segunda-feira, 12 de janeiro de 2009


Ainda em clima de fim para início de ano, uma reciclagem necessária, porém temerária, com a Lua mais bela como testemunha...


Fim de Recomeço

Quero falar de mim,
Mas, à francesa,
Quero fugir da dura autocrítica
De Drummond.
Quero falar de meu aprendizado
E do fim de meu ano bom
Ou ruim
– Quero falar de mim...
De minha poesia
Quero abrir a cortina do quarto
E deixar o sol entrar,
A nova vida,
O novo ano entrar.
Quero pensar de mim
Que o novo é o velho
Que eu já esqueci.
Quero sentir a doce manhã
Do primeiro dia
Como se fosse
A ficção do ano zero,
Do contador iniciado do zero,
Do novo homem
Que nasceu ao romper
Do novo ano...
Quero sonhar com o amor
E com a paixão
De aliança renovada.
Quero casar-me com a poesia
E ter de amantes
Vários poemas,
Todos cheios de curvas
Como a bela amada
– Pois que os poemas
São fêmeas, todas elas
Momentâneas,
Mas a poesia
A eterna e única amada...
Ainda assim
Quero amar em vão
E para sempre
Como se poeta fosse!
Quero me desdizer
Ao falar de mim
E ao quebrar
Todas as minhas promessas
Feitas à beira do poço
(De onde quem me tira
Não é meu bem,
Mas apenas eu).
Quero,
Com o decorrer da vida,
Seguir achando
E pensando que encontro
Sempre
Em algum lugar
Alguma coisa nova para reescrever...

(Dilberto L. Rosa, 2004)



Abrindo meu papel

Acendo a luz e percebo que se trata de um antigo escrito, coisa minha de mais de dez anos. Volto a procurar, só que agora tento encontrar na folha algo meu perdido em alguma linha, uma inocência que talvez o tempo não tenha feito curvar...

O pior é que só vejo a mesma essência do eterno presente de mim: ainda que papel velho, sou eu mesmo que falo ali com a mesma voz cansada de agora, como se ontem e hoje se dobrassem para me lembrar quem realmente sou...

E o papel ainda conta tantas coisas mais, como que se desdobrando em tantos outros que com ele guardam ligação (eterna continuidade abstrata, talvez mesmo sem valor): todos me aguardam no escuro, nem sei se dobrados ou não...

Por fim dobro o papel, fazendo-o curvar-se ao meu controle e a tudo que ele passou, como papel velho e amarelado, para chegar até aqui – a curvar-se mesmo sobre si, desdobrando os tantos eus que ainda restam em mim...

Encontro, ao léu e no escuro, o que parece ser uma velha folha de papel. Tateio e procuro achar os vieses de algo que há muito já se tenha dobrado, porém não encontro os tais machucados – a folha parece que nunca se curvou...

(Dilberto L. Rosa, 2006)


Limpo os poemas de minha mente com qualquer guardanapo, de qualquer lanchonete esquecida no tempo... Para depois achá-lo perdido, dobrado e amarelado em algum armário de minha existência...
 

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