terça-feira, 2 de maio de 2006

Hoje é um dia especial para uma pessoa especial, um verdadeiro amigo da Sétima Arte que as correntes virtuais me trouxeram graças a este dileto espaço virtual que há pouco completou 2 anos: hoje é o Luiz Henrique quem faz aniversário, e a ele os meus mais sinceros parabéns, com desejos de muita saúde, paz e bênçãos de Deus para continuar seguindo por muito tempo com este seu bom caráter, ótimo coração e esta sua cabeça certa de muitos talentos e qualidades múltiplas - afinal, além do Under Pressure, onde ele costumeiramente tece suas ótimas, porém desacorrentadas homenagens cinematográficas (com notas normalmente acima da média do que muitos filmes mereceriam, ré, ré!), ele escreve para vários blogs (em especial para o Culture Rangers, onde, no dia 8, ele tecerá análises sobre meu poema Florbela - quanta honra, nunca tive uma "obra" analisada...) e, mesmo diante de todas as adversidades (como as muitas por que infelizmente tem passado ultimamente...), ainda consegue forças para erguer a pena e dedilhar excelentes crônicas, tal como o fez na que muito honrosamente apresento hoje nesta ROTATÓRIA ESPECIAL de hoje - a qual agradeço de coração a dedicatória carinhosa ao casal Rosa (a Jandira aproveita pra também mandar lembranças)!

Parabéns, amigo: lutadores sempre nos trazem grandes exemplos de vida e de amor à arte, e você é um lutador cem por cento!

ROTATÓRIA ESPECIAL
A Lente do Artista


O Amor Convexo
(ou Crônica de hospital #1)


Perguntaram-me qual é a semelhança entre o Coelho da Páscoa e o amor. Não sabia a resposta, mas ela logo veio: não importa, nenhum dos dois existe mesmo.

Piadinha corrente essa, principalmente nessa época de festas de páscoa. Mas, quando a escutei, algumas semanas atrás, fiquei roxo de rir, pois para mim ela fazia sentido. Daí, deitado no leito de um hospital sem nada de mais útil para fazer, resolvi pensar, pensar e ponderar. Até onde essa piadinha é verdade?

Não, meus amigos, não pensem que eu vou discutir a existência do coelho de olhos vermelhos, pêlo branquinho e de pulo bem leve. O que me intriga, o que acabou por consumir todo o tempo que fiquei aqui, deitado com um vidro de soro pendurado ao lado da minha cama, é justamente a existência do amor. Que bicho é esse? Ele tem garras? Ele faz com que a nossa pele fique pinicando quando chegamos perto dele? Ele se parece com uma girafa desengonçada? Pois bem, gastei todo o meu tempo pensando sobre ele. Afinal, que raio de coisa é essa chamada amor?

Eu nunca acreditei nessas coisas. Pra mim, existia paixão e coisa e tal, atração entre homem e mulher, ou entre mulher e mulher, homem e homem, mulher-barbada e anão-de-circo. Existe gosto para tudo nesse mundinho de Deus. Mas amor é um exagero. Daí, passei a pensar o quanto nossos pais deviam se gostar para nos fabricar, digamos assim. (claro que existem exceções - mães solteiras estão aí para provar). Sempre havia imaginado que as pessoas só ficavam juntas e cometiam casamento (para mim, qualquer coisa que precise de juiz e testemunhas é crime) porque sentiam apenas atração entre elas. Pois bem. O hospital me fez pensar melhor.

Um caso hipotético: como não quero cair no clichê de fazer a típica historinha entre homem e mulher apaixonados, vou fazer uma diferente, inspirada pela montanha Brokeback, que eu revi dia desses no cinema. Um caso típico de amor entre dois iguais (senhoras puritanas, não se choquem - é um caso apenas hipotético, para ilustrar o que quero dizer. Não me prendam!). Eram dois. Um morava no interior, outro na capital. Conheceram-se durante uma festa de uma amiga em comum. E foi aquela coisa bem brega, tipo "amor à primeira vista". Sentaram e conversaram, até que a coisa aconteceu. E ali o rapaz do interior notou que estava apaixonado. Oh, surpresa geral! Quem iria imaginar uma coisa dessas? O que ele não esperava é que o coleguinha da capital parecia estar correspondendo. Pronto, foi aquela coisa que todo mundo que já se apaixonou pelo menos uma vez na vida sabe como é. Ligações, mensagens de texto no celular, suspiros e "ohs" por todo lado. Avoados, os dois. E de repente, um sugere ao outro o fato de namorar. Escândalo na sociedade! Ninguém iria tolerar isso. Até que o amigo enamorado da capital diz: "- Dane-se o resto! Eu gosto de você, você gosta de mim, eu te amo e você também me ama. Dane-se o resto!". Vendo por esse lado, o outro topou e hoje eles só não casaram porque a legislação não permite. Enfim, essas coisas...

Diante de tal caso, passei a crer que o amor não escolhe a quem afetar. E que ele existe, mas de uma maneira diferente do que os parnasianos e românticos do século XIX pensavam, por exemplo. Não é aquela coisa de se matar por causa da amada; o amor também acaba, assim como o dinheiro no fim do mês e as músicas do Engenheiros do Havaii (muitos ainda acreditam que as musicas deles não têm fim, a ciência ainda tenta provar o contrário). "Ainda que eu falasse a língua dos homens, que falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria". Isso é a melhor definição do amor que existe. Mesmo sem perceber, a gente ama alguém, ama alguma coisa, e isso nos dá condições de viver. Então, o amor nada mais é do que o combustível que alimenta a nossa alma e que nos faz querer acordar no dia seguinte. É o nosso motivo, é o nosso propósito.

Talvez isso explique os bilhetinhos apaixonados, as mensagens açucaradas no orkut, os carinhos e o fato de que saber que amamos e somos amados por alguém dá um novo sentido a nossa vida. Casais exemplares existem aos montes: Romeu e Julieta, Albert Einstein e Mileva Maric, Adão e Eva, Dilberto e Jandira, entre tantos outros que estão sempre aí para nos mostrar que o amor existe, sim, senhor, e que um dia ou outro ainda seremos enganados por ele, e que isso pode afetar a nossa vida toda.

Ah, voltando, sabe qual é a semelhança entre o coelho da Páscoa e o amor? Eu já respondo: o Coelho da Páscoa existe para quem acredita nele. O amor também...

(Luiz Henrique Oliveira, abril de 2006)

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