terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Baticumbum!

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Se alguém me perguntasse o que seria mais pungente no carnaval, eu poderia dizer, sem nenhuma dúvida pessoal de estar sendo injusto com o infinito mosaico de pessoas e cores que compõem a festa maior, que, por trás das cada vez mais decupadas e chatas coberturas televisivas dos desfiles e demais apresentações das escolas de samba e dos blocos das mais variadas culturas deste imenso reino carnavalesco chamado Brasil, é mesmo o som da percussão que me arrepia e me levanta o adormecido folião que jaz latente em qualquer brasileiro – assim, para além da beleza inconteste das nossas negras e morenas miscigenadas e seus figurinos do lado de baixo do Equador (onde não existe pecado, como diria a velha canção), das plumas e paetês das fantasias mais luxuosas e da criatividade alegórica de tantos ilustres anônimos, eis que, quando as câmeras mais penetrantes conseguem passar por todas essas camadas superiores e flagram os suados homens (e algumas poucas guerreiras femininas), junto aos seus agogôs, atabaques, reco-recos, repiques, surdos e tamborins, a fazerem aquele som coletivamente magnífico, eu me emociono de verdade e sinto a força de uma identidade nacional!

Sim, pois, quando o assunto é carnaval, eu sou conservador! Mas é óbvio que não me refiro à sagrada putaria contida no imaginário popular ligada à festa momesca, mas, sim, à sua essência, que deveria sempre ser respeitada, porque, ainda que não haja samba, ritmo maior oriundo da Mãe África, essa espécie de grande provedora do negro e miscigenado carnaval brasileiro, que haja ritmos calcados na batucada! Então, perfeitamente aceitos e bem-vindos como baluartes consagrados as bandas de frevo e maracatu, os blocos de percussão (do Akomabu ao Olodum), as marchinhas – tanto as velhas e mais lentas, como a rancho, quanto as mais novas e aceleradas – e, até mesmo, como no caso do meu lindo Maranhão rico em negritude de ritmos percussionistas de toda época, o Tambor de Crioula, que também circula facilmente nas épocas juninas, ao lado do Bumba-meu-boi! Jogar Funk, Reggae, Sertanejo e os atuais carros-chefes do estilo brega, o “Arrocha” e a imundície-de-corno da tal “Sofrência” numa festa carnavalesca, acho uma tremenda duma insolência!

E já que os tambores é que realmente marcam a alma de uma avenida, seja ela a principal via de um bairro ou a Marquês de Sapucaí, nesta terça gorda de carnaval eu invoco as mais pungentes baterias para criar mais uma lista especial, com os (pouco mais de) cinco clássicos do melhor do samba rasgado sobre o tema, daqueles que fizeram História a louvar este sentimento mágico que une foliões de norte a sul do País em torno da magia que pede passagem para desfilar... Lembrando que ficaram de fora verdadeiros hinos carnavalescos, como Quando o carnaval chegar, Noite dos Mascarados e Quem te viu, quem te vê, todos do Mestre Chico Buarque, o empolgante Frevo nº 1 do Recife, de Capiba, a síntese foliã É Hoje, de Didi, porque samba-enredo (1982) não podia entrar nesta lista ou a tocante Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, de Vinícius e Toquinho, uma vez que o critério não pairava em torno da Poesia por baixo dos três dias de torpor, mas era a empolgação sobre a avenida por cima de uma vibrante bateria. Agora, todos para a avenida – e feliz carnaval a todos!

  1. Foi um rio que passou em minha vida – Paulinho da Viola: obra-prima absoluta, síntese maior da emoção de se acompanhar um desfile de escola de samba;
  2. Vai Passar – Chico Buarque: genial letra do nosso compositor maior (sobre música de Francis Hime), capaz de unir carnaval e protesto político num brilhante desfile do próprio País numa avenida;
  3. Samba, Suor e Cerveja – Caetano Veloso: o genial compositor baiano brinca com símbolos da grande festa desvairada;
  4. A Felicidade – Vinícius de Moraes e Tom Jobim/ A Voz do Morro – Zé Keti: dois clássicos imortalizados no Cinema (Orfeu Negro e Rio 40º, respectivamente), que, apesar das mais variadas versões posteriores, imortalizaram-se como sambões de primeira sobre o carnaval e o samba, gênero maior da festa-maior;
  5. Favo de Mel (versão nacional de Real in Rio­, canção-tema indicada ao Oscar em 2011 pelo filme Rio) – Carlinhos Brown e Sergio Mendes: não fala diretamente sobre a avenida, mas a deliciosamente pesada bateria de Brown e a linda melodia cantada em coro são animadíssimas loas ao carnaval e à natureza brasileiros.
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