domingo, 9 de fevereiro de 2014

Django e Tarantino:
Bastardos Inglórios...


Creio que a reação inicialmente negativa que tive em relação a Bastardos Inglórios, filme anterior e primeira incursão do cineasta Quentin Tarantino no gênero Guerra, foi a mesma que manifestei logo após (ou mesmo durante a exibição de) Django Livre, seu primeiro Faroeste, que finalmente vi, após mais de um ano da sua estreia. A produção é caprichada, com reconstituição de época em bons cenários e figurinos – melhor do que a cenografia de pequenos espaços, que pouco ou quase nada nos situava no europeu período da Segunda Guerra de Bastardos... Porém, ao final deste “bangue-bangue” modernoso, não me senti arrebatado, como era de se esperar como quando via qualquer filme de Sergio Leone ou Sam Peckimpah; tampouco numa reinvenção de gênero, como aconteceu, por exemplo, na excelente releitura dos filmes de Kung-fu em Kill Bill... Muito longe disso, na verdade! Mas, afinal, não era este o talento maior deste diretor? Pegar histórias aparentemente simples e emendá-las com grandes referências pop, palavrões aos borbotões sob uma normalmente excelente e eclética trilha sonora e muita violência estilizada, reciclando tramas e personagens antigos em algo moderno e sempre interessante, com a precisão artística de um renomado ourives? Infelizmente, acredito que o “ouro” esteja começando a faltar na mina tarantinesca...

Não que seu Cinema tenha ficado “ruim” – não, de forma alguma: como diretor, seu domínio na arte narrativa e na condução perfeita dos atores em meio a situações tantas vezes inverossímeis continua preciso! E, à exceção do fraco O Homem de Hollywood ou do sofrível À Prova de Morte (equivocadas parcerias em Grande Hotel e Grindhouse, respectivamente, ambas com o diretor Robert Rodriguez), mesmo quando ele derrapa, o filme ainda costuma ter suas qualidades! Mas o problema com Bastardos e Django parece ser o mesmo: não há um grande filme, tudo reduzindo-se a ser “Tarantino” demais! Ok, o cara criou um subgênero de si mesmo como poucos conseguiram na História do Cinema (como Hitchcock)... Mas enquanto isso era um divertido apêndice na sua obra-prima Pulp Fiction - Tempo de Violência e nos excelentes pequenos clássicos como Cães de Aluguel e Jackie Brown, atingindo seu ápice em Kill Bill, parece ter virado o único mote de suas produções atuais, entrando em franca decadência em seus trabalhos posteriores...

Assim, se pudéssemos visualizar o conjunto da sua obra num “gráfico”, daqueles bem engraçadinhos que saltavam à tela para enfatizar algo num de seus bons filmes anteriores, veríamos uma reta descendente: a bobagem à moda trash anos 70, cheia de pés femininos e mortes absurdas de À Prova de Morte foi mero exercício de ego num filme ruim, em "homenagem" às sessões duplas de filmes 'Z' dos antigos drive-ins; e Bastardos Inglórios, apesar de bem melhor, com Christopher Waltz como o inesquecível nazista Coronel Lando (vencedor do Oscar) e com uma interessante repaginação da História com um inusitado assassinato de Hitler, também acabou sendo somente uma estória engraçadinha com muitas pausas para cansativos “momentos Tarantino” – como o “incidente da taberna”, desnecessário para a condução da trama, mas absolutamente necessário para atestar as já costumeiras identificações do público cativo para com o seu “estilo”...

Já seu recente western até parte de premissa interessante: Jamie Foxx (Django Freeman, daí o título em Português) ajuda Christopher Waltz (ele de novo, e com novo Oscar pelo seu Dr. King Shulz) no trabalho sujo de caçador de recompensas e este, ao final, entrega-se de corpo e alma à busca do amigo negro pela amada esposa, tudo ambientado no racista sul norte-americano pré-abolição... Infelizmente, entretanto, Django Livre segue no mesmo nível de seu antecessor: apesar do clima bem mais comedido e do ótimo uso de grandes composições do “compositor-faroeste” por excelência, Enio Morricone (com direito a “música-tema”, à western anos 60, de autoria de Luis Bacalov, de O Carteiro e O Poeta), nem mesmo a ilustre presença de Giuleno Gemma (que viveu Django em vários faroestes-espaguete dos anos 60, mas sem relação alguma com o filme atual) e de um divertido e fetichista Don Johnson (o "cara das negrinhas") consegue arrebatar o espectador como em tempos idos...

A incômoda sensação de inverossimilhança no desenvolvimento dos personagens e de situações gratuitas e mal ajambradas que vai surgindo em Django Unchained (como a matança final em Candyland), especialmente a partir do meio-final, acaba prejudicando todo o resto. Isso sem falar na falta de empatia com o protagonista, no imenso desperdício de um excelente Leonardo DiCaprio, na logorreica sana do diretor/roteirista por longos e espertos diálogos (ao ponto de um ex-escravo recém-liberto, no pequeno período de convívio com um sofisticado caçador de recompensas, passe a ser um articulado estrategista) e nas incômodas inserções de modernosos rap e hip-hop em cenas marcantes: tudo rapidamente nos lembra de que se trata de um “filme de Tarantino”! Mas até que ponto isso é bom? Ultimamente, desde o clássico pop Kill Bill, eu diria que num ponto bem distante...

Já quase no fim do longa, Tarantino resolve dar as caras numa pequena aparição (um Hitchcock que não deu certo)... Se o seu Cinema está longe do furor que um dia teve, pelo menos a sua participação conseguiu ser "explosiva", meio que sintetizando a essência sem razão de ser do seu trabalho na atualidade: pode até ser divertido, mas se foi pelos ares...
Escuta aqui, Tarantino: é melhor  você voltar a fazer filmes memoráveis! Senão...
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2 comentários:

Gilberto Carlos on 19 de fevereiro de 2014 09:47 disse...

Gosto muito dos filmes de Tarantino. Já estou esperando pelo próximo.

Abraços.

Claudinha ੴ on 19 de fevereiro de 2014 15:57 disse...

Ei Dil, fica bravo com Tarantino não... Ele volta a acertar...
No mais, um beijo pros seus e procê uma gargalhada demorada (1 segundo) do Sheldon.
a h!

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