sexta-feira, 5 de junho de 2015

(Meus Pouco Mais de) 50 Filmes com As Melhores
Sequências de Abertura e de Final

Alguns filmes são mais do que entretenimento digno de um grande Cinema: são, de fato, uma experiência marcante para toda uma vida... Eu que o diga: tendo crescido assistindo a grandes obras da Sétima Arte, com o tempo soube aproveitar bem tudo de melhor que cada artista tinha a oferecer, independentemente de rótulos a tachar um filme de "comercial" ou "de arte"! Assim, sem preconceitos, cresci vendo de tudo, de Felini a Tarantino, de Kubrick a Lucas, de Antonioni aos irmãos Wachoski... Tudo tinha seu valor e seu altar dentro do meu coração cinéfilo!

E quando um filme marca a História não só de nossas retinas como também do Cinema como um todo, com inesquecíveis sequências de abertura ou de final? Melhor ainda: e se, num mesmo filme, tanto o início quanto o fim são geniais, seja para sintetizar o que será/foi dito, seja para, simplesmente, pontuar um reflexão inicial/derradeira? Este foi o desafio para mais uma Lista Especial: reunir 50 filmes capazes de marcar tanto nas primeiras cenas como nos seus últimos minutos! Eis a primeira parte dela (dos último para os primeiros):



50 - Rio
O filme não vai muito além de uma divertida animação com muitos clichês sobre as venturas e desventuras de seres de culturas diferentes, agora com araras azuis como protagonistas, o velho Brasil de fundo e o seu carnaval para inglês ver (no caso, estadunidense ver); o final, igualmente, não vai muito além do que o início, praticamente repetindo e expandindo a cena e a canção-tema do filme (música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, que merecia o Oscar). Mas é inegável que a inspiradíssima sequência de abertura revive o que de melhor se fazia na Disney dos anos 40, com uma levada bem brasileira numa inesquecível espécie de "musical" de aves nacionais cantando e dançando ao som de um empolgante samba - e continuando para o que acontecerá com Blu, a ararinha brasileira criada como bichinho de estimação por uma garotinha norte-americana numa região de inverno rigoroso. Ponto para o diretor brasileiro Carlos Saldanha, que conseguiu essa bela proeza em alguns poucos minutos de abertura e encerramento com igual beleza!

49 - Rio 40 Graus/ Vai Trabalhar, Vagabundo
O penúltimo lugar é um clássico precursor do Cinema Novo: apesar da abertura com créditos (o que fere as "regras" autoimpostas para esta lista), o imortal Nelson Pereira dos Santos abre com belíssimas imagens aéreas do Rio de Janeiro, ao som de "A Voz do Morro", e acaba com o mesmo grande samba, fechando num triste travelling por sobre o barraco da mãe que aguarda o filho que nunca vai voltar, com o lindo Rio do começo ao fundo e ao longe - enquanto uns comemoram...

Já com o maior clássico do recém-finado Carvana, empatado nesta quadragésima nona posição, enquanto a abertura tem um tom mais austero, em preto e branco e com o personagem-título saindo de uma colônia prisional de tratamento e se questionando para as câmeras sobre a loucura, o final é pra lá de alegre e otimista, com todos os personagens/atores a passear pelo Rio ao som da belíssima Flor da Idade, composta especialmente para o filme pelo genial Chico Buarque.

48 - Batman - O Cavaleiro das Trevas


Muito bem orquestrada, a abertura com o Coringa liderando um complicado assalto a um banco (ainda que mascarado e comandando ocultamente o bando, revelando-se somente no final da sequência), onde cada assaltante deve matar o parceiro de empreitada (!) até o momento do resgate por um ônibus escolar (!!), ditou o ritmo vertiginoso do filme desde o início - regra básica do Cinema de Heróis: em filme com um vilão tão bom como o Coringa, heróis como Batman ficam em segundo plano! Entretanto, ao Homem-Morcego foi reservado um melancolicamente belo final, com o vigilante em fuga da polícia, em seu batpod, com direito a capa esvoaçando rumo ao fim de um túnel e narração em off do Comissário Gordon - Porque ele é o herói que Gotham merece, e não o que ela precisa no momento. Então nós o caçaremos, porque ele aguenta. Porque ele não é o nosso herói. Ele é um guardião silencioso. Um protetor vigilante. Um cavaleiro das trevas...

47 - A Morte Pede Carona
Inventivo e quase sobrenatural suspense moderno dos anos 80, com um inspirado Rutger Hauer como um assassino caroneiro pelas estradas norte-americanas: azar do hoje sumido C. Thomas Howell, que teve de encarar o psicopata logo no começo do filme num assustador diálogo dentro do seu carro, no meio do nada de uma estrada norte-americana, e, no final, cercou-se de coragem para encarar o aterrorizante criminoso num duelo em delírio... Ah, e se for comer batatas fritas nalgum restaurante de beira de estrada, muito cuidado!

46 - Femme Fatale/ Dublê de Corpo
Tudo bem que o tour de force de incríveis planos-sequências já havia dado as caras em outros dos seus trabalhos (como nos ótimos início e final de Olhos de Serpente), mas, aqui, o grande virtuose Brian dePalma se superou no estilo, ao, primeiramente, deixar sua plateia sem fôlego ao mostrar um audacioso (e sexy!) furto de uma peça rara em meio a um badalado Festival de Cannes, e, por fim, depois de seus costumeiros jogos de metalinguagens (aqui, sonho dentro do sonho), uma visão da bela anti-heroína vivida por Rebeca Ronjim se torna realidade (ou seria sonho?), anunciando uma tragédia numa sossegada esquina de Paris - situação que somente a personagem poderia evitar!

Mas de se lembrar que, nos anos 80, ainda que sem toda a pirotecnia do filme anterior, dePalma já era mestre em driblar seu público com metalinguagens incríveis em começos e finais arrasadores: no caso de Dublê de Corpo, o filme dentro do filme surpreende tanto na abertura como no final - então, tudo era um filme?!

45 - A Liberdade é Azul
Um dos filmes mais tocantes do precocemente falecido diretor polonês Krzystof Kieslowski (55 anos) já demonstra sua riqueza de belas sutilezas no início, com a ênfase no vazamento do óleo de freio do carro da família (enquanto uma garotinha faz xixi na beira da estrada, em segundo plano), o que, em seguida, levará a um chocante e repentino acidente numa estrada francesa, vitimando marido e filha, sobrando somente a esposa/mãe vivida por Juliete Binoche. Atormentada com a solidão e a imensurável dor das perdas, o espectador (e, de certa forma, Julie) só vai perceber o otimismo e a tal "liberdade" do título (uma referência às cores da bandeira francesa) no lindo final: todos os personagens do filme, com que a protagonista interagiu ao longo do filme, encontram algum tipo de descoberta de amor e libertação... E tudo permeado por uma belíssima fotografia, com o azul marcando a tristeza (ou a liberdade) e uma pungente trilha sonora a marcar os momentos de vazio... 

44 - Forrest Gump - O Contador de Histórias
A pena que voa sem destino até cair no colo do inusitado herói Forrest, um sujeito com inteligência abaixo da média, mas que conquista o mundo e todos a sua volta, convivendo com grandes momentos históricos da humanidade - ainda que sem muita consciência disso... No final, a pena se "solta" dele e, novamente, alça voo, incólume e inocente, tal como o próprio herói desta sensível trama...

43 - Pulp Fiction - Tempo de Violência
Apesar de mais longa do que o de costume, a impressionante sequência final completa a impactante cena inicial, com o casal que, depois de um aparentemente tranquilo bate-papo, resolve assaltar uma lanchonete no dia errado - os assassinos de aluguel vividos por John Travolta e Samuel L. Jackson estavam lá! Um filme memorável: sem dúvida, o melhor de Quentin Tarantino!

42 - Um Convidado Bem Trapalhão
Toda a sequência inicial, bem como final, de trapalhadas daquele adorável ator indiano que não se encontrava na sociedade norte-americana consumista, tecnológica e fútil da elite de Hollywood dos anos 60 na inesquecível comédia de Blake Edwards (espécie de homenagem ao clássico "Meu Tio", de Tati), é digna de nota. Mas bastam aquele comecinho do corneteiro "que nunca morre" quando atingido numa guerra (parte de um filme, como descobrimos logo depois) e o finalzinho pós-"cena do elefante na piscina", com o incompreendido personagem magistralmente vivido por Peter Sellers levando sossegadamente sua amada para casa, depois de um filme inteiro de confusões, são brilhantes...

41 - Closer

Coisas de Mike Nichols: o início e o fim do filme se conectando pela personagem da belíssima Nathalie Portman, que caminha exuberante em direção à câmera em belo zoom, mostram duas faces diferentes de uma história de amor marcada por inverdades que só são percebidas se bem de perto... Igualmente marcante a canção que pontua esses dois momentos no filme, Can't take my eyes of you.

40 - UP - Altas Aventuras
Apesar de bem longa toda a sequência de abertura do filme (e também envolver os créditos do filme), que cobre o protagonista dos primeiros anos na infância, quando da descoberta do amor com a melhor amiguinha, passando pelo seu casamento, o problema de não poder ter filhos, os sonhos acalentados de explorar o mundo até a morte da esposa, na velhice, é de uma beleza ímpar e sintetiza uma vida inteira que podia ter sido, mas que acabou por não ser... O final, apesar de bem mais breve e sutil, resume-se a uma cena, porém igualmente bela: o sonho do casal acabou se realizando, de uma forma ou de outra...

39 - O que terá acontecido a Baby Jane?
O "acidente de carro", já nas primeiras cenas impacta, e o filme segue num suspense psicológico único até o melancólico final da "descoberta" da "verdadeira vilã" e da loucura da antagonista, no meio de uma multidão, na praia.

38 - Taxi Driver
O mesmo táxi amarelo que surge assustador por entre as brumas de Nova Iorque, ao som da genial (e derradeira) trilha do mestre Bernard Hermann, volta no final, com um leve tom de "redenção", depois daquela dúbia olhada pelo retrovisor de um dos maiores anti-heróis do Cinema, Travis Bickle.

37 - A Vida de Bryan/ Os Irmãos Cara de Pau
Se o anarquista grupo inglês Monty Python sempre foi demolidor em seu humor genial, o que dizer quando decide recontar a história de Jesus por meio de um seu "vizinho" azarado, nascido no mesmo dia e logo ao lado do Messias? Um começo arrasador, debochando dos Reis Magos, e um final crucificante, com todos cantando e assobiando O Lado Bom da Vida à beira da morte...

Impossível falar de anarquia sem lembrar também The Blues Brothers (no original, "Os Irmãos do Blues"), que tem um divertidíssimo começo estiloso ao apresentar Jake (o saudoso John Belushi) e Elliot (Dan Aykroyd) na saída de uma prisão estadual, e é completamente arrasador ao encerrar com a maior perseguição de carros da História do Cinema, com inúmeros segmentos sociais em perseguição aos músicos anti-heróis (KKK, grupos neonazistas, mafiosos etc.) até a cena derradeira, onde os irmãos detonam cantando Jailhouse Rock... Na cadeia! Uma pequena obra-prima dos anos 80, onde o sumido John Landis conseguiu dirigir momentos dos mais marcantes do Cinema!

36 - Vidas Secas
Um filme cuja trilha sonora é o pungente som de lamúria das rodas de um carro de boi, a guiar o início e o fim de uma família sem destino: pura Poesia...

35 - Os Caça-Fantasmas

Desde o assustador início com a pobre bibliotecária aterrorizada por um fantasma que não se vê, numa incrível sequência silenciosa narrada apenas pela precisa trilha de Elmer Bernstein, seguido do clássico tema de Ray Parker Jr. e do título com a logo do fantasminha, até o final divertidíssimo com todos cobertos de marshmallow num terraço de um edifício em plena Manhattan, cidade adorada pelas forças sobrenaturais da destruição (com direito ao personagem Winston Zedmore gritar - Eu adoro essa cidade!): terror e comédia perfeitos!

34 -  Cassino Royale
Como reiniciar uma franquia começada nos anos 60 e com cheiro de coisa antiga, como vilões ansiosos por dominar o mundo e charmosos espiões da Guerra Fria, em tempos de adrenalina extrema de super-agentes secretos como Jason Bourne? Em preto e branco noir, com bastante suspense, cena de luta e, é claro, com uma inteligente explicação para a já icônica abertura do tiro contra um cano de uma arma apontada para ele: Bond, James Bond - que assim, com sua célebre apresentação, conclui este que é o melhor 007 de Daniel Craig, com direito aos clássicos acordes do tema do espião inglês (que passa o filme inteiro sem tocar). Sempre com uma pequena aventura paralela no início do filme, não havia como o grande 007 ficar de fora desta lista (com a vantagem de que, aqui, ele não fica com a garota no final, mas se vinga da morte dela numa breve cena antológica).

33 - Matrix
De cara, somos apresentados ao revolucionário efeito bullet time, com a famosa parada no ar da personagem Trinity, em meio a uma aparentemente corriqueira batida policial. No final, depois de Neo revelar-se o "escolhido" (Neo=One), Keanu Reeves dá uma chamada na Matrix por telefone e sai voando como um super-herói pós-moderno de um mundo virtual! Poderia ter terminado aí (como na trilogia De volta para o futuro...), mas preferiram esticar tudo com mais dois filmes um tanto quanto desnecessários (como na trilogia De volta para o futuro...)

32 - Birdman
Um meteoro que cai e um homem que "ascende" marcam profundamente a metafórica trajetória do complexo personagem vivido magistralmente por Michael Keaton - sem esquecer o microssegundo de antes do título inicial (um close numa espécie de lula morta na beira do mar) e, logo em seguida ao estranho meteorito em chamas do início, nosso protagonista suspenso no ar, meditando... Depois disso, não poderia haver final mais libertador que o nosso "herói" deixando o hospital daquela maneira!

31 - Melancolia
Falando em quedas de corpos celestes, este caso aqui é devastador: um meteoro cairá sobre a Terra e acabará com toda a vida no planeta (final acachapante), mas, antes, acompanharemos a complexa personalidade da personagem vivida por Kirsten Dursnt, que se conecta com a iminente tragédia desde o início, com lindas imagens proféticas, com a tocante Tristão e Isolda ao fundo.

 

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