quarta-feira, 4 de abril de 2018

Todos os Filmes (que eu vi) do Oscar 2018

Oscar de melhor trilha sonora: o criativo Alexander Desplat, oscarizado antes pela trilha do excelente O Grande Hotel Budapeste, compôs aqui o seu melhor trabalho - trilha inesquecível de um filme deliciosamente romântico em todos os aspectos: A Forma da Água.

E a minha "maldição do Oscar" continua: se nos dois anos anteriores a sofrível Sky me deixara sem poder ver a premiação ao vivo, neste ano, livre daquela péssima TV por assinatura, sequer pude acompanhar a exibição picotada da "edição Big Brother" da Globo... A razão? Os técnicos da Sky, ao desligarem seus cabos, desconectaram-me também da antena externa do condomínio dias antes daquele domingo, 4 de março... E, curiosamente, tudo isto se deu num ano em que creio ter visto mais filmes indicados em todos os tempos!
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Mas não falo somente dos 9 "principais", dos candidatos à estatueta de melhor filme - lista que não me apeteceu a ver em sua completude, deixando de lado filmes como Ladybird, Me chame pelo seu nome e The Post - A Guerra Secreta (mas ansioso para ver, muito em breve, Trama Fantasma, Dunkirk e O Destino de Uma Nação, todos oscarizados)! Falo, mesmo, das indicações de um modo geral, com gratas surpresas entre categorias menos badaladas, como a de melhor roteiro adaptado - em que, mesmo não tando levado, concorria o ótimo Logan («««), filme humano e distante das extenuantes pirotecnias dos atuais filmes de super-heróis, livremente adaptado de várias HQs do Wolverine e dos X-Men e despedida metalinguística de Hugh Jackman do papel que o consagrou - e melhor fotografia - em que, apesar da fortíssima concorrência dos outros 4 indicados, foi mesmo a bela e impactante fotografia de Blade Runner 2049 (««««), emocionante sequência-homenagem do clássico noir-punk de 1982 de Riddley Scott (atuando, neste trabalho, apenas como produtor), que merecidamente arrebatou não só esta estatueta como também a de melhores efeitos visuais.

E agora, um mês depois da festa do careca dourado, além desses dois ótimos filmes outonais de queridos personagens antigos (quem mais poderá viver Wolverine ou Deckard no Cinema, no futuro, que não Jackman ou Ford?), os Morcegos vêm falar de outros interessantes indicados (e seus respectivos Oscars, no caso de terem conquistado algum). E, no mês dos 14 anos deste humilde espaço virtual, serão 14 títulos ao todo (títulos e cotações em vermelho negritado) - vamos a eles...

Impossível conter as lágrimas quando a quase centenária Coco, personagem do título original do muito bom Viva - A Vida É Uma Festa, deixa o estado vegetativo e canta com seu bisneto "aventureiro do além" a bela Remember Me (Recuerda-me, na versão em Espanhol), merecidamente premiada com o Oscar de melhor canção.
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Em primeiro lugar, o "campeão" da noite (13 indicações e 4 Oscars)A Forma da Água (««««), além de arrebatar os dois maiores prêmios para Guilhermo del Toro, os de melhor filme e melhor direção, consagrou um novo estilo de sucesso - o "filme-homenagem" (aqui, ao antigo Cinema de Romance e de filmes B de Horror e Ficção Científica), que já havia sido bem sucedido nas edições anteriores (como em O Artista e La La Land, que celebravam os antigos filmes mudos em preto e branco e os musicais), agora com toques bem redondos e encaixados de drama e filme de época, pitadas de discussão político-social e ... filme de monstro (prato cheio na carreira do diretor do ótimo Labirinto do Fauno)! Pronto: receita perfeita para conquistar ainda as láureas de melhor trilha sonora e melhor direção de arte, ambas as categorias impecavelmente representadas neste ótimo folhetim. Seu "maior concorrente" da noite, o igualmente ótimo, porém em gênero e formato completamente diferentes, Três anúncios para um crime (««««), inteligente drama de camadas humanas, acabou "roubando" o Oscar de melhor atriz... E assim, em vez da apaixonada mudinha que se apaixona pelo monstro aquático, vivida brilhantemente por Sally Hawks, quem levou a estatueta pra casa foi a amarga mãe de uma filha violentamente estuprada e morta numa cidadezinha norte-americana, interpretada por Frances McDormand (perfeita, porém naquele tipo de papel sob medida para a veterana atriz, o que Brando costumava chamar de "papel à prova do ator": não tem como errar!). Três anúncios... levou ainda outro prêmio de interpretação: o de melhor ator coadjuvante para Sam Rockwell (que, curiosamente, repete aqui cacoetes de outros de seus melhores papéis...).

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Em tempos de superestimadas séries, como a recente Black Mirror (aguardem postagem especial de aniversário dos Morcegos sobre as 4 temporadas desta cultuada produção televisiva) da Netflix, que nada mais são que releituras tecnologicamente atualizadas de marcos televisivos do passado, como Twilight Zone - Além da Imaginação (e bem aquém da criatividade deste...), o igualmente superestimado Corra! («««)que concorreu, entre outras indicações, ao prêmio de melhor filme (!), bem poderia ser um episódio esticado de uma dessas séries, acabou surpreendentemente com o Oscar de melhor roteiro original - surpreendente porque a divertida mistura de suspense e ficção científica com toques de comédia absurda com fundo de discussão sócio-psicológica sobre questões raciais não tem nada de genial e beira mesmo uma sátira dos antigos filmes de serial killers... De qualquer forma, vale conferir!
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E falando em Netflix, o poderoso canal virtual de programação streaming levou seu segundo Oscar, o de melhor documentário, com o polêmico Ícaro (««««) - em que, quase numa narrativa de thriller (surge um novo Michael Moore?), o cineasta e dublê de desportista Bryan Fogel não só vive na própria pele a realidade do dopping como acompanha o desvendamento de um dos maiores escândalos do esporte mundial com a revelação de um gigantesco esquema criminoso na Rússia de Putin e seus atletas imbatíveis... Igualmente dignos de nota são outros dois candidatos em categorias técnicas, mas que saíram de bolsos vazios da festa: Kong - A Ilha da Caveira («««), indicado a melhores efeitos especiais, é surpreendentemente divertido, com uma espécie de reboot da franquia de King Kong numa gostosa aventura no lar do gorila gigante; e Star Wars - Episódio VIII - Os Últimos Jedi (««««), concorrendo em quatro categorias (incluindo melhor trilha sonora, para o "veterano da Força" John Williams), acabou não levando nenhum - o que achei uma injustiça para esta estranha sequência da cultuada franquia, que, mesmo com tramas paralelas fracas ou que não levam a nada (um Luke Skywalker literalmente "sumido"; Poe Daemeron e seus novos rebeldes em planos já vistos em filmes anteriores; punhado de naves rebeldes "sem gasolina" no espaço vencendo pelo cansaço gigantesca frota imperial) e reviravoltas anticlimáticas (mas quem é este poderoso Snoke... Ai, ele já morreu...), consegue se sustentar como uma empolgante sequência intermediária no universo SW, bem posicionado entre o velho e o novo.

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E na categoria melhor animação, dos quais vi todos os 5 indicados, começo por Com Amor, Van Gogh («««): a belíssima técnica de animação com pinturas nos mesmos moldes do genial pintor holandês sobre cada quadro de um filme morno, de reconstituição biográfica amarrada, mas que chega a emocionar pela beleza... Não se pode, porém, catalogá-lo no subgênero Animação e, portanto, não deveria estar nessa categoria, uma vez que se trata de um drama com atores reais! Já Breadwinner («««« - produção da humanista Angelina Jolie), tanto pela beleza como pela abordagem realista da dura vida de uma menina num Afeganistão dominado pelos talibãs, mereceria o prêmio - mas como estamos numa festa tipicamente estadunidense e comercial, onde reinam a emoção mais trivial e distante de duros problemas de direitos humanos "distantes"... Pelo menos nada que justificasse premiação para o fraquíssimo O Touro Ferdinando (««) - Carlos Saldanha (Rio) e seus personagens cansativos e clichês do início da Era Disney estragando um pequeno clássico da Literatura infantil sobre as diferenças com um touro que prefere as flores às touradas (e que o próprio Disney já havia produzido de forma muito mais competente, em pouco mais de 7 minutos, tendo ganho o Oscar de "curta animado" de 1939) - ou para a simpática premissa sobre a sempre difícil chegada de um bebê na óptica do seu irmão mais velho (e cheio de imaginação) de O Poderoso Chefinho (««« - voz do sempre carismático Alec Baldwin), infelizmente perdida em clichês e exageros típicos das animações atuais... Viva - A Vida É Uma Festa (««««), ainda que longe da excelência da velha Pixar de Toy Story e Procurando Nemo, mereceu esta estatueta, sendo feliz ao criar conceitos por sobre a rica cultura familiar mexicana, numa trama melodramática bem colorida e divertida, agradando na beleza, na Música (vencedora como melhor canção - confira o vídeo acima) e no respeito às famosas caveirinhas de Frida Kahlo (que faz uma "aparição" no filme...) e a um povo normalmente desprestigiado das grandes produções dos EUA.

Por último, mas não menos importante, e ainda falando sobre Animação, o décimo quarto título desta postagem: Dear Basketball («««), de pouco mais de 4 minutos de duração, levou o prêmio de melhor animação em curta-metragem. Imbatível: a paixão pelo basquete, desde a primeira bola de meia aos 6 anos (engraçado: por aqui, essa primeira bola a gente chuta, e não joga na cesta...) até o estrelato, do hoje aposentado Kobe Bryant, pequena lenda do esporte mais popular dos EUA... Música de John Williams (ele de novo) e narração tocante do próprio Kobe num filme tão curto que bem poderia ser um comercial de algum banco, daqueles otimistas e de superação, que ainda fascinam as grandes massas - tal como se dá com um amado ídolo do esporte em relação a seus incontáveis fãs... Se eu ainda fizesse aquela apostinha, seria nesse que eu iria (confira abaixo) - afinal, A Forma da Água deixou bem clara qual a necessidade atual do espectador: magia e emoção...

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