terça-feira, 29 de novembro de 2005

Salve, queridos blogueiros de plantão: em primeiro, gostaria de agradecer, por meu irmão, o carinho e as várias sugestões de nomes para sua futura filha, dadas na última publicação, e lembrar que a votação continuará até o fim de semana, onde será revelado o nome "vencedor": por enquanto, estão na frente "Rebeca" e "Giovana"... Quem ainda não votou, pode consultar a listinha colocada na Coluna Lateral ou ler a mesma no post anterior, e colocar sua sugestão na seção de comentários.

O post de hoje, por ser um pouquinho longo, foi dividido em duas partes, cuja segunda parte será publicada em dois dias (com a entrevista dada, sem nenhum constrangimento, pelo senador à revista...). Hoje, peço vênia para mais uma ROTATÓRIA ESPECIAL, onde tenho o prazer de divulgar parte da longa matéria publicada na semana passada na séria revista Carta Capital, que, ao contrário dos desserviços que costuma prestar a Veja, trouxe a lume muitas e preciosas informações que muitos brasileiros desconhecem a respeito da desgraça política que representa a Família Sarney há mais de 40 anos neste Estado do Maranhão, condenado à miséria diretamente pela mão de ferro patriarcal exercida pelo patriarca José Sarney (atualmente senador pelo Amapá!!!) e por seus descendentes diretos (como a "senadora que não trabalha" Roseana, sua filha, que é ávida por voltar ao poder no governo do Estado nas eleições do ano que vem), afora uma larga escala sangrenta de tentáculos venenosos, que se espalham em várias ramificações de poder e influência (prefeitos, desembargadores, diretores de estatais, conselheiros de tribunais de contas, assessores do Legislativo etc., sem esquecer a corja de senadores, todos do grupo, capazes de segurar por anos empréstimos para o Maranhão, unicamente para prejudicar o atual Governador, desafeto rompido com o grupo depois de ter sido eleito em 2002). Juntos, foram responsáveis, nestas quatro últimas décadas, através de votos de cabresto e de curral, situar o Maranhão em algum lugar do passado da República Velha e erguer e enterrar quem lhes aprouvesse, através de governadores ligados ao grupo e de irregularidades capazes de fazer corar qualquer Maluf!! E tudo mostrado como um grande paraíso do Bumba-meu-boi para os maranhenses (com um número tão grande de analfabetos) e para os turistas embasbacados...

Além de outros pormenores, a Revista destaca a mais recente "vitória" do Governador José Reinaldo Tavares, que conseguiu, junto à Assembléia Legislativa, trazer de volta ao patrimônio público um bem tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, "doado" pelos governos anteriores para o absolutista "escritor" da ABL, o Convento das Mercês, onde atualmente funciona a "Fundação José Sarney", e que, até então, não continha nada de santificado...


REINADO SOB AMEAÇA
"Frente de oposição desafia 40 anos de poder do clã Sarney no Maranhão. Há até um alvo simbólico: o mausoléu do ex-presidente"
Por Sergio Lirio

"A verdade que vos digo é que no Maranhão não há verdade."
Padre Antonio Vieira, Sermão da Quinta Dominga da Quaresma, São Luís (MA), 1654

Entre 1652 e 1661, o padre Antonio Vieira proferiu alguns de seus mais conhecidos sermões no Convento das Mercês, imponente construção retangular encravada no centro histórico de São Luís. Vieira dispensa apresentações. Mordaz, irônico, crítico dos costumes da nobreza, é considerado o principal orador sacro da língua portuguesa, referência obrigatória nos estudos da literatura brasileira. Mas quem visita o convento, quatro séculos depois, em busca de vestígios da passagem do padre pelo Maranhão, sai decepcionado. Há poucas, quase nenhuma menção ao religioso.

Em compensação, o turista pode se fartar com a história de outro literato, mais contemporâneo, o senador José Sarney. Em um dos cantos do pátio central um altivo busto do ex-presidente da República vigia a entrada principal do prédio. No pedestal que sustenta a imagem, lê-se a rima, de autoria do próprio, "Maranhão, minha terra, minha paixão". À esquerda do busto, dois automóveis ilustram um período da vida do patriarca, o Landau Galaxy usado nos tempos em que Sarney ocupou o Palácio do Planalto e o Caravan da esposa Marly, freqüentemente utilizado, descreve uma placa, no trajeto entre São Luís e a fazenda no interior do estado. No andar superior, fotos, documentos, livros raros e souvenires reunidos em meio século de atividade política.

O roteiro é um aperitivo antes do momento supremo da visita. Em um pequeno e bem cuidado jardim nos fundos do convento, sob a sombra de palmeiras, um tampo de mármore cercado por cordões de isolamento demarca o espaço da grande obra. Ali, informam aos turistas, "o povo do Maranhão, se o ódio político não impedir, pretende render uma justa, talvez a última, homenagem ao ex-presidente da República. Será erguido o mausoléu de José Sarney"...

(Carta Capital, Edição n. 369, de 23 de novembro de 2005)

domingo, 27 de novembro de 2005


É, meus queridos blogueiros de plantão, a cegonha está chegando, mas não para mim, e sim para meu irmão, Dilemberto, o famoso Lima Garotinho: muito em breve minha sobrinha e futura afilhada chegará para animar a família Rosa... O problema é que meu incerto e indeciso irmão ainda não se resolveu com minha cunhada Ofélia sobre o nome da menininha! Daí me pediram o espaço para lançar esta "enquete especial": dentre os elencados abaixo (e ao lado, na Coluna Lateral, que continuará lá, mesmo depois da "descida" deste post, que permitirá a você lembrar as opções e deixar sua escolha no comentário a qualquer hora), qual nome você escolheria para a garotinha? Deixem seu "voto" no seu comentário e colabore para que este "conflito familiar" acabe logo...


"Poxa, que pai foram me arrumar... Tomara que pelo menos me dêem um belo nome..."


Alana, Ana Clara, Ana Carolina, Ariela, Aretha, Brenda, Dandara, Giovanna, Isadora, Isabela, Karen, Lara, Mariela, Maíra, Naiara, Natália, Paola, Paloma, Poliana, Rebeca, Tábata, Valesca, Yasmin


P.S.: lembrando que "Isabela" já foi escolhido por mim e por Jandira para nossa futura herdeira, por isso...

P.S.: hoje volto a invadir o blog da Lelinha: passem lá!

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Hoje inauguro meu dileto 'blog' no comunitário universo da bela idéia da Micha Descontrolada: o POST COMUNITÁRIO! Hoje, com o delicado tema da "traição", entro em definitivo nesta rede de amigos e de opiniões as mais diversas: abraço a todos os participantes e vamos lá, apesar do tema um tanto quanto esdrúxulo...

Post Comunitário

Tema de Hoje: Traição

Infelizmente, hoje em dia, já se tornaram comuns e até motivos de chacota questões inteiramente íntimas como "primeira vez" e "traição", reduzidas que normalmente são ao ridículo de causos pitorescos sobre "transas homéricas" ou "chifres", a pulular como fofocas e conversinhas em rodinhas de amigos ou em esdrúxulos programas de televisão... Comum também tornou-se trair, por pura irresponsabilidade ou por força da cada vez mais forte carga erótica da sociedade atual, e ai daquele que não participe de tais discussões ou não entre no esquema, facilmente será apedrejado ao escárnio social e à zombaria pós-moderna, especialmente se se tratar de um homem feliz num relacionamento de muitos anos... Eu mesmo nunca apreciei piadinhas maldosas sobre a mãe ou a mulher, por achá-las ofensivas e desonrosas às duas mulheres mais próximas da vida de um homem, e que, no meu caso, são as duas pessoas de maior caráter que conheço, e, por isso mesmo, as que mais prezo!

E, ainda que eu fosse adepto destas práticas nada éticas, às vésperas de um casamento (previsto para o ano que vem), nem me caberia aqui esmiuçar "pérolas" pessoais do passado... Entretanto, consigo lembrar-me, até de forma contemplativa, por tratar-se da última "fase da inocência" por que passei, da única vez que isto aconteceu comigo (aí vem a piadinha grosseira lá do fundão: "a única que tu ficaste sabendo, né, mané? Rá, rá!"): tinha então 16 anos e vivia um namoro meio torto com uma colega de escola (meu envolvimento mais curto, dois meses!), que, no malfadado carnaval de 94 (ai, o carnaval... "Onde ninguém é de ninguém!", grita outro sem-noção), passou por um golpe terrível: ela, no interior do Estado; eu, que nunca fui de folia, por aqui mesmo, em uns dois ou três bailes no extinto Clube Jaguarema... Findos os três dias de Momo, ela volta e me conta de uma "ficada" (naquela época a coisa ficava só nos beijinhos...), meio que "à força" (!), que ela havia "sofrido" numa das festinhas... Mesmo sem muita coisa envolvida, a sensação foi das piores, o que, somado às inúmeras diferenças, terminou por levar tudo aquilo para as cucuias...

As traições são mesmo assim, difíceis de perdoar... E podem ser de tantos tipos, de um amigo, de um parente e até de um animal de estimação - nunca me esqueço da Manchinha, a gatinha de estimação da minha infância, que me trocou por um romance nos telhados do Centro da cidade... Por exemplo, nesses últimos meses de acirrada luta pelo poder aqui no Maranhão, é inevitável pensar ainda num outro tipo de deslealdade, as "traições políticas", aquelas com paixões arrebatadoras nos palanques e com divórcio depois da posse, mas que, em alguns raros casos, fazem um bem danado para a população... Foi mais ou menos o que aconteceu neste Estado, onde o atual Governador, eleito para ser mais um joguete nas mãos do grupo Sarney (mamando no poder há mais de 40 anos), rompeu, ao longo de seu governo, com o Bigodudo dos Infernos graças a Deus e graças à esposa, (brigada com a senadora e ex-governadora - e escroque - Roseana), que passou a mobilizar no governo do marido uma ruptura com a famosa oligarquia... E olha que as línguas vingativas da Família Sarney, com o brio mortalmente ferido, atacam diariamente em seus meios de comunicação o Governador, a espalhar, por exemplo, boatos de que o mesmo seria, com todo respeito, "corno", graças à larga diferença de idade que tem com a jovem Primeira Dama... Então, bendita "traidora"!

É, meus caros, é um mundo cada vez mais esvaziado de valores este em que vivemos, onde um sofrimento tão íntimo pode converter-se facilmente em motivo de piada generalizada e de mau gosto ou de maldosos comentários e mexericos, coisa absolutamente reprovável e que passa longe de mim: trair é feio; tripudiar sobre o traído é horroroso! Entretanto, às vezes me pego pensando nos destemidos que ainda bravamente acreditam nas suas relações e mandam tatuar os nomes ou até mesmo as ilustrações dos rostos das amadas em sua pele, a eternizar aqueles relacionamentos... Coisa mesmo de artista ou de jogador corno que não tem mais o que fazer e que vai terminar tendo um trabalhão para limpar o nome da vagabunda do couro, depois que ela lhe meter um belo par de chifres!

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Salve, queridos amigos de plantão: aproveito a falta de tempo para publicar a minha querida ROTATÓRIA, hoje com a estréia do talentoso amigo Luiz Henrique Oliveira, que deu um tempinho nas suas inúmeras atividades como produtor do áudio-visual (além das ocupações com seu excelente blog sobre Cinema, o Under Pressure) e me mandou um excelente texto sobre a velha "máquina de fazer doidos", justamente na semana em que é comemorado o Dia Internacional da Televisão... E eu estarei de volta na sexta, com minha estréia no "post comunitário" da Micha!


A Lente do Luiz!


LIKE HUMANS DO

A TV é estranha. Em muitos momentos pode parecer um veículo útil e de prestação de serviços; por outro lado, parece mais um veiculador de mentiras, lorotas, e propagador da discórdia no nosso planeta. E, sinceramente, essa segunda opção parece ser a mais correta. Mas quando o padre Roberto Landell fez no Brasil o primeiro projeto de radiotransmissão de que se tem noticia, em 1893, ele não sabia na zebra que isso ia dar. Portanto, vamos dar um desconto pra ele. Mas não deixa de ser curioso: o aparelho que hoje propaga tudo o que é impuro foi inventado por um padre. Se ele estivesse vivo hoje e tivesse a honra (?) de assistir a programação da TV aberta, certamente ele pensaria que o mundo está perdido e que Deus teria que mandar mais um dilúvio para refazer a humanidade. Ironia? Talvez.

E nem quando Assis Chateubriand, paraibano arretado, resolveu trazer a modernidade ao nosso país (mas ela não havia sido criado aqui?), em 1950, sequer imaginava a confusão que isso iria trazer. Algumas pessoas podem ter deduzido que isso só podia dar zebu. Talvez por isso, Hebe Camargo alegou rouquidão e largou a bomba para a Lolita Rodrigues, que foi obrigada a cantar o Hino da Televisão ao vivo, no dia 18 de setembro de 1950. Hoje, Hebe é apresentadora consagrada e Lolita é atriz igualmente reconhecida. Ironia? Talvez.

Capão Bonito, interior do interior do estado de São Paulo, 1989. Um homem chega em casa, mete o pé na porta e grita a plenos pulmões: "Pessoal! Finalmente chegou!". Foi aquele alvoroço na pequena casa que abrigava 6 pessoas. Eram os quatro filhos aparvilhados, a mulher inquieta e o marido feliz da vida, carregando duas caixas: uma grande e outra pequena. Na grande, havia um aparelho de TV novinho, último modelo. Na menor, um video-cassete duas cabeças, um luxo àquela época, comprado por financiamento em 6000 e tantas suaves prestações. Instalaram tudo e ficaram maravilhados. Foram até a locadora e pegaram 14 filmes, e fizeram questão de mostrar a sacolinha com o logotipo da locadora. Hoje, três dos filhos são viciados em novela e no programa do João Kleber, a mulher só vê novela porque não tem nada melhor a fazer e o marido dorme às oito da noite, sem sequer ligar o "aparelho último modelo" na sua sala. O quarto filho é um perdido, fanático por cinema e escreve para sites e para um certo blog sobre Sétima Arte que tem nome de música do Queen... Ironia? Talvez.

O certo é que os programas de TV, hoje em dia, estão mais para a baixaria gratuita do que para programa. Se a atração de João Kleber for considerado um programa decente, minha avó é bicicleta. E não é só essa atração que está perdida. Algumas tantas que por alguns anos eram considerados "de familia" hoje são o antro de perdição dos jovens incautos. Velhas beatas não permitem que os seus valiosos netos passem em frente ao aparelho com medo de pegarem o grande fenômeno da "bundalização" do Brasil. Sério. Ligue em qualquer horário, em qualquer emissora de canal aberto e conte até 100. Se não aparecer uma bunda, certamente você não ligou o aparelho. Teve uma época pior, no fim do século passado, em que todos os programas tinham bailarinas com a massa glútea balançando pra lá e pra cá, para alegria dos homens, desespero das mulheres desses homens e nojo daqueles que não são chegados.

Claro que ainda há canais que se preocupam com o bem estar do telespectador, colocando programas de utilidade púbilca. Mas na minha modesta opinião, eu creio que em um prazo médio de três anos esses programas vão acabar. Falta de audência. Ibope. Quem é que liga para um programa de prestação de serviços, sendo que alguma bailarina de algum grupo de axé baiano está balançando a bunda no Gugu? Ou no Faustão? Isso sem contar o funk...

Tudo hoje gira em torno do Ibope, que cresce conforme o estado de baixaria que o programa exibe. Porque você acha que ultimamente o recordista no Ibope é a TV Senado? Quer mais baixaria que isso, assista ao programa de descarrego na Record, depois da meia noite. Quem sabe pode até dar certo, já que a televisão, criada com tanta boa vontade e com boas intenções, está precisando de um exorcismo. E cá entre nós: tudo que é feito com boas intenções acabam criando verdadeiras armas contra a humanidade, como a bomba atômica e o programa de variedades do Gilberto Barros...

(Luiz Henrique Oliveira)

domingo, 20 de novembro de 2005

É isso aí, meus queridos blogueiros de plantão: passemos pelos umbrais da História sem nos perdermos pelos umbrais espirituais... Hoje se comemora o Dia da Consciência Negra (acesse este link), e, aos poucos, vai-se lutando, entre erros e acertos, contra a estupidez do preconceito, em todas as esferas... No esvaziamento das discussões "blá, blá, blá" que pulularão neste dia, prefiro render minha "homenagem" na forma de uma crônica (formada, por sua vez, por três pequenos contos), parte do meu livro infanto-juvenil A Prosa de Meu Agora Outrora..., escrita há muitos anos, mas que ainda guarda um frescor divertido sobre a questão... E viva Zumbi!



No Escuro da Sociedade

Alfredo era negro. Amigo do pai, amigo da mãe de Ana, melhor amigo de Ana. Freqüentava a casa, freqüentava as festas. Freqüentava a sociedade. Possuía elevada posição social, aquisitiva, cultural, física. Estudado, viajado e descolado.

Numa festa, deixou cair champanha nas pernas de Ana. Riram-se, limparam-se, entreolharam-se... Apaixonaram-se. Alfredo passa a não ser mais tão bem visto...

Explicação superficial da mãe de Ana: "Não tenho preconceito algum, até temos amigos negros na família; só não vejo minha filha casada com um..."

Realmente não era racista: era "casamenticista"...

--- x --- x ---

Ana, triste e desolada pelo embargo da família à sua relação com Alfredo, desabafa com o amado, que reage indignado:

- Quem sua mãe pensa que é? Quem ela pensa que eu sou? Preconceito, comigo? Logo eu, que praticamente cresci naquela casa?

- É por causa da cor...

- Cor? Mas logo comigo, que sempre tive namoradas brancas!...

Na verdade, Alfredo nunca se considerara negro, já que não possuía a chamada tez "brilhante"... Como era mestiço, de tendências um pouco mais claras do que o costumeiramente chamado "tição", imaginava-se "moreno" (já que "pardo" é preto pobre!) e acabava por ensaiar um preconceito contra si próprio...

--- x --- x ---

Certo dia, Alfredo vinha passando por uma rua deserta, com quase ninguém, em horário de almoço, quando se viu seguido por um negro, que se aproximava com certa pressa. O coração de Alfredo disparou: ele ali, bem vestido, de terno e gravata, sozinho e desarmado, seria um alvo fácil... "Agora é tarde para tirar o relógio do braço e colocar no bolso, ou ainda guardar os dólares fora da carteira", pensava, quando se viu surpreendido com a mão do sujeito de cor a lhe tocar o ombro direito:

- Você poderia informar que rua é essa? - perguntou o desconhecido.

- Pe-Pedro... Pedro Segundo... - disse Alfredo, assustadíssimo.

- E o senhor sabe onde posso achar o Edifício Duas Bandeiras?

- Três quarteirões... adiante...

- Muito obrigado, amigo!

E o pobre e injustiçado homem, com a pressa desenfreada que estava, ainda mergulhou num desastrado escorregão, alguns metros à frente, levantando-se um pouco aparvalhado e seguindo em frente, deixando para trás um Alfredo tão aliviado como se lhe houvessem tirado um peso do peito, a ponto de lhe permitir respirar novamente... Quando deu por si, havia um homem forte, loiro, bem trajado, quase ao seu lado: tinha que soltar uma palavra qualquer, tamanho era o seu alívio.

- Que quedão que aquele crioulo levou, hein? - ria-se, como que desabafando com o estranho.

- É... Mas agora, discretamente, passa esse relógio de ouro e a tua carteira...

(Dilberto Lima Rosa, A Prosa de Meu Agora Outrora..., 1993)


P.S.: e hoje também publico no blog da Lelinha, de quem tomo emprestada a esferográfica azul e escrevo mais alguma coisa "infanto-juvenil"...

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

A Coluna Lateral, enfim, creio estar no seu lugar: a lateral (ainda que isso me custe o belo visual do abandonado Weblogger...)! Espero que enfim possam vê-la todos os meus queridos blogueiros de plantão, já que, nos últimos posts, a maioria andou reclamando de sua visualização e não pôde ver a homenagem que fiz à cara irmã Luma Rosa (que, nos commentsda última publicação, lembrou um ótimo poema do mestre Millôr)! E, falando em homenagens, recebi uma muito graciosa da querida sobrinha Advi Catarina no post do último dia 14.

Por fim, somente para esclarecer alguns desatentos amigos com relação aos últimos posts: o poema Imersos foi inspirado na solitude humana, e não foi feito em homenagem ao acará falecido de minha mãe, mas apenas o cita (a tal "homenagem póstuma e tardia" referia-se apenas à narração de sua morte); e o texto do grande Millôr baseia-se na ironia para elevar a televisão à posição de grande demônio da sociedade, mas, na verdade, brinca com esse mesmo mito da condenação - uma vez que, concordemos todos, a televisão é mesmo um "mal necessário"...

Para hoje, basta um poema para encerrar o dia, para encerrar a noite e para encerrar a vida de algum poeta perdido e amargurado... Farewell...



Poemas-umbrais

Todos dormem
E eu caminho, sem futuro,
Numa comiseração ilógica,
Na secura deslavada
De beber água da chuva
Represada
Por sobre a tumba de meus perdidos poemas-umbrais...

(Dilberto Lima Rosa)

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Bem que a Luma me disse, e ela estava certa: alguns PCs não podiam visualizar a minha já quase "célebre" Coluna Lateral! É que, quando da passagem do Weblogger para o Blogspot, muita coisa precisava ser alterada, especialmente a largura do espaço para o post principal (que no Blogspot era muito estreita), daí acabei por fazer algumas alterações para que o design original mudasse o menos possível. O problema é que até mesmo eu, que sempre a visualizava, nos últimos tempos comecei a enfrentar o mesmo problema - a Coluna Lateral ficava ao final do espaço central, descaracterizada em proporções! Agora, creio, está tudo resolvido: mantenham-me informados, por favor!

Hoje, na ROTATÓRIA de hoje, abro espaço especial para um ser genial, que atende pelo nome de Millôr Fernandes, o grande escritor, dramaturgo, tradutor, artista gráfico e tantas outras coisas que dispensam maiores apresentações e que, atualmente, desfila seu talento na cada vez pior revista Veja - esta, sim, um animalesco filhote da ditadura, que vez por outra presta seus desserviços a uma desinformada população brasileira, como no caso da semana passada, cuja única publicação de valor parece ter sido mesmo este belo texto do Millôr, entre os vazios, maciços e cada vez mais levianos ataques ao Governo Federal (também estou decepcionado com o Governo Lula, mas esta revista parece que tem trocado o jornalismo imparcial e objetivo pelas "surras pilantras e ocasionais" que vêm assolando alguns senadores picaretas...)! Agora, com vocês, a inteligente e poética ironia deste grande Mestre neste humilde espaço virtual...


Teleantevisão

Meu amigo, sente-se cansado, abatido, desmoralizado, com a consciência de que a vida é vulgar, que nada vale nada?

Acha, permanentemente, que a existência perdeu todos os valores, que não há mais ética, estética, nenhum objetivo mais a atingir?

Sua vista está obnubilada por permanente poluição visual?

O mundo chegou a uma comercialização (vem aí o trocadilho!) a qualquer preço?

NÃO SE DESESPERE!

Telefone-nos imediatamente e destruiremos logo o seu aparelho de televisão. GRÁTIS!

Sem televisão você será um homem inteiramente novo (ou melhor, velho).

Sem televisão você voltará a ver a vida pelo lado de fora.

Sem televisão seus filhos púberes não aprenderão que o objetivo da existência é parasitar os mais velhos o tempo todo, enquanto lhes colocam o dedo na cara, acusando-os disto, disso, daquilo e sobretudo daquiloutro.

Sem televisão os pais não se defenderão dos filhos botando a culpa na sociedade.

Sem televisão sua mulher não se sentirá mais esmagada pelo seu machismo e ansiosa "por um tempo", e "por seu próprio espaço".

Sem televisão você não se sentirá mais derrotado se "não levar vantagem em tudo".

Sem televisão seus filhos aprenderão que erótico não é só transar feito cachorro, e que transa só se realiza plenamente com carinho e motivação psicológica e não apenas com chupões babosos de sapos dendrobatas (sapos-veneno-de-flecha).

E seus filhos, e você mesmo, poderão se livrar desse processo social démodé, serôdio, descambado (dicionário, rápido. Pode ser eletrônico!).

(Millôr, inVeja, edição n° 1930)


SEM TELEVISÃO SUA CASA
SERÁ DE NOVO UM LAR

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

De volta ao meu posto aqui nos Morcegos, o de escritor de plantão, sem esquecer de avisar que o Doctor X voltará em breve, em mais um post eclético, dado o sucesso e a polêmica causada pelo universo dos "e-mails infames", e será especialmente dedicado à irmã Luma e ao filho McMut...

Hoje faço uma espécie de "homenagem póstuma e tardia" a um pequeno ser que se foi há algumas semanas: um peixe da raça Acará-bandeira, do aquário daqui de casa... Calma, este blog não se despersonalizou ao nível de um diário virtual, não mesmo: este poema trata de algo muito maior que a vida de um peixe, e foi escrito bem antes, quando da sua vinda para cá! Mas a forma estóica como ele morreu, tendo gradativamente as nadadeiras corroídas até o ponto de não mais conseguir manter o equilíbrio vertical, vindo a boiar na superfície como se morto estivesse por absoluta incapacidade para nadar, fez-me aprender duas coisas: peixes não são bons animais de estimação, pois você a eles se apega, quando a recíproca não é verdadeira; e certas doenças em peixes ornamentais ainda são desconhecidas, o que pode trazer muita agonia a estes animaizinhos mudos! Sobraram no aquário um peixinho dourado e um limpa-vidros deprimidos...

Seu porte majestoso, aliado ao vazio que me passa a vida de um peixinho dentro de um pequeno aquário, trouxeram-me a inspiração para este poema de que gosto muito... Ao acará e à falta de comunicação do sofrimento que desconhecemos...



Imersos

Na televisão
A história da comunicação
Dos cabos telegráficos submarinos às fibras ópticas.
Na minha mente
Reverbera a poesia do mundo
Sob o peso da marginalidade da madrugada solitária e aflitiva pela repetência do dia seguinte
(Minha mente, ao contrário de meu corpo,
Nunca foi preguiçosa)
No fundo do aquário da sala
Meu acará-bandeira dorme de olhos abertos
(Os animais guardam um tanto da essência dos seus donos)
Com a consciência única e velada
De ser alimentado na mesma hora exata, mais tarde, pela manhã...

(Dilberto Lima Rosa)

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

É isso aí, blogueiros desavisados e de plantão: a Semana Especial Cinema acabou e agora só volta em dezembro, com um novo tema e com um monte de cuidados visuais para pouca gente notar! Rsrs. Falando em visual, vocês sabem aqueles e-mails engraçados que nos divertem na hora em que o trabalho está mais chato ou aqueles inteligentes e cheios de curiosidades capazes de nos fazer sentir pena de deletar? Pois é, tenho um amigão virtual que me supre de todas estas coisas diariamente (além de umas imagenzinhas mais picantes, que não cabe aqui comentar, por causa da minha noiva...): é o Doctor X! O cara manja da "diretoria" e ainda guarda sua identidade secreta, estando também por trás de um blog versátil e sempre interessante, que divide com a amiga Elizabete (ver referência na Coluna Lateral)! Hoje, divirtam-se com uma seleção que fiz destes materiais recebidos do amigo e que sempre circulam pela Net: o Doutor inaugura por aqui um novo quadro para a minha ROTATÓRIA, a

Fórmula X


Imagens Surpreendentes!



Agora, a vez da piadinha da hora do almoço:

Um homem chega a um bar e vê um vaso cheio de dinheiro no canto. É claro que ele pergunta:
- Por que este vaso está cheio de dinheiro?
E o barman:
- Bem, você paga R$10,00 e, se passar por três testes, então terá todo o dinheiro do vaso.
- Quais são os testes?
- Primeiro pague. Esta é a regra.
Então o homem pagou ao barman os R$10,00 e este o colocou a nota no vaso, com as demais.
- Ok. Aqui está o que você deve fazer... Primeiro, você tem de beber toda esta garrafa de tequila apimentada, tudo de uma vez só e sem fazer nenhuma careta. Segundo: há um Pitbull lá fora, com um dente ruim, que dói muito; você tem que arrancar o tal dente com as as próprias mãos. Terceiro: há uma senhora de 90 anos, no segundo andar, que nunca teve um orgasmo na vida. Você terá que fazer com que ela finalmente o tenha.
- Não posssso fazer tudo isso... É impossssível!
Depois de algum tempo e de várias biritas, o homem perguntou:
- Caadêê aaz tequillaah?
O garçom deu a ele a garrafa. O homem a segurou com as duas mãos e entornou-a inteira, sem fazer nenhuma careta, apesar das lágrimas que banhavam seu rosto.
Depois, levantou-se com dificuldade, olhou para todos, com cara de valente, e saiu do bar em direção ao Pitbull.
Todos escutaram os latidos do cão, os gritos do homem, uma confusão infernal, até que o Pitbull uivou longamente, por 3 minutos, e, de repente, um silêncio imenso pairou no ar... Todos pensaram que o homem havia morrido. Repentinamente, ele entra no bar, todo arranhado, e pergunta:
- E agora, cadê a véia do dente ruim?


E, para terminar e para refletir, um pouquinho de humor para rir e para chorar...

O verdadeiro Bob Esponja!

domingo, 6 de novembro de 2005

Hoje tem Cinema brasileiro? Tem, sim, senhor!


semana especial cinema


Encerrando a Semana Especial Cinema, nada melhor que falar da data de ontem, 5 de novembro, que foi escolhida como o Dia da Cultura Nacional, bem como do Cinema Nacional. Assim, neste "dia especial", onde tivemos até mesmo o Ministro Gil para expor as "maravilhas" feitas em seu ministério, não cabe aqui indagarmos a já batida questão "se temos algo para comemorar": o Cinema Brasileiro sempre fulgurou como um dos melhores do mundo, independentemente de mascaradas premiações, das corruptelas da extinta Embrafilme ou das choradeiras sobre as dificuldades de distribuição e de falta de público...

É claro que a desleal concorrência com o cinema industrial norte-americano assusta e problemas com a distribuição dos títulos nacionais sempre foram uma dor de cabeça para a Sétima Arte Tupiniquim - vide o exemplo do sonho de uma "Hollywood brasileira", a Vera Cruz, que, graças aos prejuízos financeiros e aos problemas entre brasileiros e estrangeiros que para cá vieram (como Adolpho Celi e Luciano Salce), foi à ruína menos de 6 anos depois da inauguração dos "maiores estúdios da América Latina", com apenas 18 longas-metragens (como os clássicos O Cangaceiro e Caiçara, verdadeiros épicos nacionais, mais o sucesso popular de Mazzaropi, Sai da Frente), ou ainda de outro estúdio contemporâneo, a Maristela, que apesar de produções um pouco mais realistas com a realidade financeira brasileira, também foi à bancarrota depois de 7 anos, com pequenos clássicos como Simão, O Caolho, de Alberto Sordi (que fez sucesso somente na Europa, tendo mesmo trabalhado com Bertold Brecht). Entretanto, mesmo com os desmandos, na década de 80, da estatal Embrafilme, e sua posterior extinção no Governo Collor, o nosso Cinema nunca arrefeceu: entre o dito "cinema marginal" e a farta produção de curta-metragens (com verdadeiros "clássicos" como O dia em que Dorival encarou o guarda, Barbosa e A Ilha das Flores), o "jeitinho brasileiro" driblou todas as dificuldades e continuou a produzir Cinema de qualidade!

Por isso nunca dei crédito a essa balela de "retomada do cinema nacional", que teria o seu "início" com o apenas regular Carlota Joaquina, de Carla Camurati (tendo ela mesma depois se "redimido" com o ótimo Copacabana): o Cinema Nacional nunca "parou"! Decerto que o nível de apuro técnico aumentou muito com a década de 90, com grandes melhorias no som e na fotografia, por exemplo, e que grandes filmes recentes já entraram para a história da cinematografia nacional, como Bicho de 7 Cabeças, Central do Brasil e Cidade de Deus, sendo mesmo os favoritos de quem despertou para o nosso Cinema só recentemente, como a minha noiva Jandira ou o meu amigo Ricardo, afora os sucessos de bilheteria da Globo Filmes há pouco tempo, mas nada disso significa que não houve qualidade antes, ou mesmo filmes excelentes - como assim reconheceu o Leste Europeu, na década de 80, sobre pérolas brasileiras como O Homem Que virou Suco ou A Hora da Estrela, premiadíssimos lá fora numa época recente, porém quase esquecidos do grande público daqui.

Já para mim e meu amigo co-fundador do Clube dos Amantes do Cinema, Sérgio Ronnie, o Cinema Novo (cuja melhor fase vai de 1955 a 1968) ainda é nossa maior escola: filmes como os geniais Rio 40 Graus e Vidas Secas, do mestre maior Nelson Pereira dos Santos, e os excelentes A Grande Cidade (66), de Cacá Diegues (que ainda nos brindaria na década de 70 com obras de forte preocupação social, como Bye Bye Brasil e Xica da Silva, também muito queridos por nós), e Terra em Transe (67), do louco transgressor Glauber Rocha, ainda são os maiores filmes brasileiros de todos os tempos, juntamente com os seus melhores diretores vindos desta safra!

Mas é lógico que nunca poderia esquecer São Paulo S/A, O Bandidio da Luz Vermelha, Pixote, Tudo Bem, Toda Nudez será Castigada, Pra Frente, Brasil, À Meia-noite Levarei Sua Alma, Amor Bandido, Os Paqueras, A Marvada Carne, Bar Esperança, Limite, Ganga Bruta, O Homem da Capa Preta, Dona Flor e seus Dois Maridos, Macunaíma, nem tampouco José Dumont, Jofre Soares, Oscarito e Grande Othelo, Carlos Manga, Paulo César Saraceni, a família Barreto, Roberto Santos, Arnaldo Jabor, Paulo Gracindo, Fernanda Montenegro, Gianfrancesco Guarnieri, Lima Barreto, Humberto Mauro, Sylvio Back, Carlos Reichembach e tantos outros nomes que fizeram crescer esta arte tão com a nossa cara... Com uma história tão rica e farta assim, e com talentos nacionais cada dia mais reconhecidos mundialmente (coo Fernando Meirelles, que recentemente lançou o muito bom filme inglês O Jardineiro Fiel), eu só poderia terminar com entusiasmo: Viva o Cinema Nacional! Viva o Cinema na raça, sobre a raça brasileira!



Mais sobre o Cinema Nacional no site Classic Vídeo

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

SEMANA ESPECIAL CINEMA

O que seria do Cinema sem os seus maiores artistas, os diretores? Ainda que seja esta uma arte indiscutivelmente coletiva, é o diretor de um filme que imprime a sua marca pessoal de ver a vida, levando toda a sua equipe, bem como milhões de espectadores no mundo inteiro, a vivenciar a magia que é a Sétima Arte... Por isso é que para hoje reuni três trechos de algumas de minhas crônicas sobre alguns dos maiores artistas deste mágico ofício: Federico Fellini, Stanley Kubrick e Martin Scorcese, gênios que, dentre vários outros (Billy Wilder, Nelson Pereira dos Santos, Gláuber Rocha, Akira Kurosawa, David Lean, Mario Moniccelli, Lars Von Trier, Woody Allen, Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar...), imprimiram seus diferentes estilos nas retinas de ardorosos fãs ao longo deste pouco mais de um século de arte cinematográfica - grupo no qual me incluo, de carteirinha nas mãos...



Parabéns a Martin Scorcese - o grande cineasta nova-iorquino, o esteta da violência e dos tipos perdido e sem esperança, no crime ou na vida - que hoje completa 62 anos. Infelizmente, o grande e inovador artista "faleceu" no filme Os Bons Companheiros, de 1990, último trabalho que realmente merece a assinatura do mestre de obras-primas como Taxi Driver (76), Alice não mora mais aqui (75) e Touro Indomável (80), além de filmes "menores", porém sempre marcantes graças ao estilo autoral do Mestre, como Depois de Horas (85), A Cor do Dinheiro (86) e A Última Tentação de Cristo (88). Entretanto, mesmo sem nenhum grande feito desde 90 (a não ser o apenas razoável A Época da Inocência), prestemos sempre nossas homenagens a este diretor que, ao lado de Spielberg, Brian DePalma e Coppola (e... George Lucas?), formou a última grande geração de inventividade do Cinema norte-americano, na década de 70.

(Dilberto Lima Rosa, trecho da crônica Homenagem a um diretor violento, de 11 de novembro de 2004)


Falo com a saudade de ter visto uma verdadeira obra-prima do Cinema aos quatorze anos, quando eu ainda saía da poderosa e alienante influência 'hollywoodiana', que até então me dominava: era Amarcord, o meu filme predileto até hoje, a que assisti, pela televisão, com um estranho e inexplicável encantamento que poucas vezes se repetiu desde então, a não ser que estivesse diante de outras maravilhas da Sétima Arte, como A Doce Vida, Oito e Meio, Ensaio de Orquestra e E La Nave Va..., todos verdadeiros espetáculos de uma visão única do Cinema, todos trabalhos de Federico Fellini, este bonachão amante das mulheres, da vida, da arte e dos sonhos - sonhos que nos levam a Rimini, cidade natal do cineasta italiano, por vezes mostrada numa forma sonhada (como em Amarcord), por vezes realista (como em Os Boas Vidas, ainda de influência neo-realista), ou a Roma (no romântico, belo e puro Noites de Cabíria) ou nos levando ainda à própria Cineccitá, verdadeira Cidade do Cinema dentro de Roma, em seus gigantescos estúdios (como podemos ver, pelos seus bastidores, no interessante e também metalingüístico Entrevista) ou à própria fronteira entre o mar aberto e um mar de mentirinha em estúdio na espécie de Torre de Babel vista em E La Nave Va... Assim era Fellini: gênio da ilusão dos mares e dos navios de plástico de Amarcord, das emoções, como em La Strada, e de seu vigoroso "machismo-feminista" em Cidade das Mulheres... Graças a ele pude compreender mais do intangível no Cinema e sobre como esta arte realmente não tem limites, ainda que o maior nome dessa dimensão única entre a realidade e a forma de a vermos através da correspondente "mentira" das artes e dos sonhos tenha se despedido do "mundo real" há tristes dez anos, deixando a Sétima Arte menos fantástica...

(Dilberto Lima Rosa, trecho da crônica Vertebral, Dez Edições Depois - Saudosas Homenagens, de outubro de 2004)


Cada vez com um maior período de tempo entre um filme e outro, Stanley Kubrick ficou mais de dez anos entre Nascido para Matar e o seu derradeiro trabalho, De Olhos Bem Fechados (99), com o ex-casal Tom Cruise e Nicole Kidman, tamanho o seu preciosismo e suas cada vez mais exigentes manias de perfeccionismo, que acabaram lhe custando o fato de ter morrido, em 99, sem ver o seu último filme nos cinemas... Tanta genialidade foi acumulada durante a mais perfeita, consistente e coerente carreira cinematográfica de todos os tempos, apesar de ter experimentado os mais variados gêneros e formas de narrativa (ainda que sempre embasado no seu costumeiro "estilo épico" de três atos para contar uma estória) - qualidades reservadas para muito poucos neste mundo de arte cada vez mais sem poesia; obrigatoriedade para todos os que querem crescer no entender, ver e sentir a verdadeira Arte do Cinema...

(Dilberto Lima Rosa, trecho da crônica Minhas Memórias Kubrickianas, de janeiro de 2005)
 

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