domingo, 6 de novembro de 2005

Hoje tem Cinema brasileiro? Tem, sim, senhor!


semana especial cinema


Encerrando a Semana Especial Cinema, nada melhor que falar da data de ontem, 5 de novembro, que foi escolhida como o Dia da Cultura Nacional, bem como do Cinema Nacional. Assim, neste "dia especial", onde tivemos até mesmo o Ministro Gil para expor as "maravilhas" feitas em seu ministério, não cabe aqui indagarmos a já batida questão "se temos algo para comemorar": o Cinema Brasileiro sempre fulgurou como um dos melhores do mundo, independentemente de mascaradas premiações, das corruptelas da extinta Embrafilme ou das choradeiras sobre as dificuldades de distribuição e de falta de público...

É claro que a desleal concorrência com o cinema industrial norte-americano assusta e problemas com a distribuição dos títulos nacionais sempre foram uma dor de cabeça para a Sétima Arte Tupiniquim - vide o exemplo do sonho de uma "Hollywood brasileira", a Vera Cruz, que, graças aos prejuízos financeiros e aos problemas entre brasileiros e estrangeiros que para cá vieram (como Adolpho Celi e Luciano Salce), foi à ruína menos de 6 anos depois da inauguração dos "maiores estúdios da América Latina", com apenas 18 longas-metragens (como os clássicos O Cangaceiro e Caiçara, verdadeiros épicos nacionais, mais o sucesso popular de Mazzaropi, Sai da Frente), ou ainda de outro estúdio contemporâneo, a Maristela, que apesar de produções um pouco mais realistas com a realidade financeira brasileira, também foi à bancarrota depois de 7 anos, com pequenos clássicos como Simão, O Caolho, de Alberto Sordi (que fez sucesso somente na Europa, tendo mesmo trabalhado com Bertold Brecht). Entretanto, mesmo com os desmandos, na década de 80, da estatal Embrafilme, e sua posterior extinção no Governo Collor, o nosso Cinema nunca arrefeceu: entre o dito "cinema marginal" e a farta produção de curta-metragens (com verdadeiros "clássicos" como O dia em que Dorival encarou o guarda, Barbosa e A Ilha das Flores), o "jeitinho brasileiro" driblou todas as dificuldades e continuou a produzir Cinema de qualidade!

Por isso nunca dei crédito a essa balela de "retomada do cinema nacional", que teria o seu "início" com o apenas regular Carlota Joaquina, de Carla Camurati (tendo ela mesma depois se "redimido" com o ótimo Copacabana): o Cinema Nacional nunca "parou"! Decerto que o nível de apuro técnico aumentou muito com a década de 90, com grandes melhorias no som e na fotografia, por exemplo, e que grandes filmes recentes já entraram para a história da cinematografia nacional, como Bicho de 7 Cabeças, Central do Brasil e Cidade de Deus, sendo mesmo os favoritos de quem despertou para o nosso Cinema só recentemente, como a minha noiva Jandira ou o meu amigo Ricardo, afora os sucessos de bilheteria da Globo Filmes há pouco tempo, mas nada disso significa que não houve qualidade antes, ou mesmo filmes excelentes - como assim reconheceu o Leste Europeu, na década de 80, sobre pérolas brasileiras como O Homem Que virou Suco ou A Hora da Estrela, premiadíssimos lá fora numa época recente, porém quase esquecidos do grande público daqui.

Já para mim e meu amigo co-fundador do Clube dos Amantes do Cinema, Sérgio Ronnie, o Cinema Novo (cuja melhor fase vai de 1955 a 1968) ainda é nossa maior escola: filmes como os geniais Rio 40 Graus e Vidas Secas, do mestre maior Nelson Pereira dos Santos, e os excelentes A Grande Cidade (66), de Cacá Diegues (que ainda nos brindaria na década de 70 com obras de forte preocupação social, como Bye Bye Brasil e Xica da Silva, também muito queridos por nós), e Terra em Transe (67), do louco transgressor Glauber Rocha, ainda são os maiores filmes brasileiros de todos os tempos, juntamente com os seus melhores diretores vindos desta safra!

Mas é lógico que nunca poderia esquecer São Paulo S/A, O Bandidio da Luz Vermelha, Pixote, Tudo Bem, Toda Nudez será Castigada, Pra Frente, Brasil, À Meia-noite Levarei Sua Alma, Amor Bandido, Os Paqueras, A Marvada Carne, Bar Esperança, Limite, Ganga Bruta, O Homem da Capa Preta, Dona Flor e seus Dois Maridos, Macunaíma, nem tampouco José Dumont, Jofre Soares, Oscarito e Grande Othelo, Carlos Manga, Paulo César Saraceni, a família Barreto, Roberto Santos, Arnaldo Jabor, Paulo Gracindo, Fernanda Montenegro, Gianfrancesco Guarnieri, Lima Barreto, Humberto Mauro, Sylvio Back, Carlos Reichembach e tantos outros nomes que fizeram crescer esta arte tão com a nossa cara... Com uma história tão rica e farta assim, e com talentos nacionais cada dia mais reconhecidos mundialmente (coo Fernando Meirelles, que recentemente lançou o muito bom filme inglês O Jardineiro Fiel), eu só poderia terminar com entusiasmo: Viva o Cinema Nacional! Viva o Cinema na raça, sobre a raça brasileira!



Mais sobre o Cinema Nacional no site Classic Vídeo
 

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