domingo, 28 de maio de 2006

Peço desculpas aos parentes por aparecer mais tarde que o de costume: é que estava no batizado de meu sobrinho na cidade balneária de São José de Ribamar! Mas nada que comprometesse este nosso grande encontro em frente à TV, a torcer pelo Brasil em mais uma Copa do Mundo - pelo menos deu tempo para fazer a pipoca! Participando desta peleja, rumo ao hexa: Marco Santos, Lelinha, Luiz Henrique, Micha, Júnio, Advi e Makoto.



Reunião da Família Morcegos


"Quem não gosta de samba bom sujeito não é/ Ou é ruim da cabeça ou doente do pé...", já diria Caymmi - e o que dizer do Futebol, o artigo mais cultural de nosso País, mais que a caipirinha e a mulata somados (ambos são como espécies de acompanhantes de luxo)?! Minha história com o esporte bretão é antiga, embora um tanto complicada... Posso dizer que minha infância foi um pouco sofrida, graças a uma não tão acentuada habilidade com a bola nos pés... Tanto que, depois de muitas escalações tristes na zaga ou no gol, acabei por optar pelo vôlei no esporte da escola! Mas nada que me tirasse o interesse pelas peladas com os primos e amigos perebas nas praias de São Luís, nos fins de semana! Há quanto tempo...

A primeira Copa a que assisti foi a da Espanha, com o "escrete mágico", aquele com Zico, Sócrates, Júnior... Aquele time dos sonhos que acabou sendo um banho de água gelada tão grande como a tragédia de 50, já que o clima de "já ganhou" era nas mesmas proporções, dado que tinhamos a melhor seleção desde a de 58... Mas nada que me fizesse sofrer, afinal, tinha apenas 5 anos! O sofrimento mesmo viria com a de 86 (nem tanto assim, já que quem chorou mesmo foi meu primo!), com aqueles fatídicos pênaltis de Sócrates e de Zico, empalidecimento injusto para uma seleção de ouro comandada por um Telê que só teria sua merecida recompensa alguns anos depois com o bi mundial pelo São Paulo... E o que dizer de 90? Maldita água argentina...

1994 foi, enfim, um divisor de águas na minha vida: não só despachou para trás os últimos anos de inocência de minha vida, uma vez que terminava naquele ano o segudo grau, com todo aquele clima de despedida, como também poria por terra mais de duas décadas de falta de fé no nosso maior orgulho nacional! Mãos dadas, Romário na sua melhor fase e um time na raça a erguer sob palavrões de um Dunga possuído a tão sonhada "taça" (o feio troféu Fifa) - e olha que nós quase não éramos classificados pela primeira vez na história dos mundiais...

Digo divisor de águas porque foi com aquela Copa que a minha maneira de torcer mudou: não éramos mais vira-latas marginais no mundo, sem um produto de expotação - tínhamos nossos super-heróis, nossos Capitães Brasil, que lutavam pela Pátria amada como um exército dos sonhos, a defender nossos ideais de um Brasil livre, justo e solidário... Bom, nem tanto! Mas o Futebol está aí para isso: para transformar vidas de meninos e devolver a meninice para homens que, como eu, adoram sofrer diante da telinha com cada lance mágico e inspirado de um Futebol-arte que insiste em sobreviver...

E ainda hoje acompanho todos os jogos (mesmo aqueles cansativos jogos do Japão e da Coréia, cheio de sono...) e vibro bastante, ainda que sem nenhuma superstição de costume ou ritual de bebedeira ou de pipoca! Assisto tudo mesmo a seco, sem exageros ou badulaques (nem camisa verde a amarelo)! Mas tem que ter raça! Senão, esmoreço, tal como fiz em 98, naquela final sem explicação para mim até hoje, com a França... Se houver ainda algum dia outro daqueles jogos, juro que torcerei pelo adversário!

E, encerrando, em homenagem ao querido primo Júnio (que adora este quadro), encerro esta minha participação nesta dileta reunião com o fim da seção Retrospectiva deste ano - ano que vem tem mais! Abraço a todos e... Vamos para mais um caneco?

RETROSPECTIVA


Muitos foram os textos que escrevi em homenagem ao maior espetáculo da Terra, publicados neste espaço virtual (como as três Vertebrais que escrevi sobre o Futebol), mas só agora lanço meu primeiro poema sobre o esporte bretão...


Futebol

A bola é redonda, tem dois lados
e rola pra lá e pra cá
entre o pé descalço, de calos e joanetes
do time de meninos que não estuda
nem tem futuro,
e a chuteira dourada
do time dos garotos-propaganda
multimilionários e sem passado...
De juiz, um frustrado sem mãe
e sem talento para jogar...
De técnico, todos nós em rouco uníssono...
E, na reserva, milhões de garotos em fumaça de ilusão...
Na arquibancada, um poeta apático e silencioso
que nunca foi muito de jogar,
mas que se perde na ilusão apoplética
de uma bicicleta de cor negra de um diamante bruto e imortal,
nas pernas tortas de um cafuzo que se acaba como um menino sem juízo
e num rei absoluto com tantos súditos e tantos corações...

O mundo é uma bola
e meu coração rola pra lá e pra cá
esperando apenas o momento mágico de ser chutado a gol como bola de meia
certeiro no cantinho onde a coruja dorme, indefensável para qualquer goal keeper perdido no tempo dos últimos segundos dos 45 do segundo tempo...

(Dilberto Lima Rosa)

(poema publicado no 'post' do dia 24 de janeiro de 2006)
 

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