sábado, 6 de novembro de 2010

Luz...

Cinema

Não disse até logo
Nem tampouco adeus
Não segurei, nem afaguei,
Apenas toquei sua mão...

Desço aos infernos
Está tão claro
Estou tão só.
O escuro do cinema me faz bem
No pouco da claridade que vem da tela

Eu te sinto tanto
(Vinte e quatro quadros por segundo)
E, ao invés,
Minha luz,
em ti,

esmaece um pouco a cada dia

(Dilberto L. Rosa, 1996)


Quero urgente e impacientemente
Fugir de todo esse berreiro
De todo esse dilema
Quero alçar vôo impunemente
Ser apenas prisioneiro
Trancado na sala de um cinema!

(Dilberto L. Rosa, 1999)

Preto e Branco

Lembro-me dos filmes
De cor cinza
A me falar de sombras
Que nunca pude viver.

Viva os filmes de toda cor:

Mas vivo a imagem
Esmaecida
Dos tempos bem vividos
Que eu não consigo esquecer

– Tiro beijo no escuro noir...

Já nem sei
Da fotografia
Que meus filhos viverão
Ao meu Cinema fenecer...

(Magia falecida de antigos amanhãs)

Creio mesmo
Ter magia
No escuro da sala vazia
Com a tela clara a me preencher

Minha memória é em preto e branco!

Vivo contigo o Cinema
Com toda a sua poesia
Naquele tom de cor esquecida
Que o meu tempo nunca vai esmaecer...

(Dilberto L. Rosa, 1998)

Grandioso

E ela me achou a vida bela
Numa tela de perdido cinemascope
Tudo porque contei a ela de meus filmes
- Só porque lhe mostrei um punhado de belas cenas
De filmes eternos de final grandioso...

(Dilberto L. Rosa, 2010)


Poemas de épocas diversas com meu amado Cinema como pano de fundo... Cenas de Um bonde chamado desejo, Cinema Paradiso, O Terceiro Homem, Cidadão Kane e A Doce Vida
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32 comentários:

Du on 6 de novembro de 2010 10:47 disse...

Bom dia, meu amigo morcego relicário, tudo bem?

Nossa, eu AMO cinema, é uma das minhas maiores paixões na vida assim como a música e os livros. Uma vez participei de uma blogagem coletiva onde eu teria que escolher o filme da minha vida. Difícil, muito difícil! Acabei escolhendo um que marcou uma época muito importante "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", você já viu? Se não, recomendo.

Linda, perfeita postagem, viu?

Beijão

Jandira disse...

Cinema, poesia e música sempre presentes na tua história... E consequentemente na minha também. E que belos poemas! E que melodia divina! Parabéns pela seleção e emoção de sentimentos impregnados em cada verso. Cheiro grande.

Lara Amaral on 6 de novembro de 2010 13:00 disse...

Que bacana seus poemas sobre cinema, uma união de coisas que adoro.

Abraço!

Lulu on the Sky® on 6 de novembro de 2010 16:19 disse...

Minha vida é cinema.. Adoro.
Dilberto, se vc quiser sugerir mais músicas eu agradeço.
Big Beijos

Clarinhaaa on 6 de novembro de 2010 16:37 disse...

Olá querido amigo,
obrigada por estar sempre em casa... no meu blog.
Vejo que já passei pelo seu blog outras vezes, e confesso que muito me atrai pela diversidade. Confesso tbm que não estou muito disciplinada quando o assunto é blog, tenho escrito algumas coisas mas não tenho feito todo o "ritual" (visitar, comentar, e ler os blogs).

Mas saiba que agradeço muito por estar comigo e acompanhando meus rascunhos...rs!!!!

Beijos...=)

Mai on 6 de novembro de 2010 16:43 disse...

Versos e poemas compondo vários quadros por segundo. Um fotograma poético ou uma verdadeira 'poemateca'.
Incitou minha memória, há filmes inesquecíveis neste conjunto.
Bela trilha do Morricone. Adorei tudo por aqui.

Grata pela visita e comentário.

Grande abraço

Batom e poesias on 6 de novembro de 2010 18:03 disse...

Uma cinemateca poética de encher o coração de memórias. "Preto e branco" é um dos poemas mais belos que li ultimamente.

E que fique registrado que você é danado! Poucos se dão ao trabalho de decifrar os segredos "latentes" nos poemas alheios.

Bjs
Rossana

~*Rebeca e Jota Cê*~ on 6 de novembro de 2010 18:35 disse...

A pessoa apaixonada, pelo que move sua vida, consegue deixar nítido quando colocam em palavras.

Temos dois sistemas pra comentário, um do lado do outro: echo e o do próprio blog.

JC

Luci on 6 de novembro de 2010 19:05 disse...

noooossa!
perdi o fôlego (o resto, né?!rs!).
Marlon abre o post e Marcelo fecha...100sacional.
e os poemas tb!
bj!
ps: o post lá era só pra dar sinal de vida...rs! a vida civil tá me consumindo...humpf!

Canto da Boca on 6 de novembro de 2010 19:56 disse...

Um tratado poético sobre o sonho! Parece mesmo que antecipavas a tua saudade do bom cinema, do cinema feito com arte. Pois agora com a crise, a Metro Goldwyn Mayer, anunciando o fim da sua era...
Aqui homenageias dois dos meus filmes prediletos, O Sétimo Selo e a Doce Vida.

E Dilberto, obrigada pela sua inferência lá no Canto, gosto muito quando apontas o que não é pessoal no que escrevo. Da sua análise profunda do poema, do que está escrito à primeira vista, para só então mergulhar no subjacente.

Abração de admiração!

Ingrid on 6 de novembro de 2010 21:00 disse...

Encanto puro!
Vim agradecer a visita e palavras e encontro lembranças de um tempo de encantamento.. Lindo!
beijo

LuCordeiro: on 6 de novembro de 2010 21:34 disse...

Lindos poemas inspirados em magníficos filmes."Um Bonde Chamado Desejo" foi um dos melhores que já vi,mas foi na versão com Alec Baldwin e Jessica Lange.Até hoje a figura de Blanche Du Bois me faz pensar.Mas "Cidadão Kane" estou me devendo,acredita? Tem um outro filme que mto me impressionou:"Crepúsculo dos Deuses".Este me nocauteou.
Mto interessante vc transformar os sentimentos que grandes filmes te provocaram,em poemas.Ficou excelente!
bjosss... e bjocas na Morceguinha!

Canteiro Pessoal on 6 de novembro de 2010 21:53 disse...

Dilberto, que incomum seu nome, amei! Obrigada pelas palavras, e volte sempre que quiser.

Abraços

Priscila Cáliga

Dilberto L. Rosa on 7 de novembro de 2010 01:28 disse...

Não diria que move minha vida, mas tenho paixão por Cinema, Rebeca e Jota Cê; Não, Lu, não escrevi poema algum inspirado em qualquer filme em particular: só reuni poemas que tinham o Cinema como pano de fundo e a eles juntei imagens ilustrativas de filmes que aprecio muito!

Jota Effe Esse on 7 de novembro de 2010 06:52 disse...

Então mais luz, mais! Mais! Até que eu fique cego de amor! E assim possa ver no escurinho do cinema aquela que é a minha razão de ser. Meu abraço, Dilberto.

Luci on 7 de novembro de 2010 11:12 disse...

o morcego me mordeu vai virar série no 100!
bj

Claudinha ੴ on 7 de novembro de 2010 11:28 disse...

Câmera! AAAAAção!
Olá Dilberto!
O cinema tem um lugar importante em meu coração. Desde minhas primeiras impressões no velho cinema de Ouro Preto ou no Cine Pax em Itabirito, com a magia de Chaplin, até as grandes produções que vi na telona e os antigos que vi na telinha da tarde... Linda música, lindas palavras e lindo o seu sentimento!
Beijo!

Celamar Maione on 7 de novembro de 2010 14:04 disse...

Grandiosa é a sua homenagem ao cinema em forma de poesia.
Aplausos !
Beijos

Francisco Sobreira on 8 de novembro de 2010 11:48 disse...

Caro Dilberto,
Que bela postagem. O cinema homenageado pela aliança com a música e a poesia. Gosto do seu blogue e do editor, passo por aqui com certa regularidade, só que, às vezes, deixo de comentar. Um abraço e uma excelente semana.

Érica on 8 de novembro de 2010 17:54 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Helô Müller on 9 de novembro de 2010 04:29 disse...

Ahh, como é bom quando vc comparece em meus aposentos! rs
E como é uma delícia vir aqui...
Encantada, mais uma vez, com a sua sensibilidade..... agora, "cinemascópica"! rs
Amei cada palavrinha escrita...
Amei as imagens cuidadosamente selecionadas...
Enfim, amei o conjunto da obra!

The Oscar goes to.... Dilberto!!

Bj em preto e branco!
Helô

Ilaine on 9 de novembro de 2010 06:58 disse...

Dilberto, quanta delicadeza nestas poesias que se complementam perfeitamente com as imagens. Belíssimo post, parabéns. O cinema em tua vida e "Cinema paradiso" saudades em mim. E a música...

Obrigada pela força... Muitas vezes preciso de um empurrãozinho. Saber que gostas do escrevo, já é motivo suficiente para continuar. Beijo

Игорь on 9 de novembro de 2010 12:03 disse...

Belos poemas Dilberto .

Cada um deles merecia um post em separado . Na minha modesta opinião de leitor , confere mais força as postagens .


abração !!

Magui on 9 de novembro de 2010 19:38 disse...

Todos belos filmes e ,por isso, te inspiraram tão bem.Será que Marlon Brando malhava para ter este tríceps?

Игорь on 10 de novembro de 2010 12:28 disse...

Rsss

Aprendi isso com os desenhos . Várias figuras disputando o mesmo espaço se diluem . O mesmo ocorre com textos .

abração !

Miguel S. G. Chammas on 12 de novembro de 2010 08:18 disse...

Amigo Dilberto, voltei para te ler e pedir que não esmaeças na beleza destes versos.
Caso se interesse ainda, vá lá nio meu cantinho de rabiscos.
Postei mais um fragmento de memória deste velho rabiscador.
Outra saia justa que me meti.
Abraços, Miguel

Jens on 14 de novembro de 2010 14:08 disse...

Bela e sensível seleção de poemas, Dilberto. Teus versos desmentem a afirmação comumente aceite de que uma imagem vale por mil palavras. No caso, a magia verbo se une com perfeição ao encanto de um universo antigo feito de celulóide.

Um abraço.

Dilena Rosa disse...

Fiquei encantada com os poemas! Essa junção de poemas, música e imagens mostram a pessoa sensível e de bom gosto por tudo que a cultura tem de belo.
Quando jovem, fiz algumas poesias românticas e uns textos, coisas simples... Quando você iniciou a escrever, cheguei a dizer que havia puxado a mim rs rs! Mas, não, nada disso!... Você nasceu com alma de poeta e um eterno apaixonado pelo cinema.
Parabéns!
Beijos da sua mãe e sua maior admiradora.

Ruby on 14 de novembro de 2010 20:17 disse...

Dilberto esse post tem a minha cara logo de início com a foto da Vivien, depois outros filmes que amo, caracterizados pela cor, a parte verbal fica por conta de sua maestria, intimidade com as palavras e sensibilidade embaladas por essa melodia mais que bela. Lindo!

José Viana Filho on 17 de novembro de 2010 20:07 disse...

Grande mestre,

dos filmes o que mais gosto 'e la doce vita, do poemas abaixo me chamou atenção o Grandioso.

Parabéns pela seleção de imagens e de palavras...

Bjs na sua três mulheres: Dilena, Jandira e Isabela...

abs!!

Ricardo Campos disse...

Oi Dil,

Estou em uma cidadezinha que não tem cinema, a não ser frequentar bares, festas e visitar a pracinha. Sinto falta do cinema. Nem que surja algum cinema mambembe, mas isto não existe mais. É a vida no interior!

Emmanuela on 8 de dezembro de 2010 22:11 disse...

Eu amei o seu blog. Muito criativo e inteligente. Obrigada por sua visita no cinema pela arte. A partir de hoje, estarei sempre por aqui!

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