quarta-feira, 27 de maio de 2009

"E agora para algo

completamente diferente...!"


A Preocupação olha em volta, a Tristeza olha para trás, a Fé olha para cima... Mas resta a dúvida: vira espírito de porco quem morre de gripe suína?

Sensacionalismos à parte, olho para trás e vejo, saudoso, 32 anos sem uma fantasia de ficção científica tão bem feita: e não é que a data de lançamento de Guerra nas Estrelas, 25 de maio, virou “Dia do Orgulho ‘Nerd’”! O que faltam inventar? Darth Vader não ficaria nada satisfeito...

Olho em volta, preocupado: a picardia reina em todo lugar! Batman, no Brasil, é bandidão, com direito a sucursal miliciana da Liga da Justiça no Rio! Só que, mesmo preso, o ex-PM é tão perigoso que teve de ser transferido para o Mato Grosso do Sul (!), porque Gotham, perto do Rio, era fichinha! Santa confusão!

Mas minha fé olha para cima e, de lá, vem a boa nova: a chuva parece começar a diminuir... E que, de lá, Zé Rodrix e seus debochados óculos olhem pela mesmice nossa de cada dia...

E recebi um gentil selo-prêmio (disposto ao lado, com as devidas indicações de mais dez "Jovens que pensam") do grande kryptoniano e primo-chefe Marco, que há alguns dias perguntou "O seu blog é Morcegos, você põe retrato do Batman, mas sempre há alusões ao Super-Homem... Por quê?", e agora respondo: por aqui, mundo alternativo entre a Arte profunda e o gostoso 'pop' das HQs, apesar do domínio dos morcegos por causa de meu primeiro poema, o Super-Homem também reina, especialmente em função de ter sido sua adaptação de 78 o primeiro filme visto, certo tempo atrás... E também pelo resgate da esperança e dos superpoderes para o quinhão nosso do amor de cada dia! Mas, vez por outra, o Homem-Morcego e suas sombras também dão as caras...


E, falando em Morcego e em picardia, nada melhor que encerrar com uma "poesia": "Qual o segredo do Morcego?" – essa eu acho que nem o Sombra sabe... Mas nosso grande bucaneiro Laerte (o mesmo genial cartunista de Os Gatos, Condomínio e Los 3 Amigos, da inesquecível Chiclete com Banana), num momento de rara inspiração, resolveu reunir, certa feita, o Homem-Morcego e a trupe escatológica dos porcos, estúpidos, sanguinários e românticos Piratas do Tietê numa estória antológica – com direito a um versinho pra lá de explícito com um Batman corrompido pela embriaguez depois de uma noitada visceral... Com vocês, o incrível 'nonsense' dos Piratas:


Devido às fortes cenas chocantes, clique na imagem acima para testemunhar este segredo, entre vômitos e arrotos desconcertantes...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"Eu vejo flores em você..."




Flores para uma flor: 'post' carinhosamente dedicado à D. Dilena L. Rosa, a supermãe!

Literalmente, como dizia o poeta, “Quem já passou por essa vida e não viveu/ Pode ser mais, mas sabe menos do que eu/ Porque a vida só se dá pra quem se deu/ Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu/ Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão”... Por isso é sempre bom ver o lado belo da vida, mesmo em meio às torrentes – porque, sabe-se lá Deus quando, as tormentas trazem um mar calmo à beira das mãos... E você, ainda por cima, pode ter o leme do barco novamente como cortesia da casa! Por todas as flores pelo caminho bonito que nos aguarda: algo alegre assim como alguém cantando na chuva – mesmo em meio a essa chuvarada ruim toda, mesmo em meio às torrentes: que venha um dia feliz...


NOW!

Já me esqueci do amanhã
O poema me veio agora

O resto pode esperar...

Dilberto L. Rosa, 2004

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Super...?!

"Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor”.
(...)

(Trecho de Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade)




E eu, que não passo de um ordinário super-herói comum, logo a mim me foram dadas tantas missões, sem saber mesmo se seria capaz de cumpri-las... Logo eu, com quaisquer superpoderes, tenho que suportar este mundo de coisas por sobre os ombros... Com o peito tão cheio que os botões da camisa já se partiram antes mesmo de eu pensar em alçar vôo... E, como um pobre diabo amargurado, fico a perguntar-me: e se eu tivesse voado?...

Há exatos 32 anos nascia Dilberto L. Rosa... Que me importa, que me vale: eu, que nasci há dez mil anos atrás, e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais, não vejo graça nenhuma em endeusar ninguém, muito menos alguém que, se tinha algum talento, enterrou-o por 30 moedas e ainda se esqueceu de onde o fez!

Mas amo, seja como for, e isso talvez ainda deixe seco, no canto da boca, um gosto amargo e um travor na língua... Mas isso é o que me faz seguir em frente e acreditar que um dia ainda possa voltar a voar... Nem que leve mais 32 anos... Ou dez mil...

“Feliz, feliz, feliz”... Soam as 13 badaladas da Igreja da Sé, no coração do Centro Histórico, como a entoar um cântico gregoriano camuflado naquele sibilar tristemente alegre de fé, em homenagem a alguma virgem aparecida não sei onde... E São Luís inteira acorda e recorda seus aniversários desde que o mundo é mundo e os Timbiras dominavam esta terra, muito antes da Poesia de seus casarões... Cada pedra de cantaria, no fundo, quer saber mais sobre esse cara que as pisa com carinho, como que tropeçando nos astros, distraído... Tanto que nem vê a moça que acabou de achá-lo bonito, pois, na verdade, já nem se lembra se o é...

Tão esquecido, tão bizarro, quase como um vilão, que roubou sossego ou que destruiu sonhos do mundo ou de uma moça enamorada... Ele mesmo já nem lembra quando poderá acordar num novo conto ao lado da mulher amada...

E a chuva não para de cair e de molhar e de obstruir... E o rosto se molha, entre muitas lágrimas e pingos d’água... E o dia segue lento, demorando a passar... E a vida se arrasta, só para ver, com ardor e aflição infantis, o que ainda virá...

E eu, que não passo de um comum super-herói qualquer, peço para o tempo parar no dia em que, amando, fui feliz... E o tempo daquele gentil aniversariante se congela, com ele soprando uma vela e fazendo um pedido para a posteridade...

"Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
(...)
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar

(Trecho de Quando o carnaval chegar, de Francisco Buarque de Holanda)


terça-feira, 5 de maio de 2009

Chove Chuva...

Agora está chovendo... E muito aqui em São Luís do Maranhão, da mesma forma no Norte e no Nordeste de uma forma geral. E assim mesmo daria tudo para ir correndo só pra ver o meu amor, como diria o Poeta Ben...

Infelizmente, não são tempos de cantar na chuva, não: tanto na capital como no resto do Estado (assim como se dá, em especial, com o vizinho e amado Pará...), muitas famílias se encontram desabrigadas e muitas cidades do interior se encontram em estado de emergência devido a inundações. Uma pena aqui não ter o discreto charme da burguesia sulista de Santa Catarina, não havendo aquela mobilização nacional pelos nossos desabrigados marrons: até o Presidente, que já foi nordestino, só passou por cima, 'blasé' e 'an passant', em seus belos discursos à francesa... Para os de coração cosmopolita e bom, em querendo ajudar, a OAB/MA disponibilizou a seguinte conta para os necessitados maranhenses: CC 2222-5, AG 2954-8, Banco do Brasil.

Mas chuva, além de tudo, é melancolia, é lágrima de saudade que escorre, é céu cinza, é clima tétrico... Por isso acabei desencavando entre os escombros do último deslizamento sem vítimas fatais uma crônica poética para fazer-lhes companhia ao lado de um bom chá ou caldo quente...

Solidões

Sonhos de mulheres de papel, fugidios e desfeitos na esperança de uma companhia feminina – ao começar a noite é que se sente sua falta. Elas moram só no pensamento...

Saio à procura da noite na rua e vejo a vida passar por mim sem me perceber; assim como as muitas pessoas que, por também procurarem, também não me percebem.

Um beco vazio. E aquele beco seria minha morada. A chuva que caía, minha companhia. E a escuridão, a claridade de meus pensamentos e esperanças. Era diferente de casa, mas só um pouco. E era mais frio e distante saber que chovia sem ver os pingos, só sentindo a chuva; as gotas, a me deixar todo molhado.

A chuva cai para todos. E era confortável saber que eu tinha companhia porque, em algum lugar, aquela chuva também molhava alguém além de mim...

Dilberto L. Rosa, 1994
 

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