domingo, 6 de agosto de 2006

Dando continuidade aos últimos 'posts' destes Morcegos que aos poucos se vão (sem saber se voltam um dia...), hoje é dia da "última crítica de Cinema", com um filme delicioso e vivo, mais um excelente exemplo de o quanto o nosso eterno Cinema Brasileiro pode ainda apresentar... Dedicado ao dileto amigo, infelizmente também de partida neste mês de agosto: Luiz Henrique, adorador de Kubrick como eu e que sabe muito da sétima arte, sempre mandando bem no seu Under Pressure 2 - apesar de gostar de Armageddon (rs)!

Último Cine Morcegos


Cinema, Aspirinas e Urubus é o primeiro trabalho no Cinema do talentosíssimo pernambucano Marcelo Gomes. É Cinema sobre o Nordeste, chega a lembrar clássicos como Vidas Secas, graças à insistência com a fotografia quase queimada pelo Sol ou pelos largos enquadramentos da caatinga sem vida do sertão (no caso, da Paraíba). Mas, se não chega àquela profundidade de dramas e de personagens como se deu na adaptação genial de Nelson sobre a obra de Graciliano, também não é "cinema nordestino", voltado para o umbigo do microcosmo da pobreza abandonada pelo "Estado Invisível" - isso até existe, mas a grandeza está em reunir dois personagens que nunca poderiam ser amigos em qualquer outro lugar do mundo: um alemão, representante das então lançadas aspirinas da Bayer, e um sertanejo amargo e sem futuro algum.

Os dois juntos cruzam a aridez daquela região pobre num caminhão da empresa alemã e se tornam amigos verdadeiros, graças a pequenas situações que, aos poucos, vão mudando suas perspectivas de vida. E é só: uma estória simples e direta, sem rodeios, firulas ou reviravoltas mirabolantes com emoção fácil. Não. Trata-se de um trabalho competente, preciso em imagens e em diálogos (com destaque para o excelente ator João Miguel, o Ranulfo, baseado nas histórias do tio-avô do diretor, amargo e matuto a princípio, mas que aos poucos sabe mudar - "Não pode mudar, não?", retruca em um dos muitos momentos engraçados do filme), que alargam a visão de quem quer ver tudo com estreiteza: afinal, quem foge de uma guerra, como o personagem Johann, até a miséria seca de uma terra sem futuro é bonita...

Se este belo trabalho começa com a contemplação, a descobrir e a nos ensaiar sobre o que se pode encontrar no nada (aqui, o Nordeste árido do sertão da Paraíba do ano de 1942, na era Vargas prestes a entrar na II Guerra, e, logo, a considerar os alemães no País como inimigos), pode-se dizer que termina com alegria, e alegria redentora, infantil, que eleva a alma de quem deixa a sala escura e faz lembrar que a felicidade está bem mais perto do que se pensa... E que, entre Cinema (no caso, os filmetes da Bayer sobre um "país maravilhoso" que ninguém conhecia e que faziam qualquer um comprar aspirina) e urubus (o abandono, o descaso, como se povo fosse lixo), não há espaço para dores de cabeça!
 

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