 7. Os Maiores Sucessos Musicais do Cinema (Isto é/Times); 8. Vídeos: Temas Inesquecíveis (Guia Prático Nova Cultural); 9. Hollywood - The Greatest Hits (2 CDs); 10. Central do Brasil; 11. Music from the motion picture "E.T."; 12. The Matrix Revolutions; 13. Alguém tem que ceder; 14. Austin Powers; 15. Tempo de Violência; 16. Forrest Gump The Soundtrack - 34 American Classcis on 2 CDs; 17. Sleepless in Seatle; 18. Classic Disney Volume 1; 19. West Side Story/ Western Themes (2 CDs);
20. THBeckmann - Music by Charlie Chaplin - "Oh, That Cello"; 21. O Melhor de Gershwin (Villa-Lobos-Schumann-Maller) (Classic CD); Spotlight on: 22. George Gershwin; 23. Irving Berlin; 24. Antonio Vivaldi - As Quatro Estações; 25. Mozart - Overture: The Marriage of Figaro; 26. Beethoven - Symphony n. 9, OP 125; Coleção Os Grandes Clássicos - Ediciones delPrado: 27. L.V.Beethoven - Concerto para Violino e Orquestra; 28. L.V.Beethoven - Sinfonia n. 6 MAIOR OP 68 "Pastoral"/ "As Criaturas de Prometeu"/ "As Ruínas de Atenas"; 29. Festival Clássico (MENDELSSOHN, MASCAGNI, BIZET E VÁRIOS); 30. Johann Strauss - Valsas, Polcas e Marchas de Viena; 31. As Mais Belas Valsas (TCHAICOVSKI, GOUNOD, PUCCINI, STRAUSS E VÁRIOS); 32. Col. Gênios da Música II - Compositores: Vol. 5 - Bach (Caras); 33. O Melhor do Natal - Conjunto Natalino.


Em destaque, um de meus melhores discos, The Ultimate Tony Bennett, com destaque para a canção I left my heart in San Francisco, ao fundo... E você, em que cidade deixou seu coração?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Então...


Afinal, só eles mesmos, os filhos desta imensa metrópole cosmopolita, para começarem qualquer frase com "então"... E, uma vez que os Morcegos são muito mais lidos pelo resto do País do que pela minha própria cidade no Maranhão, meus parabéns aos "mano" paulistas ("é nós, tá ligado" e outras adoráveis idiossincrasias adúlteras da Língua, que ali já abrigou tantas outras...) que por aqui dão rasantes: "tipo" um "hiper-mega" abraço à cidade de São Paulo, ao mesmo tempo caótica e belamente surpreendente, que celebrou ontem 455 anos de uma história ricamente produtiva... E que Caetano soube compor e cantar tão bem, partindo de uma "observação pessoal" sua, quando da descoberta nos anos 60, para a universalidade de gente, prédios e cultura definidores de Sampa (quase um segundo termo para a megalópole), uma obra-prima de fusão em bossa, choro e tropicália por sobre concreto e sonhos cruzados...




E por falar em Música, há não muito tempo escalei por aqui minha pequena coleção de DVDs; hoje, aproveito para desfilar uma outra um pouquinho maior e bem mais diversificada: a primeira parte de minha coleção de CDs! Sim, primeira parte porque, ao todo, são mais de 200 títulos e, como falei em Caetano (que você ouve ao fundo e que destaco, de minha coleção, com seus dois mais geniais discos: "Domingo" e Caetano Veloso, ambos de 1967), nada melhor que começar pela minha dileta seleção nacional (na foto abaixo, com pouco mais de 100 discos, onde predominam as coletâneas – destaque sublinhado para aqueles que me são favoritos): nela se ouve um pouco de tudo de bom que há na Música brasileira, desde os tempos áureos de Pixinguinha até o Rock/Pop Nacional dos anos 80/90 (menos Jota Quest, por favor...).



Coleção MPB Compositores: 1. Noel Rosa - 3; 2. Tom Jobim - 13; 3. Vinícius de Moraes - 18; 4. Braguinha - 21; 5. Moraes Moreira - 22; 6. Lupicínio Rodrigues - 23; 7. Ataulfo Alves - 24; 8. Nelson Cavaquinho - 26; 9. Toquinho - 27; 10. Dolores Duran - 28; 11. Geraldo Pereira - 30; 12. Geraldo Vandré - 31; 13. Zé Ketti - 32; 14. Wilson Batista - 36; 15. Assis Valente - 37;
16. Pixinguinha 100 Anos; 17. Clássicos do Choro (Coleção 1 Hora de Música); 18. Grandes Orquestras
19. Os Reis da Voz (Col. Enciclopédia Musical Brasileira - 33); 20. Os Grandes Cantores do Rádio; 21. Nelson Gonçalves – 50 Anos de Boemia – Vol. I; 22. Nelson Gonçalves – 50 Anos de Boemia – Vol. II; 23. Nelson Gonçalves – 50 Anos de Boemia – Vol. III; 24. Nelson Gonçalves – Ainda é cedo; 25. Orlando Silva – Carinhoso; 26. O Melhor de Luiz Gonzaga
Coleção BIS (DOIS DISCOS): 27. Orlando Silva; 28. Wilson Simonal; 29. Demônios da Garoa
30. Moreira da Silva (Coleção A Arte de)

31. Jorge Ben - Puro Suingue; Coleção Minha História: 32. Vinícius de Moraes; 33. Raul Seixas; 34. Cazuza
35. 10 Anos sem Vinícius – Vinícius e Amigos
Coleção Obras-Primas: 36. Vinícius de Moraes; 37. Tom Jobim;
38. No Tom da Mangueira; 39. Edu Lobo e Tom Jobim – Edu e Tom; 40. Tom canta Vinícius – ao vivo; 41. João Gilberto – Ao Vivo – Eu sei que vou te amar; 42. João Gilberto (Coleção Música!)
Coleção Millenium: 43. João Gilberto; 44. Carlos Lyra; 45. Os Cariocas; 46. Quarteto em Cy e MPB-4; 47. Toquinho; 48. Dorival Caymmi; 49. Gal Costa
50. Gal Costa – Gal Canta Caymmi; 51. Gal Costa – Acústico MTV; 52. Gal Costa e Caetano Veloso "Domingo" 53. Caetano Veloso; 54. Jóia – Caetano Veloso; 55. Caetano Veloso – Prenda Minha; 56. Totalmente Demais – Caetano Veloso; 57. A Bossa de Caetano
Coleção Sem Limite (2 DISCOS): 58. Caetano Veloso; 59.Tom Jobim; 60.Gilberto Gil;
61. Gilberto Gil – Unplugged; 62. Tropicália
63. Chico Buarque (Coleção As 20 Preferidas); 64. Chico Buarque (Coleção RCA 100 Anos de Música); Coleção Chico Buarque 50 Anos: 65. O Político; 66. O Trovador; 67. O Amante; 68. O Cronista; 69. O Malandro

Coleção Preferência Nacional: 70. Cartola
71. O Melhor de Paulinho da Viola
72. Paulinho da Viola e Elton Medeiros – Samba na Madrugada
Coleção Série Dois Momentos (DOIS DISCOS): 73. Paulinho da Viola; 74. Secos e Molhados
Coleção Meus Momentos: 75. Paulinho da Viola; 76. Djavan;

Coleção 20 Supersucessos: 77. Zé Ramalho Vol. I; 78. Zé Ramalho Vol. II; 79. Alceu Valença; 80. Ivan Lins;
81. O Melhor de Roupa Nova; 82. Último Romântico Lulu Santos; 83. Titãs 84 94; 84. Os Paralamas/Arquivo; 85. Acústico MTV Kid Abelha; 86. Kid Abelha - Meio Delisgado; 87. Léo Jaime – Sessão da Tarde; 88. Rita Lee em Bossa'n Roll; 89. Acústico MTV Cidade Negra; 90. Skank Ouro Preto MTV Ao Vivo;
91. Marisa Monte; 92. Mais – Marisa Monte; 93. Marisa Monte – Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão; 94. Barulhinho Bom – Marisa Monte; 95. Tribalistas; 96. Universo ao meu redor – Marisa Monte; 97. Infinito Particular – Marisa Monte;
98. Simplesmente – O Melhor de Maria Bethânia; 99. As canções que você fez para mim – Maria Bethânia;
100. Roberto Carlos – Pra Sempre; 101. Roberto Carlos Acústico MTV;
102. Vou pedir pra você voltar – O Melhor de Tim Maia

103. Vôos – Fátima Passarinho; 104. Quero Fogo – Cesar Nascimento; 105. Retrato do Maranhão – Papete;
106. Os 30 Maiores Jingles de Todos Os Tempos – Vol. 2 (Coleção Flashback);
107. Clube de Regatas Vasco da Gama – Só pra sacanear... Flamenguistas, Tricolores e Botafoguenses (Hinos)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009



Parabéns aos cariocas pelo feriado do padroeiro da Cidade Maravilhosa, São Sebastião, o mártir cravado de flechas, que já parecia prever o futuro violento do Rio de que seria protetor... E à lembrança de meu querido avô, Sebastião Ribeiro Rosa – que, se foi santo, não sei, mas nasceu São Sebastião (dia 20 de janeiro de 1923) e morreu Santo Antônio (dia 13 de junho de 2004), indo-se santo o meu avô, mártir de seus violentos problemas de saúde...


Foto de Drica


E eis que, falando em Rio de Janeiro, 2008 acabou nos Morcegos sem uma menção honrosa ao maior surto de desenvolvimento que o País teve até então (e de uma só vez): os 200 anos da vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil. Mas, antes, vamos a um pouco de História...

Decretado o bloqueio continental à Inglaterra, exigiu Napoleão Bonaparte que Dom João não só mandasse fechar os seus portos aos navios ingleses, como ainda confiscasse os bens e ordenasse a prisão dos súditos daquele país em Portugal. Impaciente com as evasivas portuguesas, Napoleão declarou deposta a Dinastia de Bragança, ordenando a invasão e a divisão do reino de Portugal (ficando o Brasil e as colônias lusitanas para serem partilhadas entre a França e a Espanha), ao que, finalmente, os ingleses acudiram às hesitações do príncipe regente português, assinando com este um acordo sobre a transferência temporária da sede da monarquia portuguesa para o Brasil – o que elevou o País de colônia ainda atrasada para a categoria de "Reino Unido a Portugal e Algarves d'aquém e d'além mar em África da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Pérsia e das Índias", passando o Rio a ser a "Capital do maior império colonial do mundo", com aterros, estradas, incremento do comércio...

O engraçado é que tal evento histórico me lembra outra coisa: a "Querela Mestre dos Mares"! Explico: depois de o amigo Sérgio já ter visto aquele bom filme estrelado por Russel Crowe, fui, enfim, ver já nos últimos dias de exibição... E gostei, diferentemente da opinião do amigo! Tudo virou verdadeira "querela", porque houve uma interminável discussão por 'e-mails' entre nós sobre o filme, baseado no famoso livro de Patrick O'Brien – o que acabou gerando situações memoráveis, como as divertidas discussões pela 'internet', especialmente sobre o desenvolvimento do Brasil pós-D. João, cujos trechos passo a expor...



"(...) O Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo narra a perseguição do navio HMS Surprise da Guarda Britânica à fragata francesa Archeron PELO OCEANO ATLÂNTICO, RUMO AO PACÍFICO, seguindo pela Patagônia, contornando o Cabo Horn até as Ilhas Galápagos, “para levar a guerra até aquelas águas” – com menção à época em que se passa o filme, juntamente com a missão a ser cumprida, numa bela homenagem a clássicos do gênero, como O Grande Motim – e, ao chegar ao litoral tupiniquim, o mestre e comandante do título original se refere a “grandes bancos de areia e de recifes onde podem recuperar o navio das avarias e ainda se abastecerem de suprimentos”, portanto aparentando tratar-se do litoral nordestino, onde muitas vilas começavam a ter seu estouro do milagre econômico do açúcar e do algodão, entre ÍNDIOS, TRAFICANTES DE ESCRAVOS, PROSTITUTAS E MERCADORES EUROPEUS E BRASILEIROS, GRANDES E PEQUENOS, tudo com precisão, sem nenhuma “presença apenas de índios, como se aqui fosse um lugar extremamente atrasado”... Assim, caem por terra as abusivas críticas às tais “imprecisões históricas e geográficas”!
Quanto ao filme propriamente dito, trata-se de um roteiro correto e enxuto, mas atento às mudanças no clima da aventura, na medida e na hora certas; as atuações precisas de todo o elenco e a direção competente de Peter Weir nunca deixam o filme perder o ritmo, graças à boa montagem; o som e os efeitos sonoros, sem comentários; e, como não poderia deixar de ser, a “fotografia feita em tanque” em nada lembrava suas fortes críticas, muito pelo contrário: se não merecia o Oscar em virtude de o concorrente Cidade de Deus ter um trabalho melhor e mais criativo, pelo menos merecia a indicação, já que é tão difícil fotografar batalhas navais, sem falar das belas paisagens em terra firme mostradas..." (dilbertolrosa@hotmail.com)


"Dilberto, tem razão, especialmente na parte histórica: lembre-se que D. João VI só viria em 1808, só aí mudando estruturalmente toda a situação ainda atrasada do Brasil... Só acho que tá te perdendo com um filme menor, cujo único vilão se concentra em poucas cenas com um navio francês, o que não sustenta a trama... Vamos falar de filmes melhores!" (sergioronnie@hotmail.com)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009


Ainda em clima de fim para início de ano, uma reciclagem necessária, porém temerária, com a Lua mais bela como testemunha...


Fim de Recomeço

Quero falar de mim,
Mas, à francesa,
Quero fugir da dura autocrítica
De Drummond.
Quero falar de meu aprendizado
E do fim de meu ano bom
Ou ruim
– Quero falar de mim...
De minha poesia
Quero abrir a cortina do quarto
E deixar o sol entrar,
A nova vida,
O novo ano entrar.
Quero pensar de mim
Que o novo é o velho
Que eu já esqueci.
Quero sentir a doce manhã
Do primeiro dia
Como se fosse
A ficção do ano zero,
Do contador iniciado do zero,
Do novo homem
Que nasceu ao romper
Do novo ano...
Quero sonhar com o amor
E com a paixão
De aliança renovada.
Quero casar-me com a poesia
E ter de amantes
Vários poemas,
Todos cheios de curvas
Como a bela amada
– Pois que os poemas
São fêmeas, todas elas
Momentâneas,
Mas a poesia
A eterna e única amada...
Ainda assim
Quero amar em vão
E para sempre
Como se poeta fosse!
Quero me desdizer
Ao falar de mim
E ao quebrar
Todas as minhas promessas
Feitas à beira do poço
(De onde quem me tira
Não é meu bem,
Mas apenas eu).
Quero,
Com o decorrer da vida,
Seguir achando
E pensando que encontro
Sempre
Em algum lugar
Alguma coisa nova para reescrever...

(Dilberto L. Rosa, 2004)



Abrindo meu papel

Acendo a luz e percebo que se trata de um antigo escrito, coisa minha de mais de dez anos. Volto a procurar, só que agora tento encontrar na folha algo meu perdido em alguma linha, uma inocência que talvez o tempo não tenha feito curvar...

O pior é que só vejo a mesma essência do eterno presente de mim: ainda que papel velho, sou eu mesmo que falo ali com a mesma voz cansada de agora, como se ontem e hoje se dobrassem para me lembrar quem realmente sou...

E o papel ainda conta tantas coisas mais, como que se desdobrando em tantos outros que com ele guardam ligação (eterna continuidade abstrata, talvez mesmo sem valor): todos me aguardam no escuro, nem sei se dobrados ou não...

Por fim dobro o papel, fazendo-o curvar-se ao meu controle e a tudo que ele passou, como papel velho e amarelado, para chegar até aqui – a curvar-se mesmo sobre si, desdobrando os tantos eus que ainda restam em mim...

Encontro, ao léu e no escuro, o que parece ser uma velha folha de papel. Tateio e procuro achar os vieses de algo que há muito já se tenha dobrado, porém não encontro os tais machucados – a folha parece que nunca se curvou...

(Dilberto L. Rosa, 2006)


Limpo os poemas de minha mente com qualquer guardanapo, de qualquer lanchonete esquecida no tempo... Para depois achá-lo perdido, dobrado e amarelado em algum armário de minha existência...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Nasce mais um ano lá fora...



O ano de 2008 foi tão repleto de acontecimentos e de aniversários especiais que mal houve tempo para viver tudo como se deveria... Mas sempre é tempo de lembrar, especialmente nos espaços livres entre um brinde vazio e outro de fim de ano: é hora de falar do melhor de 2008!

Tesouros escondidos...



O Maranhão, num todo, é lindo; Fortaleza e Belém também... E por trás de onde menos se espera, muitos encantos podem surgir: na Música, por exemplo, a mais-que-propagada face da autodestrutividade da cantora Amy Winehouse quase ofuscou a genialidade da sua interpretação de alma negra e da voz irrepreensível de uma Billie Holliday selvagem – mas o ano foi mesmo da inglesa do talento insano, com os 'shows' e as canções do excelente Back to Black (apesar de este ser do final de 2006)! Na TV, apesar dos 'revivals' de Hermes e Renato e de Marcelo Tas com a franquia CQC, quem dominou a renovação do humor foi mesmo Marcelo Adnet: originário do Teatro com sua trupe de comediantes 'stand up', Adnet realmente fez escola com seu 15 Minutos numa quase esvaziada MTV... Nos Esportes, numa mais uma vez malfadada participação brasuca numa Olimpíada amarelada, eis que o atleta do ano foi mesmo César Cielo nas suas memoráveis braçadas aquáticas (Phelps não conta, é 'hors concours'...)! E na Política, mesmo com as metáforas do "sífu..." e com a barriga do nosso querido Lula a pulular em Fernando de Noronha, 2008 já fez história com o "superpresidente negro" antes mesmo de subir ao poder Barack Obama!



CINEMA
O Pior e O Melhor de 2008...



Infelizmente, para os mais que ávidos e esperançosos fãs do maior arqueólogo do Cinema, a Bomba do Ano, sem dúvida, foi Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal: decididamente, a dupla Spielberg/Lucas não rende mais como antes, e as tais "homenagens ao Cinema B dos anos 50" acabaram por tornar este filme numa tola ação sem roteiro... e com seres extraterrestres! Já o Filme do Ano, sucesso de público e crítica, alçador da categoria "adaptação de Quadrinhos" a um patamar mais que respeitável no Cinema, e impossível de ser ignorado, foi O Cavaleiro das Trevas: junte o maquiavelismo sádico do maior vilão das HQs com o realismo terrorista e aterrorizante dos novos tempos, some-os a uma interpretação magistral e imbatível de um ator precocemente falecido (Heath Ledger, o mesmo excelente de Brokeback Mountain e Casanova), sem esquecer um ótimo roteiro cheio de subtramas e reviravoltas dignas de um filme Policial, juntamente com pitadas do melhor diretor da atualidade e um afiado elenco a gosto... Eis a receita do supercampeão merecido de bilheteria de 2008 – e o mais surpreendente filme também! Já a Surpresa do Ano foi mesmo O Nevoeiro, a assustadora adaptação da obra de Stephen King por seu parceiro talentoso Frank Darabont...



Mas nem só de encapuzados negros, palhaços assassinos ou insetos do Inferno vive a Sétima Arte! Muitos outros também fizeram bonito na tela grande (ou agora na pequena, uma vez que Ensaio sobre a Cegueira e Queime antes de ler já, já chegam em DVD e poderão confirmar as excelentes resenhas dos amigos para pessoas que não puderam acompanhá-los nos cinemas, como eu...), nas mais diferentes categorias: em segundo lugar, pelas engraçadas e gratas surpresas do roteiro descolado do mestre Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona; pela poesia seca de gente que quer seguir acreditando antes que perca a Linha de Passe, este belo filme brasileiro, com direção precisa e interpretações marcantes (especialmente a de Vinícius de Oliveira, o moleque Josué de Central do Brasil, melhor mesmo que Sandra Corveloni, surpresa vencedora como atriz em Cannes 2008), marcou a terceira posição dentre os melhores do ano; um robozinho que soube misturar as faces de ET e do oitentista Johnny 5 (de Um Robô em Curto-Circuito) juntamente com os encantos da Pixar e uma certa poesia espacial à 2001 e temos o delicioso quarto lugar com Wall-E; por fim, em quinto, a criatividade à Bob Dylan de Não estou lá fecha um ano que se iniciou nos cinemas brasileiros com duas já clássicas obras-primas do Cinema Moderno, Onde os fracos não têm vez e Sangeue Negro (que não ocupam esta Lista dos 5 Melhores de 2008 por serem do ano passado...): sem dúvida, talentos que merecem nossas palmas...


A todos os que participaram das escolhas destas listas, quase em consonância com a minha, especialmente ao de volta ao exílio carioca, Sérgio Ronnie: feliz 2009 com muitos filmes para nós!
 

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